Os benefícios da responsabilidade social corporativa

Em tempos de corrupção espalhada por todos os cantos do país, lembrar que existe uma ideia de responsabilidade social corporativa é sempre interessante, já que sempre vão existir consumidores mais exigentes e empresas comprometidas com valores éticos universais, como o respeito aos direitos humanos. Isso compõe uma combinação que vem transformado as sociedades e colocando em questão a produção e o consumo que inviabilizam a vida na Terra.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Atualmente, existe uma tendência de as empresas não só visarem o lucro, mas também terem uma preocupação com a responsabilidade social corporativa. Isso envolve uma atuação de forma ética e sustentável, além de se lidar com os seus impactos ambientais e sociais. Isso significa uma consideração cuidadosa dos direitos humanos, da comunidade, do meio ambiente e da sociedade em que opera.

Hoje, a maioria dos consumidores globais esperam que as empresas operem de maneira responsável para tratar de questões sociais e ambientais buscam produtos responsáveis sempre que possível. Isso revela que eles estão cada vez mais conscientes da importância da responsabilidade social e procuram ativamente produtos de empresas que operam com ética.

Assim, a responsabilidade social demonstra que a empresa se interessa por questões sociais mais amplas, em vez de apenas aquelas que afetam suas margens de lucro, o que atrairá clientes que compartilham os mesmos valores. Portanto, é bom para os negócios operar de forma sustentável.

Soma-se a isso alguns benefícios que a responsabilidade social traz para os negócios. Uma melhor imagem pública que é crucial, pois os consumidores avaliam a imagem da empresa ao decidir comprar o produto ou serviço.

Por exemplo, alguns funcionários trabalhando como voluntários por uma hora por semana em uma instituição de caridade mostrará que a marca está comprometida em ajudar os outros. Como resultado, a empresa parecerá muito mais favorável aos consumidores.

Com o advento das redes sociais, se a organização está comprometida com práticas éticas, esta notícia vai se espalhar. Mais pessoas associarão a marca com o social, o que aumenta o reconhecimento como um produto ou serviço confiável.

Algumas mudanças simples, em favor da sustentabilidade, como o uso de menos embalagens, ajudarão a diminuir seus custos de produção. Ao adotar a responsabilidade social, a empresa se destacará dos concorrentes em seu setor, pois irá se estabelecer como uma organização comprometida em dar um passo além e considerar os fatores sociais e ambientais.

Ao anunciar que a empresa usa sistemas sustentáveis na internet, associada a uma história com base nos seus esforços, os clientes acompanharão isso e se envolverão com sua marca e suas operações. Isso também vai engajar os seus funcionários.

Eles gostam de trabalhar mais para uma empresa que tenha uma boa imagem pública do que uma que não tenha. Além disso, ao mostrar que está comprometida com coisas como direitos humanos, é muito mais provável que a empresa atraia e retenha os melhores candidatos.

Não se deve esquecer que a geração Z entrará na força de trabalho nos próximos anos. Eles são os que nasceram depois de e querem produtos socialmente responsáveis, mais transparência das empresas e continuará apoiando marcas que se alinham com suas crenças. Isso irá pressionar as empresas a provar que estão realmente cumprindo suas promessas de serem, de fato, organizações socialmente responsáveis.

Uma outra tendência será o aumentos dos investimentos em privacidade e proteção de dados. Em 2017, vários ataques cibernéticos aterrorizantes ameaçaram difundir informações confidenciais e pessoais de funcionários e empresas. Com essas violações contínuas, fica claro que todas as empresas precisam proteger as informações pessoais com mais diligência.

Quanto aos fornecedores ou provedores, serão exigidos os mais transparentes nos seus propósitos sustentáveis. Isso significa que os fornecedores ou provedores terão que seus processos obedeçam às práticas empresariais e ambientais responsáveis para que o tráfico humano, o desperdício de água e os problemas de direitos humanos sejam devidamente resolvidos.

Assim, com a evolução das abordagens referentes à responsabilidade social, o conceito a respeito do tema se tornou associado com os objetivos organizacionais mais amplos, como reputação e gestão de acionistas. Além disso, foi possível perceber uma relação positiva entre o comportamento socialmente responsável e o desempenho econômico, representado por maior consciência sobre as questões ambientais, culturais, pelo fato de antecipar, evitando que regulações restritivas sejam impostas sob a ação empresarial e, por fim, pela diferenciação de seus produtos diante de seus concorrentes menos responsáveis socialmente.

A principal premissa relacionada ao conceito de responsabilidade social nas organizações consiste no desenvolvimento de políticas e práticas das corporações claramente articuladas e comunicadas que refletem a responsabilidade de negócios para o bem da sociedade. Partindo de uma visão mais economista, a responsabilidade social tinha como função atender às expectativas dos acionistas, no entanto, a temática vem evoluindo e englobando outros conceitos. Hoje, a organização, socialmente responsável, é aquela que atende as expectativas de todos os seus acionistas atuais e futuros, com o objetivo de tornar a sociedade sustentável.

Diretrizes da responsabilidade social

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A NBR 16001 de 07/2012 – Responsabilidade social – Sistema da gestão – Requisitos estabelece os requisitos mínimos relativos a um sistema de gestão da responsabilidade social, permitindo que a organização formule e implemente uma política e objetivos que levem em conta seus compromissos com diversos assuntos. Nas últimas décadas têm crescido a mobilização e a preocupação da sociedade com temas associados à ética, cidadania, direitos humanos, desenvolvimento econômico, desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Nesse sentido, as organizações de todos os tipos estão cada vez mais conscientes do seu papel na sociedade e preocupadas em atingir e demonstrar desempenhos ambientais, econômicos e sociais adequados, controlando os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, de forma consistente com sua política e com seus objetivos da responsabilidade social.

Esse comportamento se insere no contexto de legislações cada vez mais exigentes, de práticas de consumo e de investimentos cada vez mais conscientes, do desenvolvimento de políticas econômicas e de outras medidas destinadas a estimular o desenvolvimento sustentável e de uma crescente preocupação manifestada pelas partes interessadas em relação às questões ambientais, econômicas e sociais.

Muitas organizações têm conduzido programas de responsabilidade social e avaliações do seu desempenho ambiental, econômico e social. No entanto, por si só, tais avaliações podem não ser suficientes para proporcionar a uma organização a garantia de que seu desempenho não apenas atende, mas continuará a atender, aos requisitos legais e aos de sua própria política. Para que sejam eficazes, é necessário que esses procedimentos sejam conduzidos dentro de um sistema de gestão estruturado que esteja integrado na organização.

A adoção e a implementação, de forma sistemática, de um conjunto de técnicas de gestão da responsabilidade social podem contribuir para a obtenção de resultados ótimos para todas as partes interessadas. Contudo, a adoção dessa norma não garantirá, por si só, resultados ótimos.

Para atingir os objetivos da responsabilidade social, convém que o sistema de gestão da responsabilidade social estimule as organizações a considerarem a implementação da melhor prática disponível, quando apropriado e economicamente exequível. A adoção dessa norma não elimina, engloba ou substitui o uso das normas da série NBR ISO 9000 ou NBR ISO 14000, cabendo às organizações a decisão de aplicá-la em conjunto ou separadamente, dependendo das suas necessidades estratégicas.

O atendimento aos seus requisitos não significa que a organização seja socialmente responsável, mas sim que possui um sistema de gestão da responsabilidade social. As comunicações da organização, tanto internas quanto externas, devem respeitar este preceito.

Convém ressaltar que duas organizações que desenvolvam atividades similares, mas que apresentem níveis diferentes de desempenho de responsabilidade social, conforme estabelecido em sua política de responsabilidade social, objetivos e metas, podem, ambas, atender aos seus requisitos. Essa norma pretende auxiliar as organizações a contribuírem para o desenvolvimento sustentável e visa estimulá-las a irem além da conformidade legal, posto que esta é uma obrigação fundamental de qualquer organização e parte essencial de sua responsabilidade social.

Apesar de muitas pessoas usarem os termos responsabilidade social e desenvolvimento sustentável de forma intercambiável e de haver uma relação entre esses termos, eles são conceitos diferentes. O desenvolvimento sustentável é um conceito e um objetivo norteador amplamente aceito, reconhecido internacionalmente após a publicação, em 1987, do relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU.

O desenvolvimento sustentável refere-se a satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias necessidades. O desenvolvimento sustentável tem três dimensões – econômica, social e ambiental – as quais são interdependentes; por exemplo, a eliminação da pobreza requer a promoção da justiça social, do desenvolvimento econômico e da proteção ao meio ambiente.

A responsabilidade social tem como foco a organização e refere-se às responsabilidades da organização com a sociedade e o meio ambiente. A responsabilidade social está intimamente ligada ao desenvolvimento sustentável. Pelo fato de o desenvolvimento sustentável tratar de objetivos econômicos, sociais e ambientais comuns a todas as pessoas, ele pode ser usado como forma de abarcar as expectativas mais amplas da sociedade a serem levadas em conta por organizações que buscam agir responsavelmente.

Portanto, convém que um objetivo amplo de responsabilidade social da organização seja contribuir para o desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a noção de que a responsabilidade social é centrada em atividades filantrópicas, como doações a instituições beneficentes, não é correta, apesar de serem importantes em determinados contextos. O objetivo do desenvolvimento sustentável é atingir um estado de sustentabilidade para a sociedade como um todo e para o planeta.

Não diz respeito à sustentabilidade ou viabilidade permanente de uma organização específica. A sustentabilidade de uma determinada organização pode ou não ser compatível com a sustentabilidade da sociedade como um todo, a qual é obtida ao lidar-se com aspectos sociais, econômicos e ambientais de uma maneira integrada. Consumo sustentável, uso sustentável de recursos e meios de vida sustentáveis são relevantes a todas as organizações e têm a ver com a sustentabilidade da sociedade como um todo.

Dessa forma, esse guia passou a estabelecer os requisitos mínimos relativos a um sistema de gestão da responsabilidade social, permitindo que a organização formule e implemente uma política e objetivos que levem em conta seus compromissos com: a responsabilização; a transparência; o comportamento ético; o respeito pelos interesses das partes interessadas; o atendimento aos requisitos legais e outros requisitos subscritos pela organização; o respeito às normas internacionais de comportamento; o respeito aos direitos humanos; e a promoção do desenvolvimento sustentável.

Ela tem por objetivo prover às organizações os elementos de um sistema de gestão da responsabilidade social eficaz, passível de integração com outros requisitos de gestão, de forma a auxiliá-las a alcançar seus objetivos relacionados com a responsabilidade social. Não se pretende criar barreiras comerciais não tarifárias, nem ampliar ou alterar as obrigações legais de uma organização.

Os seus requisitos são genéricos, para que possam ser aplicados a todas as organizações. A conformidade com esta norma não implica, por si só, a conformidade com as diretrizes da NBR ISO 26000.

Quaisquer declarações de que um certificado de conformidade com esta norma seria uma evidência do atendimento às diretrizes da NBR ISO 26000 são incompatíveis com os objetivos dessa norma. No entanto, a sua adoção pode auxiliar a organização em seu processo de implementação de algumas das diretrizes da NBR ISO 26000.

A NBR ISO 26000 de 11/2010 – Diretrizes sobre responsabilidade social fornece orientações para todos os tipos de organizações, independentemente do porte ou localização, sobre conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; o histórico, tendências e características da responsabilidade social; princípios e práticas relativas à responsabilidade social; os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social; integração, implementação e promoção de comportamento socialmente responsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas dentro de sua esfera de influência; identificação e engajamento de partes interessadas; e comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referentes à responsabilidade social.

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A própria norma diz que o desempenho da organização em relação a sociedade em que opera e ao seu impacto no meio ambiente se tornou uma parte crucial na avaliação de seu desempenho geral e de sua capacidade de continuar a operar de forma eficaz. Isso, em parte, reflete o reconhecimento cada vez maior da necessidade de assegurar ecossistemas saudáveis, igualdade social e boa governança organizacional.

A longo prazo, todas as atividades das organizações dependem da saúde dos ecossistemas do mundo. As organizações estão sujeitas a uma investigação mais criteriosa por parte de suas diversas partes interessadas.

A percepção e a realidade do desempenho em responsabilidade social da organização podem influenciar, além de outros, os seguintes fatores: sua vantagem competitiva; sua reputação; sua capacidade de atrair e manter trabalhadores e/ou conselheiros, sócios e acionistas, clientes ou usuários; a manutenção da moral, do compromisso e da produtividade dos empregados; a percepção de investidores, proprietários, doadores, patrocinadores e da comunidade financeira; e sua relação com empresas, governos, mídia, fornecedores; organizações pares, clientes e a comunidade em que opera.

O bom dessas diretrizes é que visa ser útil para todos os tipos de organizações nos setores privado, público e sem fins lucrativos, sejam elas grandes ou pequenas, com operações em países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Embora nem todas as partes desta norma tenham a mesma utilidade para todos os tipos de organizações, todos os temas centrais são relevantes para todas as organizações.

Todos os temas centrais contêm várias questões para a responsabilidade de cada organização individualmente identificar quais questões são relevantes e significativas para ela abordar, por meio de suas considerações e por meio do diálogo com as partes interessadas.

O guia dá as orientações para o seu uso. Após considerar as características da responsabilidade social e sua relação com o desenvolvimento sustentável especificado na seção 3, sugere-se que a organização avalie os princípios de responsabilidade social descritos na seção 4. Ao praticarem a responsabilidade social, convém que as organizações respeitem e contemplem esses princípios, juntamente com os princípios específicos a cada tema central, contidos na seção 6.

Antes de analisar os temas centrais e as questões de responsabilidade social, assim como cada uma das ações e expectativas relacionadas na seção 5, convém que a organização considere duas práticas fundamentais da responsabilidade social: reconhecimento da sua responsabilidade social dentro da sua esfera de influência e identificação e engajamento de suas partes interessadas conforme está na seção 5.

Uma vez que os princípios tenham sido entendidos e os temas centrais e as questões relevantes e significativas de responsabilidade social tenham sido identificados, convém que a empresa busque integrar a responsabilidade social em todas as suas decisões e atividades, usando as orientações fornecidas na seção 7. Isso envolve práticas como: tornar a responsabilidade social parte integrante de suas políticas, cultura organizacional, estratégias e operações; desenvolver competências internas de responsabilidade social; promover comunicação interna e externa sobre responsabilidade social; e avaliar periodicamente essas ações e práticas referentes a responsabilidade social.

Por fim, em seu escopo, a NBR ISO 26000 define para todos os tipos de organizações, independentemente do porte ou localização, sobre: os conceitos, termos e definições referentes a responsabilidade social; o histórico, tendências e características da responsabilidade social; princípios e práticas relativas a responsabilidade social; os temas centrais e as questões referentes a responsabilidade social; integração, implementação e promoção de comportamento socialmente responsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas dentro de sua esfera de influência; identificação e engajamento de partes interessadas; e comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referentes a responsabilidade social.

O guia pretende auxiliar as organizações a contribuírem para o desenvolvimento sustentável. Visa estimulá-las a irem além da conformidade legal, reconhecendo que conformidade com a lei é uma obrigação fundamental de qualquer organização e parte essencial de sua responsabilidade social.

Pretende, ainda, promover uma compreensão comum da área de responsabilidade social e complementar outros instrumentos e iniciativas relacionados a responsabilidade social, e não a substituí-los. Em consequência, ao aplicar essa norma, é aconselhável que a organização leve em consideração as diversidades sociais, ambientais, jurídicas, culturais, políticas e organizacionais, assim como as diferentes condições econômicas, desde que mantendo a consistência com as normas internacionais de comportamento.

Ela não é uma norma de sistema de gestão. Não visa nem e apropriada a fins de certificação ou uso regulatório ou contratual. Quaisquer ofertas de certificação ou alegações de ser certificado pela NBR ISO 26000 constituem declarações falsas, incompatíveis com a intenção ou seu propósito.

Como não contem requisitos, qualquer certificação não seria uma demonstração de conformidade, pois ela visa orientar as organizações no tema responsabilidade social e pode ser usada como parte de atividades de políticas públicas. Todavia, para fins do Acordo de Marrakesh, que criou a Organização Mundial do Comercio (OMC), ela não tem a intenção de ser interpretada como uma norma internacional, diretriz ou recomendação, nem pretende fornecer uma base para qualquer suposição ou conclusão de que uma medida esta em conformidade com as obrigações perante a OMC.

Além disso, norma não visa fornecer uma base para ações legais, reclamações, defesas ou outras demandas em qualquer processo internacional, nacional ou de outra natureza, nem tampouco pretende ser citada como evidência da evolução do direito internacional consuetudinário.

A due diligence no contexto da responsabilidade social é um processo abrangente e proativo para identificar impactos sociais, ambientais e econômicos negativos reais e potenciais das decisões e atividades de uma organização com o propósito de evitar e mitigar esses impactos. A due diligence também pode envolver a influência do comportamento de outros quando esses comportamentos forem considerados causa de violações de direitos humanos ou outras violações em que a organização possa estar implicada.

Em qualquer processo de due diligence, convém que uma organização considere o contexto do país em que opera ou em que as atividades da organização ocorrem; os impactos reais e potenciais das suas próprias atividades; e o potencial de consequências negativas resultante das ações de outras entidades ou pessoas cujas atividades estão significativamente ligadas às da organização.

Convém que sejam incluídos em um processo de due diligence, de maneira apropriada ao porte e circunstâncias da organização, os seguintes componentes: políticas organizacionais relacionadas ao tema central relevante que forneça orientações que façam sentido para quem esteja dentro da organização e para aqueles diretamente ligados à organização; um meio de avaliar como as atividades existentes e as propostas podem afetar os objetivos dessas políticas; um meio de integrar os temas centrais da responsabilidade social por toda a organização; um meio de medir o desempenho ao longo do tempo para conseguir fazer os ajustes necessários nas prioridades e na abordagem; e ações apropriadas para abordar os impactos negativos de suas decisões e atividades. Ao identificar possíveis áreas de ação, convém que uma organização se esforce para entender bem os desafios e dilemas do ponto de vista dos indivíduos e grupos potencialmente prejudicados.

Além dessa autoavaliação, uma organização pode descobrir que, em certos casos, é tanto possível como apropriado buscar influenciar o comportamento de outras entidades em favor do fortalecimento de seu desempenho em responsabilidade social, principalmente aquelas com quem tem laços estreitos ou onde a organização considere que as questões são particularmente prementes ou relevantes para essa situação. À medida que uma organização ganha experiência na área de fortalecimento de desempenho em responsabilidade social, pode aumentar sua capacidade e sua disposição de atuar junto a outras entidades na defesa desse objetivo.

A ética versus os interesses individuais: o primeiro passo está em você

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Antonio Carlos Hencsey

Em um ano de eleições e frente a tantos acontecimentos na política, como os passos dados pelo judiciário em relação àqueles que cometeram atos de corrupção, talvez seja a hora de pararmos para pensar sobre a necessidade de mudarmos os nossos comportamentos individuais, sociais e políticos, a fim de que tenhamos uma sociedade mais justa e digna.

É hora de nós, brasileiros, começarmos a nos desprender de polarizações, de interesses pessoais e de flexibilizações, pois só assim obteremos os ganhos coletivos que caracterizam uma sociedade ética, na qual o correto e o pensamento altruísta prevalecem.

Somos bombardeados por news, fake news e uma série de discussões sociais que contaminam o foco das nossas decisões, fazendo com que tenhamos percepções equivocadas do certo e do errado baseados em preferências políticas e ideológicas.

Vemos constantemente pessoas acusando candidatos ou figuras públicas chamando-os de antiéticos, de corruptos e acusando-os de não terem caráter por atos ou decisões que apresentam, quando paralelamente defendem ou minimizam ações similares de indivíduos de sua simpatia.

Escutamos críticas aos enormes esquemas de corrupção e atos ilícitos destacados em nossas mídias diariamente, mas ainda vemos profissionais obtendo ganhos irregulares em suas atividades, como demonstra o estudo publicado sobre o perfil ético dos profissionais brasileiros 2017.

Ao nos posicionarmos nessas eleições, se realmente queremos iniciar uma transformação ética em nossa sociedade, devemos estar atentos a alguns pontos. Não haverá mudança se focarmos só nos outros. Se nós não mudarmos, se não nos transformarmos e nos engajarmos em um esforço coletivo de um bem comum será impossível termos um Brasil melhor.

Esteja atendo à cegueira que todo o ser humano tem: somos menos éticos do que julgamos ser. Acreditamos ser sempre melhores do que somos, portanto tenha certeza de que você também tem falhas e precisa trabalhá-las.

Nem sempre fazer o certo significa fazer o que é melhor para você. Às vezes, o que transformará eticamente a sociedade trará benefícios muito distantes da sua zona de conforto, mas ao longo prazo resultará em um equilíbrio social. E isso não importa se você é de esquerda ou de direita, todos devem ter essa consciência;

Não existe caso a caso. O errado é errado e ponto final. Não há justificativa para você, o seu candidato ou a sua figura pública de confiança fazerem esquemas, receberem auxílio moradia irregularmente ou não respeitarem uma ordem da justiça.

Tanto nas pequenas como nas grandes coisas, a sociedade é impactada nas suas escolhas antiéticas. Alimentar esquemas como eliminar pontos de multas através de propina ou pagar para obter pequenos benefícios são a base da pirâmide que rodam a máquina corrupta que hoje gera revolta nacional.

Você é diretamente responsável pelas escolhas éticas do seu candidato, pois o escolheu para te representar, defender seus interesses, valores e preceitos. Portanto, se ele está agindo de uma forma que você não concorda, é melhor que o acompanhe diretamente e cobre um comportamento correto, porque você deu a ele um cheque em branco para que use em seu nome.

Ética não é só não roubar, não corromper ou usar o dinheiro dos impostos para construir hospitais. Ética é saber respeitar. Ouvir a voz dos demais, entender dificuldades e opiniões divergentes, sabendo encontrar um equilíbrio e uma saída que promova a construção de um ambiente que amplie o bem da sociedade.

O Brasil precisa dar um passo em direção a um futuro igualitário e próspero. E, enquanto o certo e o errado forem direcionados por réguas individuais, não observando um bem coletivo, nunca evoluiremos como nação.

Antonio Carlos Hencsey é sócio da prática de ética & compliance da Protiviti.



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