A realidade aos olhos dos sistemas de gestão pelo caminho do amor ou da dor

Existe um outro método de gerir, normalmente muito duro, com linhas rígidas, onde cada atividade não cumprida gera o peso de uma punição severa.

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Luiz Otávio Goi Junior

Vemos todos os dias, dentro das empresas, pessoas que tratam as necessidades de gestão de duas formas distintas. Uma delas, por um caminho mais suave e tranquilo, onde existe sempre aquele apoio mútuo, o poder motivacional e a estratégia de fazer as coisas acontecerem por meio do amor.

Essa forma de lidar enche os olhos dos mais utópicos, daqueles que estão iniciando suas carreiras e dos gestores de recursos humanos. Porém, cada vez mais, essa metodologia de gestão sofre com a fragilidade do mercado de trabalho e com a fragilidade da gestão nas empresas ultimamente.

Além desse, existe aquele outro método de gerir, normalmente muito duro, com linhas rígidas, onde cada atividade não cumprida gera o peso de uma punição severa. Esse modelo, também bem visto por muitos (esses agora mais tradicionais e mais ligados direto a resultados).

Diante dessas questões, gera-se uma dúvida, sob a qual ainda não existe resposta em definitivo, que é: qual o método mais efetivo? gerir pela dor ou gerir pelo amor? será que ambos são possíveis de aplicar? será que ambos geram os mesmos resultados? Ligado a todas essas questões que, para mim mesmo, já foi motivo de reflexão, gostaria de externar aqui o meu ponto de vista, de quem viveu sob ambos os sistemas em mercados diferentes e com resultados diferentes também.

A gestão pelo amor é bela e utópica. É claramente algo que nas empresas, mais eficazes de hoje em dia, não tem sido muito comum de verificar. Isso, porque nas empresas mais eficientes as atividades são compartilhadas em nível máximo de ocupação dos gestores e cada vez mais com o mínimo possível de mão de obra auxiliar.

Hoje em dia, nas empresas mais enxutas, o gestor é rh, qualidade, segurança do trabalho, meio ambiente, psicólogo, amigo, chefe e ainda responde pelos resultados de cada um de seus subordinados quanto às suas metas, sejam elas quais forem. Tudo isso, além de aumentar a pressão diária sobre esse gestor, ainda dificulta que ele realize feedbacks com sua equipe e possa criar planejamentos mais robustos evitando assim dificuldades, pressão externa o que facilitaria trabalhar uma gestão mais próxima e amigável.

Isso ocorre principalmente em consideração ao nível de prioridades no ponto de vista do gestor, já que esse precisa estar o tempo todo ajustando sua agenda de acordo com o incêndio que ele deseja apagar. Essa concepção mostra o quanto as pressões externas, as dificuldades do dia a dia e a falta de suporte ao gestor dificultam esse método de trabalho.

Já a gestão pela dor é uma metodologia muito aplicada em algumas empresas, pois a gestão pela dor é um método mais rigoroso. É como se existisse sempre uma regra dura que evitasse que o gestor precisasse estar o tempo todo junto ao seu subordinado, fazendo que a sua punição esteja o tempo todo o lembrando o que deve ser feito.

Essa gestão pelo medo foi muito utilizada e resultante durante os períodos de trabalho escasso e de pouca competitividade no mercado de trabalho, porém, mesmo em um momento bem diferente como nos últimos anos, continua presente na maioria das empresa. Isso acontece pelo fato dessa dificuldade dos gestores em conseguir lidar com todas as atribuições do dia a dia e manter ainda seus subordinados atuando em pleno vigor sem a necessidade de uma cobrança mais pesada.

A gestão pela dor parece funcionar bem do ponto de vista de resultados imediatos, porém é algo que a longo prazo gera diversos problemas seguidos que podem ser mais caros do que parecem. Acarreta desde doenças psicológicas, desmotivação, desinteresse com o trabalho e ainda troca de emprego por parte dos colaboradores. Essa última ação acontece, principalmente, pelo fato de as gerações mais novas serem comprovadamente mais ansiosas e menos resilientes a cobranças mais vigorosas.

Essas duas metodologias mostram o quanto é interessante a busca na obtenção de resultados e o quanto em muitos casos algumas situações encaixam-se melhor em alguma das duas e isso está ligado diretamente a detalhes do comportamento humano. O ser humano por si só tende a acomodar-se.

Toda essa situação é real e provavelmente mostra o quanto a vigilância não pode parar. Essa tendência à inércia é amplamente explicada pela física e a motivação a tomar uma medida ou atitude também. O que pouco se entende é o que fazer dali para a frente.

Assim como todas as coisas, um corpo inerte precisa inicialmente de uma força para colocá-lo em movimento. Essa força precisa ser considerável no início, já que este se encontra parado e essa força inicial é a motivação. E ela não é só positiva, pois motivação é tudo aquilo que motiva algo ou alguém a realizar alguma ação, ou seja, sair da inércia.

Após esse esforço ou motivação, como preferirem, o corpo mantém-se em movimento por um determinado período até que essa força acabe ou até que uma nova força o movimente novamente. Trazendo da física para o dia a dia, algo precisa impulsionar as pessoas no dia a dia para que saiam da inércia e possam realizar as atividades necessárias e cumprir suas obrigações.

Essa motivação pode ser o amor ou a dor. Ambas as duas irão motivar a movimentação inicial e a retirada da inércia. A questão chave é: depois dessa motivação o que vem? Esse então é o momento onde se inicia o engajamento.

Ele nada mais é do que a motivação permanente. A força que faz com que um corpo não fique mais inerte. E esse engajamento está mais ligado a linearidade de seu efeito do que ao impacto inicial que ele causa.

Dessa forma o engajamento, que hoje em dia é um termo muito utilizado, está ligado diretamente a essa motivação intrínseca, ou seja, essa motivação que mantém as pessoas em movimento. E esse engajamento pode sim ser gerado das duas formas, porém, para que seu resultado se sustente, precisa estar em equilíbrio.

Esse equilíbrio deve ter suas doses de amor e de dor. Quando for necessário rigidez ou quando for necessário apoio fraternal, que assim seja, mas que antes de tudo exista um objetivo futuro, para que sempre que o envolvido tiver dúvidas ou dificuldades de reflexão, seu objetivo final faça com que continue, trazendo assim resultados positivos sempre.

Diante de tudo isso, podemos afirmar que, em ambos os caminhos, o resultado irá acontecer. No caso do amor, você irá vê-lo somente a longo prazo e, no caso da dor, somente a curto prazo. Esse equilíbrio, tão difícil de ser obtido, é a chave do sucesso em gestão, porque nem só de beleza ou regras as coisas acontecem, se faz necessário sempre temperar um com o outro.

Luiz Otávio Goi Junior é gerente de sistemas de gestão integrados em indústria de grande porte, atua com sistemas de gestão há 12 anos, passando pelos setores de artigos esportivos, energia eólica e na indústria automobilística de autopeças, tem graduação em gestão ambiental, pós graduação em educação, sistemas de gestão integrados e MBA em gestão empresarial – luizgoijraa@gmail.com

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