A qualificação do mecânico de instalação de sistemas de GNV

Quais as competências desejadas para o mecânico de instalação de sistemas de GNV, para qualificar profissionais na atividade de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV?

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Da Redação –

Com a invenção dos veículos movidos a combustão interna, o debate sobre alternativas em relação a matriz que move estes veículos (petróleo) cresceu gradativamente com o passar das décadas. Surgiram inovações como os biocombustíveis, o motor a eletricidade e até o curioso motor movido a ar comprimido, mas nenhum destes, até o momento, representou uma entrada significativa no mercado automotivo. Uma questão que engloba inúmeros interessados.

Uma das alternativas como substituto da gasolina é o Gás Natural Veicular (GNV). Ainda que pouco difundido no Brasil, entre outros fatores pelo fato do uso do mesmo gerar certo “preconceito” na hora de vender o veículo, o GNV custa menos que a gasolina e o álcool, em termos de custo direto. Só que o usuário economiza muito mais, pois a autonomia de um Nm³ de GNV é superior à de um litro de combustível líquido.

Além de reduzir as emissões de poluentes, o gás natural é seco, não provocando resíduos de carbono nas partes internas do motor o que, de um lado, aumenta a vida útil do motor e o intervalo de troca de óleo e, do outro, minimizando significativamente os custos de manutenção. O Brasil possui reservas de gás natural, além de ter gasodutos que permitem transportar gás natural de países como Bolívia e Argentina.

Além dos fatores citados acima, o GNV ganhou certa relevância em maio deste ano, no contexto de crise de abastecimento de combustível devido à paralização dos caminhoneiros. Enquanto os condutores que necessitavam de gasolina e álcool tinha imensa dificuldade de encontrar combustível para as tarefas do dia a dia, e quanto encontravam haviam de pagar preços altamente inflacionados e/ou abastecerem com dúvida quanto a qualidade, quem possuía GNV em seu carro não passou sufoco.

Entretanto, tratando-se de um utensílio equipado externamente no veículo, e portando um material inflamável, é necessário que todas as medidas de segurança possível sejam tomadas. Da qualidade do mesmo até a instalação devem ser realizadas por profissionais capacitados para o serviço.

NBR 16583 – Qualificação de pessoas no processo de instalação e manutenção de sistemas GNV em veículos automotivos – Perfil profissional do mecânico de instalação de sistemas de GNV estabelece as competências desejadas para o perfil profissional do mecânico de instalação de sistemas de GNV, para qualificar profissionais na atividade de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV.

Esta norma estabelece o perfil desejado de competências do mecânico de instalação de sistemas de GNV, visando à qualificação de pessoas para atuar no processo de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV e criar as bases para o processo brasileiro de certificação destes profissionais. Entende-se por competência o desenvolvimento e a mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes nas dimensões educacional, técnica, econômica, social, política, ética, cultural e ambiental, considerando-se relações pessoais e interpessoais. A competência é expressa, fundamentalmente, pela capacidade de responder satisfatoriamente a uma qualificação profissional, com a mobilização de recursos e a participação consciente, crítica e ativa no mundo do trabalho e na esfera social.

Neste contexto, os agentes do processo de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV, consideram as necessidades de: assegurar a qualidade dos serviços prestados pelos seus profissionais; produzir mais, em menos tempo e com adequação técnica, contribuindo para a elevação dos patamares de produtividade; desenvolver profissionais para acompanhar os avanços tecnológicos dos produtos e processos construtivos; recuperar carências de educação formal e regular e de formação profissional dos que atuam neste setor; desenvolver o capital humano e melhorar as condições de vida dos que atuam neste setor e de seus familiares. A Comissão de Estudo de (CE-099.017-001) foi constituída para elaborar normas que estabeleçam os perfis de competências desejados para pessoas que atuam nas diferentes qualificações profissionais do processo de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV.

Entende-se por formação profissional o processo permanente de desenvolvimento de competências de uma dada qualificação profissional. No caso do processo de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV, a qualificação profissional tem como objetivos: assegurar o nível de competências dos profissionais que atuem ou venham atuar no setor, com base na totalidade ou em parte das unidades de competências estabelecidas para sua avaliação; garantir um padrão de qualidade adequado às evoluções dos produtos, elementos e processos construtivos; garantir o cumprimento dos requisitos de saúde e segurança do trabalho para reduzir os índices de acidentes e doenças do trabalho; garantir um padrão de sustentabilidade ambiental adequado às evoluções dos produtos, elementos e processos construtivos; destacar e valorizar os profissionais de diferentes níveis de competência, criando diferencial competitivo; proporcionar mecanismo para remuneração justa, com consequente satisfação e motivação daqueles que optarem por evoluir profissionalmente no setor.

Esta norma representa o consenso entre os representantes do processo de instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV – produtores, trabalhadores, consumidores e neutros. O mecânico de instalação de sistemas de GNV ocupa-se principalmente da instalação, desinstalação e manutenção de sistemas de GNV, conforme projetos e documentos técnicos específicos, de acordo com as normas brasileiras e legislações vigentes, considerando saúde, segurança, meio ambiente e qualidade. O profissional deve atuar dentro das atividades de montagem, desmontagem e manutenção em sistemas de GNV, em oficinas certificadas e registradas junto às autoridades competentes para esta finalidade.

O mecânico de instalação de sistemas de GNV deve desempenhar a função com poder de decisão, cumprindo as legislações, recomendações e normas técnicas específicas vigentes. São consideradas as seguintes denominações usuais no mercado de trabalho para o mecânico de instalação de sistemas de GNV: mecânico instalador de GNV; instalador de GNV; mecânico de GNV; convertedor de GNV.

O mecânico de instalação de sistemas de GNV envolve as seguintes unidades de competência: realizar manutenção de injeção eletrônica; realizar manutenção e/ou instalação de componentes em motores ciclo Otto; montar e desmontar componentes mecânicos de armazenamento e alimentação de gás natural veicular (GNV); instalar e desinstalar componentes e sistemas eletroeletrônicos de gás natural veicular (GNV); realizar a manutenção de sistemas e componentes de gás natural veicular (GNV). Os meios de trabalhos (equipamentos, máquinas, instrumentos, ferramentas, softwares etc.), necessários para a realização das atividades descritas nas unidades de competência estão listados no Anexo A.

Como informação ao leitor, pode-se dizer que o GNV é o mesmo gás canalizado utilizado em residências, comércio e indústria. Nos veículos ele é armazenado em cilindros sob alta pressão (200 bar ou 200 kgf/cm²) e pode ser utilizado como combustível alternativo em qualquer veículo movido a gasolina ou álcool, com carburador ou sistema de injeção eletrônica.

O GNV é diferente do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em vários aspectos, a começar pela sua composição. O GNV é composto basicamente por metano, enquanto o GLP por butano. O GNV é normalmente armazenado sob alta pressão na forma gasosa; já o GLP (também conhecido como gás de botijão ou de cozinha) é armazenado na forma líquida e sob pressões muito inferiores. Isso tem impacto grande na maior segurança proporcionada na utilização do GNV. Além disso, o uso do GLP é proibido para fins automotivos.

Quanto ao perigo explosão com o uso do GNV, não existe, pois, além de ser mais leve que o ar, o sistema (armazenagem e compressão) é dotado de válvulas de segurança que se fecham caso haja algum rompimento na tubulação, além de possuir um sistema de exaustão caso ocorra algum vazamento. O GNV é mais seguro do que qualquer combustível líquido. Outro fator de segurança na utilização do GNV é que, no momento do abastecimento do veículo no posto, o mesmo é feito sem que haja contato com o ar, evitando assim qualquer possibilidade de combustão.

Os cilindros de armazenamento de GNV são dimensionados para suportar a alta pressão na qual o gás é comprimido (200bar – pressão ideal para abastecer os veículos), e ainda situações eventuais como colisões, incêndios e etc. Os raríssimos acidentes registrados ocorreram, no momento do abastecimento do veículo e, principalmente por uso de equipamentos inadequados, como kit de conversão instalado em oficinas não homologadas pelo Inmetro, botijão de GLP – que não suporta a pressão do GNV – ao invés de cilindro.

O conceito de segurança desse combustível já é reconhecido em todos os países do mundo onde ele é largamente utilizado. Nos EUA, um país que prima pela segurança, o GNV é utilizado até mesmo em ônibus escolares; em Nova York, por exemplo, é obrigatório.

A autonomia de um veículo é determinada pelo tamanho do cilindro (compartimento onde é armazenado o gás dentro do automóvel). Com um cilindro de 16 m³ o veículo pode rodar aproximadamente 200 km. Ao converter um veículo para GNV, este não fica impedido de usar o combustível líquido, ou seja, o sistema é bicombustível.

Pode-se também entender como é feita a distribuição do GNV para os postos de abastecimento. Após sua extração, o gás natural é enviado por gasodutos para as Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN), obtendo-se um gás seco e extremamente leve em relação ao ar atmosférico, de extraordinária qualidade como energético.

Das UPGNs, são transportados por gasodutos e/ou rede de gás das distribuidoras de gás até os postos. Embora exista tecnologia para o transporte por outros meios, como caminhões feixes, devido aos custos elevados de compressão e transporte, a diretriz básica ainda é promover sua utilização nas áreas mais densas e próximas aos gasodutos.

Deve-se, ainda, entender que o GNV é comprimido e armazenado em cilindros especiais de aço que são adaptados ao porta-malas do carro. Através de um sistema de tubulações e válvulas especiais este gás é injetado e misturado ao ar aspirado pelo motor, proporcionando uma queima limpa e eficiente de mistura. Pode ser usado com a máxima segurança e desempenho em todos os tipos de motores a álcool ou a gasolina, com a simples instalação de um kit de conversão para gás.

A queima do gás natural é muito mais completa do que a da gasolina, álcool ou diesel. Por isso, os veículos que a utilizam emitem menos poluentes, tais como óxidos nitrosos (NOX), dióxido de Carbono (CO2) e principalmente monóxido de carbono (CO). Assim, o gás natural é uma grande opção de combustível nos grandes centros urbanos, ajudando no controle dos níveis de poluição e melhorando a qualidade de vida das pessoas.

Assim, a instalação de equipamentos para uso do Gás Natural em veículos altera apenas o sistema de alimentação de combustível. Em carros carburados as alterações no funcionamento são mínimas enquanto que em carros equipados com sistema de injeção eletrônica as alterações passam a ser pouco mais perceptíveis.

Ocorre que nestes veículos a alimentação deixa de ocorrer através da injeção de combustível pelos bicos injetores no coletor e passa a ocorrer por sistema de aspiração, através de peça denominada corpo de borboleta. Para instalação de tais equipamentos não há necessidade de proceder grandes modificações na originalidade do veículo.

Quanto ao sistema de injeção eletrônica, para preservação e continuidade da utilização deste, devem ser instalados todos os equipamentos eletrônicos necessários para tanto. Tais equipamentos consistem basicamente em emulador de bicos injetores, que procede ao corte de alimentação dos bicos, emulador de sonda lambda que recebe as informações da sonda e adapta as mesmas para funcionamento com GNV e variador de avanço, uma peça que equaliza o funcionamento do sistema de ignição com as características do novo combustível. Assim, pode-se afirmar que eletrônica do veículo não é perdida quando da utilização do GNV como combustível alternativo.

A partida de um carro movido à GNV ocorre na gasolina. Com o aumento da rotação do motor ou com o passar de alguns segundos, dependendo do sistema, o funcionamento passa automaticamente para o GNV. Portanto, a ignição inicial do veículo ocorre na gasolina.

Algumas chaves têm dispositivo que permite a ignição inicial utilizando GNV. Entretanto, essa possibilidade deve ser utilizada apenas em caso de emergência, isto é, quando não houver gasolina no tanque. O GNV é combustível de bom funcionamento em qualquer temperatura do motor.



Categorias:Metrologia, Normalização

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