Os ensaios em bico de abastecimento automático

Confira quais são os ensaios a serem executados em bico de abastecimento automático a ser acoplado à unidade abastecedora (bomba medidora), usado para abastecer tanques de veículos automotores com combustíveis líquidos.

bico1Da Redação –

No Brasil, a fiscalização de bombas de combustível é um assunto importante para os donos de postos e para os consumidores. É que bombas adulteradas podem resultar em muitos problemas para o negócio, inclusive legais.

A fiscalização de bombas de combustível é uma ação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para penalizar os postos que infringem regras na instalação ou manejo de suas bombas. Busca, nessas ações, interditar aqueles postos que ofereçam problemas na qualidade dos combustíveis que vendem ou que operem sem autorização.

A ANP, durante essas fiscalizações, pode também autuar o posto por outras irregularidades, como uma bandeira branca mostrando marca comercial, a ausência de uma planta simplificada do negócio ou a não atualização cadastral dos bicos de abastecimento. A falta de kits de análise, termodensímetros alterados e a audiência de documentos obrigatórios também podem ser um problema.

Em geral, a fiscalização de bombas concentra-se em garantir: que a gasolina tenha, no máximo, 27% de etanol; que não exista nenhum tipo de rompimento de lacres em relação a possíveis interdições anteriores; que a bomba tenha marcação correta; que a bomba é segura para uso no ambiente; que há certificação dos componentes e etiquetas; que o posto não comercializa produtos fora das especificações dispostas em lei.

Dessa forma, é essencial ficar atento para a fiscalização de bombas de combustível, pois é ela que certifica que o equipamento em seu posto está apto para funcionar como projetado. Caso não esteja, todos os três órgãos (Inmetro, ANP e Ministério do Trabalho) podem impor sanções ao negócio, como multas ou fechamento temporário do posto. Para passar nas inspeções rotineiras, é preciso que o dono do posto esteja atento para o que é fiscalizado e evite cometer irregularidades, ainda que por acidente. É fundamental confirmar que toda a infraestrutura do local e as condições de segurança necessárias para que ele funcione estão dentro das normas.

Quando há bombas adulteradas, várias punições são possíveis durante a fiscalização de bombas de combustível. As principais delas são: a notificação; a autuação; e a interdição. A partir do momento em que fiscais verificam que um posto comete irregularidade, o primeiro passo é a notificação. Nela, constam os pontos que devem ser otimizados pela gestão para garantir que o posto passe nas inspeções.

Sem essa notificação, o processo punitivo não pode ser iniciado, portanto, ela deve vir com um prazo para que as adaptações na bomba de combustível sejam feitas pelos empresários. Um simples desgaste de mangueira, por exemplo, pode gerar uma notificação, com prazo determinado para a sua troca.

Ao final desse prazo, o fiscal retorna ao posto esperando encontrar o equipamento substituído e o problema corrigido. Caso isso não aconteça, o processo punitivo é iniciado.

Esse processo pode ser antecipado em situações nas quais o fiscal percebe que há a intenção de fraudar. Ou seja, que o dono do posto propositadamente cometeu uma irregularidade. Nesses casos, a notificação e a autuação são feitas rapidamente, oferecendo ao dono do posto um período para se defender das acusações.

Na pior das hipóteses, ou seja, quando acontecem notificações e autuações e o dono do posto não consegue se justificar em relação a elas, o posto é interditado. Essa interdição é feita lacrando as bombas de combustível, e o rompimento desse lacre é também uma irregularidade. A partir da interdição, o dono do posto pode regularizar a sua situação, mas voltar a vender combustível enquanto as bombas permanecem lacradas pelos órgãos governamentais pode resultar em novos problemas.

Para cuidar das bombas de combustível do posto e garantir que elas serão aprovadas em uma fiscalização, é preciso contar com uma equipe de manutenção credenciada pelo Inmetro. Quem tem treinamento para uma bomba antiga, porém, pode ser certificado sem ter a habilidade de lidar com um equipamento mais novo, apenas pagando sua licença para isso.

O aconselhável é sempre contar com uma avaliação do fabricante, que garante que a sua empresa estará pronta para manter aquela bomba em dia. Segurança é um dos aspectos quanto aos quais os profissionais credenciados previamente podem não estar atualizados, o que exige que a sua empresa tenha um bom relacionamento com fornecedores, para reconhecer o que é perigoso para frentistas e outros funcionários do posto.

Adquirir equipamentos de qualidade é essencial na hora de se proteger da fiscalização de bombas de combustível. É que, após um período de garantia, a responsabilidade passa a ser do dono do posto, e não mais do fornecedor, o que significa que a sua empresa é que terá de arcar com os prejuízos, independentemente de quem seja a culpa.

Então, qualquer alteração nos produtos também significa que seus produtores podem ser penalizados durante uma fiscalização. Existe uma portaria de aprovação para as bombas de combustível e ela deve ser observada mesmo quando o dono dos equipamentos resolve fazer uma manutenção ou reparo neles.

Comprar de um fornecedor certificado e confiável vai lhe garantir um bom equipamento, que está pronto para ser aprovado pelos órgãos de fiscalização. Esse fornecedor pode lhe oferecer dicas e opcionais que farão as bombas do seu posto melhores, aprovando-os previamente junto ao Inmetro.

Como reclamar de combustível adulterado
Para denunciar gasolina adulterada e problemas nos postos de combustíveis e revendedores de gás: Agência Nacional do Petróleo (ANP) www.anp.gov.br – 0800 970-0267

Você pode denunciar esses problemas também às próprias distribuidoras (no caso de postos filiados):

Esso – 0800 701-5353

www.esso.com.br

Ipiranga – 0800 25-3805

www.ipiranga.com.br

Petrobras – 0800 78-9001

www.petrobras.com.br

Shell – 0800 78-1616

www.shell.com.br

Texaco – 0800 21-2233

www.texaco.com.br

A NBR 15474 de 02/2019 – Bico automático para uso em unidade abastecedora de combustível em veículos automotores – Requisitos construtivos e de desempenho especifica os requisitos construtivos e de desempenho, e os ensaios do bico de abastecimento automático a ser acoplado à unidade abastecedora (bomba medidora), usado para abastecer tanques de veículos automotores com combustíveis líquidos, exceto aeronaves, com vazão de até 200 L/min e à temperatura ambiente de – 29 °C a + 52 °C, com pressão mínima de operação de 350 kPa (50 psi). Essa norma não é aplicável aos equipamentos para abastecimento com ARLA 32, gás liquefeito de petróleo, gás natural veicular comprimido ou quaisquer outros combustíveis gasosos. Para os bicos destinados ao abastecimento com ARLA 32, considerar a NBR ISO 22241-4.

O bico deve ser construído de forma que seja permitida a continuidade elétrica entre as extremidades e deve ser ensaiado conforme procedimento descrito na Seção 18. O bico para sistema sem recuperação de vapor deve possuir conexão com o acoplador da mangueira, conforme a seguir: rosca fêmea – 3/4” NPT, para vazão ≤ 80 L/min; rosca fêmea – 1” NPT, para vazão > 80 L/min e ≤ 200 L/min.

O bico para sistema com recuperação de vapor deve possuir conexão com o acoplador da mangueira com rosca fêmea de 1-1/4” – 18 -SAE, M34-1,5 mm ou 1”-11,5 NPT. As conexões entre bicos, acessórios e mangueiras coaxiais devem ter dimensões conforme a figura abaixo.

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Todas as conexões devem ser projetadas para conectar nos acessórios, de modo a formar um conjunto estanque. Os bicos devem ser classificados como tipo l e tipo II, para sistemas com e sem recuperação de vapor, conforme a tabela abaixo.

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O bico deve possuir obrigatoriamente os componentes citados na norma. O bico deve possuir diafragma para acionamento do fechamento automático e deve ser protegido contra danos. Partes metálicas que entrem em contato com o diafragma não podem possuir bordas afiadas, rebarbas, projeções, ou algo similar, que possam causar atrito ou abrasão do diafragma.

A mola deve ser guiada e posicionada de modo a minimizar a flambagem ou a interferência em seu movimento livre. As faces das extremidades da mola devem ser planas. Já os mecanismos operacionais ou os elementos de fixação utilizados para unir partes operacionais aos elementos móveis devem ser travados para impedir seu afrouxamento.

O mecanismo de acionamento manual do bico deve proporcionar livre movimento de todas as partes. O bico deve possuir alavanca, que deve ser acionada manualmente. O bico deve possuir guarda que impeça o acionamento acidental da sua alavanca e deve ter resistência mecânica conforme a Seção 9.

O bico deve possuir mecanismo de trava (escala), para manter a alavanca acionada. A escala deve possuir no mínimo duas posições de travamento da alavanca para selecionar a vazão de abastecimento. Em condição normal de operação, a escala deve permitir o destravamento manual da alavanca.

O bico deve ser dotado de mecanismo de desativação automático, acionado pela falta de pressão na mangueira, impedindo um novo fluxo de combustível no caso de a unidade abastecedora ser religada e sem que a alavanca tenha sido rearmada manualmente. O bico deve ser equipado com uma ponteira, com dimensões conforme a tabela acima. A ponteira deve possuir válvula que restrinja a saída de produto com a bomba desligada. A ponteira deve possuir sensor para acionamento do mecanismo de fechamento, automático quando atingido o nível de abastecimento no tanque do veículo. O posicionamento deste sensor deve ser conforme a tabela acima.

Os componentes fundidos, moldados em areia, submetidos à pressão, devem possuir espessura mínima de parede conforme a UL 2586. Os materiais usados na construção do bico devem ter composições químicas e dimensões estáveis e ser compatíveis com os combustíveis automotivos, sob condições de trabalho estabelecidas nesta norma.

Os materiais sujeitos a contato com combustíveis, nas fases vapor e líquido, devem ser resistentes à ação do combustível, se a degradação de material resultar em vazamento ou falha de funcionamento do bico. A conformidade deve ser comprovada pelos ensaios previstos nesta norma. Os materiais usados na construção do bico devem ser não centelhantes e manter a continuidade elétrica em todo o bico.

As superfícies e mecanismos do bico que, em operação normal, tenham contato com o usuário devem ser tais que não apresentem riscos à sua segurança. Quanto ao desempenho do bico, exceto se indicado em contrário, amostras representativas de cada tipo de bico devem ser submetidas aos ensaios descritos nesta norma.

As amostras adicionais de peças feitas de materiais não metálicos, como materiais de vedação e discos da sede de válvulas, devem ser fornecidas como requerido nesta norma, para ensaios físicos e químicos. Os ensaios de vazamento de bicos devem ser realizados utilizando uma fonte de pressão pneumática. Quando observado vazamento, devem ser executados ensaios hidrostáticos com querosene ou com solvente que possua um valor Kauri Butanol de 44.

Para o ensaio de produção, para verificar a conformidade com os requisitos desta Seção, o fabricante deve fornecer os controles de produção, inspeção e ensaios necessários. O programa deve incluir pelo menos o seguinte: ensaio de vazamento de assento (conforme a Seção 11) e ensaio de vazamento externo (conforme a Seção 10), para cada válvula montada, a uma pressão pneumática não menor que a pressão de operação ou a uma pressão hidrostática não menor do que 1,5 vezes a pressão de operação.

O ensaio de vazamento externo (conforme a Seção 10) para cada válvula montada, a uma pressão pneumática entre 5 psi e 10 psi e o ensaio de operação (conforme a Seção 13) das partes e dispositivos automáticos. O ensaio de operação do mecanismo de desativação automático (no pressure no flow) (conforme 13.5), sendo os bicos ensaiados em todas as posições da escala, conforme 13.4.

O ensaio de operação do mecanismo de fechamento automático, sendo os bicos devem ser ensaiados em todas as posições da escala. O líquido de ensaio deve ter densidade específica inferior a 1 kg/L (como querosene e solventes minerais) e deve ser vertido pelo bico. Devem ser estabelecidas as condições de ensaio na posição de alta vazão, fixada no máximo em 19 L/min (5 GPM) ou à pressão do fluxo estabelecida em no máximo 55 kPa (8 psi).

O mecanismo de fechamento automático deve fechar de forma fiável em cada posição da escala. Cada bico deve ser acompanhado pelo manual de instalação e operação do fabricante, que deve proporcionar as indicações e informações para a instalação, manutenção e utilização adequadas do bico. Estas informações devem incluir o método de fixação na mangueira e recomendações de manutenção periódica.



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  1. Sindcomb Notícias – quarta-feira, 17 de abril de 2019 – SINDCOMB

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