A Qualidade dos materiais ortodônticos

A ortodontia é uma especialidade odontológica que corrige a posição dos dentes e dos ossos maxilares posicionados de forma inadequada. Dentes tortos ou que não se encaixam corretamente são difíceis de serem mantidos limpos, podendo ser perdidos precocemente, devido à deterioração e à doença periodontal. Também causam um estresse adicional aos músculos de mastigação que pode levar a dores de cabeça, síndrome da ATM (disfunção da articulação temporomandibular, é uma alteração da articulação que liga o maxilar à mandíbula que pode, por exemplo, não estar funcionando adequadamente) e dores na região do pescoço, dos ombros e das costas. Os dentes tortos ou mal posicionados também prejudicam a sua aparência. O tratamento ortodôntico torna a boca mais saudável, proporciona uma aparência mais agradável e dentes com possibilidade de durar a vida toda. A Qualidade dos materiais ortodônticos é fundamental para o processo cumprir com os seus objetivos.

ortodontia2Da Redação –

Um ortodontista pode realizar um trabalho que visa alcançar o fechamento de grandes aberturas entre os dentes, alinhar as pontas dos dentes, endireitar os dentes tortos, melhorar a capacidade de falar ou mastigar, impulsionar a saúde a longo prazo das gengivas e dos dentes, prevenir o desgaste excessivo a longo prazo ou trauma dos dentes e tratar uma mordida imprópria. O tratamento pode melhorar a aparência dos dentes, mas também pode levar a uma melhor função de mastigação e fala e ajudar a proteger os dentes contra danos ou deterioração, em alguns casos.

A ortodontia é uma especialidade odontológica que corrige a posição dos dentes e dos ossos maxilares, caso eles estejam posicionados de forma inadequada. Dentes tortos e que não se encaixam corretamente podem ser difíceis de limpar. Além disso, são capazes até mesmo ocasionar um estresse adicional aos músculos de mastigação que pode levar a dores de cabeça, síndrome da ATM e dores na região do pescoço, dos ombros e das costas.

Outro aspecto que a ortodontia é capaz de consertar é a estética, já que os dentes mal posicionados incomodam a aparência, afetando a autoestima de muitas pessoas. O especialista nesta área é chamado de ortodontista. Além dos cinco anos do curso regular de odontologia, ele precisa se aprofundar fazendo um curso específico de ortodontia.

Mas, como as pessoas pode saber se precisam de um aparelho ortodôntico? Essa pergunta só pode ser respondida pelo dentista ou ortodontista, pois eles possuem os instrumentos capazes de fazer um diagnóstico preciso. Por meio do histórico médico e dentário, exames clínicos, moldes de gesso da arcada dentária, fotografias e radiografias, eles irão recomendar o tratamento ortodôntico mais adequado para o seu caso. Diversos métodos e aparelhos podem ser usados na ortodontia para a correção da posição dos dentes e dos ossos. Eles geralmente funcionam colocando uma leve pressão nos dentes e ossos maxilares. O problema identificado pelo ortodontista que irá determinar qual é o procedimento mais eficaz.

Para atingir esses objetivos, o ortodontista usa uma variedade de dispositivos médicos que devem cumprir as normas técnicas. A NBR ISO 21606 de 09/2014 – Odontologia – Auxiliares elastoméricos para uso em ortodontia é aplicável a todos os auxiliares elastoméricos, incluindo elásticos ortodônticos, anéis elastoméricos, correntes, elos, fios e ligaduras usados para ortodontia, tanto dentro como fora da boca, em conjunto com aparelhos fixos e removíveis. Essa norma foi desenvolvida como resultado da dificuldade muitas vezes encontrada pelos clínicos em fazer comparações significativas entre os elastoméricos auxiliares utilizando a informação atualmente disponível dos fabricantes e fornecedores.

Os requisitos específicos qualitativos e quantitativos para a ausência de riscos biológicos não estão incluídos nesta norma, mas recomenda-se que, na avaliação de possíveis riscos biológicos, seja feita referência à NBR ISO 10993-1 e à ISO 7405. A tabela abaixo resume os requisitos a serem determinados nos diferentes auxiliares elastoméricos abrangidos por esta norma.

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Quando determinadas, as seguintes dimensões do produto devem corresponder às tolerâncias especificadas pelo fabricante: diâmetro interno, Di, de elásticos, correntes, ligaduras e separadores, diâmetro externo, Do, de fios, correntes, ligaduras e separadores, comprimento do elo, L, de correntes e espessura da seção transversal, t, de elásticos, correntes, ligaduras e separadores. Quando determinada de acordo com 6.3, a força de extensão inicial, F0, deve estar dentro do intervalo especificado pelo fabricante. Quando determinada de acordo com 6.4, a força residual a 24 h, F24, deve estar dentro do intervalo especificado pelo fabricante.

Quando determinada de acordo com 6.5, a extensão final, A, de separadores deve estar dentro ou exceder a faixa indicada pelo fabricante. As amostras devem ser preparadas de um único produto disposto para venda e do mesmo lote, antes do vencimento da sua data de validade, e contendo material suficiente para realizar os ensaios necessários.

As determinações de força devem ser realizadas a uma temperatura de (23 ± 2) °C e umidade relativa de (50 ± 10) % (salvo indicação em contrário, como em 6.4.2). O dispositivo de medição, com precisão de 0,01 mm (por exemplo, paquímetro, micrômetro ou comparador óptico). Como procedimento, selecionar aleatoriamente 10 amostras e medir as dimensões requeridas em cada amostra. Quando as dimensões para todas as dez amostras estão dentro da tolerância especificada pelo fabricante, o produto é considerado conforme ao cumprir os requisitos de 4.2.

Para medir a força de extensão inicial, F0, usa-se um equipamento de ensaio de tração, calibrado para velocidade de travessão de (100 ± 10) mm /min e precisão de 0,1 % para força e 0,1 mm de extensão. A aparelhagem de ensaio consiste em duas hastes semicirculares ou cilíndricas, paralelas entre si e normais em relação à direção da força. Os raios das hastes semicirculares devem ser de 0,5 mm para amostras com diâmetro interno menor que 2,0 mm.

Para todos os outros auxiliares o raio da haste cilíndrica, deve ser de 0,5 mm. Esta aparelhagem de ensaio se destina a ser montado no equipamento de ensaio de tração. O fabricante deve prover fácil acesso as informações disponíveis em catálogo, embalagem, rótulo ou outros meios de fácil acesso: indicações de uso; tipo de material; faixa de dimensões e propriedades mecânicas especificadas na Seção 4.

Deve-se prover uma embalagem adequada e proteção contra a contaminação durante o transporte e o armazenamento devem ser fornecidos em acordo com as práticas comerciais aceitáveis. Cada embalagem deve ser rotulada com pelo menos as seguintes informações: nome e endereço do fabricante e/ou distribuidor; nome ou nome comercial do auxiliar; dimensões nominais ou força do auxiliar; número do lote; quantidade de auxiliares; indicação de uso dos auxiliares; data de validade expressa em conformidade com a ISO 8601; condições de armazenamento recomendadas.

A NBR ISO 15841 de 06/2019 – Odontologia — Fios para uso na ortodontia especifica os requisitos e os métodos de ensaio para fios a serem utilizados em aparelhos ortodônticos fixos e removíveis. Ela inclui arcos ortodônticos pré-formados, mas exclui molas e outros componentes pré-conformados. Esta norma estabelece os requisitos detalhados relativos à apresentação das propriedades físicas e mecânicas dos fios ortodônticos, aos métodos de ensaio pelos quais podem ser determinados e às informações relativas à embalagem e rotulagem.

Assim como a primeira edição, a segunda edição da ISO 15841 foi desenvolvida para ajudar os clínicos na comparação de fios de diferentes fabricantes e fornecedores. Em particular, ela foi escrita como resultado do desenvolvimento de novos métodos de ensaio.

Os métodos qualitativo e quantitativo específicos para demonstrar a liberação de perigos biológicos inaceitáveis não foram incluídos na norma ISO 15841. Para avaliação dos possíveis perigos biológicos inaceitáveis, pode-se fazer referência às ISO 10993 e NBR ISO 7405. Para os efeitos deste documento, os fios são classificados com base no seu comportamento elástico.

Fios de tipo 1: fios com comportamento linear elástico durante o descarregamento a temperaturas de até 50 °C. Fios de tipo 2: fios que não apresentam comportamento linear elástico durante o descarregamento a temperaturas de até 50 °C. O fabricante deve declarar as propriedades descritas que, quando ensaiadas de acordo com os métodos de ensaio descritos na Seção 6, devem estar dentro dos limites declarados pelo fabricante. Cada dimensão da seção transversal (diâmetro, largura, altura e diagonal, conforme aplicável) do fio deve ser indicada com a aproximação de 0,01 mm. Para fios multifilamentados, as dimensões devem ser as dimensões internas de um tubo que conteria apenas o fio.

Para os fios de tipo 2, a temperatura final de austenitização deve ser indicada com uma aproximação de 1 °C. A temperatura final de austenitização deve ser determinada de acordo com 6.3.1 ou 6.3.2. Quando um fabricante afirma que diferentes segmentos de um fio ortodôntico têm propriedades mecânicas diferentes, os resultados para cada segmento devem ser ensaiados separadamente e indicados separadamente. Nos fios de tipo 1, o módulo de elasticidade, em gigapascals, resistência à deformação a 0,2%, em megapascals, e alongamento percentual após fratura, quando ensaiado de acordo com 6.4.2, deve ser indicado.

Devem ser indicadas a taxa da força de deflexão, em newtons por milímetro, e a força de flexão compensada em 0,1 mm, em newtons, quando ensaiadas de acordo com 6.4.3. Para os fios de tipo 2, as magnitudes das forças medidas durante o descarregamento em deflexões a 3,0 mm, 2,0 mm, 1,0 mm e 0,5 mm, e a deflexão permanente após o descarregamento, quando ensaiadas de acordo com 6.4.3, devem ser declaradas.

Para os efeitos desta norma, cádmio, berílio, chumbo e níquel são designados como elementos nocivos e o fabricante deve declarar as concentrações como uma fração em massa, expressa em porcentagem. Para o ensaio de flexão e recuperação livre, calibrada a 1 °C, deve-se fazer a determinação da temperatura final de austenitização, Taf, em flexão e recuperação livre, de acordo com a ASTM F2082. Determinar a temperatura final de austenitização, Taf, a partir da curva obtida por flexão e recuperação livre, de acordo com a ASTM F2082, e expressar os resultados em graus Celsius.

Para os ensaios mecânicos, as amostras para ensaio de tração ou flexão devem ser retas. Se o fio for entregue em espiral, deve-se tomar cuidado para torná-lo reto. Quando as amostras são retiradas de arcos ortodônticos pré-conformados, elas devem ser cortadas da seção mais reta do arco.

Para os ensaios de tração, devem ser efetuados em conformidade com a NBR ISO 6892-1 para obter o módulo de elasticidade, resistência à deformação a 0,2 % e porcentagem de alongamento após a fratura. Os equipamentos devem incluir as máquinas de ensaio de tração, calibradas para uma taxa de deslocamento do travessão e força compreendida entre 0,5 mm/min a 2,0 mm/min. Micrômetro ou instrumento equivalente, com precisão de 0,005 mm.

A taxa de deslocamento do travessão deve estar na faixa de 0,5 mm/min a 2,0 mm/min. A área da seção transversal original, S0, deve ser determinada utilizando um micrômetro ou um instrumento equivalente (6.4.2.2.2), com precisão de 0,005 mm. Para produtos de seção transversal circular, a área da seção transversal original pode ser calculada a partir da média aritmética de duas medições efetuadas em duas direções perpendiculares.

A área de seção transversal original também pode ser determinada a partir da massa de um comprimento conhecido e da densidade do material. O comprimento de referência original, L0, deve ser tomado como (20 ± 0,2) mm. A distância entre as garras da máquina deve ser de pelo menos (L0 + 50) mm. Determinar a porcentagem de alongamento após a fratura, utilizando um dispositivo de medição com precisão de 0,1 mm.

Determinar o módulo de elasticidade a partir da inclinação da porção linear do diagrama força-deflexão. O fabricante deve disponibilizar prontamente no catálogo, inserido na embalagem, na rotulagem ou em outros meios facilmente acessíveis: a classificação do fio; o procedimento de tratamento térmico recomendado para as ligas termicamente tratáveis; as informações sobre a composição química: a faixa da composição da liga deve incluir todos os elementos presentes em concentrações de 0,1 % em massa ou maiores, e as frações em massa de quaisquer elementos nocivos, tal como estabelecido em 5.5; o intervalo de cada dimensão da seção transversal determinada de acordo com 5.2; as propriedades mecânicas determinadas de acordo com 5.4; a temperatura final de austenitização, quando aplicável, determinada de acordo com 5.3. As informações adicionais podem ser incluídas a critério do fabricante ou conforme exigido pela legislação.



Categorias:Metrologia, Normalização, Qualidade

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3 respostas

  1. Muito bom este artigo. Parabéns !!! Sempre houver publicações como esta por favor me envie. Prof Paulo Coelho | http://www.drpaulocoelho.com.br

  2. Caberia mencionar a norma NBR ISO 27020 sobre brackets e tubos para ortodontia.

    • Essa é uma outra norma. Existem várias normas técnicas sobre odontologia e, na medida do possível, vamos abordar algumas delas. Saudações.
      Hayrton

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