Os ensaios em mangueiras de incêndio

As mangueiras de incêndio têm a finalidade de canalizar a água que sai de uma fonte, como por exemplo um hidrante, e direcioná-la até o local onde ocorre o incêndio. As mangueiras podem chegar até 30 metros e possuem alta resistência à abrasão, cada uma com especificações diferentes, como diâmetro, pressão e utilização para cada local de uso.

mangueira2Da Redação –

As mangueiras de incêndio são classificadas em tipos e cada um deles é indicado para um uso diferente. A mangueira do tipo 1 é ideal para ser utilizada em edifícios residenciais para apagar chamas em materiais sólidos, como madeira, papel e tecido. Já o tipo 2 das mangueiras de incêndio são indicadas para o uso em edifícios comerciais e pelo Corpo de Bombeiros.

Também são encontradas as mangueiras do tipo 3 que são indicadas para a área naval e pelo Corpo de Bombeiros, por serem resistentes à abrasão e por ser ideal para apagar chamas em situações mais críticas. Os tipos 4 e 5 das mangueiras de incêndio possuem maior pressão e altíssima resistência à abrasão e seu uso é específico para o Corpo de Bombeiros e para indústrias que trabalham com combustíveis e com metais que inflamam espontaneamente, como por exemplo, magnésio, potássio e o sódio.

Deve-se verificar as especificações nas extremidades da mangueira de incêndio ao realizar a compra, como o selo impresso de qualidade do número da norma técnica ABNT, nome do fabricante, tipo e data de fabricação, para que se possa verificar a autenticidade do produto e garantir que ele não sofreu adulteração e que o produto venha com a qualidade direto de fábrica.

A NBR 11861 (EB2161) de 10/1998 – Mangueira de incêndio – Requisitos e métodos de ensaio estabelece as condições mínimas exigíveis para mangueiras de incêndio de diâmetros nominais de 40 mm e 65 mm e comprimento de 15 m. Esta norma se aplica a mangueiras de fibras sintéticas utilizadas em combate a incêndio. Também se aplica a comprimentos superiores aos prescritos em 1.1, no caso de exigência específica.

A escolha do tipo de mangueira é função do local e condições da aplicação. Para o melhor entendimento das indicações a seguir, recomenda-se uma análise das definições dos tipos (3.8 a 3.12) das pressões de trabalho e ruptura (4.4), da resistência à abrasão (5.4) e da resistência à superfície quente (5.9).

O Tipo 1 destina-se a edifícios de ocupação residencial, com pressão de trabalho de 980 kPa (10 kgf/cm²). Destina-se a edifícios comerciais e industriais ou Corpo de Bombeiros, com pressão de trabalho de 1.370 kPa (14 kgf/cm²). O Tipo 3 destina-se à área naval e industrial ou Corpo de Bombeiros,

onde é desejável uma maior resistência à abrasão e pressão de trabalho de 1 470 kPa (15 kgf/cm²). O Tipo 4 destina-se à área industrial, onde é desejável uma maior resistência à abrasão e pressão de trabalho de 1 370 kPa (14 kgf/cm²). O Tipo 5 destina-se à área industrial, onde é desejável uma alta resistência à abrasão e a superfícies quentes e pressão de trabalho de 1.370 kPa (14 kgf/cm²).

O reforço têxtil deve ser fabricado com fios sintéticos. O urdume deve ser entrelaçado com a trama. O tubo interno deve ser fabricado de borracha, plástico ou outro material flexível. A mangueira deve ser identificada com o nome e/ou marca do fabricante, número desta norma, tipo de mangueira, mês e ano de fabricação.

Esta marcação deve ser indelével, em caracteres de 25 mm de altura mínima, iniciando à distância de 0,5 m a 1,4 m de cada extremidade da mangueira. Por exemplo: 25 mm X Logomarca NBR 11861 Tipo X M/A, onde: X é o tipo 1, 2, 3, 4 ou 5; M é o mês de fabricação; A é o ano de fabricação. No caso de marcações adicionais não exigidas, é livre o seu posicionamento no corpo da mangueira. As pressões para os diversos tipos de mangueira estão estabelecidas na tabela.

mangueira3

No caso de necessidade específica do consumidor, para pressões de trabalho superiores às estabelecidas na tabela acima, as seguintes recomendações devem ser observadas: a pressão de prova deve ser, no mínimo, duas vezes a pressão de trabalho específica do consumidor; a pressão de ruptura deve ser, no mínimo, três vezes a pressão de trabalho específica do consumidor; a pressão de prova em dobramento deve ser, no mínimo, uma vez e meia a pressão de trabalho específica do consumidor; a pressão de trabalho específica do consumidor deve ser, no mínimo, 10% acima da maior pressão de utilização esperada; e os valores da tabela 3 de graus/m e voltas/15 m devem ser multiplicados pela razão Pcal/Pprova, onde: Pcal é a pressão de prova calculada em 4.4 a); Pprova é a pressão de prova da tabela acima.

Os ensaios descritos na norma apresentam diferentes níveis de dificuldades e riscos operacionais. É recomendada uma análise prévia de cada uma delas, para verificação dos cuidados requeridos à segurança de seus executantes. Para o ensaio hidrostático, a mangueira não deve apresentar comprimento inicial inferior a 14,7 m (- 2% do comprimento nominal), determinado conforme 5.1.4.2.

A mangueira submetida a pressão de prova, conforme a tabela acima, deve atender aos seguintes requisitos: não deve apresentar vazamentos, rompimento de fios ou deslizamento das uniões em relação ao corpo da mangueira; não deve apresentar um alongamento maior que os valores descritos na tabela 2 da norma; não deve apresentar uma flexão horizontal maior que 0,6 m; não deve apresentar torção final à esquerda (sentido de abertura das uniões), sendo que a torção à direita (sentido de fechamento das uniões) não deve ser maior que os valores da tabela 3 da norma. Uma torção transitória, à esquerda de 6 graus/m (0,25 volta/15 m) é admitida durante o incremento da pressão.

A mangueira, quando submetida à pressão de dobramento, conforme a tabela acima, com a extremidade dobrada, não deve apresentar vazamento ou rompimento de fios. A amostra deve ser uma mangueira com comprimento nominal de 15 m, com uniões.

A aparelhagem necessária para a execução do ensaio é a seguinte: bancada de ensaio de superfície lisa, de modo a minimizar o atrito com a mangueira, de comprimento mínimo de 17 m e largura aproximada de 1 m, com inclinação longitudinal de aproximadamente 1°, isenta de rebarbas, cantos vivos, pontos pontiagudos, obstáculos ou quaisquer outras irregularidades que possam danificar a mangueira e/ou interferir nos ensaios; equipamento de pressurização hidrostático com razão de incremento de pressão de 2 060 kPa a 6.865 kPa (21 kgf/cm² a 70 kgf/cm²) por minuto; manômetro com fundo de escala de no mínimo 4.900 kPa (50 kgf/cm²) e resolução de 98 kPa (1 kgf/cm²); manômetro com fundo de escala de no mínimo 390 kPa (4 kgf/cm²) e resolução de 20 kPa (0,2 kgf/cm²); cronômetro com resolução de 0,2 s; trena com resolução de 0,01 m; tampão com válvula de drenagem.

Como procedimentos, deve-se estender a mangueira sem torção e em linha reta sobre a bancada de ensaios, acoplando uma das extremidades à válvula de suprimento de água localizada na posição mais baixa da bancada de ensaio. Na extremidade livre, acoplar um tampão de mesmo diâmetro com válvula de drenagem para controle da retirada do ar.

Com a válvula de drenagem aberta, encher a mangueira com água até a completa remoção do ar. Fechar a válvula de drenagem e aumentar a pressão até 98 kPa (1 kgf/cm²). Ao atingir a pressão indicada, alinhar a mangueira na bancada de ensaio. Medir com uma trena o comprimento entre os limites externos das uniões (comprimento inicial). Marcar um ponto de referência sobre a extremidade livre da mangueira, para o ensaio de torção.

Aumentar a pressão na razão de 2.060 kPa a 6.865 kPa (21 kgf/cm² a 70 kgf/cm²) por minuto até atingir a pressão de prova (tabela acima). Durante a elevação da pressão, contar, a partir do ponto de referência marcado, o número de voltas desta extremidade livre, com aproximação de 1/8 de volta (45°) e o sentido (direito ou esquerdo, com o observador posicionado na extremidade fixa). O valor da torção deve ser expresso em graus/m ou número de voltas/15 m. Inspecionar visualmente a mangueira do consumidor.

Para o ensaio de perda de carga, a mangueira deve atender os valores da tabela 4 da norma, na vazão dada. O objetivo deste ensaio é eliminar mangueiras que apresentem perda de carga elevada ou tubo interno com superfície rugosa. Como amostra, deve-se usar uma mangueira com comprimento nominal de 15 m, com uniões.

A aparelhagem necessária para a execução do ensaio é a seguinte: válvula controladora de vazão; dois segmentos retilíneos de tubo mostrado na figura A.3 da norma; medidor de vazão com erro máximo de 2%; manômetro com fundo de escala mínimo de 980 kPa (10 kgf/cm²) e resolução de 20 kPa (0,2 kgf/cm² ); manômetro diferencial com fundo de escala mínima de 294 kPa (3 kgf/cm²) e resolução de 5 kPa (0,05 kgf/cm² ).

Como procedimento, deve-se posicionar a mangueira de forma retilínea na horizontal. Conectar a mangueira aos dispositivos para determinação de pressão, conforme mostrado no esquema típico da figura A.2 da norma. Produzir a vazão de água através deste conjunto, conforme a tabela 4 na norma, utilizar a pressão hidrodinâmica de (600 ± 20) kPa ((6,0 ± 0,2) kgf/cm²) na entrada do conjunto e determinar a perda de carga Pc entre os pontos de medida. Nesta pressão, medir o comprimento real da mangueira.

Interromper a vazão de água, desconectar a mangueira e acoplar os dois dispositivos, sem a mangueira. Produzir a mesma vazão utilizada anteriormente e determinar a perda de carga destes dispositivos Pd.

Quando ocorrer um resultado fora do especificado, em qualquer um dos ensaios de tipo descritos, a mangueira deve ser considerada reprovada. Quando ocorrer um resultado fora do especificado em qualquer um dos ensaios de tipo descritos, esse ensaio deve ser repetido em mais duas amostras da mangueira. Se qualquer uma das duas amostras apresentar resultado negativo, a mangueira deve ser considerada reprovada. Alguns itens informativos sobre “Inspeção” encontram-se no anexo B.



Categorias:Metrologia, Normalização

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