Plano estratégico – entre o mundo ideal e a vida real

O plano estratégico, por mais bem feito que pareça, não é garantia de sucesso.

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Roberto Camanho

Devido às suas diferentes abordagens, as escolas da estratégia discutem continuamente os conceitos de estratégia empresarial. Não existe uma definição única e consolidada sobre este tema.

Apesar dos cursos para executivos abordarem as práticas das estratégias, os executivos não costumam seguir uma linha específica e adotam partes delas ao mesmo tempo. Eles privilegiam a utilidade prática sobre a coerência teórica.

Apesar da maturidade da prática formal do planejamento estratégico, renomadas empresas enfrentam dificuldades, que parecem ter sua origem nos processos decisórios adotados nas escolhas estratégicas. A história mostra que os processos decisórios estruturados com metodologias de apoio à decisão apresentam melhores resultados que os processos desestruturados.

Ainda assim, o plano estratégico, por mais bem feito que pareça, não é garantia de sucesso. Grandes corporações que nunca deixaram de ter planos estratégicos quase perfeitos enfrentaram dificuldades, como é o caso do maior banco dos Estados Unidos, o J.P. Morgan Chase.

A instituição financeira acumulou um prejuízo de US$ 2 bilhões, mesmo sendo o seu presidente (James Dimon), considerado o mais prudente líder de Wall Street. Mesmo assim, ele afirmou que o sistema bancário americano recuperou a saúde plena, dez anos depois do colapso do Lehman Brothers, que levou a uma crise financeira global.

Outro exemplo é a BP – Beyond Petroleum (antiga British Petroleum), que foi pioneira em construir a imagem de empresa petrolífera preocupada com sustentabilidade ao investir US$ 200 milhões em relações públicas, a partir de julho de 2000. Mas, em 2010, a companhia gerou um vazamento de petróleo de grande impacto ambiental.

Afinal, o que está em xeque nesse caso seria a própria filosofia do planejamento estratégico? Na minha opinião, um ambiente confiável é fundamental para gerar respostas assertivas e ágeis, além de construir processos decisórios estruturados, que facilitam a transparência nas decisões estratégicas.

Roberto Camanho conduz decisões que envolvem orçamentos de bilhões de reais, participa de projetos de pesquisa em processos decisórios e publica trabalhos em congressos internacionais. No Brasil, é pioneiro na aplicação de metodologias de apoio a decisões estratégicas. Desde 1996, atua em empresas dos setores financeiro, aeroespacial, petroquímico, de energia, papel e celulose, mineração, de infraestrutura e agências governamentais – camanho@robertocamanho.com.br



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