E lá vai a nave Terra cumprir o seu destino nesse mar de ilusões…

Quem somos, onde estamos, para onde vamos? Há 8.000 anos o homo sapiens já tinha se espalhado pelo Planeta. Desta época, saindo da idade da pedra atravessou a idade do bronze e a idade do ferro.

De uma população total de 4 milhões chegou a 7 bilhões de habitantes nos dias atuais. Hoje, ele se transformou no homo sapiens internet, já que essa ferramenta está alterando tudo.

Há uma trajetória de colapso socioambiental iminente e isso se alicerça em conhecimento cumulativo. Dados, monitoramentos conduzidos ao longo de decênios, modelos estatísticos e projeções confirmadas pela observação convergem para conferir a essa proposição uma incerteza cada vez menor e constituem hoje, por certo, um dos mais consolidados consensos científicos da história do saber sobre a natureza e sobre nossa interação destrutiva e autodestrutiva com ela.

Atualmente, já existe a ideia de uma nova era geológica, pois está havendo uma mudança radical no Planeta em um curto espaço de tempo, acelerada pela ação humana. Uma enorme pressão sobre a Terra: o Antropoceno.

O Planeta em seus 4,5 milhões de anos de existência já passou por vários ciclos na escala geológica, com devastações, sendo que a última ocorreu há 67 milhões de anos. Há uma teoria de que um asteroide atingiu o México há 65 milhões de anos, formando a cratera Chicxulub, e que provocou a alteração do clima e a extinção de espécies como os dinossauros. A era Mesozoica, dominada pelos répteis, foi seguida pela era Cenozoica – dos mamíferos – o que incluiu o aparecimento dos primatas.

Nessa nova era, as atividades dos seres humanos estariam influenciando as transformações no mundo, num ritmo acelerado. O modo de vida relacionado com a produção e o consumo está mexendo com o clima. E pode aumentar o risco de aquecimento. Contudo, a solidão continua a atormentar a eternidade do ser humano.

A mudança climática global já teve efeitos observáveis no meio ambiente. As geleiras encolheram, o gelo nos rios e lagos está se desfazendo mais cedo, as plantações de plantas e animais mudaram e as árvores estão florescendo mais cedo.

Os efeitos que os cientistas previram no passado resultariam da mudança climática global que está ocorrendo agora: perda de gelo marinho, aumento acelerado do nível do mar e ondas de calor mais intensas e longas.

Os cientistas têm alta confiança de que as temperaturas globais continuarão a subir nas próximas décadas, em grande parte devido aos gases de efeito estufa produzidos pelas atividades humanas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que inclui mais de 1.300 cientistas dos Estados Unidos e de outros países, prevê um aumento de temperatura de 2,5 a 10 graus Fahrenheit ao longo do próximo século.

De acordo com o IPCC, a extensão dos efeitos das mudanças climáticas em regiões individuais irá variar ao longo do tempo e com a capacidade de diferentes sistemas sociais e ambientais para mitigar ou adaptar-se à mudança.

O IPCC prevê que aumentos na temperatura média global de menos de 1,8 a 5,4 graus Fahrenheit (1 a 3 graus Celsius) acima dos níveis de 1990 produzirão impactos benéficos em algumas regiões e prejudiciais em outras. Os custos anuais líquidos aumentarão com o tempo à medida que as temperaturas globais aumentam.

O nível global do mar subiu alguns centímetros desde que a manutenção confiável de registros começou em 1880. É esperado que suba mais alguns centímetros até 2100. Este é o resultado da adição de água do derretimento do gelo terrestre e da expansão da água do mar à medida que se aquece.

Nas próximas décadas, as tempestades e as marés altas poderão se combinar com o aumento do nível do mar e a subsidência da terra para aumentar ainda mais as inundações em muitas regiões. A subida do nível do mar continuará após 2100 porque os oceanos demoram muito tempo a responder a condições mais quentes na superfície da Terra. As águas oceânicas continuarão a aquecer e o nível do mar continuará a subir por muitos séculos a taxas iguais ou superiores às do século atual.

Falar em sustentabilidade hoje está complicado e vai envolver fortes mudanças de atitude de todos os seres humanos. A enorme desigualdade na distribuição das riquezas traz instabilidade política, econômica e social, e é preciso minimizá-la para evitar conflitos ainda mais sérios.

Desenvolvimento sustentável demanda um esforço conjunto para a construção de um futuro com inclusão e resiliência para todas as pessoas em todo o Planeta. As mudanças climáticas são um dos pontos centrais, pois ela já impacta a saúde pública, a segurança alimentar e hídrica, a migração, a paz e a segurança.

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Este gráfico, baseado na comparação de amostras atmosféricas contidas em núcleos de gelo e medições diretas mais recentes, fornece evidências de que o CO2 atmosférico aumentou desde a Revolução Industrial.

O clima da Terra mudou ao longo da história. Apenas nos últimos 650.000 anos, houve sete ciclos de avanço e recuo glacial, com o fim abrupto da última era glacial, há cerca de 7.000 anos, marcando o início da era climática moderna – e da civilização humana. A maioria dessas mudanças climáticas é atribuída a variações muito pequenas na órbita da Terra que alteram a quantidade de energia solar que o planeta recebe.

Dessa forma, se todas essas transformações não forem controladas, reduzirá os ganhos de desenvolvimento alcançados nas últimas décadas e impedirá possíveis ganhos futuros para as próximas gerações. No Brasil, por exemplo, onde 99% dos políticos não cumprem com as suas promessas depois de eleitos, a preocupação com a qualidade de vida urbana deveria ser de grande importância no debate político e científico, devido ao rápido e desordenado crescimento das cidades.

A temperatura média da superfície do planeta subiu cerca de 0,6 º C desde o final do século 19, uma mudança causada principalmente pelo aumento do dióxido de carbono e outras emissões produzidas pelo homem na atmosfera. A maior parte do aquecimento ocorreu nos últimos 35 anos, com os cinco anos mais quentes registrados desde 2010. Não somente 2016 foi o ano mais quente já registrado, mas oito dos 12 meses que compõem o ano – de janeiro a setembro , com exceção de junho, foram os mais quentes registrados nos respectivos meses.

Constata-se que, mesmo com o imenso progresso e avanço tecnológico alcançados, o modelo de desenvolvimento adotado gerou também ampliação da desigualdade na distribuição de bens e serviços e nas condições de vida da população, além de profunda degradação ambiental. As grandes concentrações urbanas, os níveis alarmantes de poluição e a degradação socioambiental suscitam dúvidas acerca da real possibilidade de sobrevivência da espécie humana enquanto tal e das outras formas de vida no planeta.

Desta forma, evidencia-se hoje a incapacidade de o modelo de desenvolvimento gerar mais e melhor qualidade de vida. Assim, além de não se conseguir erradicar a ignorância, a violência e a pobreza, agravou-se a situação social e ambiental e consolidaram-se, especialmente nas grandes cidades, enormes disparidades socioespaciais em todos os aspectos.

Neste contexto, a deterioração ambiental crescente assumiu uma importância que está levando à consciência dos limites ao crescimento, devido à finitude dos recursos naturais, abalando a utopia materialista de consumo de forma contínua. Este quadro provocou a discussão de valores éticos essenciais, dentre eles a igualdade entre os homens, traduzida hoje como equidade na distribuição dos recursos e benefícios e no acesso de toda a população à satisfação de suas necessidades básicas fundamentais.

Também deve-se reafirmar e se consolidar o compromisso das gerações de hoje para com as gerações futuras de assegurar uma qualidade ambiental que possibilite a continuidade da reprodução da vida no Planeta, em todas as suas manifestações. A partir disso, pode-se desenvolver a noção de sustentabilidade do desenvolvimento humano e reafirmar o conceito de qualidade de vida que deve ganhar um novo significado.

O pior é que as coisas não melhoram, principalmente no Brasil. O Imazon (clique para ver o gráfico do desmatamento) divulgou que, em julho de 2018, o SAD detectou 778 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Neste boletim, a fração de desmatamento entre 1 e 10 hectares foi de 11% do total detectado (89 quilômetros quadrados). Considerando somente os alertas a partir de 10 hectares, houve aumento de 27% em relação a julho de 2017, quando o desmatamento somou 544 quilômetros quadrados. Em julho de 2018, o desmatamento ocorreu no Pará (37%), Amazonas (21%), Rondônia (20%), Mato Grosso (17%), Acre (5%).

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 356 quilômetros quadrados em julho de 2018. Em julho de 2017, a degradação florestal detectada totalizou 46 quilômetros quadrados. Em julho de 2018 a degradação foi detectada nos estados do Pará (95%), Mato Grosso (3%), e Rondônia (2%). Em julho de 2018, a maioria (62%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado nos Assentamentos de Reforma Agrária (19%), Unidades de Conservação (15%) e Terras Indígenas (4%).

O Imazon afirma que a pecuária foi responsável por mais de 60% da perda de vegetação nativa. Os ambientalistas também calcularam outra forma de desmatamento: a chamada degradação florestal, que é provocada especificamente por pequenas queimadas e pela extração seletiva de madeira. Esse tipo de derrubada aumentou 220%.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br



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