A sustentabilidade dos meios de hospedagem conforme as normas técnicas

Os meios de hospedagem são estabelecimentos comerciais que exercem a função de receber e oferecer estadia, entre outros serviços, a turistas e viajantes pelo mundo. Apesar de existirem vários tipos de hospedagem, o Ministério do Turismo (Mtur) desenvolveu um Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass) com o objetivo de organizar o setor hoteleiro e estabelecer um padrão nos serviços de hospedagem do país. Há sete tipos que variam em categorias de 1 a 5 estrelas, dependendo dos serviços oferecidos. Os meios de hospedagem devem realizar um cadastro junto ao Mtur (que está sendo redefinido) para então receber uma classificação oficial. Em relação aos sistemas de gestão da sustentabilidade em meios de hospedagem, existem normas técnicas que podem direcionar os empresários do setor.

hotel2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

No Brasil, os meios de hospedagem ou hotéis são um estabelecimento comercial que disponibiliza, para a estadia do hóspede, unidades ou quartos individuais, acompanhado de serviços como: recepção, serviço de quarto, café da manhã, entre outros que variam de acordo com o tamanho e categoria do hotel. Por exemplo, na categoria uma estrela deve atender a requisitos mínimos de infraestrutura, serviços e sustentabilidade.

Para cada estrela adicional, deve atender a uma série de requisitos adicionais que diferenciam as categorias entre si. Por meio da comparação entre a infraestrutura e serviços oferecidos, assim como das ações de sustentabilidade executadas pelo meio de hospedagem, o consumidor poderá fazer uma melhor escolha.

A infraestrutura é toda a parte física do empreendimento, como: o tipo de construção; as instalações oferecidas; a categoria dos equipamentos, mobiliários e utensílios; o estilo de decoração; o padrão de conforto; a qualidade e a diversidade dos serviços. O diferencial na forma de atendimento, as amenidades dos apartamentos ou quartos, a recepção, o capricho e a qualidade do café da manhã, o tipo de cardápio das refeições, a manutenção da limpeza do mobiliário e a capacitação dos funcionários também fazem a diferença no atendimento e na categoria.

Assim, os preços, a decoração temática e todos os ambientes oferecidos também são considerados na avaliação para classificá-los. No Brasil, o sistema de estrelas é o mais comum, de acordo com a o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e os guias de viagem. Dessa forma, uma pousada é um estabelecimento comercial que disponibiliza para estadia quartos individuais, chalés ou bangalôs. Este, assim como o hotel, oferece os serviços básicos de acomodação, como café de manhã e serviço de quarto, entre outros que variam de acordo com o tamanho da pousada. Este modelo de hospedagem pode chegar até no máximo três andares, e se diferencia por oferecer uma estadia mais intimista e familiar.

O resort nada mais é do que um hotel comercial que, além dos serviços básicos de acomodação, oferece também uma infraestrutura completa de lazer e entretenimento. Em sua grande maioria, disponibiliza serviços de alimentação completa, spa, academia, piscina quente e fria, recreação, trilhas e outras atividades em meio a natureza. Basicamente para um meio de hospedagem ser considerado resort, é preciso oferecer todo tipo de serviço necessário para que o hóspede seja atendido como um todo, sem precisar sair de suas mediações.

O hotel fazenda também se assemelha ao hotel comercial, porém a diferença, como o próprio nome sugere, está em sua localização. Este se encontra em área rural, em meio a natureza, e se caracteriza por oferecer, além dos serviços básicos de acomodação e alimentação, entretenimento e vivência no campo. Trilhas, passeios a cavalo, açudes para alimentar peixes, galinhas, coelhos, pássaros entre outros animais, são atividades típicas oferecidas por esse meio de hospedagem.

O modelo bed and breakfast ou cama e café é um estabelecimento residencial, no qual seus proprietários oferecem ao hóspede um quarto para estadia, acompanhado de café da manhã, em troca de um valor determinado. Este modelo de hospedagem compartilhada ganhou força nos últimos anos, principalmente com a propagação dos aplicativos hoteleiros.

O hotel histórico é um estabelecimento comercial que, assim como os demais, também oferece os serviços básicos de acomodação e alimentação. Porém o que caracteriza este meio de hospedagem, é que é instalado em uma construção histórica, original ou restaurada. É considerado histórico, o estabelecimento que tenha sido palco de fatos culturais, ou reconhecido como patrimônio histórico ou cultural.

O apart hotel é um estabelecimento comercial semelhante a um apartamento, mas que possui as comodidades de um hotel. Este disponibiliza ao hóspede um quarto com banheiro, sala, cozinha e área de serviço, além do serviço de recepção e camareira para limpeza de quarto. Este meio de hospedagem é muito escolhido por aqueles que precisam se hospedar em um determinado local por um período mais longo.

Mas, além desses meios de hospedagem, reconhecidos pelo governo, ainda há outros. O hostel ou albergue é um estabelecimento comercial que oferece estadia, na sua grande maioria, em quartos compartilhados. Por este motivo, o valor da diária se torna mais em conta, atraindo principalmente viajantes mais jovens.

As casas de aluguel são imóveis comerciais ou residenciais, oferecidos como estadia, principalmente em períodos de alta temporada. Este modelo de hospedagem é a opção mais procurada por famílias e grupos de amigos que pretendem passar um período de férias em uma determinada cidade.

O guest house nada mais é do que uma casa de família. Trata-se de um estabelecimento residencial, em que os proprietários alugam por um determinado período um quarto da casa ao hóspede. É um modelo de hospedagem muito comum para viajantes em programas de intercâmbio, tendo em vista que o hóspede convive com a família e a cultura local.

A pensão é um estabelecimento comercial que oferece moradia, em quartos compartilhados ou não, a moradores da região. Normalmente este modelo de hospedagem é utilizado por estudantes, pessoas que ficaram desabrigadas, ou que chegaram recentemente na cidade, e ainda não possuem uma boa estabilidade financeira para pagar o aluguel de uma casa.

Apesar de ser popularmente conhecido no Brasil como um estabelecimento comercial para encontros amorosos, o motel surgiu nos Estados Unidos como hotel de beira de estrada, com a finalidade de oferecer hospedagem a famílias que viajavam por conta própria. Apesar de no Brasil, esta ideia chegar distorcida, este modelo continua sendo considerado um meio de hospedagem.

A NBR 15333 de 05/2015 – Meios de hospedagem – Sistema de gestão da sustentabilidade – Requisitos de competências para auditores estabelece os requisitos aplicáveis à competência de auditores de sistemas de gestão da sustentabilidade em meios de hospedagem. Aplica-se a todas as organizações que necessitam realizar auditorias internas ou externas de sistemas de gestão da sustentabilidade em meios de hospedagem ou gerenciar um programa de auditoria.

Dessa forma, a segurança e a confiança no processo de auditoria dependem da competência daqueles que conduzem a auditoria. Esta competência está baseada na demonstração de: atributos pessoais. Estes atributos pessoais são os estabelecidos na NBR ISO 19011; e capacidade para aplicar conhecimento e habilidades, adquiridos por meio de educação, experiência profissional, treinamento em auditoria e experiência em auditoria.

Os auditores desenvolvem, mantêm e aperfeiçoam a sua competência por meio do contínuo desenvolvimento profissional e participação regular em auditorias (ver NBR ISO 19011). A equipe de auditoria de sistemas de gestão da sustentabilidade deve ter conhecimentos e habilidades no seguinte: métodos e técnicas relacionados com a sustentabilidade: permitir ao auditor examinar sistemas de gestão da sustentabilidade e gerar constatações e conclusões apropriadas da auditoria.

Os conhecimentos e habilidades nesta área devem incluir: a terminologia da sustentabilidade; os princípios de gestão da sustentabilidade e sua aplicação; e as ferramentas de gestão da sustentabilidade e sua aplicação (por exemplo, matriz de aspectos e impactos). Devem conhecer as atividades de meio de hospedagem e suas técnicas, permitindo que o auditor compreenda o contexto técnico no qual a auditoria está sendo realizada.

Convém que os conhecimentos e habilidades nesta área incluam: a terminologia específica do setor; as características técnicas das atividades; as principais técnicas e procedimentos utilizados nas atividades específicas; as boas práticas e a legislação aplicável ao turismo sustentável. Caso seja necessário, a equipe auditora pode contar com um ou mais especialistas para incluir as competências específicas da atividade auditada.

Os auditores devem conhecer os aspectos técnicos da atividade de turismo, o que vai permitir que compreenda a interação das atividades, produtos, serviços e operações do auditado com atividades de turismo. Conhecer, também, as técnicas e métodos para a identificação de aspectos e impactos da sustentabilidade; as práticas para minimizar os impactos negativos da sustentabilidade; e as práticas para potencializar os impactos positivos da sustentabilidade.

Os especialistas que, eventualmente, integrem uma equipe de auditoria, devem atender aos requisitos estabelecidos na tabela abaixo e devem atuar sob a orientação de um auditor. Os organismos de certificação devem estabelecer os níveis da educação, experiência profissional, treinamento em auditoria e experiência em auditoria segundo os quais um auditor pode obter os conhecimentos e habilidades apropriados a um programa de auditoria.

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Pode-se ler mais sobre auditoria de gestão nessa revista, no texto Publicada a nova edição da NBR ISO 19011: as orientações para as auditorias de gestão. Como complemento, a NBR ISO 14004 de 02/2018 – Sistemas de gestão ambiental – Diretrizes gerais para a implementação provê orientação para uma organização sobre o estabelecimento, implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão ambiental robusto, crível e confiável. As orientações fornecidas destinam-se a uma organização que procura gerenciar suas responsabilidades ambientais de forma sistemática, contribuindo para o pilar ambiental da sustentabilidade. A norma auxilia uma organização a alcançar os resultados pretendidos para seu sistema de gestão ambiental, o que provê valor para o meio ambiente, a organização em si e as partes interessadas. Para ler mais sobre essa norma nessa revista, clique aqui.

A NBR 15401 de 05/2014 – Meios de hospedagem – Sistema de gestão da sustentabilidade – Requisitos especifica os requisitos relativos à sustentabilidade de meios de hospedagem, estabelecendo critérios mínimos específicos de desempenho em relação à sustentabilidade e permitindo que um meio de hospedagem formule uma política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos. Aplica-se também aos aspectos que podem ser controlados pelo meio de hospedagem ou sobre os quais ele possa exercer influência. Aplica-se a qualquer meio de hospedagem que deseje: implementar, manter e aprimorar práticas sustentáveis nas suas operações; assegurar-se de sua conformidade com sua política de sustentabilidade definida; demonstrar tal conformidade a terceiros; buscar a certificação segundo esta norma por uma organização externa; ou realizar uma autoavaliação da conformidade com esta norma.

Quando não for possível aplicar algum (ns) requisito (s) desta norma devido à natureza de um determinado meio de hospedagem e de seus produtos, ele (s) pode (m) ser considerado (s) passível (eis) de exclusão, sendo esta justificada e documentada pelo meio de hospedagem. Somente são permitidas as exclusões relacionadas aos requisitos contidos nos Anexos A, B e C, desde que elas não afetem a capacidade ou a responsabilidade do meio de hospedagem para com a sustentabilidade nas suas três dimensões.

A abordagem da normalização da sustentabilidade do turismo e a decorrente possibilidade de implementar um sistema de certificação dos meios de hospedagem que aplica a (s) norma (s) relacionada (s) partem do estabelecimento de requisitos de desempenho para as dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica), os quais são suportados por um sistema de gestão da sustentabilidade.

Este sistema de gestão proporciona uma base estável, coerente e consistente para o alcance do desempenho sustentável dos meios de hospedagem e a sua manutenção. Nesta perspectiva, constitui referência básica o ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act), que é brevemente descrito pelas seguintes etapas: Plan (Planejar): estabelecer os objetivos e processos necessários para fornecer os resultados de acordo com a política do meio de hospedagem (neste caso, política de sustentabilidade); Do (Implementar): implementar os processos; Check (Verificar): monitorar e medir o resultado dos processos em relação à política e objetivos e reportar os resultados; e Act (Agir): tomar ações para melhorar continuamente o desempenho do sistema de gestão.

Trata-se, portanto, da normalização dos aspectos do sistema de gestão da sustentabilidade do meio de hospedagem, tornando possível: contribuir ativamente para a conservação, preservação e recuperação dos recursos naturais; buscar resultados econômicos com ética, contribuindo para a justiça social e a valorização das culturas locais; buscar a legitimidade política em termos de participação e transparência nos processos de decisão e representação comunitária; interagir com os integrantes da cadeia produtiva do turismo, de maneira a construir as condições operacionais para implementar sistemas de gestão da sustentabilidade do turismo com abrangências setorial e geográfica.

O turismo, que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo, vem cada vez mais sendo objeto de atenção em relação à sua potencial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico. As organizações de todos os tipos no setor do turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho correto em relação à sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, produtos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade.

Esse comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e sociais, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural e de uma crescente preocupação das partes interessadas, em particular os clientes, em relação à qualidade e às questões ambientais e socioculturais. Muitas iniciativas têm se desenvolvido com o propósito de promover o turismo sustentável.

Entre elas, o desenvolvimento de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para o turismo sustentável, aliadas a mecanismos de certificação, tem se destacado como uma das tendências mais presentes no mercado internacional, despertando o maior engajamento das partes interessadas. Esta norma estabelece requisitos para meios de hospedagem que possibilitem planejar e operar as suas atividades de acordo com os princípios estabelecidos para o turismo sustentável, tendo sido redigida de forma a aplicar-se a todos os tipos e portes de organizações e para se adequar às diferentes condições geográficas, culturais e sociais.

Os princípios para o turismo sustentável são:

– Respeitar a legislação vigente: o turismo deve respeitar a legislação vigente em todos os níveis no país e as convenções internacionais de que o país é signatário.

– Garantir os direitos das populações locais: o turismo deve buscar e promover mecanismos e ações de responsabilidade social e ambiental e de equidade econômica, inclusive a defesa dos direitos humanos e de uso da terra, mantendo ou ampliando, a médio e longo prazos, a dignidade dos colaboradores e comunidades envolvidas.

– Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade: em todas as fases de implantação e operação, o turismo deve adotar práticas de mínimo impacto sobre o ambiente natural, monitorando e mitigando efetivamente os impactos, de forma a contribuir para a manutenção das dinâmicas e processos naturais em seus aspectos paisagísticos, físicos e biológicos, considerando o contexto social e econômico existente.

– Considerar o patrimônio cultural e valores locais: o turismo deve reconhecer e respeitar o patrimônio histórico-cultural das regiões e localidades receptoras e ser planejado, implementado e gerenciado em harmonia com as tradições e valores culturais, colaborando para seu desenvolvimento.

– Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos: o turismo deve contribuir para o fortalecimento das economias locais, a qualificação das pessoas, a geração crescente de trabalho, emprego e renda e para o fomento da capacidade local de desenvolver empreendimentos turísticos.

– Garantir a qualidade dos produtos, processos e atitudes: o turismo deve avaliar a satisfação do turista e verificar a adoção de padrões de higiene, segurança, informação, educação ambiental e atendimento estabelecidos, documentados, divulgados e reconhecidos.

– Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis: o turismo deve estabelecer procedimentos éticos de negócio, visando engajar a responsabilidade social, econômica e ambiental de todos os integrantes da atividade, incrementando o comprometimento do seu pessoal, fornecedores e turistas, em assuntos de sustentabilidade, desde a elaboração de sua missão, objetivos, estratégias, metas, planos e processos de gestão.

O meio de hospedagem deve estabelecer e manter procedimentos para identificar o potencial de risco, para prevenir a ocorrência e atender a acidentes e situações de emergência na área do meio de hospedagem ou por ele causados, bem como para mitigar os impactos ambientais dele decorrentes. O meio de hospedagem deve também testar periodicamente tais procedimentos.

Deve analisar e revisar, onde necessário, seus procedimentos de preparação e atendimento a emergências, em particular após ocorrência de acidentes ou situações de emergência. Como parte do comprometimento do meio de hospedagem com a conservação de áreas naturais, o meio de hospedagem deve: conservar a área natural própria, empregando as boas práticas de proteção e manejo, conforme o previsto na legislação; quando não possuir uma área natural própria, apoiar a proteção e manejo de áreas naturais de terceiros na região.

Deve tomar medidas para promover a proteção da flora e da fauna. Estas medidas devem incluir, quando aplicável: não permitir a comercialização de espécies da flora e fauna silvestres no meio de hospedagem sem as devidas autorizações legais; não manter animais silvestres em cativeiro, exceto para reabilitação temporária ou como parte de um programa para preservação, reprodução ou reintrodução, com as devidas autorizações legais; prevenir a coleta, captura, molestação, transporte ou uso de espécies da flora e fauna silvestres por parte dos seus clientes ou pessoas envolvidas nas atividades do meio de hospedagem; prevenir o uso predatório de matéria-prima proveniente de espécies da flora e fauna silvestres; promover ações específicas para a proteção das espécies ameaçadas ou em perigo existentes na propriedade do meio de hospedagem; cuidar do bem-estar dos animais utilizados nas atividades turísticas promovidas pelo meio de hospedagem; promover cuidados com os impactos luminosos e sonoros, de modo a minimizar possíveis mudanças do comportamento dos animais; prevenir a domesticação de animais silvestres mediante o uso de alimentação artificial; promover ações educativas junto aos clientes e à comunidade, com o propósito de gerar conhecimento e valorização dos ecossistemas da região.

Quando o meio de hospedagem estiver dentro de uma Unidade de Conservação ou em suas zonas de influência, deve considerar as peculiaridades de biomas e espécies da biodiversidade existentes, bem como de políticas e programas de proteção de tais áreas. Deve planejar e implementar medidas para reduzir, reutilizar ou reciclar os resíduos sólidos.

O planejamento deve incluir o estabelecimento de objetivos de redução, reutilização e reciclagem, de acordo com as condições locais. O estabelecimento deve dispor de um local específico e vedado para resíduos sólidos contaminantes de acordo com a legislação vigente. O meio de hospedagem deve planejar e implementar medidas para minimizar os impactos provocados pelos efluentes líquidos ao meio ambiente e à saúde pública.

As medidas devem incluir o tratamento das águas residuais (seja mediante a conexão ao sistema público de coleta e tratamento, se ele existir, seja mediante a existência de instalações de tratamento próprias). Deve desenvolver ou se engajar em ações voluntárias promovidas por organizações comunitárias, governamentais ou não governamentais, que tenham o objetivo de contribuir com o desenvolvimento das comunidades locais.

A alta direção do meio de hospedagem deve participar e incentivar o envolvimento dos seus trabalhadores em atividades comunitárias, mediante: a orientação pela alta direção para que os trabalhadores se envolvam com a comunidade; a disponibilização de tempo para o envolvimento dos trabalhadores com a comunidade; a inclusão na avaliação do envolvimento dos trabalhadores com a comunidade. Esta informação deve ser utilizada na análise crítica do sistema de gestão da sustentabilidade.

O meio de hospedagem deve se envolver na vida associativa local. O meio de hospedagem deve interagir com a comunidade local e criar um canal de comunicação com ela, além de manter o registro das comunicações, incluindo reclamações, sugestões e ações decorrentes. Estas informações devem ser utilizadas na análise crítica do sistema de gestão da sustentabilidade.

O meio de hospedagem deve estabelecer e manter um procedimento para avaliar o grau de satisfação e reclamações da comunidade local com as atividades a ela relacionadas. Deve estabelecer e implementar procedimento para avaliação da eficácia da sua ação sociocultural. Essas informações devem ser utilizadas na análise crítica do sistema de gestão da sustentabilidade.

O meio de hospedagem deve comprometer-se com o aproveitamento das pessoas e da produção do local, incentivando o associativismo, a qualidade e a sustentabilidade. Deve empregar, na maior extensão viável, trabalhadores (empregados, subcontratados ou autônomos) das comunidades locais ou regionais. Entende-se que o proprietário e a sua família, residindo na comunidade, independentemente da sua origem, são considerados parte da comunidade local.

O meio de hospedagem deve promover formas de capacitação profissional, de modo que pessoas das comunidades locais ou regionais possam obter trabalho diretamente no meio de hospedagem ou pela ativação de cadeias produtivas regionais. As formas de capacitação profissional podem envolver a participação em programas de qualificação e/ou formação profissional, assim como treinamentos realizados no próprio meio de hospedagem.

Convém que o meio de hospedagem contrate pessoas das comunidades locais ou regionais na administração e no gerenciamento das suas operações. O meio de hospedagem deve estabelecer uma política de remuneração que não discrimine nem o pessoal das comunidades locais ou regionais nem o gênero.

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A NBR 16534 de 09/2016 – Meios de hospedagem – Indicadores para o sistema de gestão da sustentabilidade especifica exemplos de indicadores para um sistema de gestão da sustentabilidade em meios de hospedagem, permitindo que um meio de hospedagem monitore e reporte os resultados referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos. Destaca-se que os exemplos de indicadores apresentados nesta norma são modelos que podem ser adequados aos meios de hospedagem conforme a estratégia da empresa, levando em consideração, principalmente, a compatibilidade com a legislação aplicável, bem com seu porte, tipo, localização geográfica e condições culturais e sociais.

Assim, os indicadores de desempenho são essenciais para que o meio de hospedagem possa monitorar os resultados obtidos pelo planejamento e implementação de ações relacionadas aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos. Estes indicadores podem ser utilizados pelos meios de hospedagem que buscam reduzir os seus custos e, ao mesmo tempo, aumentar a sua lucratividade, colocando em prática os conceitos de uma gestão mais sustentável.

Esta gestão permite, na dimensão ambiental, alcançar uma maior eficiência energética, otimizando o uso dos insumos, matérias-primas e recursos hídricos, reduzindo a geração de resíduos e tornando os funcionários mais conscientes e motivados para a preservação do destino turístico onde o meio de hospedagem está localizado. Na dimensão sociocultural, funcionários capacitados, diminuição da rotatividade, melhorias no ambiente de trabalho, estreitamento de parcerias com fornecedores e outras organizações relacionadas ao meio de hospedagem, reconhecimento e melhoria da imagem do meio de hospedagem para hóspedes, comunidade local, fornecedores e outras partes interessadas, além da valorização do destino por meio do desenvolvimento da comunidade e proteção dos seus valores culturais.

Na dimensão econômica, o aprimoramento da gestão proporciona maior saúde financeira da empresa, permitindo o desenvolvimento de estratégias para maior lucratividade associada ao crescimento e desenvolvimento do meio de hospedagem, para satisfazer as necessidades do seu cliente. O turismo, que é um dos maiores segmentos econômicos do mundo, vem cada vez mais sendo objeto de atenção em relação à sua potencial contribuição para o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo quanto aos impactos que pode provocar nos campos ambiental, sociocultural e econômico.

As organizações de todos os tipos no setor do turismo estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho correto em relação à sustentabilidade, gerindo o impacto de suas atividades, produtos ou serviços, levando em consideração sua política e seus objetivos de sustentabilidade. Este comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e sociais, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural e de uma crescente preocupação das partes interessadas, em particular os clientes, em relação à qualidade e às questões ambientais e socioculturais.

Muitas iniciativas têm sido desenvolvidas com o propósito de promover o turismo sustentável. Entre elas, o desenvolvimento de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para o turismo sustentável, aliadas a mecanismos de certificação, tem se destacado como uma das tendências mais presentes no mercado internacional, despertando maior engajamento das partes interessadas.

Há uma correlação entre os aspectos da sustentabilidade descritos na NBR 15401 com os exemplos de objetivos da sustentabilidade e indicadores de sustentabilidade. Para um sistema de gestão da sustentabilidade, há uma grande variedade de indicadores possíveis. Assim, cada meio de hospedagem deve escolher os indicadores que melhor reflitam a sua realidade, com base nos seus objetivos da sustentabilidade e, principalmente, considerando os seus impactos mais significativos.

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Os indicadores devem ser claros, compreensíveis, objetivos e operacionalmente fáceis de serem apurados e calculados. Os indicadores devem ser utilizados em estreita consonância com os objetivos da sustentabilidade estabelecidos pelo meio de hospedagem. Considerando estes aspectos, foram definidos indicadores para as três dimensões da sustentabilidade (ambiental, sociocultural e econômica).

Os indicadores propostos podem ser considerados como base para cada meio de hospedagem. Assim, será possível que determinados meios de hospedagem usem outros indicadores além destes propostos, e usem alguns dos indicadores, propostos ou indicadores diferentes destes aqui apresentados.

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Também, em relação aos provedores ou fornecedores, pode ser aplicada a NBR ISO 20400 de 11/2017 – Compras sustentáveis — Diretrizes que fornece orientação para as organizações, independentemente de sua atividade ou tamanho, integrarem a sustentabilidade às compras, como descrito na NBR ISO 26000. Destina-se às partes interessadas, envolvidas ou impactadas por processos e decisões de compras.

As compras sustentáveis são as que têm os maiores impactos ambientais, sociais e econômicos positivos possíveis ao longo de todo o ciclo de vida e que buscam minimizar os impactos adversos. São um poderoso instrumento quando a organização considera requisitos de sustentabilidade e a sua própria contribuição para o desenvolvimento sustentável.

Os principais princípios para as compras sustentáveis são os seguintes:

– Accountability: convém que uma organização seja responsável pelos seus próprios impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente. No contexto das compras, isso especificamente inclui responsabilização pelos impactos e por aqueles nas cadeias de suprimento da organização, com uma perspectiva de ciclo de vida dos bens ou serviços.

– Transparência: convém que uma organização seja transparente naquelas decisões e atividades que impactam o meio ambiente, a sociedade e a economia. No contexto das compras, isso especificamente inclui ser transparente nas suas decisões e atividades de compras e encorajar os seus fornecedores a serem transparentes. Transparência é a base para o diálogo e colaboração com as partes interessadas.

– Comportamento ético: convém que uma organização se comporte eticamente e promova o comportamento ético ao longo das cadeias de suprimento.

– Oportunidades justas e plenas: convém que uma organização evite direcionamento e preconceito em todas as tomadas de decisão em compras. Convém que todos os fornecedores, incluindo fornecedores locais e pequenas e médias organizações (PMO), tenham uma oportunidade plena e justa para competir.

– Respeito pelos interesses das partes interessadas: convém que uma organização respeite, considere e responda aos interesses das partes interessadas impactadas pelas suas atividades de compras.

– Respeito pelo estado de direito e pelas normas internacionais de comportamento: convém que uma organização se esforce para estar ciente de quaisquer violações ao longo das suas cadeias de suprimento. Convém que encoraje ativamente os seus fornecedores a obedecerem a estas regras e avaliar e lidar com o seu cumprimento conforme a situação o exigir.

– Respeito pelos direitos humanos: convém que uma organização respeite os direitos humanos internacionalmente reconhecidos.

– Soluções inovadoras: convém que uma organização busque soluções para abordar os seus objetivos de sustentabilidade e encorajar práticas de compras inovadoras para promover resultados mais sustentáveis ao longo da cadeia de suprimento inteira.

– Foco nas necessidades: convém que uma organização analise criticamente a demanda, compre somente o que é necessário e busque alternativas mais sustentáveis.

– Integração: convém que uma organização assegure que a sustentabilidade é integrada em todas as práticas de compras existentes para maximizar resultados sustentáveis.

– Análise de todos os custos: convém que uma organização considere os custos incorridos ao longo do ciclo de vida, a relação qualidade/preço alcançada e os custos e benefícios para a sociedade, o meio ambiente e a economia, resultantes das suas atividades de compras.

– Melhoria contínua: convém que uma organização trabalhe para melhorar continuamente as suas práticas de sustentabilidade e resultados, encorajando as organizações em sua cadeia de suprimento a fazer o mesmo.

Convém que responsabilizações claras para compras sustentáveis sejam estabelecidas. Um exemplo pode ser visto na figura abaixo. A accountability no nível da alta direção geralmente reside com o chefe de compras. Este arranjo, somado à integração da sustentabilidade nos objetivos das equipes e nas descrições de cargos, pode ser suficiente. Em uma pequena e média organização (PMO), o dono ou gerente exerce um papel mais importante, particularmente na ausência de um departamento ou gerente de compras específico.

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Convém que, ao definir prioridades de compras sustentáveis, os gestores adaptem os valores e metas organizacionais em objetivos claros de sustentabilidade para a política e a estratégia de compras. Convém que isto leve em conta as escolhas estratégicas da organização, como a terceirização das atividades de compras, aumento da subcontratação no exterior e aumento de parcerias, fusões e aquisições, que podem ter um impacto significativo sobre a maneira que a organização pode operar no futuro.

Convém que este exercício resulte no estabelecimento de objetivos específicos, mensuráveis, alcançáveis, realistas e oportunos para as questões-chave identificadas para compras sustentáveis que apoiem totalmente e estejam alinhadas com as metas organizacionais. Convém que compras defina metas claras e meça o desempenho em relação às metas de alto nível de sustentabilidade.

A fim de gerenciar os riscos à sustentabilidade (incluindo oportunidades) em sua totalidade por meio das cadeias de suprimentos, uma organização pode precisar engajar um ou um grupo de fornecedores, parceiros ou subcontratados em iniciativas que vão para além de requisitos contratuais. Isto pode incluir: iniciativas de mais longo prazo que extrapolem a duração do contrato ou compromisso; e/ou um escopo de atividade mais amplo, por exemplo por meio de vários contratos e engajamento, se necessário, para além dos fornecedores de 1º nível.

Estas iniciativas “empresa a empresa” são baseadas em boa fé e vão além de relações públicas. É mais provável que elas obtenham sucesso se: os interesses, necessidades e capacidades dos fornecedores (além do 1º nível), subcontratados, parceiros e organização tiverem sido identificados; relacionamento que estes interesses estabelecem entre a organização e o fornecedor for direto ou importante; um claro propósito e expectativas para o compromisso forem compreendidos; a organização e seus fornecedores tiverem a informação e compreensão necessárias para a tomada de decisões; e um processo justo e inclusivo e uma comunicação balanceada de duas mãos estiverem estabelecidos.

Alguns critérios de pré-qualificação podem ser opcionais e podem ser usados para informar uma avaliação ponderada de uma posterior lista curta de fornecedores que cumpram com todos os critérios mandatórios. Por exemplo, um fornecedor com um histórico comprovado de redução de emissões de carbono pode ser selecionado à frente de um fornecedor com menor experiência nesta área.

O exemplo apresentado na figura abaixo pode ser considerado uma condição passa/não-passa, com “Bom” como um requisito mínimo, ou uma forma de selecionar uma lista de fornecedores pré-qualificados, caso não haja critérios mandatórios mínimos.

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Caso os fornecedores tenham sido contatados no processo de pré-qualificação e desqualificados, é boa prática notificá-los formalmente e fornecer-lhes explicações. Convém que os fornecedores estejam cientes se, e como, suas credenciais não cumprirem os requisitos (incluindo aqueles relacionados a questões de sustentabilidade), o que, por sua vez, envia um claro sinal ao mercado sobre a importância de práticas de negócios sustentáveis.

Em suma, se não se cuidar do Planeta, daqui a alguns anos ele não será o mesmo que é conhecido hoje. É por isso que todos os dias os seres humanos devem estar mais conscientes sobre a importância de alguns hábitos como reciclagem, reutilização de determinados objetos ou uso de transporte público. E durante as férias?

Viajar não significa necessariamente deixar esses hábitos em casa, especialmente porque há os hotéis sustentáveis ou ecológicos. São estabelecimentos que tentam reduzir ao mínimo o consumo de recursos naturais, o gasto com energia ou as emissões e tomam cuidados especiais com o tratamento de resíduos, para que o impacto ambiental seja o mais baixo possível.

Os hotéis sustentáveis geralmente são projetados respeitando o meio ambiente e a área onde estão localizados. Em muitas ocasiões, eles implementam em suas instalações os sistemas de iluminação mais eficientes, instalações de água de baixa pressão e tentam gerar sua própria energia.

Além dessa preocupação com o meio ambiente, os hotéis ecologicamente corretos também tentam se adequar à área e ajudar a comunidade consumindo produtos e serviços locais. Dessa forma, não só a natureza, mas também a sociedade é beneficiada.



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