Os requisitos normativos para o bungee jump

Embora não seja muito bem definido o que é um esporte radical, pode-se dizer que é algum tipo de atividade física que muitas vezes produz uma grande quantidade de adrenalina. A razão para este nível mais alto de adrenalina é porque os esportes extremos, tais como o bungee jump, sky diving ou caiaque, oferecem geralmente riscos. No caso do bungee jump – atividade de salto em que um participante se desloca em queda livre, limitada pelo amortecimento mediante a conexão a um cabo elástico, que é desenvolvido especificamente para esta atividade – é importante seguir os parâmetros normativos de operação relativos à segurança dos participantes e líderes do produto. Os saltos de bungee jump podem ser feitos com o participante conectado pelos tornozelos (de cabeça para baixo) ou conectado pela cintura e peitoral (sentado).

jump2O turismo de aventura é uma indústria global que cresce em importância. Se providas em uma base comercial, sem fins lucrativos ou de caridade, as atividades de turismo de aventura envolvem um elemento de risco e de desafio que é inerente e aceito. Correr riscos traz recompensas, porém também traz perigos. A fim de maximizar as recompensas, os prestadores de serviço das atividades de turismo de aventura precisam operar de maneira tão segura quanto praticável.

Assim, deve-se estabelecer os requisitos mínimos para prestadores de serviço das atividades de turismo de aventura de bungee jump. Um processo de gestão de riscos é parte integrante de um sistema de gestão da segurança. Um sistema de gestão da segurança provê a estrutura para a melhoria contínua e contribui para a realização segura das atividades de turismo de aventura.

A abordagem do sistema de gestão da segurança incentiva os prestadores de serviço a analisar suas atividades de turismo de aventura, entender os requisitos dos participantes, definir os processos que assegurem a segurança e manter estes processos sob controle. A segurança no turismo de aventura envolve pessoas (tanto participantes quanto prestadores de serviços), equipamentos, procedimentos e as próprias empresas prestadoras dos serviços, inclusive as organizações públicas.

Desta forma, uma abordagem sistêmica sobre os requisitos de serviços do produto de atividades de turismo de aventura é altamente recomendável, de modo a considerá-los sob seus diversos aspectos. Os riscos muitas vezes podem incluir ferimentos graves, paralisia e, por vezes, até a morte. A faixa de atividades inclusas nesse tipo de esporte varia muito.

Por exemplo, algumas pessoas consideram caiaque perigoso, enquanto outros consideram um esporte mais tranquilo. Dependendo de onde você vai fazer a atividade também determina se é ou não radical. Uma corrida de BMX em um terreno altamente acidentado, em velocidades acima de 60 km/h é considerado extremo, enquanto que uma corrida no asfalto é considerado um esporte mais tradicional.

O bungee jump é um esporte radical praticado por muitos aventureiros corajosos, que consiste em saltar de uma altura num vazio amarrado aos tornozelos ou cintura a uma corda elástica. Este esporte é derivado do Naghol, que é uma espécie de prova de iniciação pela qual os rapazes de uma aldeia ao sul da Ilha de Pentecostes, em Vanuatu, têm de passar para poderem começar a ser chamados de adultos.

A NBR 16714 de 10/2018 – Turismo de aventura – Bungee jump – Requisitos para produto estabelece os requisitos de projeto, instalação e montagem, incluindo a especificação de alguns equipamentos, bem como estabelece os requisitos da operação relativos à segurança dos participantes e líderes de produtos com atividades de turismo de aventura que oferecem bungee jump, como também as competências dos líderes de turismo de aventura de bungee jump. Este documento foi elaborado de forma a ser aplicável a todos os tipos e portes de organizações e para ser adequada a diferentes condições geográficas, culturais e sociais.

É aplicável a qualquer organização que ofereça produtos com atividades de turismo de aventura que deseje: aumentar a satisfação e segurança do participante por meio da efetiva aplicação deste documento, incluindo processos para controle e melhoria contínua do produto e a garantia da conformidade com os requisitos do participante e requisitos regulamentares aplicáveis; demonstrar a capacidade do produto de assegurar a prática de atividades de turismo de aventura de forma segura e que atenda aos requisitos de segurança do participante e requisitos regulamentares aplicáveis; buscar a certificação segundo este documento por uma organização externa; ou realizar uma autoavaliação da conformidade com este documento.

Em produtos de turismo de aventura que incluam outras atividades relacionadas aos serviços turísticos (como, por exemplo, traslados, refeições, hospedagens, entre outros) além das de turismo de aventura, este documento é aplicável somente às atividades de turismo de aventura. Pode haver casos em que são necessários deslocamentos de acesso e de retorno para o início e após a conclusão das atividades de turismo de aventura, os quais não são abrangidos pelos requisitos estabelecidos neste documento.

É importante ressaltar que a concepção de produtos turísticos envolve uma fase de planejamento e de desenvolvimento do produto que não é objeto deste documento. Ele não é aplicável às práticas realizadas no contexto das entidades de administração esportiva, e realizada por esportistas independentes, que não caracterizem prática comercial turística. As organizações envolvidas com as atividades de turismo de aventura vêm procurando sistematizar e controlar as atividades de turismo de aventura que são oferecidas como produtos turísticos, por meio de uma sequência de serviços e ações planejadas, inclusive incorporando práticas de gestão da qualidade e gestão de riscos, de maneira a fornecer atividades de turismo de aventura de forma responsável e segura.

Por si só, estas iniciativas de sistematização e controle podem não ser suficientes para proporcionar a uma organização a garantia de que os produtos turísticos que oferece mantêm seu desempenho em termos de qualidade e segurança. O desafio de controlar as diversas variáveis presentes na operação de produtos de turismo de aventura é um dos pontos críticos para o sucesso e desenvolvimento do segmento. A complexidade de gestão dos componentes do produto de turismo de aventura, com suas especificidades em cada atividade, é um aspecto importante a ser levado em consideração e elaborado como meio de referenciar a oferta de atividades de turismo de aventura no país.

Assim, a concepção das normas de produto turístico para as atividades de turismo de aventura pode ser uma referência inovadora para toda organização envolvida com a prestação de serviços que incluam atividades de turismo de aventura, ou seja, as normas podem ser utilizadas por operadoras e por aqueles que recebem os turistas nos destinos, que devem também estar envolvidos no esforço da segurança nas atividades de turismo de aventura.

A elaboração deste documento de produto turístico organiza de forma sistemática todos os elementos presentes na operação da atividade de turismo de aventura, de maneira que uma organização possa estabelecer parâmetros de controle de qualidade e segurança, incluindo os cuidados com as questões ambientais relacionadas à execução do produto, utilizando as técnicas de gestão de serviços e incorporando processo de controle e melhoria contínua do produto.

A gestão de serviços turísticos contém características especiais devido à sua natureza concomitante de produção e consumo. Da mesma forma em que o produto é produzido, ele é também consumido. É importante considerar a qualidade da experiência do participante e é essencial assegurar que todos os aspectos de segurança relacionados à atividade de turismo de aventura foram planejados e estão sendo implementados.

Neste sentido, a adoção de um processo de gestão sistemática de requisitos para os serviços envolvidos na produção e operação do produto turístico pode contribuir para a obtenção de resultados ótimos para todas as partes interessadas. Contudo, somente a adoção deste conjunto de técnicas de gestão de serviços por si só não garantirá resultados ótimos.

As atividades de turismo de aventura que envolvem produtos de bungee jump oferecem um nível de risco elevado, devendo sua operação ser executada de forma planejada e controlada. Com uma oferta crescente deste tipo de atividade no país, é oportuno que seja elaborada uma norma de produtos que envolva o bungee jump.

O sucesso da gestão dos serviços depende do comprometimento de todos os níveis e funções na organização, em especial da direção e da equipe de líderes. A finalidade geral desta norma é assegurar, de maneira sistemática e consistente, a prática segura e responsável de atividades de turismo de aventura. É recomendável que vários destes requisitos sejam abordados simultaneamente ou reapreciados a qualquer momento.

O produto turístico deve ser planejado e fornecido de maneira que a segurança dos participantes, operadores e demais pessoal envolvido no fornecimento do produto e que esteja exposto a riscos seja assegurada. O responsável pela operação deve: assegurar que os operadores atendam aos requisitos de qualificação estabelecidos neste documento; manter registro da manutenção das competências dos operadores; assegurar que todo serviço contratado de fornecedores terceiros, que afete a qualidade e a segurança do produto turístico, atenda aos requisitos deste documento e outros requisitos que a própria organização estabeleça; assegurar-se de maneira planejada que os recursos e meios necessários para a realização da atividade que impactam a segurança estejam disponíveis no momento e local previstos; respeitar as limitações de uso existentes para as áreas naturais onde ocorra a atividade; adotar os planos de uso e zoneamento ecológico disponíveis quando o atrativo estiver em Unidade de Conservação (UC) ou em áreas com alguma categoria de restrições ambientais; assegurar que sejam disponibilizadas informações necessárias ao processo de tomada de decisão antes da formalização da compra, atendendo aos requisitos da NBR 21103.

De acordo com as características do local da operação e do próprio produto turístico oferecido, o estabelecimento do número máximo de participantes por operação deve ser considerado. Um dos fatores limitantes para o número de participantes em uma operação é o potencial impacto ambiental e sociocultural negativo do conjunto de participantes. Quando disponível, o planejamento do produto deve levar em conta a capacidade de carga do atrativo onde se realiza a atividade, inclusive no estabelecimento do número de participantes por operação.

Caso a organização ofereça produtos turísticos para crianças menores de 12 anos ou para participantes deficientes ou com mobilidade reduzida, este produto deve ser objeto de um planejamento específico que considere as características, procedimentos e equipamentos necessários para que a segurança destes participantes específicos seja assegurada. Esses produtos podem requerer profissionais, equipamentos e condições específicas diferentes dos previstos neste documento. As medidas adotadas devem ser validadas, justificadas tecnicamente e documentadas.

A organização responsável pela operação deve considerar no mínimo o seguinte: o impacto ou a alteração da paisagem, do ambiente ou das instalações existentes; o impacto ou qualquer alteração de características ou estruturas históricas; as eventuais alterações resultantes das construções, manutenção e operação, para a devolução de local; o potencial impacto da operação sobre as vias ou áreas adjacentes.

Recomenda-se a integração da operação do bungee jump à circunvizinhança do local. No caso da presença de linhas de energia, cabos ou linhas de comunicação aéreas (como, por exemplo, de telefonia), a organização responsável pela operação deve levar em consideração a regulamentação ou as normas pertinentes, de modo a que sejam evitadas interferências ou perigos adicionais.

O projeto de implantação deve minimizar os impactos negativos durante a sua construção e quando houver obras de reparo, ampliações ou outros tipos de alterações. O local de operação onde são posicionados os equipamentos ou outras estruturas para a operação da atividade de bungee jump deve ter a capacidade necessária para suportar as cargas e resistir aos requisitos da implantação e funcionamento do bungee jump.

A instalação deve evitar áreas de risco como, por exemplo, terrenos instáveis. O local de implantação da operação deve permitir a evacuação do participante do bungee jump em situações adversas. O estabelecimento do local de implantação deve ser feito de maneira que os acessos e elementos na circunvizinhança não ocasionem riscos adicionais aos participantes, líderes e demais pessoas da organização, bem como outras a pessoas nas áreas adjacentes, como, por exemplo, observadoras da atividade de bungee jump.

A seleção do local deve respeitar a legislação vigente e considerar os potenciais impactos socioambientais negativos. O local deve possuir vão livre para o salto, onde o raio da zona de salto deve ter dimensão mínima de 20% da altura do salto. Os espaços de segurança são divididos em espaços de segurança lateral, espaço de segurança para frente, espaço de segurança para trás e espaço de segurança inferior, conforme ilustrado na figura abaixo.

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O espaço de segurança lateral no ponto do salto para as laterais deve ser de no mínimo 1 m para cada lado. O espaço de segurança lateral no solo até as laterais deve ser de no mínimo 20% do comprimento do salto para cada lado. Esta distância não pode ser menor do que 8 m para cada lado.

O espaço de segurança para frente no ponto do salto deve ser de no mínimo 4 m. O espaço de segurança para frente deve ser de no mínimo 40 % do comprimento do salto. No ponto de salto não é necessário espaço de segurança para trás. O espaço de segurança para trás, rente ao solo, deve ser de no mínimo 60 % do comprimento do salto.

O espaço de segurança inferior é o espaço livre entre a extensão máxima do cabo elástico (inteiramente estendido após o salto ao final de sua desaceleração) e a superfície de amortecimento utilizada, que deve ser um colchão de ar ou espelho d’água. No caso de uso do colchão de ar, o espaço de segurança inferior deve ser de no mínimo 3 m e de no máximo 10 m, medidos do limite superior do colchão de ar inflado, considerando o cabo elástico com alongamento máximo previsto para o salto.

O colchão de ar (air bag) deve variar, em sua área útil (dimensão do equipamento), de acordo com a altura do salto (plataforma fixa ou móvel), considerando a medição a partir do solo: até 30,0 m de altura do ponto do salto – 7,0 m de largura × 7,0 m de comprimento; acima de 30,0 m de altura do ponto do salto até 46,0 m de altura – 8,0 m de largura × 8,0 m de comprimento; acima de 46,0 m de altura do ponto do salto até 61,0 m de altura – 10,0 m de largura × 10,0 m de comprimento.

No caso da operação de bungee jump ser realizada em alturas superiores a 61,0 m de ponto de salto, esta avaliação da área útil (dimensão do equipamento) deve ser calculada de acordo com a proporção de altura do referido salto. Este cálculo deve ser documentado. No caso de um espelho d’água como superfície de amortecimento, o espaço de segurança inferior deve ser de no máximo 8 m, até a superfície do espelho d’água. Neste caso, deve-se assegurar uma lâmina d’água mínima de 4 m de profundidade em toda a área do salto.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br



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