O Planeta está em crise

Eventos climáticos extremos, como furacões, secas e enchentes estão cada vez mais frequentes. Seriam eles uma prova de que a ação do homem está afetando o clima do Planeta? A ação do ser humano está criando uma nova era geológica: o Antropoceno.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

geleira

As mudanças no Planeta estão ocorrendo rapidamente. Compare na foto a geleira McCarty, no Alasca entre julho de 1909 e agosto de 2004, sendo possível perceber que ela, literalmente, derreteu e se transformou em um vasto rio de águas turvas.

O que está ocorrendo com a Terra é uma constante degradação ambiental que é a desintegração ou a deterioração do meio ambiente por meio do consumo de ativos, por exemplo, ar, água e solo, o que acarreta a destruição dos ambientes e a erradicação da vida selvagem. Caracteriza-se como qualquer mudança ou agravamento ao território da natureza visto como pernicioso ou indesejável. O efeito ou a degradação ecológica é criado pela consolidação de uma população humana efetivamente substancial e em expansão, desenvolvimento monetário em constante expansão e a aplicação de tecnologia de destruição de ativos e poluentes.

Para o docente do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo, a história do Planeta sempre foi marcada por alterações geofísicas e geológicas que orientaram a evolução da vida. “Isso até o início da Revolução Industrial, em torno de 1850, quando o homem começou a queimar combustíveis fósseis. Com isso, ele ganhou uma possibilidade de alterar a composição da atmosfera, o que afeta diretamente o clima do planeta. A ação do homem está tendo um efeito similar às alterações geofísicas e geológicas que ocorreram ao longo da história do planeta, alterando o clima”, explica.

Artaxo acrescenta que a temperatura da Terra já aqueceu um grau, em média, o que significa um aumento de dois graus em áreas continentais. Isso explica alguns fenômenos naturais recentes. “Esse aumento de dois graus é uma quantidade imensa de energia no sistema, que é dissipada na forma de furacões, como temos visto ultimamente. Também estamos alterando o padrão de chuvas. Eventos climáticos extremos sempre existiram, mas as mudanças climáticas globais intensificam esses eventos. Temos que preparar o País para essa nova realidade climática que está aparecendo. Isso vai requerer boa ciência e integração entre sociedade e governo”.

Outro tema estudado pelo docente são os aerossóis, partículas que ficam em suspensão na atmosfera e interferem na produção de nuvens. “Elas têm papel fundamental na regulação climática. Seu tamanho faz com que espalhem muito eficientemente a radiação solar, resfriando a superfície do planeta. Estudamos o papel dessas partículas no balanço da radiação e nos mecanismos de formação de nuvens. Além disso, essas partículas carregam fósforo, nitrogênio e material carbonáceo, por isso afetam os ciclos biogeoquímicos dos nutrientes, que são essenciais, por exemplo, para a floresta amazônica. Existem aspectos científicos pouco conhecidos sobre o papel dessas partículas”, frisa o professor.

De acordo com Artaxo, em grandes cidades, os aerossóis podem ter um efeito negativo na saúde da população. Já em ambientes naturais, eles podem interferir até na fotossíntese das plantas. “As emissões de queimadas na Amazônia, por exemplo, têm um papel negativo na saúde da população e na fotossíntese da floresta que não foi queimada. Quando essas partículas vão para a atmosfera, elas absorvem luz solar e reduzem o fluxo de radiação disponível para as plantas fazerem fotossíntese. Com isso, a floresta cresce menos, faz menos fotossíntese e absorve menos dióxido de carbono da atmosfera. Isso impede a realização de um importante serviço ambiental”, explica.

Outro problema é a poluição dos rios, muito comum em áreas das zonas urbanas brasileiras. São alguns exemplos o Rio Tietê, em São Paulo; Rio Iguaçu, no Paraná; e Rio Doce, em Minas Gerais. A poluição dos rios é muito comum em ambientes urbanos, havendo raríssimos casos em que cursos d’água em grandes áreas urbanas não se encontrem degradados.

A principal causa da poluição urbana é a falta de saneamento básico, que obriga a população a jogar lixo nos rios – tanto de forma direta no leito das águas quanto pelo transbordamento de dejetos que acabam chegando à bacia hidrográfica quando as chuvas ocorrem. Portanto, para conservar os rios urbanos, é necessário manter a limpeza das próprias cidades, com a limpeza das canalizações e dutos e o recolhimento apropriado dos rejeitos.

Assim, os problemas ambientais ocorrem quando os recursos naturais da Terra estão empobrecidos e o meio ambiente está comprometido sob a forma de extinção de espécies, poluição no ar, água e solo e crescimento rápido da população. A Organizações das Nações Unidas (ONU) a considera como uma das maiores ameaças que estão sendo analisadas hoje no mundo, pois diminui o limite da terra para atender aos destinos e as necessidades sociais e ambientais.

desmatamento

Por exemplo, o desmatamento e a poluição afetam, direta ou indiretamente, a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a fauna e a flora; as condições estéticas e sanitárias do meio; e a qualidade dos recursos ambientais. Quanto ao impacto ambiental, qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante de atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades sociais e econômicas, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais, deve ser entendido como uma ação que ocorre no meio ambiente, decorrente de fenômenos naturais, e de ações da humanidade. As consequências desses atos trazem problemas ao local de origem, da mesma forma que pode atingir outros lugares, chegando a níveis globais. O homem se constitui numa das figuras que torna a questão mais complexa, haja vista que ele intervém de forma extensa.

Existem algumas normas técnicas nacionais que podem colaborar para amenizar os problemas. A NBR ISO 14045 de 05/2014 – Gestão ambiental – Avaliação da ecoeficiência de sistemas de produto – Princípios, requisitos e orientações descreve os princípios, requisitos e orientações para a avaliação da ecoeficiência de sistemas de produto, incluindo: a definição de objetivo e escopo da avaliação da ecoeficiência; a avaliação ambiental; a avaliação do valor do sistema de produto; a quantificação da ecoeficiência; a interpretação (incluindo garantia da qualidade); a comunicação; e a análise crítica da avaliação da ecoeficiência. Os requisitos, as recomendações e as orientações para escolhas específicas de categorias de impacto ambiental e de valores não estão incluídos. A aplicação pretendida da avaliação de ecoeficiência é considerada durante a fase da definição de objetivo e escopo, mas a real utilização dos resultados está fora do escopo desta norma.

A avaliação da ecoeficiência é uma ferramenta quantitativa de gestão que permite o estudo de impactos ambientais do ciclo de vida de um sistema de produto em conjunto com o valor do sistema de produto para uma parte interessada. No âmbito da avaliação da ecoeficiência, os impactos ambientais são avaliados com a utilização da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), conduzida em conformidade com outras normas brasileiras (NBR ISO 14040, NBR ISO 14044).

Consequentemente, a avaliação da ecoeficiência compartilha com a ACV muitos princípios importantes, como perspectiva de ciclo de vida, completeza, abordagem de unidade funcional, natureza iterativa, transparência e prioridade da abordagem científica. O valor do sistema de produto pode ser escolhido para refletir, por exemplo, a eficiência no uso, recursos, na produção, na entrega ou na utilização, ou uma combinação destas. O valor pode ser expresso em termos monetários ou com base em outros aspectos.

Os principais objetivos desta norma são: estabelecer uma terminologia clara e uma estrutura metodológica comum para a avaliação da ecoeficiência; permitir o uso prático da avaliação da ecoeficiência para uma vasta gama de sistemas de produto (incluindo serviço); fornecer orientação clara para a interpretação dos resultados da avaliação da ecoeficiência; encorajar a comunicação transparente, precisa e informativa dos resultados da avaliação da ecoeficiência.

Os princípios a seguir são fundamentais e servem como orientação para decisões relacionadas tanto ao planejamento quanto à condução de uma avaliação de ecoeficiência.

– Perspectiva de ciclo de vida – Uma avaliação de ecoeficiência considera todo o ciclo de vida, desde a extração e aquisição de matérias primas, através da produção de energia e materiais, manufatura, uso, tratamento de fim de vida, até a disposição final. Com base em tal visão e perspectiva sistemáticas, a transferência de impactos potenciais entre estágios do ciclo de vida ou entre processos individuais pode ser identificada e avaliada dentro de uma perspectiva de ecoeficiência global.

A avaliação da ecoeficiência é uma técnica iterativa. As fases individuais de uma avaliação de ecoeficiência utilizam os resultados das outras fases. Essa abordagem iterativa dentro e entre as fases contribui para a completeza e consistência da avaliação da ecoeficiência e dos resultados relatados.

Devido à inerente complexidade da avaliação da ecoeficiência, a transparência é um princípio orientador importante em sua execução, de modo a assegurar uma interpretação adequada dos resultados. A completeza é uma avaliação de ecoeficiência considera todos os atributos e aspectos do meio ambiente e do valor do sistema de produto. Ao se considerarem todos os atributos e aspectos dentro de uma avaliação de ecoeficiência, potenciais compromissos podem ser identificados e avaliados.

Para uma prioridade da abordagem científica, as decisões dentro de uma avaliação de ecoeficiência são embasadas preferencialmente em dados científicos, de metodologia e outra evidência. Se isso não for possível, podem ser tomadas decisões baseadas em convenções internacionais. Caso não exista uma base científica nem se possa referir a convenções internacionais, as decisões podem então ser embasadas em escolha de valores.

Uma avaliação de ecoeficiência compreende cinco fases: definição de objetivo e escopo (que inclui fronteiras do sistema, interpretação e limitações); avaliação ambiental; avaliação do valor do sistema de produto; quantificação da ecoeficiência; e interpretação (incluindo garantia da qualidade). Uma avaliação de ecoeficiência é uma avaliação do desempenho ambiental de um sistema de produto com relação a seu valor.

A ecoeficiência é uma ferramenta prática para a gestão em paralelo dos aspectos ambientais e de valor. O resultado da avaliação da ecoeficiência refere-se ao sistema de produto e não ao produto em si. Um produto não pode ser ecoeficiente; a ecoeficiência só pode ser definida para o correspondente sistema de produto, que inclui a produção, uso e disposição final, isto é, o ciclo de vida completo. A ecoeficiência é também um conceito relativo e um sistema de produto pode ser apenas classificado como mais ou menos ecoeficiente em relação a outro sistema de produto.

A NBR ISO 14046 de 06/2017 – Gestão ambiental — Pegada hídrica — Princípios, requisitos e diretrizes especifica os princípios, requisitos e diretrizes relacionados com a avaliação da pegada hídrica de produtos, processos e organizações com base na avaliação do ciclo de vida (ACV). Esta norma fornece princípios, requisitos e diretrizes para conduzir e relatar uma avaliação da pegada hídrica como uma avaliação única e individual, ou como parte de uma avaliação ambiental mais abrangente.

Somente as emissões atmosféricas e do solo que impactam na qualidade da água estão incluídas na avaliação, de forma que nem todas as emissões atmosféricas e do solo estão inclusas. O resultado de uma avaliação da pegada hídrica é um valor único ou um perfil dos resultados dos indicadores de impacto. Considerando que o relato está dentro do escopo desta norma, a comunicação dos resultados da pegada hídrica, por exemplo, sob a forma de rótulos ou declarações, está fora do escopo desta norma. Os requisitos específicos e diretrizes para as organizações são dados no Anexo A.

Pode-se definir a pegada hídrica com a (s) métrica (s) que quantifica (m) os impactos ambientais potenciais relacionados à água. Se os impactos ambientais potenciais relacionados à água não forem completamente avaliados, então o termo “pegada hídrica” só pode ser aplicado com um qualificador. Um qualificador é uma ou várias palavras adicionais usadas em conjunto com o termo “pegada hídrica” para descrever a (s) categoria (s) de impacto estudada (s) na avaliação da pegada hídrica como, por exemplo, “pegada de escassez hídrica”, “pegada de eutrofização hídrica”, “pegada hídrica não abrangente”.

Assim, pode-se dizer que a água é um recurso natural essencial. A questão da água e a sua gestão tem se tornado cada vez mais central no debate global sobre o desenvolvimento sustentável. Este interesse tem sido impulsionado pela demanda crescente de água, aumento da escassez em muitas áreas e/ou degradação da qualidade da água.

Isso leva à necessidade de uma melhor compreensão dos impactos relacionados com a água como base para uma melhor gestão da água em nível local, regional, nacional e global. É desejável, portanto, possuir as técnicas de avaliação apropriadas que possam ser internacionalmente utilizadas de forma consistente.

Uma das técnicas em desenvolvimento para este fim é a avaliação da pegada hídrica. Há uma demanda crescente para avaliação e elaboração de relatórios das pegadas hídricas. Existem várias metodologias para isto e, atualmente, estas metodologias enfatizam diferentes aspectos relacionados à água. Existe, portanto, uma necessidade de garantir a consistência na avaliação e no relato das pegadas hídricas. Espera-se que esta norma venha a beneficiar organizações, governos e outras partes interessadas em todo o mundo, proporcionando a transparência, consistência, reprodutibilidade e credibilidade para avaliar e reportar a pegada hídrica de produtos, processos ou organizações.

Uma avaliação da pegada hídrica realizada de acordo com esta norma: é baseada em uma avaliação do ciclo de vida (de acordo com a NBR ISO 14044); é modular (ou seja, as pegadas hídricas de diferentes estágios do ciclo de vida podem ser somadas para representar a pegada hídrica); identifica os impactos ambientais potenciais relacionados à água; inclui as coberturas geográficas e temporais pertinentes; identifica a quantidade de água utilizada e as mudanças na qualidade da água; utiliza o conhecimento hidrológico.

Uma avaliação da pegada hídrica pode ajudar a: avaliar a magnitude dos impactos ambientais potenciais relacionados à água; identificar oportunidades de reduzir os impactos ambientais potenciais relacionados à água associados aos produtos em diferentes estágios do seu ciclo de vida, bem como aos processos e organizações; gestão estratégica de riscos relacionados à água; promover a eficiência hídrica e a otimização da gestão da água em produtos, processos e níveis organizacionais; informar aos tomadores de decisão na indústria, governo ou órgãos não governamentais sobre os seus impactos ambientais potenciais relacionados à água (por exemplo, com o propósito de planejamento estratégico, definição de prioridades, projeto ou redesenho de produto ou processo, decisões sobre investimento de recursos); fornecimento de informações consistentes e confiáveis, baseadas em evidências científicas para relatar os resultados da pegada hídrica.

Uma avaliação da pegada hídrica por si só não é suficiente para descrever todos os impactos ambientais potenciais de produtos, processos ou organizações. A avaliação da pegada hídrica de acordo com esta norma pode ser realizada e relatada como uma avaliação única e individual, onde apenas os impactos relacionados à água são avaliados, ou como parte de uma avaliação do ciclo de vida, onde é considerado um conjunto abrangente de impactos ambientais e não apenas de impactos relacionados à água.

Nesta norma, o termo “pegada hídrica” só é usado quando for o resultado de uma avaliação de impacto. O escopo específico da avaliação da pegada hídrica é definido pelos usuários desta norma, de acordo com os seus requisitos. Nesta norma, o termo “produto” inclui serviços. Nesta norma, o termo impactos ambientais inclui categorias geralmente encontradas em modelos de impacto utilizados na avaliação do ciclo de vida, como os impactos sobre os ecossistemas, a saúde humana e sobre os recursos. Relatar é diferente de comunicar. Requisitos e diretrizes para a elaboração de relatórios estão incluídos nesta norma, no entanto os requisitos e diretrizes para a comunicação, como rótulos ou declarações ambientais, estão fora do escopo desta norma.

Alguns princípios são fundamentais e devem ser usados como diretrizes nas decisões relativas ao planejamento, realização e relato da avaliação da pegada hídrica. A avaliação da pegada hídrica de acordo com esta norma pode ser realizada e relatada como uma avaliação única e individual (onde apenas os impactos ambientais potenciais relacionados à água são avaliados), ou como parte de uma avaliação do ciclo de vida (onde são levados em consideração todos os impactos ambientais potenciais pertinentes, e não apenas os impactos ambientais potenciais relacionados à água).

Convém que a avaliação da pegada hídrica seja abrangente e considere todos os atributos ou aspectos pertinentes relacionados ao ambiente natural, saúde humana e recursos. Ao considerar todos os atributos e aspectos pertinentes dentro de um estudo, em um cruzamento de perspectivas, as compensações potenciais podem ser identificadas e avaliadas. A avaliação da pegada hídrica do produto considera todos os estágios do ciclo de vida deste produto como apropriados, desde a aquisição da matéria-prima até a disposição final.

Por meio de um panorama e perspectiva sistemáticos, a transferência de uma carga ambiental potencial entre os estágios do ciclo de vida ou processos individuais podem ser identificados e possivelmente evitados. Uma avaliação da pegada hídrica de uma organização adota uma perspectiva de ciclo de vida com base em todas as suas atividades. Se apropriada e justificada, a avaliação da pegada hídrica pode ser restrita a um ou vários estágios do ciclo de vida.

A avaliação da pegada hídrica avalia o impacto ambiental potencial relacionado à água associada a um produto, processo ou organização. Impactos econômicos ou sociais estão, tipicamente, fora do escopo da avaliação da pegada hídrica. Outras ferramentas podem ser combinadas com a avaliação da pegada hídrica para avaliações mais extensas e complementares. A avaliação da pegada hídrica está relacionada à unidade funcional e ao (s) resultado (s) calculado (s) relativos a essa unidade funcional.

Uma avaliação da pegada hídrica é uma técnica iterativa. As fases individuais de uma avaliação da pegada hídrica utilizam os resultados de outras fases. A abordagem iterativa dentro e entre as fases contribui para a abrangência e consistência do estudo e dos resultados relatados. Informação suficiente e apropriada é divulgada a fim de permitir que os usuários da avaliação da pegada hídrica tomem decisões com confiança razoável.

Dados e métodos são selecionados de modo que sejam apropriados à avaliação da pegada hídrica. Todos os dados que fornecem uma contribuição significativa para a pegada hídrica são incluídos no inventário. Pressupostos, métodos e dados são aplicados da mesma forma em toda a avaliação da pegada hídrica para se chegar a conclusões em conformidade com a definição de objetivo e escopo. Desvios e incertezas são reduzidos quando praticável.

As decisões no âmbito de uma avaliação da pegada hídrica são preferencialmente baseadas nas ciências naturais. Se isso não for possível, outras abordagens científicas (por exemplo, das ciências sociais ou econômicas) podem ser utilizadas ou convenções internacionais podem ser referenciadas. Caso não exista uma base científica nem seja possível uma justificativa fundamentada em outras abordagens científicas ou convenções internacionais, as decisões podem, de forma apropriada, ser fundamentadas em escolhas de valor.

A avaliação da pegada hídrica é conduzida em uma escala e resolução (por exemplo, uma bacia hidrográfica), que fornecem resultados pertinentes de acordo com o objetivo e escopo do estudo e leva em conta o contexto local. A pegada hídrica considera todos os atributos ou aspectos ambientalmente pertinentes do ambiente natural, saúde humana e recursos relacionados com a água (incluindo a disponibilidade e a degradação da água). Uma avaliação não abrangente traz o risco de não se levar em conta a transferência de poluição de uma categoria de impacto para outra.

Uma avaliação da pegada hídrica aborda os impactos ambientais potenciais relacionados à água associada a um produto, processo ou organização. Uma avaliação da pegada hídrica de acordo com esta norma deve incluir as quatro fases da avaliação do ciclo de vida: definição de objetivo e escopo (ver 5.2); análise do inventário da pegada hídrica (ver 5.3); avaliação de impacto da pegada hídrica (ver 5.4); interpretação dos resultados (ver 5.5). Ver figura abaixo.

hídrica

Um estudo do inventário da pegada hídrica de acordo com esta norma deve incluir as seguintes três fases de avaliação do ciclo de vida: definição de objetivo e escopo (ver 5.2); análise de inventário da pegada hídrica (ver 5.3); e interpretação dos resultados (ver 5.5). Para as organizações, devem ser aplicados os requisitos e orientações adicionais dados no Anexo A. Os resultados de uma análise do inventário da pegada hídrica podem ser relatados, mas não podem ser relatados como uma pegada hídrica.

Uma avaliação da pegada hídrica pode ser realizada como uma avaliação única e individual ou como parte de uma avaliação do ciclo de vida. A pegada hídrica é o resultado de uma avaliação abrangente que gera um perfil de resultados dos indicadores de categoria de impacto. Se ponderação for aplicada, deve ser realizada e relatada em conformidade com a NBR ISO 14044.

Quando se realizar uma avaliação abrangente, deve ser demonstrado que todos os impactos ambientais potenciais significativos relacionados com a água são abordados pelas categorias de impacto selecionadas. A falta de dados não pode ser uma justificativa para não se levar em conta uma categoria de impacto pertinente. Os resultados de uma avaliação da pegada hídrica não abrangente devem ser relatados como pegada hídrica com um qualificador, por exemplo, “pegada de disponibilidade hídrica”, “pegada de escassez hídrica”, “pegada de eutrofização hídrica”, “pegada de ecotoxicidade hídrica”, “pegada de acidificação hídrica “, “pegada hídrica não abrangente”.

O termo pegada hídrica de uma organização sem qualificador deve ser usado apenas quando os inventários de pegada hídrica diretos e indiretos da organização forem considerados em uma avaliação abrangente da pegada hídrica. Convém que, quando existentes, as regras de categoria de produto pertinentes sejam adotadas, desde que: tenham sido elaboradas em conformidade com a NBR ISO 14025, e sejam consideradas apropriadas (por exemplo, para as fronteiras do sistema, modularidade, alocação ou qualidade dos dados) por parte da organização que aplica esta norma.

Ao definir o objetivo de uma avaliação da pegada hídrica, os seguintes itens devem ser indicados de forma inequívoca: a aplicação pretendida, os motivos para a realização do estudo, público pretendido, isto é, para quem os resultados do estudo destinam-se a ser relatados, se o estudo é uma avaliação única e individual ou parte de uma avaliação do ciclo de vida, e se o estudo é parte de uma avaliação do ciclo de vida em que se pretende uma afirmação comparativa.

A NBR ISO 14015 de 07/2003 – Gestão ambiental – Avaliação ambiental de locais e organizações (AALO) fornece orientação de como conduzir uma avaliação ambiental de locais e organizações (AALO) por meio de um processo sistemático de identificação de aspectos e questões ambientais, e como determinar, se apropriado, suas consequências nos negócios. Para amenizar as adversidades da degradação ambiental, a NBR 15515-1 de 12/2007 – Passivo ambiental em solo e água subterrânea – Parte 1: Avaliação preliminar estabelece os procedimentos mínimos para avaliação preliminar de passivo ambiental visando a identificação de indícios de contaminação de solo e água subterrânea – o relatório de avaliação preliminar é uma etapa inicial na avaliação de passivo ambiental.

A NBR 15515-2 de 03/2011 – Passivo ambiental em solo e água subterrânea – Parte 2: Investigação confirmatória estabelece os requisitos necessários para o desenvolvimento de uma investigação confirmatória em áreas onde foram identificados indícios reais ou potenciais de contaminação de solo e água subterrânea após a realização de uma avaliação preliminar, conforme NBR 1551. A NBR 15515-3 de 09/2013 – Avaliação de passivo ambiental em solo e água subterrânea – Parte 3: Investigação detalhada estabelece os procedimentos mínimos para a investigação detalhada de áreas onde foi confirmada contaminação em solo ou água subterrânea com base em série histórica de monitoramento, avaliação preliminar, investigação confirmatória ou estudos ambientais.

A NBR 15492 de 06/2007 – Sondagem de reconhecimento para fins de qualidade ambiental – Procedimento estabelece os requisitos exigíveis para a execução de sondagem de reconhecimento de solos e rochas para fins de qualidade ambiental. A NBR 15935 de 03/2011 – Investigações ambientais — Aplicação de métodos geofísicos estabelece as diretrizes para a seleção de métodos geofísicos aplicáveis a investigações ambientais de solo e água subterrânea, embora não descreva os procedimentos específicos para cada método.

Segundo Leila Teresinha Maranho, bióloga, doutora em engenharia florestal e coordenadora do mestrado profissional em biotecnologia industrial da Universidade Positivo (UP), estima-se que o planeta Terra tem, aproximadamente, mais de 4 bilhões de anos. Durante esse período, ele passou por diferentes transformações que foram divididas em eras geológicas. Essas eras correspondem a grandes intervalos de tempo que foram divididos ainda, em períodos.

“Evidências demonstram que, durante todos esses períodos, aconteceu extinção em massa, isto é, o decréscimo da biodiversidade devido à extinção de vários grupos de seres vivos ao mesmo tempo. As causas dessas extinções podem variar, porém, são fortes as evidências que indicam que elas não sejam resultado de um fato isolado, mas da combinação de vários fenômenos. Entre os principais acontecimentos podem ser citados choques de asteroides, erupções vulcânicas, alterações climáticas, entre outros”, resume ela.

Complementa dizendo que a história do clima da Terra mostra que as eras do gelo vêm e vão e são causadas por mecanismos naturais que a humanidade é incapaz de controlar. E que, ao longo da história, a extinção de espécies e mudanças climáticas são comuns.

“A raiz de muitos problemas ambientais, se não todos, coloca diante do problema o tamanho da população humana. Erroneamente, se diz que a população global tem crescido exponencialmente. No entanto, em uma população que cresce exponencialmente, a taxa de aumento por indivíduo é constante”, observa. “Mas, a população humana cresce a uma taxa em aceleração.

Mais pessoas significa o aumento por demanda de energia e maior consumo de recursos não renováveis, como combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural. Esses combustíveis se originaram a partir de restos de seres vivos que foram se depositando ao longo de milhões de anos em camadas muito profundas da crosta terrestre e transformados pela ação da temperatura e pressão e, em curto prazo de tempo, o homem explora e os queima, liberando para a atmosfera grandes quantidades de carbono, quantidades estas que foram acumuladas há cerca de 65 milhões de anos”.

Sem dúvida nenhuma, o uso de combustíveis fósseis tem fornecido energia para transformar grande parte do nosso planeta por meio do desenvolvimento industrial, da agricultura intensiva e da urbanização. Entretanto, é evidente a interferência das ações humanas sobre uma diversidade de problemas ambientais, entre eles, as mudanças climáticas.

A compreensão das mudanças climáticas envolve muitos fatos, a evidência é bastante clara a partir de observações e análises, mas os fatos não são suficientes. O papel dos cientistas é apresentar os fatos, as perspectivas e as consequências, mas a decisão sobre o que fazer com eles envolve todos.

“Assim, os valores, a equidade entre nações e gerações, os interesses, o princípio da precaução, a ideologia e muitos outros fatores entram em jogo para decidir se não devemos fazer nada e sofrer as consequências, ou se devemos agir. O fato é que a mudança climática é um problema global com graves implicações: ambiental, social, econômica, política – e representa um dos principais desafios que a humanidade se depara nos dias atuais e, certamente, enfrentará em um futuro não muito distante. Os cientistas têm dois desafios urgentes: avançar no conhecimento científico e envolvê-lo integralmente nas políticas locais, nacionais e globais”, conta a bióloga.

Como conclusão, pode-se dizer que a degradação ambiental impacta a saúde humana, pois as áreas expostas a poluentes atmosféricos tóxicos podem causar problemas respiratórios como pneumonia e asma. Milhões de pessoas são conhecidas por terem morrido devido a efeitos indiretos da poluição do ar.

Outro efeito adverso é a perda da biodiversidade que é importante para manter o equilíbrio do ecossistema sob a forma de combater a poluição, restaurar os nutrientes, proteger as fontes de água e estabilizar o clima. O desmatamento, o aquecimento global, a superpopulação e a poluição são algumas das principais causas de perda de biodiversidade.

Problemática também é a depleção da camada de ozônio, responsável pela proteção da Terra contra os raios ultravioleta nocivos. A presença de clorofluorocarbonos, hidroclorofluorocarbonos na atmosfera está causando a redução da camada de ozônio. À medida que vai esgotar, ele emitirá radiações prejudiciais de volta à Terra.

Atualmente, em alguns locais, já ocorre a perda da indústria do turismo, pois a deterioração do meio ambiente pode ser um enorme revés para o turismo que conta com os turistas para o seu sustento diário. O dano ambiental sob a forma de perda de cobertura verde, perda de biodiversidade, aterros enormes, aumento da poluição do ar e da água pode ser um grande desvio para a maioria dos turistas.

E, por fim, o impacto econômico, ou seja, o enorme custo que um país pode ter devido a degradação ambiental pode ter grande impacto econômico em termos de restauração da cobertura verde, limpeza de aterros e proteção de espécies ameaçadas e em extinção. O impacto econômico também pode ser em termos de perda do turismo.

Não se pode esquecer de que a temperatura média da Terra aumentou 1,02ºC desde o século XIX e pode subir até quase 5 C até o fim deste século, apontam estudos publicados nos últimos anos. A contribuição humana para o aumento da temperatura terrestre, por meio do aumento das emissões de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, entre outras ações, é inegável.

O pior é que as mudanças climáticas não atingem os países de forma equânime. Alguns países já estão sofrendo com um aumento de temperatura média da superfície maior do que a estimada pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), de 1,5ºC até 2040, e de entre 3ºC e 5ºC até o final do século.

Na região Nordeste do Brasil, por exemplo, a temperatura média aumentou 2,5 C nas últimas décadas e um aumento médio de 3ºC a 5ºC na temperatura do planeta ao longo deste século pode resultar em um aquecimento em áreas continentais superior a 5ºC, uma vez que elas se aquecem mais do que as áreas oceânicas.

Os pesquisadores citam que em uma cidade como Cuiabá (MT), onde a temperatura durante a tarde chega hoje a 41ºC a 42ºC, conviver com temperaturas de 47ºC a 48ºC será um problema. Um aumento de temperatura como esse tem impactos muito grandes, não só nas pessoas, como nas atividades econômicas, na agricultura e no funcionamento de ecossistemas, como a floresta amazônica ou a mata atlântica.

O nível do mar nos últimos 100 anos aumentou 24 centímetros em razão da dilatação da água com o aumento da temperatura e o derretimento de geleiras continentais. Em regiões como na costa brasileira o nível do mar aumentou 60 centímetros nos últimos 100 anos. Isso vem causando um aumento da erosão costeira e uma crescente intensidade de inundações de tempos em tempos que tendem a se tornar uma constante.

Porém, há um ceticismo da população e dos governos sobre a contribuição da ação humana para o aquecimento global, o que deriva da incapacidade de reconhecer que certos estilos de vida adotados nas economias desenvolvidas, especialmente nos Estados Unidos, são incompatíveis com a sobrevivência do planeta.

Continuar a se gastar energia absurdamente, utilizar carros que consomem muito óleo diesel e gasolina, e não querer mudar esse estilo de vida sabendo que isso prejudica populações que estão em outros países pobres, sempre vai se arrumar desculpas para não fazer nada. Isso é o que faz hoje o governo americano atual.

Há um consenso político internacional de que é preciso combater o aquecimento global e o Acordo Climático de Paris, aprovado por 195 países – incluindo o Brasil – em dezembro de 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21), na capital francesa, é uma prova disso. Falta, ainda, a capacidade de os cidadãos dos países signatários do acordo cobrarem de seus governos o cumprimento de metas de contribuição de redução de emissões de gases de efeito estufa que apresentaram para estabelecer o acordo.

Para aprovar o Acordo Climático de Paris, cada país apresentou sua contribuição de redução de emissões dos gases de efeito estufa, as chamadas Intended Nationally Determined Contributions (INDC), de acordo com o que cada governo considerou viável a partir do cenário social e econômico local. O Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de redução das emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. Será que o governo vai cumprir? Os brasileiros precisam ficar atentos e cobrar essas metas. A Terra agradece.



Categorias:Qualidade

Tags:, , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: