Os óculos de proteção solar devem cumprir a norma técnica

Os olhos são a região mais exposta do corpo, recebem muita luz – principalmente no verão – e têm 15 vezes mais terminações nervosas que as pontas dos dedos, por exemplo. Para cuidar da saúde da visão, portanto, é preciso saber escolher os óculos de sol certos. As pessoas devem levar em conta se o produto será usado no dia a dia, na praia ou para a prática esportiva. Isso porque cada modelo, material, tamanho, cor, filtro e tipo de lente tem uma especificidade.

culos2Da Redação –

Os óculos podem ser simples e baratos, desde que sejam feitos de um bom material, porque se a qualidade ótica for baixa, pode provocar tontura e a sensação de olhar para um vidro ou acrílico. Óculos de camelô de rua, por exemplo, não têm a proteção anti-UV necessária nem qualidade ótica, mas não chegam a prejudicar a visão. Seria como se a pessoa simplesmente não usasse nada. Para não ter dúvidas, é importante que o produto tenha sempre certificado de origem e seja fabricado de acordo com a norma técnica.

A principal função dos óculos escuros é proteger mecanicamente os olhos contra os raios ultravioleta (UV) A e B. E os maiores problemas provocados a longo prazo por uma exposição em excesso ocorrem na retina, localizada no fundo do olho. É o caso de uma doença chamada degeneração macular relacionada à idade.

Os raios UV também podem favorecer a formação de pterígio, uma pele sobre a conjuntiva (membrana que reveste a superfície da córnea) que causa ardor na córnea (lente externa do olho), sensação de areia e pode avançar para o centro da visão. Países tropicais têm mais incidência da doença.

Muito mais do que um acessório de moda, os óculos escuros existem para proteger os olhos dos perigosos raios solares, tanto no verão, como no inverno, pois mesmo os dias mais frios pode haver uma luminosidade muito intensa. Da mesma forma que protege a pele contra a intensidade do sol, deve proteger os olhos contra o envelhecimento prematuro, o câncer de pele e uma variedade de lesões ou doenças oculares.

A NBR ISO 12312-1 de 12/2018 – Proteção dos olhos e do rosto – Óculos para proteção solar e óculos relacionados – Parte 1: Óculos para proteção solar para uso geral é aplicável a todos os óculos para proteção solar afocal (lente plana) e clip-ons para uso geral, incluindo o uso em condução de veículos, destinada à proteção contra a radiação solar. As informações sobre o uso de filtros de óculos para proteção solar são dadas no Anexo A. Os requisitos para filtros montados usados como filtros de substituição ou alternativos são apresentados no Anexo B.

Não é aplicável aos óculos relacionados, como: óculos para proteção contra radiação oriunda de fontes de luz artificial, como aquelas utilizadas em câmara de bronzeamento; protetores oculares feitos para esportes específicos (por exemplo, óculos de esqui ou outros tipos); óculos para proteção solar que tenham prescrição medicinal para atenuação da radiação solar; produtos feitos para observação direta do sol, como aqueles para visualizar eclipse solar parcial ou anular; produtos feitos para proteção ocupacional dos olhos. Quando ensaiados de acordo com a ISO 12311:2013, Seção 6, as áreas do óculos para proteção solar, incluindo o aro e as bordas dos filtros, com aro, sem aro e estilo meio aro, que possam, durante a sua utilização, entrar em contato com o usuário, devem ser lisas e sem saliências agudas.

O material do filtro e qualidade de superfície, quando ensaiado de acordo com a ISO 12311:2013, 6.2, exceto a 5 mm de largura da borda da lente, filtros de óculos para proteção solar, não pode apresentar quaisquer defeitos de usinagem ou do material dentro de uma área de 30 mm de diâmetro em torno do ponto de referência que pode prejudicar a visão, por exemplo, bolhas, arranhões, inclusões, manchas de tensão residual, corrosão, marcas de mofo, entalhes, áreas elevadas, manchas, respingo, manchas de água, marcas de coloração, bolhas de ar, fragmentação, rachaduras, defeitos de polimento ou ondulações.

Os óculos para proteção solar devem ser projetados e fabricados de tal forma que, quando utilizados nas condições e para os fins previstos, não irão comprometer a saúde e a segurança do usuário. Os riscos decorrentes de substâncias liberadas pelo produto que possam entrar em contato prolongado com a pele devem ser reduzidos pelo fabricante, abaixo de qualquer limite regulatório.

Deve ser dada atenção especial às substâncias alergênicas, cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução. As reações podem ser geradas por uma pressão excessiva devido a um mau ajuste dos óculos na face, irritação química ou alergia. As reações idiossincráticas raras podem ocorrer em qualquer material e podem indicar a necessidade individual em evitar determinados tipos de armações.

Convém que os regulamentos nacionais específicos que dizem respeito às restrições de determinadas substâncias químicas sejam observadas, por exemplo, a liberação de níquel pelas partes metálicas em contato prolongado com a pele. Para os requisitos e métodos de ensaio sobre este parâmetro, ver a ISO 12870, 4.2.3.

Os valores de transmitância devem ser determinados de acordo com a ISO 12311:2013, Seção 7. Dependendo da sua transmitância luminosa em seu ponto de referência, os filtros de óculos para proteção solar para uso geral devem ser atribuídos a uma das cinco categorias de filtro. O alcance da transmitância luminosa das cinco categorias é dado pelos valores da tabela abaixo.

Uma sobreposição dos valores de transmitância não pode ser maior do que ± 2 % (absoluto) entre as categorias de 0, 1, 2 e 3. Não há sobreposição em valores de transmitância entre as categorias 3 e 4. O desvio máximo para o valor de transmitância da luminosa declarado deve ser de ± 3 % absoluto para os valores de transmitância classificados nas categorias 0 a 3 e ± 30 % em relação ao valor limite para os valores de transmitância baixando para a categoria 4.

Ao descrever as propriedades de transmitância dos filtros fotossensíveis, duas categorias para valores de transmitância são geralmente usadas. Estes dois valores correspondem ao estado claro e ao estado escurecido do filtro. No caso de filtros-gradiente, o valor de transmitância, no ponto de referência deve ser utilizado para caracterizar a transmitância luminosa e a categoria do filtro.

Para filtro-gradiente, a sobreposição de transmitância luminosa permitida entre as categorias deve ser o dobro daquela dos filtros uniformemente coloridos. A tabela abaixo também especifica os requisitos de UV para filtros de óculos para proteção solar para uso geral e, quando os filtros são especificados pelo fabricante para proteger contra a radiação IR, os requisitos de IR.

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A diferença relativa no valor de transmitância luminosa entre dois pontos quaisquer do filtro dentro de um círculo de 40 mm de diâmetro em torno de um ponto de referência ou da borda do filtro, menos a zona marginal de 5 mm de largura, o que for menor, não pode ser maior do que 10 % (em relação ao valor mais alto), exceto para a categoria 4, onde não pode ser superior a 20%. O centro geométrico ou centro do sistema de caixa ocupa o lugar do ponto de referência, se este não é conhecido.

No caso de filtros-gradiente montados, este requisito deve ser limitado às seções paralelas à linha que liga os dois pontos de referência. Para filtros montados, a diferença relativa entre o valor de transmitância luminosa dos filtros no ponto de referência para os olhos direito e esquerdo não pode exceder 15 % (em relação ao filtro mais leve).

São permitidas mudanças de transmitância luminosa que são provocadas por variações de espessura devido à estrutura do filtro. Para a verificação, deve ser utilizado o método de ensaio da ISO 12311:2013, Anexo L.

Os filtros adequados para uso em rodovias e na condução de veículos devem ser das categorias 0, 1, 2 ou 3 e devem adicionalmente atender a dois requisitos. Possuir transmitância espectral. Para comprimentos de onda entre 475 nm e 650 nm, a transmitância espectral de filtros adequados para uso em rodovias e na condução de veículos não pode ser inferior a 0,2τv.

Possuir detecção de sinais luminosos. O coeficiente de atenuação visual Q de filtros de categorias 0, 1, 2 e 3 adequados para uso em rodovias e na condução de veículos não pode ser inferior a 0,80 para luz de sinalização vermelha, nem inferior a 0,60 para luzes de sinalização amarela, verde ou azul. A distribuição espectral relativa da radiação emitida por luzes de sinalização incandescentes deve aplicar-se de acordo com a NBR ISO 12311:2013, 7.8.

Os filtros de óculos para proteção solar com uma transmitância luminosa inferior a 75% não podem ser utilizados para uso em rodovias e na condução de veículos no crepúsculo ou à noite. No caso de filtros de óculos para proteção solar fotocrômicos, este requisito aplica-se quando ensaiado de acordo com a NBR ISO 12311:2018, 7.11. Quando ensaiado de acordo com a ISO 12311:2013, 7.9, no ponto de referência, o espalhamento angular dos filtros na condição como fornecida pelo fabricante não pode exceder o valor de 3 %.

Imediatamente antes de iniciar a série de ensaios, as amostras devem ser condicionadas no mínimo por 4 h a uma temperatura ambiente de (23 ± 5) °C, na condição como recebidas do fabricante ou fornecedor, sem realinhamento, ajuste ou lubrificação prévios.

O programa de ensaios dado na tabela abaixo deve ser aplicado ao ensaio de tipo de óculos para proteção solar completos, com o mesmo tipo de filtro. No mínimo quatro amostras (seis, se for realizado o ensaio de liberação de níquel) são requeridas para o ensaio. Se, adicionalmente, for realizado o ensaio para requisitos ópticos, mais de oito amostras podem ser necessárias.

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Em linhas gerais, o objetivo principal dos filtros de óculos para proteção solar é proteger o olho humano contra a radiação solar excessiva, reduzir a fadiga ocular e melhorar a percepção visual. A escolha dos filtros depende do nível de luz ambiente e sensibilidade do indivíduo para enxergar. Em caso de dúvida, convém buscar a opinião de um profissional especializado.

Além da redução do brilho visível, convém que a proteção dos olhos do espectro ultravioleta seja assegurada. Estes requisitos são considerados para os filtros que atendam a esta Parte da NBR ISO 12312. A forma e tamanho dos filtros são muitas vezes questões de moda, mas em algumas circunstâncias, é adequado que os óculos de proteção solar ou protetores laterais sejam adequados, particularmente com ambos os filtros extraescuros ou filtros com fins especiais que bloqueiam a luz azul.

Os filtros dos óculos para proteção solar destinados ao uso diurno, em condições de baixa luminosidade, reduzem a percepção visual. Quanto mais baixo o valor de transmitância luminosa do filtro dos óculos para proteção solar, mais a percepção visual é prejudicada. Os filtros de óculos para proteção solar com uma transmitância luminosa inferior a 75 % não são adequados para utilização no crepúsculo ou durante a noite.

Os filtros dos óculos para proteção solar fotossensíveis são considerados adequados para uso no crepúsculo ou à noite, se atingir uma transmissão luminosa de 75 % ou mais, após o seguinte ensaio: os filtros são acondicionados conforme descrito na ISO 12311:2013; os filtros são em seguida expostos a (15 000 ± 1 500) lux em (23 ± 1) °C durante 15 min; os filtros são então armazenados no escuro a (23 ± 1) °C durante 60 min.

O valor de transmitância luminosa dos filtros de óculos para proteção solar fotossensíveis depende consideravelmente da intensidade da radiação, da temperatura e de outros parâmetros. Assim, os valores de transmitância luminosa podem resultar em condições especiais de utilização que diferem daquelas expressas pela gama das categorias dos filtros.

Estas são, em particular: a diminuição da transmitância τvw em baixas temperaturas, por exemplo, no inverno; o aumento da transmitância τvs em altas temperaturas, por exemplo, no verão, nos trópicos; aumento da transmitância τva à irradiação reduzida, por exemplo, durante a condução de veículo. Se a radiação solar na superfície terrestre for avaliada, considerando os valores limites atualmente utilizados, mesmo em condições de iluminação extrema, exceto para superfícies de neve, não é esperado um risco agudo de exposição para a faixa azul do espectro.

Portanto, esta Parte da norma não contém especificações obrigatórias a este respeito. Mas, não há consenso se pode haver um risco a longo prazo. A fim de permitir uma correta descrição das atenuações de luz azul por filtros de óculos para proteção solar, uma definição da transmitância de luz azul é incluída. No entanto, convém notar que a visualização direta do Sol é perigosa por causa do elevado teor de luz azul do espectro solar.

Se a radiação solar na superfície terrestre for avaliada, considerando os valores limites atualmente utilizados, mesmo em condições de iluminação extrema, não é esperado um risco de radiação infravermelha. Portanto, esta Parte da norma não contém especificações obrigatórias a este respeito. A exposição prolongada em ambientes de deserto pode, entretanto, representar riscos, segundo alguns cientistas. Portanto, se justifica fornecer uma definição de transmitância de infravermelho, a fim de permitir uma descrição correta da atenuação da radiação infravermelha através dos filtros de óculos para proteção solar.

Os olhos têm uma aversão natural à luz brilhante que limita a exposição quando não estiver usando óculos com filtros escuros. Esta aversão que provoca o fechamento parcial das pálpebras limita muito a exposição, mas os óculos para proteção solar sem proteção lateral podem permitir a exposição periférica de significância biológica, devido ao efeito Coroneo: a caracterização analítica da abertura de incidência do ultravioleta, com as adaptações para o cálculo de irradiância da córnea, mostra que a maior influência sobre a exposição em regiões temperadas é a variação sazonal da irradiação solar adaptada pela refletância da superfície terrestre ao Sol do meio-dia.

A radiação difusa do céu diminui com o aumento da altitude e a irradiação na córnea varia significativamente com abertura da pálpebra e tipo de superfície. Os limites de transmitância adotados são baseados em cálculos das doses de exposição ponderadas biologicamente. Os limites de transmitância ultravioleta para óculos para proteção solar manterão essas doses abaixo de um limite de segurança reconhecido, mesmo que haja exposição diária excepcional, exceto sobre a neve.

Margens de segurança para suportar condições tropicais ou andar sobre campos de neve no final da primavera foram incorporadas. Isso tem sido aplicado através da adição de fatores de segurança acrescentados aos implícitos nas experiências de exposição excepcionais em latitudes médias em superfície terrestre normal. A especificação dos limites de transmitância espectral (ao invés de transmitância média ou ponderada) fornece um grande aumento na margem de segurança.

Esta Parte da NBR ISO 12312 especifica os requisitos dos filtros para utilização em condução de veículos em condições normais, onde a categoria 4 dos óculos para proteção solar é considerada inadequada para uso em condução de veículos. No entanto, em condições de luminosidade extremamente alta, como no deserto e em campos de neve sob a luz solar intensa, pode ser recomendado o uso de filtros da categoria 4.



Categorias:Normalização, Qualidade

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2 respostas

  1. Parabenizo a AdNormas pela iniciativa de publicar matéria sobre assunto tão relevante porém praticamente despercebido pela quase totalidade da população brasileira.
    Não pude deixar de notar duas importantes imprecisões no texto, as quais, se me permitirem, enumero abaixo:
    1. “Os olhos são a região mais exposta do corpo, recebem muita luz – principalmente no verão…”
    Não procede. Se considerarmos a incidência dos UVA e UVB nas estruturas oculares, o Inverno é a estação do ano em que isto ocorre com maior intensidade.
    Vide: https://academic.oup.com/rpd/article-abstract/164/3/435/1611903
    2. “Óculos de camelô de rua, por exemplo, não têm a proteção anti-UV necessária nem qualidade ótica, mas não chegam a prejudicar a visão. Seria como se a pessoa simplesmente não usasse nada.”
    Também não procede.
    Não usar nada durante o dia em ambiente externo iluminado naturalmente faz com que as pupilas se contraiam, limitando assim a entrada de luz (e, por consequência, limitando também a entrada dos UV danosos) nas estruturas internas do globo ocular.
    Nas mesmas condições de insolação citadas acima, o uso de óculos escuros causa a dilatação da pupila, cujo diâmetro atinge três ou mais vezes o valor da condição anterior, o que torna a área de passagem de radiações, no mínimo, nove vezes maior. A radiação luminosa visível é contida pelo tingimento das lentes (filtros), mas isto não ocorre com os UVs. Ou os filtros têm a capacidade de também absorver a radiação UV ou o usuário de óculos de proteção solar desprovido de adequada proteção receberá muito mais radiação UV do que se estivesse sem óculos.
    De momento, era só o que eu tinha a comentar.
    Mais uma vez, por favor aceitem meus cumprimentos pela matéria.

  2. Parabéns por sua colocação José.

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