Os conceitos dos dispositivos de alarme visual contra incêndio

Um sistema de alarme de incêndio deve detectar o fogo em estágio inicial, com o objetivo de possibilitar a evacuação dos ocupantes do ambiente, de forma segura e rápida evitando assim acidentes mais graves, perdas do patrimônio e principalmente perdas de vidas.

alarme2Em linhas gerais há três elementos básicos dentro do sistema de alarme de incêndio: a detecção, o processamento e o aviso. A detecção é a parte do sistema que identifica o incêndio. Neste ponto que pode considerar os detectores(fumaça, calor, temperatura, chama, gás, etc.) ou acionadores manuais ou botoeiras (tipo soco, tipo quebra de vidro, pressão, alavanca, etc.). O processamento de sinal dos diversos dispositivos envolve o envio do aviso de alerta até o painel/central de incêndio. Já o aviso se dá por meio da central de alarme de incêndio, que ativa o sistema por meio de sinalização sonora e visual, cujo objetivo é alertar os ocupantes e acionar dispositivos auxiliares para operação de outros sistemas específicos (caso existam).

A NBR ISO 7240-23 de 07/2016 – Sistemas de detecção e alarme de incêndio – Parte 23: Dispositivos de alarme visual especifica os requisitos, métodos de ensaio e critérios de desempenho para dispositivos de alarme visual (d.a.v.) em uma determinada instalação, com o objetivo de sinalizar um aviso visual de um incêndio entre o sistema de detecção e alarme de incêndio e os ocupantes dentro e nas proximidades das edificações.

Esta parte especifica dispositivos de alarme visual para três tipos de ambientes de aplicação. Ela somente é aplicável aos dispositivos de alarme visual pulsantes ou piscantes, por exemplo, avisadores xenon ou rotativos. Ela não é aplicável aos dispositivos que emitem saídas de luz contínuas. Esta parte da não tem o objetivo de cobrir indicadores visuais, por exemplo, nos detectores ou nos equipamentos de controle e indicação.

A NBR ISO 7240, sob o título geral Sistemas de detecção e alarme de incêndio, tem previsão de conter as seguintes partes: Parte 1: Generalidades e definições; Parte 2: Equipamento de controle e indicação; Parte 3: Dispositivos de alarme sonoro; Parte 4: Equipamento de fornecimento de energia; Parte 5: Detectores de temperatura do tipo pontual; Parte 7: Detectores pontuais de fumaça, usando dispersão de luz, transmissão de luz ou ionização; e Parte 11: Dispositivos manuais de alarme.

Ressalta-se que as partes da ISO 7240, ainda não adotadas, encontram-se com título em inglês e serão adotadas oportunamente pelo ABNT/CB-24: Part 6: Carbon monoxide fire detectors using electro-chemical cells; Part 8: Carbon monoxide fire detectors using an electro-chemical cell in combination with a heat sensor; Part 9: Test fires for fire detectors [Technical Specification]; Part 10: Point-type flame detectors; Part 12: Line type smoke detectors using a transmitted optical beam; Part 13: Compatibility assessment of system components; Part 14: Design, installation, commissioning and service of fire detection and fire alarm systems in and around buildings; Part 15: Point type fire detectors using scattered light, transmitted light or ionization sensors in combination with a heat sensor; Part 16: Sound system control and indicating equipment; Part 17: Short-circuit isolators; Part 18: Input/output devices; Part 19: Design, installation, commissioning and service of sound systems for emergency purposes; Part 20: Aspirating smoke detectors; Part 21: Routing equipment; Part 22: Smoke-detection equipment for ducts; Part 23: Visual alarm devices; Part 24: Sound-system loudspeakers; Part 25: Components using radio transmission paths; Part 27: Point-type fire detectors using a scattered-light, transmitted-light or ionization smoke sensor, an electrochemical-cell carbon-monoxide sensor and a heat sensor; e Part 28: Fire protection control equipment.

O propósito de um dispositivo de alarme visual de incêndio é avisar as pessoas presentes em, ou na proximidade de, uma edificação sobre a ocorrência de uma situação de emergência de incêndio, com o objetivo de permitir que estas pessoas tomem medidas apropriadas. Esta parte da NBR ISO 7240 permite que os fabricantes especifiquem os dispositivos de alarme visual em termos da faixa na qual a iluminação necessária é atendida.

Três classes de dispositivos são definidas, uma para dispositivos de montagem em forro, uma para dispositivos de montagem em parede e uma classe aberta. A abrangência máxima de um dispositivo de alarme visual é ensaiada através da medição da saída de luz em uma parte do hemisfério que a circunda para determinar a sua distribuição de luz.

Uma vez que a saída de luz de alguns dispositivos de alarme visual pode mudar ao longo do tempo devido, por exemplo, ao efeito de autoaquecimento, um ensaio específico verifica que a variação da saída de luz ao longo do tempo esteja dentro de limites aceitáveis. Essa parte da NBR ISO 7240 fornece requisitos comuns para a construção e robustez de dispositivos de alarme visual, bem como para seu desempenho sob condições de interferência climática, mecânica e elétrica que são esperadas para ocorrer no ambiente de serviço.

Os dispositivos de alarme visual podem ser classificados em um dos três tipos de ambiente de aplicação. Os dispositivos de alarme visual devem cumprir os requisitos de volume de cobertura de pelo menos uma das três classes seguintes: ‘C’, dispositivos de montagem em forro; ‘W’, dispositivos de montagem em parede; ‘O’, dispositivos de classe aberta.

Os dispositivos classe C devem ser adicionalmente especificados como C-x-y (ver 4.10 2 d) 1), onde: x é a altura máxima, em metros, entre 2,5 m e 10 m, na qual o dispositivo pode ser montado, e y é o diâmetro, em metros, do volume cilíndrico de cobertura, quando o dispositivo é montado na altura do teto. O exemplo C-3-12 refere-se a um dispositivo de montagem em forro, com altura máxima de montagem de 3 m, fornecendo um volume cilíndrico de 12 m de diâmetro. Se um C-3-12 for locado no centro do quadrado, ele corresponde a uma faixa de cobertura quadrada (8,49 × 8,49) m, contido dentro de um círculo de 12 m de diâmetro.

Os dispositivos classe W devem ser adicionalmente especificados como W-x-y, onde: x é a altura máxima dos dispositivos na parede, em metros, com um valor mínimo de 2,4 m, e y é a largura de uma sala quadrada, em metros, coberta pelo dispositivo. EXEMPLO W-2.4-6 refere-se a um dispositivo de montagem em parede, com altura máxima de montagem de 2,4 m, fornecendo um volume de cobertura de (2,4 × 6 × 6) m.

Para dispositivos classe O deve ser especificado (ver 4.10 2 d) 3)) o volume de cobertura no qual se atinge a iluminação necessária. A frequência de pulsos do d.a.v. deve ficar entre 0,5 Hz e 2 Hz, medidos entre os 10 % dos valores de pico das bordas de subida consecutivas dos pulsos (P10L).

A frequência de pulsos pode variar em diferentes países. Devem ser feitas referências às regulamentações locais. Alguns países têm adotado o padrão temporal ISO 8201.

O tempo ligado máximo, medido entre os 10 % dos valores de pico da borda de subida (P10L) e da borda de descida (P10T) do pulso, não pode exceder 0,2 s. Se a luz emitida consistir em grupos de vários pulsos e se o tempo entre o P10T de um pulso e o P10L do próximo pulso for menor que 0,04 s, então os pulsos devem ser considerados um evento único.

Qualquer conjunto de pulsos múltiplos não pode exceder 0,2 s entre P10L do primeiro pico até o P10T do último pico. Um conjunto de pulsos onde o valor mínimo não caia abaixo de 10 % do valor de pico é considerado um pulso único e não pode exceder 0,2 s entre P10L e P10T.

O d.a.v. deve ter capacidade para pelo menos 100 h de operação. Nenhuma limitação do fator de serviço ou tempo ligado máximo pode impedir o dispositivo de operar o ciclo de 1 h ligado e 1 h desligado, requerido pelo procedimento de ensaio descrito em 5.5.

Este requisito não se aplica à capacidade das baterias que podem ser usadas dentro de um d.a.v., como um meio de armazenamento local de energia de operação. A capacidade e os requisitos de carga de tais baterias precisam atender aos requisitos do sistema.

O d.a.v. deve fornecer espaço dentro de seu invólucro para a entrada e terminação de condutores externos. Devem ser fornecidos os furos de entrada para condutores ou cabos, ou devem ser indicados os locais onde tais furos devem ser feitos através do fornecimento de um padrão ou alguns outros meios adequados. Os terminais para conexão de condutores externos ao d.a.v. devem ser projetados para que os condutores sejam pressionados entre as superfícies de metal sem serem danificados.

O d.a.v. deve ser construído de materiais capazes de suportar os ensaios especificados em 5.2 a 5.9. Além disso, os materiais dos invólucros plásticos devem atender aos seguintes requisitos de inflamabilidade: a) IEC 60695-11-10, Classe V-2 ou HB75 para dispositivos operando a partir de uma fonte de tensão menor ou igual a 30 V r.m.s. ou 42,4 V cc e consumindo menos que 15 W de potência; b) IEC 60695-11-20, Classe 5VB para dispositivos operando a partir de uma fonte de tensão maior que 30 V r.m.s. ou 42,4V cd e/ou consumindo menos que 15 V de potência.

A verificação de conformidade a 4.7.2 a) e 4.7.2 b) pode ser realizada através do exame de um Certificado de Conformidade ou equivalente (ver Anexo D). Se existir provisão para ajuste em campo do comportamento do d.a.v.: para cada ajuste em que o cumprimento desta parte da ABNT NBR ISO 7240 é requerido, o d.a.v. deve cumprir os requisitos desta parte da NBR ISO 7240, e o acesso aos meios de ajuste só deve ser possível através da utilização de um código ou ferramenta especial ou removendo o d.a.v. de sua base ou montagem, e quaisquer ajustes em que o cumprimento desta parte da NBR ISO 7240 não é requerido só devem ser acessíveis através da utilização de um código ou uma ferramenta especial, e deve estar claramente marcado no d.a.v. ou nos dados associados que, quando estes ajustes são usados, o d.a.v. não está de acordo com esta parte da NBR ISO 7240.

Para um d.a.v. que se baseia em controle por software, a fim de cumprir os requisitos desta parte da NBR ISO 7240, alguns requisitos devem ser atendidos. O fabricante deve submeter a documentação que fornece uma visão geral do projeto do software.

Esta documentação deve possuir detalhes suficientes para que o projeto possa ser inspecionado quanto à conformidade com esta parte da NBR ISO 7240 e deve incluir no mínimo o seguinte: uma descrição funcional do fluxo principal do programa (por exemplo, um diagrama de fluxo ou fluxograma), incluindo uma breve descrição dos módulos e as funções que eles desempenham; a forma pela qual os módulos interagem; a hierarquia geral do programa; a forma pela qual o software interage com o hardware do dispositivo de alarme visual; a forma pela qual os módulos são chamados, incluindo qualquer processamento de interrupção; uma descrição de quais áreas da memória são utilizadas para os vários propósitos (ou seja, o programa, dados específicos do local e dados de execução); uma designação através da qual o software e sua versão podem ser identificadas de forma única.

O fabricante deve preparar e manter a documentação detalhada do projeto. Esta deve estar disponível para inspeção de modo a respeitar os direitos de confidencialidade do fabricante.

Ela deve atender pelo menos ao seguinte: uma visão geral da configuração completa do sistema, incluindo todos os componentes de software e hardware; uma descrição de cada módulo do programa, contendo pelo menos o nome do módulo; uma descrição das tarefas executadas; uma descrição das interfaces, incluindo o tipo de transferência de dados, a faixa válida de dados e a verificação de dados válidos; listagem completa do código-fonte, na forma de cópia impressa ou em formato legível por máquina (por exemplo, código ASCII), incluindo todas as variáveis globais e locais, constantes e rótulos utilizados, e comentários suficientes para o reconhecimento do fluxo do programa; detalhes de quaisquer ferramentas de software utilizadas na fase de projeto e implementação (por exemplo, ferramentas CASE, compiladores).

Onde o d.a.v. tiver provisão para sinais de sincronismo com aquele de pelo menos outro d.a.v., a diferença máxima entre dispositivos de alarme visual deve ser inferior a 0,05 s. Luz piscante com frequência de 3 Hz ou mais pode causar convulsões em pessoas com epilepsia fotossensível. Para impedir isto, a frequência de pulso do d.a.v. colocado no mesmo espaço aberto pode precisar ser sincronizada.

Esta sincronização pode ser conseguida por um circuito interno, a adição de um fio de gatilho ligado entre dispositivos ou por outros meios definidos pelo fabricante. Quando a interrupção de alimentação for utilizada para propósitos de sincronização, não pode afetar negativamente o sinal visual de aviso.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br



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