Avaliando os sistemas de detecção e alarme de incêndio

Um aspecto fundamental da proteção contra incêndios é identificar uma emergência de incêndio em desenvolvimento em tempo hábil e alertar os ocupantes do prédio e as organizações de emergência contra incêndios. Este é o papel dos sistemas de detecção e alarme de incêndio. Assim, deve-se conhecer os requisitos desses sistemas quando esses são necessários para a avaliação de compatibilidade, além dos seus requisitos para a integridade do sistema de detecção de incêndio e de alarme de incêndio quando conectados a outros sistemas.

incêndio2Da Redação –

Dependendo do cenário de incêndio previsto, do tipo de construção e uso, do número e tipo de ocupantes e da criticidade do conteúdo e da missão, os sistemas de detecção e alarme de incêndio podem fornecer várias funções principais. Primeiro, eles fornecem um meio para identificar um incêndio em desenvolvimento através de métodos manuais ou automáticos e, em segundo lugar, alertam os ocupantes do edifício para uma condição de incêndio e a necessidade de evacuar.

Outra função comum é a transmissão de um sinal de notificação de alarme para o corpo de bombeiros ou outra organização de resposta a emergências. Eles também podem desligar equipamentos elétricos, equipamentos de manuseio de ar ou operações de processos especiais e podem ser usados para iniciar os sistemas de supressão automática.

O primeiro passo para debelar um incêndio é identificar adequadamente o incidente, aumentar o alarme para os ocupantes e, em seguida, notificar os profissionais de resposta a emergências. Esta é frequentemente a função do sistema de detecção e alarme de incêndio. Vários tipos de sistema e opções estão disponíveis, dependendo das características específicas do espaço protegido.

Os especialistas em proteção contra incêndios geralmente concordam que os sprinklers automáticos representam um dos aspectos mais significativos de um programa de gerenciamento de incêndio. Projetados, instalados e mantidos adequadamente, esses sistemas podem superar as deficiências no gerenciamento de riscos, na construção civil e na resposta a emergências. Eles também podem fornecer maior flexibilidade no projeto de edifícios e aumentar o nível geral de segurança contra incêndios.

A NBR ISO 7240-13 de 06/2017 – Sistemas de detecção e alarme de incêndio Parte 13: Avaliação da compatibilidade dos componentes do sistema especifica os requisitos para as avaliações de compatibilidade e de conectividade dos componentes do sistema de acordo com os requisitos da ISO 7240 ou com uma especificação do fabricante, onde não houver norma internacional ISO 7240. Esta parte da NBR ISO 7240 inclui somente requisitos do sistema quando esses são necessários para a avaliação de compatibilidade.

Também especifica os requisitos para a integridade do sistema de detecção de incêndio e de alarme de incêndio quando conectado a outros sistemas. Não especifica a maneira na qual o sistema é projetado, instalado e utilizado em qualquer aplicação particular.

É aplicável para sistemas onde os componentes são conectados a um equipamento de controle e indicação (e.c.i.) e onde os componentes são interconectados por fios elétricos. Para sistemas de detecção de incêndio e alarme de incêndio utilizando outros meios de interconexão (por exemplo: ligações por fibra óptica ou rádio frequência), esta parte da NBR ISO 7240 pode ser utilizada como diretriz. Espera-se que outras normas internacionais cubram os requisitos de outros sistemas aos quais o sistema de detecção e alarme de incêndio possa estar conectado.

A função da detecção de incêndio é detectar no momento mais precoce possível e dar sinais e indicações de tal forma que a ação apropriada possa ser tomada. A função do alarme de incêndio é no mínimo dar sinais sonoros e/ou visuais para os ocupantes de uma edificação que possam estar em risco por causa de um incêndio. Um sistema de detecção e alarme de incêndio combina as funções de detecção e alarme em um único sistema e consiste tipicamente de um número de componentes interligados incluindo detectores automáticos de incêndio, acionadores manuais e avisadores de alarme.

Estes componentes são conectados ao equipamento de controle e indicação por meio de um ou mais circuitos de transmissão. Todos os componentes do sistema, incluindo o equipamento de controle e indicação, são também conectados direta ou indiretamente à fonte de alimentação. A NBR ISO 7240-1 provê informação adicional sobre os componentes que desempenham as funções que estão listadas no Anexo A desta parte 1.

Uma proteção contra incêndio e/ou sistemas de gerenciamento predial ou estações remotas de monitoramento de falha e alarme de incêndio que estejam ligados a um sistema de detecção e alarme de incêndio, não são considerados parte do sistema de detecção e alarme de incêndio. Todos os componentes que constituem um sistema de detecção e alarme de incêndio precisam ser compatíveis ou conectáveis e os requisitos relativos ao desempenho do sistema completo precisam ser totalmente cumpridos.

Diferenciação é feita entre componentes classificados como componente tipo 1 e outros componentes classificados como componentes tipo 2. Esta Parte 1 reconhece que não é prático avaliar a compatibilidade ou conectividade de componentes em todas as configurações possíveis. Métodos de avaliação são especificados para atingir um grau aceitável de confiança dentro de condições operacionais e ambientais predeterminadas.

Diretrizes de aplicação nacional (também conhecidas como códigos de práticas) também contêm requisitos do sistema. Fornecedores de componentes devem certificar que eles atendem aos requisitos desta Parte 1; atendem aos requisitos da parte pertinente da NBR ISO 7240; e atendem aos requisitos das diretrizes de aplicação dos países onde se pretende colocar os componentes no mercado. Os requisitos do sistema são também incluídos para aqueles sistemas de detecção e alarme de incêndio que estão ligados aos sistemas de proteção contra incêndio e/ou outros (por exemplo: sistemas de gerenciamento predial).

O sistema de detecção e alarme de incêndio (s.d.a.i.) em questão deve executar funções de detecção de incêndio identificadas no Anexo A. A figura abaixo é baseada na NBR ISO 7240-1, mas se refere as funções e não tem intenção de representar componentes físicos. Esta mostra as funções que estão incluídas dentro de um s.d.a.i. (funções incluídas na linha pontilhada). Onde as funções atravessam a linha pontilhada, estas são compartilhadas entre o s.d.a.i. e um outro sistema.

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Todas as diferentes configurações do sistema previstas para serem utilizadas devem ser mencionadas dentro da documentação do fornecedor e devem atender a esta parte da NBR ISO 7240. Se uma função de um s.d.a.i. for compartilhada com qualquer outro sistema, esta função não pode comprometer o s.d.a.i. Instalações comuns devem atender os requisitos mais rígidos das especificações pertinentes.

Se uma função de outro sistema que não seja o s.d.a.i. for desempenhada por um componente de um s.d.a.i., a função não pode comprometer o s.d.a.i. Uma falha do sistema (conforme descrito na NBR ISO 7240-2) em um equipamento de controle e indicação (e.c.i.) não pode afetar mais que este e.c.i. e os componentes associados controlados por esse e.c.i. Uma única falha no circuito de transmissão conectando um e.c.i. a outro e.c.i. não pode afetar adversamente o correto funcionamento de qualquer parte do sistema em rede.

Devem ser providos meios para a indicação de uma falha no circuito de transmissão conectando um e.c.i. a outro e.c.i. Onde os e.c.i. forem interconectados para formar um sistema hierárquico, deve-se aplicar algumas determinações. Por exemplo, uma condição de alarme de incêndio em um e.c.i. deve ser indicada no e.c.i. principal dentro de 20 s.; uma condição de aviso de falha em um e.c.i. deve ser indicada no e.c.i. principal dentro de 120 s; uma falha ou falhas em um único circuito de transmissão conectando um ou mais e.c.i. ao e.c.i. principal não pode afetar adversamente as funções mandatórias (conforme definido na NBR ISO 7240-2) do sistema hierárquico.

Igualmente, uma falha em um circuito de transmissão conectando um e.c.i. ao e.c.i. principal deve ser pelo menos indicada no e.c.i. principal. Onde existirem falhas em mais de um circuito de transmissão conectando um ou mais e.c.i. ao e.c.i. principal, o e.c.i. principal deve indicar claramente qual parte está perdida ou quais partes estão perdidas. O e.c.i. principal deve indicar no mínimo as condições gerais (ver as condições definidas na NBR ISO 7240-2; exemplo: uma condição de incêndio em um e.c.i. de um subsistema).

Se informação detalhada (exemplo: uma condição de incêndio em uma zona de um e.c.i. de um subsistema) for provida, então ela deve ser consistente por todo o sistema. No e.c.i. principal, deve ser possível identificar o subsistema do qual a informação foi originada. No e.c.i. principal, pode ser possível operar tanto os controles manuais gerais quanto os controles manuais individuais, mas o resultado deve ser idêntico ao obtido pela operação desses controles no e.c.i. do subsistema.

Onde existirem falhas em mais de um circuito de transmissão conectando um ou mais e.c.i. ao e.c.i. principal, as funções mandatórias (conforme definido na NBR ISO 7240-2) do sistema hierárquico podem ser afetadas. Nesse caso, é preferível conectar o dispositivo tipo E (NBR ISO 7240-1) diretamente em cada e.c.i. Para serem compatíveis, os componentes tipo 1 devem operar dentro dos limites especificados dados pela parte pertinente da ISO 7240, dentro das configurações especificadas do sistema e dentro dos limites especificados para cada componente.

Componentes tipo 1, não cobertos por uma norma internacional de produto, devem atender também a EN 50130-4 para características de imunidade eletromagnética (EMC). Para ser conectável, um componente tipo 2 deve operar sem comprometer a operação do sistema. A operação remota de um controle deve ter o mesmo efeito de uma operação realizada no e.c.i.

Uma única falha em um circuito de transmissão não pode afetar outro circuito de transmissão. Se esse não for o caso, então todos os circuitos de transmissão afetados adversamente por essa única falha devem ser considerados como um único circuito de transmissão. A solução (meios técnicos) provida para minimizar o efeito de uma falha em um circuito de transmissão deve completar a restauração do efeito de uma falha dentro de 300 s.

A consequência de uma única interrupção não pode ser mais séria que a consequência de um curto-circuito. Uma falha em um circuito de transmissão para qualquer outro sistema não pode afetar adversamente o correto funcionamento do s.d.a.i. Os requisitos de aplicação podem exigir que as consequências de uma falha (por exemplo, um curto-circuito ou uma interrupção) em um circuito de transmissão seja m limitadas.

Os dispositivos de entrada e saída ligados a um sistema de proteção contra incêndio devem ser considerados como componentes tipo 1. A documentação deve incluir as especificações dos sinais de entrada/saída de cada dispositivo de entrada/saída. O circuito de transmissão entre os sistemas é monitorado tanto pelo s.d.a.i. quanto pelo s.p.i. Convém que detalhes estejam incluídos na documentação.

O sistema de detecção e alarme de incêndio deve incluir todos os dispositivos de entrada transferindo sinais do sistema de proteção contra incêndio para o sistema de detecção e alarme de incêndio e todos os dispositivos de saída transferindo sinais do sistema de detecção e alarme de incêndio para o sistema de proteção contra incêndio. A documentação, preparada pelo fornecedor, permite a autoridade de ensaio fazer a avaliação da compatibilidade e conectividade dentro das configurações definidas pelo fornecedor.

Para permitir que a avaliação da compatibilidade de um s.d.a.i. seja completada, os seguintes documentos devem ser fornecidos: lista dos tipos de componentes que constituem o s.d.a.i. com uma identificação única de cada componente incluindo versões de software; informação técnica facilitando a justificação da compatibilidade; evidência necessária (por exemplo, relatórios de ensaios ou certificados de conformidade) para conformidade dos componentes à parte pertinente da ISO 7240; caraterísticas dos circuitos de transmissão entre cada componente e o e.c.i., incluindo as especificações dos cabos; limitações de uso do sistema (configuração, número de componentes, limites funcionais, etc.).

Para permitir a conclusão da avaliação da conectividade, os seguintes documentos devem ser fornecidos: lista dos tipos de componentes pretendidos para serem utilizados em conjunto com o s.d.a.i. com uma identificação única de cada componente e também suas funções. Se um software estiver envolvido na conectividade, a identificação única deve incluir a versão do software.

Se um componente tipo 2 for conectado por meio de uma interface padronizada comum, a identificação única não é necessária. Deve-se incluir uma informação técnica facilitando a justificação da conectividade do componente tipo 2; as características dos circuitos de transmissão entre cada componente e o e.c.i., incluindo as especificações dos cabos; e os limites de uso do sistema (configuração, número de componentes, limites funcionais, etc.).



Categorias:Normalização, Qualidade

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