A manutenção de sistemas de ar condicionado

A correta manutenção de ar condicionado deve ser efetuada por empresas capacitadas e com respaldo dos fabricantes, sempre cumprindo as normas técnicas. Atualmente, os sistemas de ar condicionado e de ventilação viraram itens principais em várias residências, comércios e escritórios. Mas, para ele não se tornar o vilão das doenças respiratórias, é preciso realizar a manutenção dos aparelhos periodicamente. No caso de equipamentos de parede, para manter o ambiente limpo, deve-se ser retirada a sua tela uma vez por mês para limpar com água corrente e pedir a visita de um técnico pelo menos uma vez por ano para verificar como está o equipamento, se precisa de uma limpeza mais profunda ou apenas higienizar o aparelho. Todos esses procedimentos devem ser executados de acordo com as normas técnicas.

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Mauricio Ferraz de Paiva –

Atualmente, os edifícios e as residências se tornaram cada vez mais fechados e o grau de automatização interna também aumentou. A dependência de controles computadorizados, sistemas forçados de ventilação, sistemas de ar condicionado, dentre outros, foi crescendo. Sistemas de ventilação e ar condicionado tornaram-se mais sofisticados. Reduções nos gastos de energia foram possíveis pelo emprego de computadores para variar as quantidades de ar introduzidas no edifício, baseadas unicamente em requisitos de carga térmica nos espaços ocupados.

O único critério utilizado, no que diz respeito ao ar interior, foi a temperatura e a umidade. Outros parâmetros envolvendo a qualidade do ar utilizado dentro dos edifícios foram ignorados. Se, por um lado, houve uma preocupação crescente com a economia de energia, por outro, a qualidade do ar interno foi deixada de lado. Controles e avanços nos sistemas automatizados causaram uma redução dramática nas perdas de energia nos últimos 30 anos e as taxas de infiltração de ar caíram.

O resultado de tudo isso foi que as concentrações médias dos vários poluentes no ar interno aumentaram substancialmente. Os registros externos de entrada de ar eram dispostos de modo a permitir um mínimo de captação de ar, ou mesmo eram fechados para diminuir os gastos com refrigeração.

Hoje já se sabe que uma série de poluentes – dentre eles, monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia, óxido de enxofre e nitrogênio – é produzida dentro do edifício por materiais de construção baseados em solventes orgânicos, por materiais de limpeza, mofo, bolor, metabolismo humano e também pelas próprias atividades do homem, como cozinhar ou lavar e secar roupas. Tais poluentes comprometem a saúde e o rendimento do trabalho dos usuários.

Alguns edifícios e residências já estão sendo chamados de doentes, devido à péssima qualidade do ar em seus recintos. Isso levou a um estado doentio transitório dos usuários, já que os sintomas normalmente desaparecem quando as pessoas afetadas deixam o edifício. Sua origem está relacionada ao fato de que aqueles com manutenção inadequada de suas torres de resfriamento e sistema de ventilação são fontes de micro-organismos.

A NBR 15848 de 06/2010 – Sistemas de ar condicionado e ventilação – Procedimentos e requisitos relativos às atividades de construção, reformas, operação e manutenção das instalações que afetam a qualidade do ar interior (QAI) estipula procedimentos e requisitos relativos às atividades de operação e manutenção, para melhoria dos padrões higiênicos das instalações de ar-condicionado e ventilação, contribuindo desta forma para a qualidade do ar (QAI). Estabelece ainda procedimentos a serem observados nas construções, reformas e modernização das instalações para minimizar a propagação dos poluentes para as demais áreas da instalação. Aplica-se a todos os tipos de sistemas de ventilação e ar-condicionado. Não se aplica aos sistemas de ventilação para túneis urbanos, subaquáticos, rodoviários, metroviários e ferroviários.

A NBR 16401-3 de 08/2008 – Instalações de ar-condicionado – Sistemas centrais e unitários – Parte 3: Qualidade do ar interior especifica os parâmetros básicos e os requisitos mínimos para sistemas de ar-condicionado, visando à obtenção de qualidade aceitável de ar interior para conforto. Define vazões mínimas de ar exterior para ventilação; níveis mínimos de filtragem de ar; os requisitos técnicos dos sistemas e componentes relativos à qualidade do ar interior. Aplica-se a: – sistemas centrais de qualquer capacidade; sistemas unitários – constituído por um ou mais condicionadores autônomos cuja capacidade nominal somada é igual ou superior a 10 kW, instalados na mesma edificação ou numa fração autônoma da edificação.

Outros fatores que podem afetar a percepção subjetiva quanto à qualidade do ar anterior, como o nível de ruído a iluminação, os fatores psicológicos e ergométricos, não são objetos desta norma. Aplica se sim a instalações de ar condicionados especiais que são regidas por normas específicas (salas limpas, laboratórios, centros cirúrgicos, processos industriais e outras) apenas nos dispositivos que não conflitem com a norma específica. Aplica-se aos sistemas novos ou a reforma de sistemas existentes. Não tem efeitos retroativos. Não restringe o uso de outras tecnologias comprovadamente eficientes e seguras, que visem à manutenção da qualidade do ar interior.

A NBR 14679 de 06/2012 – Sistemas de condicionamento de ar e ventilação – Execução de serviços de higienização estabelece os procedimentos e diretrizes mínimas para execução dos serviços de higienização corretiva de sistemas de tratamento e distribuição de ar caracterizados como contaminados por agentes microbiológicos, físicos ou químicos. E a NBR 13971 de 01/2014 – Sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento – Manutenção programada estabelece orientações básicas para as atividades e serviços necessários na manutenção de conjuntos e componentes, em sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento.

Esta norma, em conformidade com a NBR 16401-1, aplica-se a equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento voltados ao atendimento das exigências de qualidade do ar, conforto e processo, respeitando-se as condições de referência. Quanto à documentação, é necessário disponibilizar para a equipe de manutenção os documentos técnicos referentes à instalação, como: projeto, memorial descritivo, folhas de dados, manuais de operação e manutenção, fichas de partida e outros.

Os intervalos para as atividades periódicas não estão indicados nesta norma e devem ser definidos pelo profissional habilitado, considerando-se os seguintes aspectos: tipo de equipamento; tempo efetivo de operação; regime de operação; tipo de aplicação; grau de agressividade do ambiente; disponibilidade da instalação para manutenção; e os fatores específicos da instalação. Em ambientes confinados, com pouca ou nenhuma renovação do ar, o ar torna-se rapidamente desagradável e até irrespirável, devido à acumulação dos poluentes gerados internamente, que não têm como ser eliminados ou suficiente diluídos porque esses locais não possuem janelas para obter a renovação do ar.

Existe muita facilidade para que as doenças respiratórias possam ser transmitidas por um único doente nesses locais, usando como veículo o próprio duto de ar condicionado. O sistema de ar-condicionado opera suprindo o ambiente com determinada vazão de ar, com a temperatura e a umidade calculados para que, ao percorrer o ambiente, o ar absorva os ganhos de calor e a umidade do ambiente, ou compense suas perdas de calor e umidade, mantendo assim a temperatura e umidade relativa do ambiente dentro da faixa desejável.

Após ter percorrido o ambiente e ter absorvido ou suprido calor e umidade, o ar insuflado assume as condições de temperatura e umidade do ambiente e deve, portanto ser retirado do ambiente e substituído por nova vazão de ar tratado nas mesmas condições, para manter o ciclo em operação. O ar insuflado é geralmente constituído de uma mistura de ar, retirado do ambiente e reciclado com o ar novo tomado ao exterior garantindo a renovação permanente do ar ambiente.

Esta renovação atua duplamente: uma parte dos poluentes é retirada do ambiente com a parcela do ar que não é reciclado e é exaurida simultaneamente. A concentração dos poluentes remanescente é reduzida por diluição do ar novo introduzido. Todo o ar suprido ao ambiente passa por filtros, cuja eficiência de filtragem é determinada pelo tipo e grau de poluição esperada e pelo nível de qualidade desejada para o sistema.

Então, se houver um péssimo dimensionamento do ar condicionado central e dos filtros de ar, assim como na manutenção do sistema, resultará em um ar não renovado suficientemente, contribuindo para o aumento da concentração de poluentes químicos e biológicos do ar interno, devido à baixa taxa de renovação do ar. Igualmente, os poluentes químicos, como o monóxido e dióxido de carbono (CO e CO2), amônia, dióxido de enxofre e formaldeído, produzidos no interior do estabelecimento a partir de materiais de construção, materiais de limpeza de péssima qualidade, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos como fungos, algas, protozoários, bactérias, ácaros, cuja proliferação são favorecidos pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes, cortinas, são as causas do que se convencionou chamar de síndrome dos edifícios doentes.

A transmissão de certos agentes patogênicos pode ser aumentada em um ambiente restrito amontoado de pessoas, ou por uma taxa de circulação reduzida do ar. Um único agente causador pode resultar em surtos relacionados a edificações com manifestações bem diferentes. Por exemplo, a presença de Legionella pneumophila pode resultar na doença dos legionários, uma pneumonia com taxa de fatalidade de 10% a 15%, ou em febre de Pontiac, uma doença mais suave, semelhante à gripe.

De modo semelhante a pneumonite por hipersensibilidade e o uso constante do umidificador foram originalmente descritas como doenças distintas, mas podem coexistir e resultar de respostas imunológicas semelhantes a fungos, bactérias ou protozoários que estejam contaminados sistema de umidificação ou de ventilação. As manifestações de ambas as doenças incluem febre, calafrios, mal estar e presença de anticorpos específicos ao agente microbiano. A pneumonite por hipersensibilidade tem como sintomas adicionais a tosse, compressão do tórax, dispneia, anormalidade das funções pulmonares e, ocasionalmente anormalidades radiográficas.

Os relatos de surtos de asma relacionados à exposição em recintos fechados são raros, embora o agente causador em tais recintos tenham sido identificados. A exposição a agentes alergênicos comuns a ambientes fechados como ácaros, produtos para plantas e agentes alergênicos transportados passivamente pode ocorrer em qualquer recinto ocupado.

Teste de exposição com fumaça de fotocopiadoras produziu anglite por hipersensibilidade, e teste com papéis de copiadoras sem carbono produziram urticária e edema da laringe ou faringe. A dermatite, conjuntivite e sintomas do trato respiratório superior e inferior representam respostas de irritação devido à exposição a agentes não alergênicos.

A exposição a fibras de vidros sintéticas produz coceiras na pele, ardência nos olhos, irritação na garganta e tosse. A inspiração de fumaça de cigarro pode produzir sintomas de dores de cabeça e tonteiras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução n° 176 que estabelece os critérios sobre a qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, cujo desequilíbrio poderá causar agravos a saúde dos seus ocupantes. Recomenda alguns Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados de uso público e coletivo.

O Valor Máximo Recomendável para contaminação microbiológica deve ser £ 750 ufc/m³ de fungos, para a relação I/E £ 1,5, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente exterior. Quando este valor for ultrapassado ou a relação I/E for > 1,5, é necessário fazer um diagnóstico de fontes para uma intervenção corretiva. É inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxicogênicos.

Os Valores Máximos Recomendáveis para contaminação química são: £ 1.000 ppm de dióxido de carbono (CO2), como indicador de renovação de ar externo, recomendado para conforto e bem-estar; e £ 80 mg/m³ de aerodispersoides totais no ar, como indicador do grau de pureza do ar e limpeza do ambiente climatizado. Os valores recomendáveis para os parâmetros físicos de temperatura, umidade, velocidade e taxa de renovação do ar e de grau de pureza do ar, deverão estar de acordo com a NBR 6401 Instalações Centrais de Ar Condicionado para Conforto Parâmetros Básicos de Projeto da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



Categorias:Normalização, Opinião, Qualidade

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1 resposta

  1. Excelente material….trabalho com condicionador de ar veicular e os mesmos agentes patogênicos se encontram ali. Muito obrigado pela explicação.

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