O alerta de tempestades elétricas

Uma nuvem começa a se formar quando o calor que é irradiado pelo Sol atinge a Terra e evapora a água presente em sua superfície. Esse vapor sobe das regiões de baixa altitude, onde é menos denso que o ar, até regiões mais frias da atmosfera, onde se condensa e forma as minúsculas gotinhas de água que compõem a nuvem. Quando ela é formada por partículas de gelo e água em diversos tamanhos, tem uma grande extensão vertical e se encontra em uma região com ventos intensos, tem todos os ingredientes necessários para produzir relâmpagos. São as chamadas cumulonimbus, ou simplesmente nuvens de tempestades. A maioria das descargas ocorre dentro das nuvens, mas como as cargas elétricas na nuvem induzem cargas opostas no solo, as descargas também podem se dirigir a ele. Os raios que tocam o solo podem ser divididos em descendentes (nuvem-solo) e ascendentes (solo-nuvem). Os que não tocam o solo podem ser basicamente de três tipos: dentro da nuvem, da nuvem para o ar e de uma nuvem para outra. O tipo mais frequente é o descendente. Atualmente, já existem os sistemas de alerta aplicáveis à obtenção de dados em tempo real sobre as descargas atmosféricas e/ou sobre a eletrização das nuvens.

editorial2As chamadas cumulonimbus são as nuvens mais perigosas da Terra. Suas dimensões horizontais e verticais são tão grandes que sua forma característica só pode ser vista claramente à longa distância (por isso o fato de serem vistas a até 400 km de distância, dependendo das condições do tempo). Elas produzem neve, chuva, granizo, raios e até tornados.

São bastante convectivas (ou seja, crescem muito verticalmente), e crescem em média até 12 km de altitude, mas podem chegar a mais de 20 km, e às vezes atingindo a estratosfera (chegando a 23 km em casos extremos). No seu estágio maduro, o topo é constituído de cristais de gelo, enquanto a base é constituída de gotículas d’água. Quando o topo, chamado de bigorna ou anvil, para de se desenvolver, se separa do núcleo da cumulonimbus e se expande até dissipar-se completamente, o que pode levar horas.

No Brasil, ocorrem, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), todos os anos, entre 50 milhões e 60 milhões de descargas elétricas, algumas das quais atingem pessoas, causando aproximadamente 130 mortes anuais, a maior parte em áreas rurais, e prejuízos estimados em pelo menos R$ 1 bilhão. Mas é nas grandes cidades brasileiras que a incidência de raios aumentou fortemente nas últimas décadas, indica estudos do Elat.

Os cientistas do Inpe levantaram dados acumulados de 1910 a 2010 em 14 concentrações urbanas do país com mais de 500.000 habitantes e verificaram uma alta de 79% no número de dias com tempestades elétricas nos últimos 60 anos na comparação com a primeira metade do século XX. De acordo com o estudo, de 1910 a 1951 foram em média 43 dias com raios em cada uma das 14 cidades espalhadas por todas as regiões do Brasil, contra 77 em 2010.

Segundo os especialistas, a urbanização criou alguns fenômenos. Um deles, as ilhas de calor: à medida que a vegetação natural é substituída pelo asfalto e os prédios dificultam a circulação de ar, as cidades ficam muito mais quentes que o seu entorno, e qualquer pessoa que já viu um balão sabe que o ar quente é mais leve e sobe. Dessa forma, o vapor d’água no ar vai se esfriando e transformando em gotículas e depois em gelo.

E o atrito entre estas partículas de gelo deixam elas carregadas eletricamente, originando os raios. As ilhas de calor reforçam o processo ao fazer o ar quente subir mais rápido e alto, favorecendo a formação de gelo.

A outra consequência da urbanização que ajuda na maior quantidade de raios é o aumento considerável da poluição atmosférica, principalmente a proveniente da queima de combustível pelos veículos. Com isso, são jogadas grandes quantidades de partículas no ar que facilitam a formação do gelo, já que também é necessária a presença de núcleos em torno dos quais ele possa se condensar. Assim, as ilhas de calor e a poluição geram mais gelo, então se tem mais partículas batendo umas nas outras, mais carga se acumulando e, por fim, mais raios.

Embora as descargas atmosféricas nuvem-terra constituam o tipo mais perigoso para as atividades humanas, a maior parte das descargas produzidas em uma tempestade elétrica não atingem a Terra, sendo comumente chamadas de descargas atmosféricas intranuvem. As descargas atmosféricas aparecem após a nuvem de tempestades elétricas adquirir um certo nível de eletrização.

As descargas intranuvem geralmente aparecem vários minutos antes da primeira descarga atmosférica nuvem-terra, mas isso não é regra. A polaridade da descarga é determinada pela polaridade da carga elétrica entregue à Terra. Descargas atmosféricas também podem ser caracterizadas pela direção do líder inicial, para baixo, no caso de nuvem-terra, ou para cima, no caso de terra-nuvem. A figura abaixo mostra a tipificação convencional das descargas atmosféricas. As descargas na direção da terra são as mais comuns, e descargas ascendentes são geralmente iniciadas em estruturas altas (estruturas superiores a 100 m ou estruturas menores sobre terreno montanhoso).

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O tipo mais comum de descargas atmosféricas é o de polaridade negativa, com a direção do líder para baixo, normalmente em torno de 90%, mas não em casos particulares, como tempestades de inverno, tempestades severas ou nas regiões estratiformes de sistemas convectivos mesoescala (mesocale convective systems, MCS), no qual pode haver uma preponderância de descargas com polaridade positiva. Normalmente, uma descarga atmosférica descendente com polaridade negativa começa com um processo de ruptura preliminar dentro da nuvem, que por sua vez produz um líder descendente que se comporta de forma intermitente, muito ramificado, propagando-se em passos enquanto se dirige à Terra.

Este processo é conhecido como líder escalonado (stepped-leader). Quando qualquer canal do líder escalonado de polaridade negativa se aproximar da Terra, o campo elétrico sob o líder produz um canal ascendente proveniente da Terra, o qual efetua a conexão das descargas, sendo que o canal originado na Terra usualmente parte da extremidade aguda de um elemento condutor aterrado, mais próximo da ponta do líder. Quando ocorre o encontro entre os dois canais, a descarga elétrica de retorno é iniciada.

A descarga elétrica de retorno é um pulso intenso de corrente que transfere correntes para a Terra e propaga para cima no canal do líder pré-ionizado, com cerca de um terço da velocidade da luz. A temperatura de pico de uma descarga de retorno é de cerca de 30.000 K e é o processo mais brilhante (luminoso) da descarga atmosférica. A duração do canal de retorno situa-se na faixa de centenas de microssegundos a dezenas de milissegundos, dependendo da continuidade da corrente. Uma descarga elétrica de retorno subsequente muitas vezes aparece algumas dezenas de milissegundos após a ocorrência da primeira descarga elétrica de retorno. Em uma descarga atmosférica típica, podem ser observadas de três a quatro sequências de descargas elétricas de retorno consecutivas no mesmo canal do líder.

A NBR 16785 de 09/2019 – Proteção contra descargas atmosféricas – Sistemas de alerta de tempestades elétricas fornece informações sobre as características dos sistemas de alerta aplicáveis à obtenção de dados em tempo real sobre as descargas atmosféricas e/ou sobre a eletrização das nuvens, e sobre o tratamento das informações, obtidas por estes sistemas, com a finalidade de programar medidas preventivas contra os riscos criados pelas descargas atmosféricas. Estabelece os requisitos básicos para detectores e redes coletoras de dados dos parâmetros pertinentes de uma descarga atmosférica, fornecendo informações em tempo real da sua posição e do seu valor.

Essa norma descreve a aplicação dos dados coletados por estes detectores na forma de alertas e dados históricos. É aplicável à utilização de informações provenientes de sistemas de alerta de tempestades elétricas (sistemas ou equipamentos fornecendo informações em tempo real) sobre a atividade elétrica atmosférica, a fim de monitorá-la, visando a tomada de medidas preventivas. Inclui: uma descrição geral dos sistemas de alerta de risco devido às descargas atmosféricas e eletrização das nuvens de tempestades elétricas; identificação dos dispositivos de detecção de tempestades elétricas e suas propriedades; orientações para estabelecer metodologias de alarme; procedimentos para determinar a utilidade das informações sobre tempestades elétricas; alguns exemplos, puramente ilustrativos, não obrigatórios, de possíveis ações preventivas.

Os seguintes aspectos não são considerados nesta norma: sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, que são cobertos pela série NBR 5419; outros fenômenos relacionados a tempestades elétricas, como chuva, granizo, vento; técnicas de detecção de tempestades elétricas por satélites e radares. Uma lista não exaustiva de situações em que esta norma pode ser aplicável é apresentada a seguir: pessoas em áreas abertas, envolvidas em atividades como manutenção, trabalho, esportes, eventos, competições, agropecuária, lazer ou outras situações em que haja grande circulação ou concentração de pessoas; parques eólicos, sistemas de energia solar de grandes dimensões, linhas de transmissão; saúde ocupacional e prevenção de acidentes; equipamentos sensíveis, como sistemas de computadores, sistemas de emergência, alarmes e equipamentos de segurança; processos operacionais e industriais; armazenamento, processamento e transporte de substâncias perigosas (por exemplo, inflamáveis, radioativas, tóxicas e substâncias explosivas); prevenção em determinados ambientes ou atividades com perigo especial devido à descarga eletrostática (por exemplo, operações espaciais e veículos de voo); operações em que a continuidade dos serviços básicos é muito importante (por exemplo, sinais, geração, transmissão e distribuição de energia, serviços de água e esgoto e serviços de emergência); infraestruturas: portos, aeroportos, estradas de ferro, rodovias, teleféricos, sistemas de telecomunicação; defesa civil e de meio ambiente: incêndios florestais, desabamento de encostas e inundações; redes gestoras de tráfego (por exemplo, aviões) ou redes extensas (por exemplo, linhas de energia, sinais), que também podem se beneficiar, utilizando dados da detecção antecipada de quedas de descargas atmosféricas.

Não custa lembrar que a atividade elétrica atmosférica natural e, em especial, as descargas atmosféricas do tipo nuvem-terra, representam uma séria ameaça aos seres vivos e propriedades. Todos os anos, lesões graves e mortes são causadas como resultados diretos ou indiretos da ocorrência de descargas atmosféricas.

As descargas atmosféricas podem: afetar as atividades de lazer e esportivas, e eventos culturais, religiosos e políticos que atraem grandes concentrações de pessoas, resultando na necessidade de interrupção e evacuação no caso de risco devido a tempestades elétricas (thunderstorms); afetar pessoas, animais e equipamentos nas atividades agropecuárias e florestais; afetar as atividades industriais, devido à falta de energia e interrupções não programadas de processos de produção; afetar pessoas na construção civil, presentes em canteiros de obras e na construção de edificações em geral.

Pode-se, ainda, interromper todos os tipos de tráfego (pessoas, energia, informação etc.); afetar pessoas em quaisquer atividades externas de construção, operação, manutenção e reparos; aumentar em escala crescente o número de acidentes anuais devido ao uso mais amplo de componentes elétricos que são sensíveis aos efeitos das descargas atmosféricas (na indústria, transporte e comunicação). A fim de reduzir este número de acidentes e perdas materiais importantes, pode ser necessário, em algumas circunstâncias, desligar certos equipamentos; constituir perigo para as atividades com risco ambiental, como, por exemplo, a manipulação de produtos sensíveis, combustíveis, inflamáveis, explosivos ou radioativos; ser causa de incêndio.

Durante as últimas décadas, os sistemas técnicos, dedicados ao monitoramento em tempo real da atividade elétrica atmosférica natural e de descargas atmosféricas, experimentaram um extraordinário desenvolvimento. Durante a formação e ocorrência de uma tempestade com nuvens carregadas, estes sistemas podem fornecer dados valiosos e de alta qualidade, em tempo real, que, quando utilizados na forma de um plano de ação detalhado, são extremamente importantes.

Embora estas informações permitam que o usuário adote medidas preventivas temporárias, nota-se, no entanto, que todas as medidas a serem tomadas com base em informações de monitoramento são de responsabilidade do usuário do sistema de acordo com as normas em vigor. A eficácia vai depender muito da situação de risco e das decisões preventivas adotadas a serem executadas. Essa norma apresenta uma lista informativa de ações possíveis.

As descargas atmosféricas e parâmetros de tempestades elétricas, como muitos fenômenos naturais, estão sujeitos a incertezas estatísticas. Não é possível, portanto, no estágio atual da tecnologia, conseguir informações precisas sobre quando e onde a descarga elétrica atmosférica irá incidir.

Essa norma trata do uso de sistemas de alerta de tempestades elétricas, assunto este que não é coberto por outras normas, por exemplo, pela série NBR 5419. Em relação aos fenômenos detectáveis de uma tempestade, podem ser identificadas quatro fases distintas durante a sua existência: inicial (Fase 1); de crescimento (Fase 2); madura (Fase 3); e de dissipação (Fase 4).

A Fase 1 – Fase inicial (Fase “Cúmulo”) é a da eletrização da nuvem por meio de separação de cargas elétricas dentro dala. As cargas são distribuídas em regiões dentro da nuvem e produzem um campo elétrico mensurável ao nível do solo. É considerado o primeiro fenômeno detectável anterior a uma tempestade elétrica. Os campos eletrostáticos podem produzir potenciais perigosos, como descargas eletrostáticas, mesmo no caso da não existência de descargas atmosféricas.

A Fase 2 – Fase de crescimento, por vezes também chamada de fase de desenvolvimento, é caracterizada pela ocorrência da primeira atividade de descargas atmosféricas (intranuvem ou nuvem-terra). As primeiras descargas intranuvem podem aparecer depois do desenvolvimento de cargas em certas regiões da nuvem. No entanto, em algumas situações não há qualquer atraso de tempo entre a primeira descarga intranuvem e a primeira descarga nuvem-terra.

A Fase 3 – Fase madura é caracterizada pela presença de ambas as descargas: intranuvem e nuvem-terra. A Fase 4 – Fase de dissipação é caracterizada pelo decréscimo de ambas as taxas de descargas intranuvem e nuvem-terra e da redução do campo elétrico para níveis existentes quando o tempo está bom (ausência de nuvens eletrificadas). Outras informações sobre o fenômeno “descarga atmosférica” são encontradas no Anexo A.

Por definição, um dispositivo portátil é um dispositivo em que o sensor não é fixo) estão fora do escopo desta norma. A calibração e o ensaio para estes dispositivos podem não ser suficientes para fornecer um alerta eficiente). Assim, os detectores de tempestades elétricas são identificados em relação à sua capacidade de detectar as fases da tempestade elétrica. No entanto, um detector de tempestade pode atuar em um ou vários fenômenos.

Existem várias maneiras de avaliar os meios para detectar tempestades elétricas em geral e em particular da descarga atmosférica. Uma maneira de avaliação é observar a fase da tempestade elétrica para a qual um detector é desenvolvido. Outra maneira é a avaliação da faixa de frequência do sinal eletromagnético emitido por uma descarga atmosférica, usada por um sensor. A terceira maneira de avaliação é observar as técnicas que um sensor utiliza para detectar o impacto da descarga atmosférica e calcular a sua posição.

Os seguintes tipos são estabelecidos para a identificação de detectores conforme as fases da tempestade elétrica ou a ocorrência de descargas atmosféricas. Os sistemas de detecção e alerta de tempestades elétricas por campo elétrico (DCE) (class A) devem ser capazes de detectar qualquer fase de tempestade elétrica (Fases 1 a 4) dentro da área de cobertura do detector.

Desta forma, os DCE alertam tanto para as tempestades elétricas que se formam sobre a área-alvo quanto para as tempestades elétricas que se aproximam dela. Os equipamentos DCE são os mais adequados para a tomada das medidas de proteção local.

Os sistemas de detecção e alerta de tempestades elétricas por campo eletromagnético (DEM23) (class B) devem ser capazes de detectar a existência de descargas atmosféricas (flashes) intranuvem e nuvem-terra, alertando para as tempestades elétricas já formadas (Fases 2 e 3) que se aproximam da área-alvo. Os DEM3 são capazes de detectar apenas as descargas atmosféricas (flashes) nuvem-terra, alertando somente para as tempestades elétricas maduras (Fase 3) que se aproximam da área-alvo.

Os sistemas de detecção e alerta de tempestades elétricas por campo eletromagnético (DEM3L) (class D) detectam descargas atmosféricas nuvem-terra (Fase 3) e outras fontes eletromagnéticas, porém com eficiência muito limitada. A identificação dos sistemas de alerta de tempestades elétricas (SATE) é detalhada no Anexo B.

As seguintes faixas de frequência são utilizadas na detecção de descargas atmosféricas: CC campos elétricos estáticos e quase estáticos; FMB frequências muito baixas (3 kHz – 30 kHz); BF baixas frequências (30 kHz – 300 kHz); FMA frequências muito altas (30 MHz – 300 MHz). Os fenômenos a serem medidos resultam em diferentes técnicas de sensores e técnicas de localização.

As técnicas podem ser distinguidas das seguintes maneiras: DDM: detecção de direção magnética; TDC: tempo de chegada; IRF: interferometria em radiofrequência; MIC: medição de intensidade de campo; RF: medição da intensidade do sinal de radiofrequência. Esta lista é simplificada.

Estas técnicas de detecção são descritas em detalhes na Seção B.2. Para conseguir maior eficiência, um sistema de alerta de tempestades elétricas pode integrar mais de uma técnica de detecção apresentada. Ver tabela abaixo. Mais informações sobre as propriedades e orientações na escolha de um sensor para uma determinada finalidade são apresentadas no Anexo B.

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A fim de permitir que o usuário adote todas as ações preventivas possíveis, um sistema de alerta de tempestades elétricas deve fornecer um alarme para a área-alvo onde o evento relacionado ao raio representa uma ameaça. A identificação do evento relacionado ao raio é deduzida a partir da descrição de situações perigosas previstas na Seção 8.

Um alarme deriva do acompanhamento da atividade de descargas atmosféricas, quer nuvem-terra, quer intranuvem ou ambas, mas também de outros parâmetros, como a variação do campo elétrico na área monitorada. Combinações com observações meteorológicas adicionais são usualmente empregadas (por exemplo, radar meteorológico).

Para os sistemas de detecção capazes de fornecer o mapeamento de informação (redes de detecção de descargas atmosféricas, radares, etc.) é possível acompanhar potencialmente as áreas de tempestades perigosas, melhorando assim o desempenho do SATE. Para a instalação de um alarme, existem três etapas: definição das áreas; critérios de acionamento de alarme; fornecimento de informações de alarme. Essas três etapas devem ser documentadas. As diretrizes para a criação de um alarme são apresentadas nessa norma e alguns exemplos estão incluídos no Anexo E.

Todos os detectores de tempestades elétricas devem ser instalados conforme as instruções do fabricante e nas melhores condições para assegurar as menores interrupções produzidas pelo seu ambiente. Para este propósito, é altamente recomendado realizar um estudo prévio do local proposto a fim de adaptar os sensores dos detectores para as condições específicas do local.

A instalação dos detectores está propensa a ser afetada por múltiplos fatores, assim, toda nova instalação pode necessitar de um período de ajuste prévio antes que os detectores possam funcionar no seu nível ótimo. Os ajustes devem ser realizados pelo fabricante ou por um técnico especificamente autorizado pelo fabricante.

A manutenção do sistema integrado ao sistema de alerta de tempestades elétricas, incluindo-se a emissão do alarme, é indispensável. A precisão das informações fornecidas por um sistema de alerta de tempestades elétricas é diretamente determinada pelas condições físicas de seus sensores, do ambiente em seu entorno (crescimento de vegetação, presença de estruturas que configurem barreiras etc.), conexões de comunicação entre os detectores e/ou sensores e o sistema de alerta de tempestades elétricas, bem como entre o sistema de alerta de tempestades elétricas e usuários finais.

hayrton

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br

O ranking de competitividade mundial

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O World Economic Forum (WEC) divulgou o ranking global de competitividade que abrangeu 141 países. O Brasil ocupa a 71ª posição e o país mais bem posicionado foi Singapura, superando os Estados Unidos, que ocupam a segunda posição. Hong Kong está na 3ª posição, seguido por Holanda, Suíça, Japão, Alemanha, Suécia, Reino Unido.

Para fazer o estudo, o levantamento considera 12 pilares: instituições, infraestrutura, adoção de tecnologia da informação, estabilidade macroeconômica, saúde, habilidades, mercado de produtos, mercado de trabalho, sistema financeiro, tamanho do mercado, dinamismo nos negócios e capacidade de inovação.

O Brasil ganhou uma posição no ranking das economias mais competitivas do mundo, subindo para a 71ª colocação em 2019 – no ranking de competitividade elaborado desde 1997 pelo Fórum Econômico Mundial. O levantamento é uma espécie de termômetro do nível de produtividade e das condições oferecidas pelos países para gerar oportunidades e para que as empresas possam obter sucesso.

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Segundo a instituição, o mundo está em um ponto de inflexão social, ambiental e econômico. Crescimento moderado, aumento das desigualdades e aceleração das mudanças climáticas fornecem o contexto para uma reação contra o capitalismo, a globalização, a tecnologia e as elites. Há um impasse no sistema de governança internacional e as crescentes tensões geopolíticas e comerciais estão alimentando incertezas. Isso retém o investimento e aumenta o risco de choques na oferta: interrupções nas cadeias globais de suprimentos, picos repentinos de preços ou interrupções na disponibilidade dos principais recursos.

Embora a injeção de US $ 10 trilhões pelos bancos centrais seja sem precedentes e tenha conseguido evitar uma recessão mais profunda, não é suficiente catalisar a alocação de recursos para investimentos em melhoria da produtividade nos setores público e privado. No entanto, alguns dos melhores desempenhos deste ano parecem estar se beneficiando das tensões comerciais globais por meio do desvio comercial, incluindo Cingapura (1º) e Vietnã (67º), o país que melhorou mais em 2019.

O documento ressaltou que com uma pontuação de 84,8 em 100, Cingapura é o país mais próximo da fronteira de competitividade. Outras economias do G20 entre as dez principais incluem Estados Unidos (2º), Japão (6º), Alemanha (7º) e Reino Unido (9º), enquanto a Argentina (83º, dois lugares abaixo) é a mais baixa entre os países do G20.

A Ásia-Pacífico é a região mais competitiva do mundo, seguida de perto pela Europa e América do Norte. Os Estados Unidos podem ter perdido para Cingapura em geral, mas continuam sendo uma potência de inovação, ocupando o 1º lugar no pilar de dinamismo dos negócios, 2º em capacidade de inovação e 1º em encontrar funcionários qualificados.

Os países nórdicos estão entre os mais avançados tecnologicamente, inovadores e dinâmicos do mundo, além de proporcionar melhores condições de vida e proteção social. Dinamarca, Uruguai e Zimbábue aumentaram significativamente sua participação de fontes renováveis de energia em comparação com outros países em seus respectivos níveis de competitividade.

O governo do Brasil tem uma meta: a de atingir, em 2022, a colocação de número 50 no ranking, ou seja, com uma melhora de 21 posições em relação ao patamar de 2018. Para isso, irá trabalhar em seis projetos: Simplifica: buscará remover obstáculos à produtividade e competitividade das empresas, por meio da remoção de barreiras regulatórias e legais; Emprega +: objetivará elevar a qualificação de capital humano e a taxa de emprego; Concorrência para Prosperidade: objetiva aumentar a concorrência e a eficiência dos mercados; Pró Infra: buscará elevar a infraestrutura brasileira a níveis internacionais de preço e qualidade; Brasil 4.0: objetivará promover a modernização das empresas via inovação, digitalização e capacitações gerenciais e Prospera MPE: buscará desenvolver os pequenos e médios negócios de forma inovadora sustentável.

Entre os países latino-americanos, o Chile (33º) se mantém na liderança regional, seguido pelo México (46º) e Uruguai (54º). Ambos perderam posições este ano. Todos as demais nações latino-americanas, com exceção do Brasil e da Colômbia, tiveram retrocessos competitivos no levantamento de 2019. A análise do levantamento sugere uma tendência para a concentração da competitividade em poucos países. Já o exame dos relatórios dos últimos três anos aponta para um aumento da distância entre nas nações mais e menos competitivas.

Para o WEC, os governos devem antecipar melhor as consequências não intencionais da integração tecnológica e implementar políticas sociais complementares que apoiem as populações durante a Quarta Revolução Industrial. O relatório mostrou que várias economias com forte capacidade de inovação como Coréia do Sul, Japão e França, ou capacidade crescente, como China, Índia e Brasil, devem melhorar sua base de talentos e o funcionamento de seus mercados de trabalho.

A adaptabilidade de talentos é fundamental., pois vale a pena permitir que a força de trabalho contribua para a revolução tecnológica e seja capaz de lidar com as suas rupturas. A adaptabilidade de talentos também requer um mercado de trabalho que funcione bem, que proteja os trabalhadores, não os empregos.

Economias avançadas como Coréia do Sul, Itália, França e, até certo ponto, o Japão precisam desenvolver sua base de habilidades e enfrentar a rigidez em seus mercados de trabalho. À medida que a capacidade de inovação cresce em economias emergentes, como China, Índia e Brasil, elas precisam fortalecer suas habilidades e mercado de trabalho para minimizar os riscos de repercussões sociais negativas.

No atual contexto geopolítico volátil e com uma provável desaceleração à frente, é crucial a construção de resiliência econômica por meio de maior competitividade, especialmente para os países de baixa renda. Portanto, à medida que as políticas monetárias começam a perder força, é crucial que as economias confiem na política fiscal e nos incentivos públicos para impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento, aprimorar a base de habilidades da força de trabalho atual e futura, desenvolver novas infraestruturas e integrar as novas tecnologias. O relatório em inglês está no link http://www3.weforum.org/docs/WEF_TheGlobalCompetitivenessReport2019.pdf



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