As ferramentas da qualidade na gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SST)

Vistas como um sistema administrativo com necessidade de monitorar resultados, as organizações podem se utilizar das ferramentas da qualidade de forma expressiva para a gestão de SST.

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Roberto Cézar M. Mauricio

Se tem algo que não se deseja no cenário empresarial em nenhuma etapa de seu processo são os resultados negativos. Sejam eles de origem operacional ou administrativa, sejam falhas de equipamentos ou erro humano, podendo resultar em paradas de produção, atrasos na entrega de um produto ou serviço, acidentes pessoais, danos ambientais e prejuízos financeiros.

Sendo usada principalmente como um recurso de gestão estratégica, as ferramentas da qualidade são amplamente utilizadas no mundo corporativo. Elas auxiliam na análise para resolução e a prevenção de resultados indesejáveis no sistema de forma a garantir o ciclo dos processos tendo como premissa identificar, corrigir, investigar e eliminar/minimizar focos de desvios.

As ferramentas da qualidade são, basicamente, sete: Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa), Histograma, Folha de Verificação, Gráfico de Dispersão, Fluxograma, Carta de Controle e Diagrama de Pareto. Pode-se dizer que a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) por si só já tem seu valor imensurável, uma vez que se trata da garantia da preservação da integridade física e psicológica dos trabalhadores.

As necessidades de estratégias organizacionais para o controle de resultado e na otimização dos processos de segurança e saúde no trabalho são evidenciadas desde a antiga norma BS 8800, que é uma norma inglesa voltada para gestão de segurança e saúde ocupacional, passando pela OHSAS 18001 que também tem o mesmo propósito, mas de maneira mais exponencial, e chegando na ISO 45001, que hoje é considerada o ápice normativo em atendimento, a nível global, em gerenciamento em segurança e saúde no ambiente de trabalho.

Vista como um sistema administrativo com necessidade de monitorar resultados, as organizações utilizam as Ferramentas da Qualidade de forma expressiva para a gestão de SST. Em seguida segue o desdobramento das referidas ferramentas e suas aplicabilidades na gestão da SST.

O Diagrama de Causa e Efeito, também conhecido como Diagrama de Ishikawa, é uma ferramenta de identificação de causas de problemas e apresentação dos efeitos dessas causas, ou seja, um mapeamento de ação e reação em um diagrama semelhante a uma espinha de peixe (gráfico abaixo). Pode ser utilizado em qualquer situação investigativa de ocorrências indesejáveis como também preventiva e como iniciativa de simuladores de análise de riscos (lições aprendidas). Essa ferramenta de análise de falha é muito utilizada na gestão de SST para investigação de acidentes do trabalho.

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O Histograma é uma representação gráfica de barras que tem como princípio apresentar frequências de dados correlacionadas com uma variável em uma determinada população que se deseja controlar, ou seja, uma ferramenta de sinalização de ocorrência num determinado processo. Em gestão de SST, essa ferramenta é muito utilizada para estratificação de homem hora de exposição ao risco conforme o resumo mensal de acidentados, que é um evento de registro mensal conforme a NBR 14280 – Cadastro de Acidente do Trabalho – Procedimento e Classificação, que fixa critérios para o registro, comunicação, estatística, investigação e análise de acidentes do trabalho, suas causas e consequências, aplicando-se a quaisquer atividades laborativas.

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A Folha de Verificação é a conferência de um material ou equipamento, a análise durante uma consulta médica ou qualquer outro tipo de checagem se torna mais confiável e fidedigno com a utilização de uma lista de perguntas básicas. Essa lista na gestão da qualidade é conhecida como Folha de Verificação ou Check List.

Ela auxilia na garantia da rotina segura do processo, de forma que a organização a utilize de modo preventivo dentro de um plano de manutenção. Outro fator relevante do Check List é a sua empregabilidade nas demais ferramentas da qualidade, sendo em alguns casos fundamental. Para gerenciar a segurança e saúde o Check List é fundamental para avaliação de risco, inspeção rotineira, entre outras atividades que, com seu resultado, fortalece a cultura da segurança.

O Diagrama de Dispersão ou Gráfico de Dispersão é uma representação gráfica empregada para correlacionar causa e efeitos entre variáveis diferentes simultaneamente em um mesmo elemento, podendo expressar fatores positivos ou negativos como resultado final. A título de exemplos de variáveis que podemos estratificar com o emprego dessa ferramenta na SST podem ser citadas: a rotatividade de funcionários que diminui o desempenho em segurança do trabalho; o investimento em treinamentos de qualificação e capacitação reduziu o número de acidentes do trabalho; o número de acidentes do trabalho elevam o custo final do produto ou serviço.

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O Fluxograma é uma ilustração representando o fluxo de um processo, apresentando todas suas etapas, podendo ser de toda organização como também por departamento ou micro processos. Entre outras vantagens, torna a organização apresentável de maneira clara e objetiva facilitando seu entendimento para as partes interessadas. Como instrumento de otimização da informação na gestão de segurança e saúde o fluxograma é muito utilizado para descrever planos de atendimento a emergência, matriz de análise de riscos, etc.

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A Carta de Controle inclui os gráficos para verificação do controle do processo dentro dos limites estabelecido pela gestão do processo. O princípio básico seria uma variável central, que seria a condição normal do processo com mais duas variáveis, sendo uma de limite superior e outro de limite inferior de operacionalidade, estratificando dessa forma o comportamento do processo demonstrando tendências ao decorrer do tempo. Em segurança e saúde, é utilizada para demonstrativos de acidentes com e sem afastamento, tipos de lesões, incidências por região, etc.

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O Diagrama de Pareto é um gráfico de sequência de ocorrências utilizado para identificar as causas de uma anomalia no processo em sentido decrescente e de forma prioritária, demonstrando de modo lógico a importância de se mensurar falhas no processo. Essa ferramenta tem como princípio o 80/20, ou seja, 80% das consequências das adversidades vêm de 20% das causas e vice versa, com isso o tratamento se concentra nos 20% das causas responsáveis por 80% dos problemas. Na gestão de SST pode ser utilizado para análise de frequência de acidentes, causas imediatas ou básicas, consumo de EPI, avaliação de perdas, etc.

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Fonte: Relatórios de investigação da Empresa (2015) –  gerenciamento de riscos de acidentes em uma empresa de construção civil

Enfim, as ferramentas da qualidade servem de suporte de gestão em SST, principalmente no gerenciamento de falhas, demonstrando versatilidade conforme o problema. Também pode ser usada como alternativa de diagnóstico e tratamento de anomalias, fazendo desses recursos do sistema da gestão da qualidade um propulsor de melhorias contínuas, além de demonstrarem ser instrumentos de implantação e implementação descomplicada e com resultados administrativos e prevencionista.

Roberto Cézar M. Mauricio possui especialização em qualidade, saúde, meio ambiente e segurança e é sócio administrador da Sinergia Consultoria e Treinamento – robertocmauricio@ig.com.br



Categorias:Opinião, Qualidade

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2 respostas

  1. Realmente temos que buscar cada vez mais uma gestão funcional e eficaz e de uma certa forma simplificar esse aglomerado de papéis e normas pois as pequenas empresas e médias necessita desta gestão

  2. Exatamente, Leandro. As pequenas empresas precisam muito de gestão eficaz e de forma simplificada.

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