A conformidade do gesso para construção civil

O gesso tem propriedades aglomerantes, isto é, depois de misturado com água, endurece depois de certo tempo, adquirindo características ligantes e resistência. O uso do gesso na construção civil vem sendo conveniente por causa de suas propriedades que o fazem ser bastante utilizado. Contudo, o material para cumprir com as suas especificações e funções necessita passar por vários métodos de ensaio.

gesso2Da Redação –

A construção civil vem usando cada vez maior o gesso, seja em revestimentos, rebaixamentos ou divisórias, o que deverá fazer com que aumente a procura por profissionais qualificados. O gesso para construção civil é um material pulverulento (pó) branco, obtido pela calcinação de uma rocha chamada gipsita.

Ele possui facilidade de moldagem, o que o faz um material excelente para fabricação de ornamentos utilizados como acabamentos e efeitos decorativos, como molduras e sancas; tem boa aparência, pois depois de endurecido apresenta superfície lisa e branca, dando ótimo acabamento, tanto em revestimentos de argamassa como em painéis ou adornos. Os revestimentos em gesso eliminam a necessidade de massa corrida na pintura, que precisa ser aplicada nos revestimentos com argamassa convencional.

Possui boas propriedades térmicas e acústicas, sendo um excelente isolante contra propagação de fogo e boa aderência à alvenaria e concreto, podendo ser utilizado como revestimento de paredes de alvenaria sem necessidade de aplicação de chapisco que é necessário para as argamassas convencionais. Entretanto, sua espessura deve ser pequena, exigindo paredes ou tetos regularizados.

Tem uma boa produtividade elevada, já que a aplicação dos revestimentos em gesso é mais rápida e fácil do que a das argamassas convencionais e seu tempo de cura é menor, fazendo com que se possa iniciar a pintura mais cedo. O custo do revestimento em gesso é menor, quando comparado às argamassas convencionais mais a massa corrida. Entretanto, depende de disponibilidade local de material e mão de obra.

O gesso apresenta, porém, algumas desvantagens, que limitam seu uso. Em contato com água pode se dissolver, o que faz com que não possa ser utilizado em áreas externas, sujeitas a chuvas. Pode, entretanto, ser usado em áreas internas úmidas, como banheiros, por exemplo, desde que convenientemente protegido.

Quando usado em revestimentos, a espessura da camada de gesso deve ser pequena (embora possa atingir até 2 cm, o ideal é em torno de 0,5 cm), pois espessuras elevadas fazem-no trincar. Isso exige que seja aplicado em paredes e tetos bem regulares quanto à sua planeza. Se na superfície da parede ou teto estiver muito irregular é necessária aplicação do emboço antes do gesso, fazendo com que seu uso não se torne tão vantajoso.

O gesso tem também baixa resistência a choques, não devendo ser utilizado em áreas de tráfego intenso de pessoas ou cargas, como acontece, por exemplo, em áreas de circulação de prédios comerciais ou industriais. Seu uso é indicado para áreas internas residenciais ou de escritórios.

O uso de forro de gesso está cada vez mais comum em construções e reformas no Brasil. Isso se deve à praticidade e aos benefícios desse recurso, que pode facilitar instalações elétricas, colocação de luzes, proteção térmica e acústica. Além disso, sua colocação é bastante simples e fornece um acabamento muito bonito ao ambiente.

O gesso é um dos materiais de construção mais usados principalmente no design de interiores. Ele é usado como materiais de superfície. Sua aplicação é proeminente na construção de paredes e teto. O gesso é um mineral branco a cinzento encontrado na crosta terrestre. É quimicamente conhecido como sulfato de cálcio hidratado (CaSO4.2H2O) e é obtido através da mineração.

A capacidade do gesso de proporcionar um ambiente confortável e estético como material de construção aumenta as exigências do gesso. É um produto da natureza que é comumente disponível. Está livre de odores. Hoje em dia, muitas das características de construção interior e exterior são principalmente regidas pela construção de gipsita ou produtos de gesso.

O avanço da construção de gesso em um processo contínuo é devido ao seu tempo reduzido e custo de construção. Com o tempo, os produtos de gesso ganham propriedades crescentes, como maior resistência ao fogo, propriedades acústicas para isolamento de ruído, etc.

É resistente ao fogo por natureza, pois não propaga o fogo devido à presença de água nos seus produtos. Pode-se dizer que uma placa de gesso de 15 mm de espessura teria quase 3 litros de água cristalina dentro dela. Quando o fogo se aproxima da água, ele sofre evaporação, resultando em uma camada protetora cobrindo o produto de gesso. Isso ajudaria a impedir a propagação do fogo para outros materiais.

Os produtos de gesso são desenvolvidos para se concentrar mais nas propriedades de isolamento acústico. Outros métodos como alvenaria agiriam bem, o que pode ser usado em uma espessura maior que agora é menos exigente em comparação com o gesso. O gesso cartonado é projetado especialmente para redução de ruído e evitar reverberação. A incorporação de um espaço de ar entre duas paredes sólidas de gesso traz um desempenho acústico mais alto, restringindo a passagem do ruído. Por exemplo, em vez de uma parede de alvenaria de 110 mm de espessura, pode-se instalar um drywall de 75 mm de espessura para obter o mesmo desempenho de som.

As propriedades térmicas da construção de gesso permitiriam um bom equilíbrio da umidade e temperatura do interior. A construção de gesso incorporando cavidades, como placas de gesso ou construção de formas com gesso, proporciona propriedades extra de isolamento.

O uso de placas de gesso na construção de interiores atua como uma barreira de vapor que evita a umidade interna. Usando produtos de gesso, por exemplo, para uma construção de parede interna, precisa-se apenas fixar o quadro e encher as juntas. O processo completo é limpo, fácil e rápido. Usando gesso como acabamento final reduz o trabalho de pintura adicional. O acabamento branco em si dá uma aparência limpa.

Há uma grande variedade de produtos de gesso está disponível e atende a vários requisitos práticos e estéticos. A escolha do produto certo é feita com a ajuda de pacotes exclusivos que são fornecidos pelos fabricantes com assistência técnica adequada.

A NBR 12127 de 07/2019 – Gesso para construção civil — Determinação das propriedades físicas do pó especifica o método para determinação das propriedades físicas do gesso na forma de pó, denominadas: granulometria; massa unitária. A NBR 12128 de 07/2019 – Gesso para construção civil — Determinação das propriedades físicas da pasta de gesso especifica o método para execução dos ensaios físicos da pasta de gesso, compreendendo as determinações de: consistência normal; tempo de pega. A NBR 12129 de 07/2019 – Gesso para construção civil — Determinação das propriedades mecânicas estabelece o método para determinação das propriedades mecânicas do gesso para construção, denominadas: dureza; resistência à compressão.

A aparelhagem necessária para a determinação da granulometria deve incluir peneiras com abertura de: 0,29 mm, 0,21 mm; fundo de peneira e tampa; balança com resolução mínima de 0,1 g; estufa de secagem com circulação natural que permita a elevação da temperatura até 200°C; dessecador. A aparelhagem necessária para a determinação da massa unitária deve ser aparelho constituído de um funil cônico (A) de material não corrosivo sobre um tripé (B) com peneira (C) de 2,0 mm ajustada na metade da altura do funil (ver figura abaixo); recipiente de medida confeccionado de material não corrosivo e com capacidade de (1.000 ± 20) cm³; balança com resolução mínima de 0,1 g.

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Para a execução do ensaio, a temperatura da sala de ensaios, equipamentos e materiais deve ser de (23 ± 4) °C. A umidade relativa do ar deve ser de (60 ± 5) %. A amostra deve ser mantida em recipiente hermeticamente fechado. Os equipamentos utilizados devem estar rigorosamente limpos. Para a granulometria de gesso para fundição.

Tomar (50 ± 1) g da massa inicial por meio de quarteamento e passar pela peneira com abertura de 0,29 mm. Segurar a peneira ligeiramente inclinada em uma das mãos e sacudir de maneira que ela bata em outra mão, a uma velocidade de 125 movimentos por minuto, para que o gesso se espalhe uniformemente. A cada 25 movimentos, girar a peneira a 90°, batendo ligeiramente com as mãos nas laterais e recomeçar a operação.

Durante o peneiramento, recomenda-se dar golpes suaves no rebordo exterior do caixilho com o cabo do pincel, para facilitar o desprendimento das partículas aderidas à tela e à parede da peneira. Recomenda-se também, para peneiras finas da série, o escovamento regular da superfície inferior destas visando a sua desobstrução.

O peneiramento é considerado terminado quando entre duas pesagens a massa que passar pelas peneiras for menor ou igual a 0,1 g. Executar duas determinações consecutivas para cada peneira. Como expressão dos resultados, para a granulometria, registrar, para cada peneira com abertura de 0,29 mm e 0,21 mm, a média aritmética percentual passante dos valores em duas determinações. Os resultados de duas determinações não podem diferir mais de 5% em relação à média aritmética.

A aparelhagem necessária para a determinação da consistência normal deve incluir o aparelho de Vicat modificado (ver figura abaixo) que consiste em um suporte (A) sustentando uma haste móvel de diâmetro e comprimento compatível com o suporte. Na extremidade inferior da haste está acoplada uma sonda cônica (C) de alumínio com ângulo de ápice 53°08°, altura de 45 mm, e se recomenda, para proteção, uma ponteira de aço inoxidável. A haste e a sonda devem pesar no total 35 g.

Pode ser incorporada à haste uma rosca (G) para controle de peso. A haste pode ser fixada em qualquer posição desejada pela trava (E) e deve possuir um indicador (D) permitindo leitura na escala (F), graduada em milímetros e ligada ao suporte. Esta escala, quando comparada com a escala-padrão de precisão de 0,1 mm, não pode apresentar, em todos os pontos, desvios maiores que 0,025 mm.

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O molde tem formato troncocônico com diâmetro interno de base de 70 mm, do topo de 60 mm, altura de 40 mm, e deve ser confeccionado de material rijo não oxidável em presença de sulfato e não absorvente. A base para o molde deve ser uma placa de vidro. O cronômetro deve ser usado para medir o tempo de pega.

Para a determinação da consistência normal, dissolver 20 g de citrato de sódio P.A. em 1.000 mL de água destilada. Aplicar uma fina película de óleo lubrificante na superfície da placa de vidro e no molde, com o objetivo de evitar vazamentos durante a execução do ensaio. Transferir 10 mL da solução de citrato de sódio a 20 g/L para um recipiente e adicionar água destilada até 150 g.

Pesar uma determinada massa da amostra. A massa da amostra pesada anteriormente deve ser polvilhada, durante 1 min sobre a água com retardador. Deixar em repouso durante 2 min, e em seguida misturar por 1 min (em torno de um movimento circular por segundo), a fim de obter uma pasta uniforme.

Transferir imediatamente a pasta para o molde, evitando bolhas de ar. Rasar o topo do molde. Umedecer a sonda cônica e baixar até a superfície da pasta, no centro do molde. Ler a escala e deixar descer lentamente a haste. Quando cessar a penetração, ler novamente a escala. Para efeito de confirmação imediata, limpar e umedecer a sonda, completar a pasta do molde, rasar e efetuar nova leitura. A consistência é considerada normal quando for obtida uma penetração de (30 ± 2) mm.

A aparelhagem necessária para a determinação da dureza deve incluir prensa de ensaio que permita a aplicação de uma carga fixa de (500 ± 5) N através de placas de área mínima de 2 500 mm² e curso mínimo de 100 mm. Paquímetro com resolução máxima de 0,05 mm ou outro dispositivo que possa medir a profundidade de impressão com resolução máxima de 0,05 mm. Esfera de aço duro de diâmetro (10,0 ± 0,5) mm. Peneira com abertura de 2,0 mm. A aparelhagem necessária para a determinação da resistência à compressão consiste em uma prensa de ensaio com capacidade de carga superior a 2.000 N, exatidão mínima de 200 N, placas de aplicação de carga de área mínima de 2 500 mm2 e curso mínimo de 100 mm.

Para a execução do ensaio, a temperatura na sala de ensaios, equipamentos e materiais deve ser de (23 ± 4) °C. A umidade relativa do ar deve ser de (60 ± 5) %. A amostra deve ser mantida em recipiente hermeticamente fechado. Os equipamentos utilizados devem estar rigorosamente limpos. A água utilizada deve ser destilada.

Para a preparação da amostra, tomar uma quantidade de amostra de no mínimo 1.500 g, necessária à determinação das propriedades mecânicas, e passá-la através da peneira com abertura de 2,0 mm, com auxílio de um pincel. Os torrões que não foram desfeitos com o pincel, bem como as demais impurezas, retidos na peneira, devem ser descartados. Porém, antes disso, é necessário que sejam identificados e pesados, fazendo constar essas informações no relatório de ensaio.

Para a determinação da dureza, selecionar a face inferior de moldagem e duas outras faces laterais opostas de cada corpo de prova para o ensaio de penetração. Posicionar o corpo de prova no centro de aplicação da carga com uma das superfícies selecionadas para cima. Posicionar a esfera na parte central desta superfície, a uma distância mínima de 20 mm das bordas, evitando-se eventuais bolhas ou falhas na superfície.

Aplicar a carga de 50 N e aumentar, em 2 s, a carga para 500 N, mantendo-a por 15 s. Após este tempo, retirar a carga e medir a profundidade de impressão, com utilização de paquímetro. Reportar no relatório de ensaio, em grupos de três, para cada corpo de prova ensaiado, perfazendo um total de nove medidas em uma dada série. Calcular a média aritmética das profundidades de cada corpo de prova.

A profundidade média t dos três corpos de prova é considerada a da série, se cada uma destas não diferir mais de 15% da média global. Se uma das médias dos corpos de prova diferir mais de 15% da média global, esta não pode ser incluída no cálculo da profundidade t. Se mais de uma das médias dos corpos de prova diferir mais de 15 % da média global, repetir o ensaio em outra série.



Categorias:Metrologia, Normalização

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