Os polímeros para base de dentaduras

As resinas acrílicas são compostos orgânicos classificados como polímeros, produzidos sinteticamente e cuja química baseia-se no carbono, hidrogênio e em outros elementos não metálicos. Após serem moldadas e endurecidas, podem apresentar características fibrosas, borrachoides, resinosas e rígidas que são determinadas por sua morfologia molecular. Deve-se conhecer a classificação dos polímeros e copolímeros para base de dentaduras e os seus requisitos.

dentadura2Da Redação –

A resina à base de polimetilmetacrilato, também conhecida como acrílica surgiu entre os anos de 1937 e 1940, se transformou em uma alternativa não somente para confecção de próteses odontológicas, mas também para uso em outras áreas . A sua versatilidade deve-se a características como: biocompatibilidade, ausência de sabor e odor, propriedades térmicas satisfatórias, estabilidade dimensional, boa capacidade de polimento, aparência agradável e simplicidade técnica. Com a evolução, as resinas acrílicas tornaram-se mais fáceis tecnicamente de se trabalhar, tiveram suas propriedades físicas e mecânicas melhoradas e ainda se compatibilizaram biologicamente.

Assim, essas resinas têm uma ampla aplicação em odontologia: confecção da base de próteses parciais e totais, placas miorrelaxantes, moldeiras individuais, padrões para fundição, próteses provisórias imediatas, coroas provisórias, dentes artificiais, reparo de próteses totais, acrilização de aparelhos ortodônticos, confecção de dentes artificiais, além de artefatos que substituam perdas ósseas ou tecidos moles da face, como reconstituição ocular, pavilhão auricular e obturadores palatinos, dentre outras aplicações. Mais de 60% dos dentes artificiais vendidos nos Estados Unidos da América são feitos de resina acrílica ou de vinil acrílico. A maioria dos dentes em resina é baseada na química dos polimetilmetacrilatos.

Para serem utilizadas em odontologia, as resinas acrílicas à base de polimetilmetacrilato devem: exibir suficiente translucidez ou transparência e ser capaz de reproduzir esteticamente os tecidos orais que irá substituir, sendo facilmente colorida ou pigmentada para essa finalidade; ter um comportamento estável, em termos dimensionais, no interior da cavidade bucal, sob todas as condições às quais está sujeita; ter suficiente dureza, resiliência e resistência ao desgaste, para suportar o uso normal; Ser insolúvel e impermeável aos fluidos bucais, para não se tornar anti-higiênica e nem de odor ou sabor desagradável; ser insípida, inodora, não tóxica e não irritante aos tecidos bucais; e ser facilmente transformada em um aparelho protético com equipamentos simples. O produto final tem que permitir um bom polimento e possível reparo em caso de fratura.

Embora as próteses bem ajustadas, com espessura adequada, raramente apresentem falhas de fadiga em serviço, uma porcentagem muito pequena dos milhões de usuários de próteses dentárias possui próteses bem adaptadas. A falha por fadiga é um problema muito real nessas próteses, na prótese superior única e bem ajustada, oclusa contra os dentes inferiores naturais e em todas as próteses com revestimento macio.

As próteses podem se tornar mais resistentes à falha por fadiga usando algumas precauções. Por exemplo, as resinas de cura térmica são muito mais resistentes a essa falha. Igualmente, as esferas de polímero fino aumentam a resistência à fadiga.

Finalmente, os concentradores de estresse devem ser evitados. No caso, o mais importante seria a eliminação de contornos afiados da superfície, como entalhes profundos para anexos de baixo frênulo e padrões de rugas proeminentes. Um anexo proeminente do frênulo tem pouca função e não é benéfico para o indivíduo completamente desdentado. É um procedimento simples para eliminar o frênulo no momento da extração dos dentes anteriores.

Qualquer partícula atua como um concentrador de estresse e por isso as próteses acrílicas devem ser fabricadas em uma atmosfera relativamente livre de poeira, como a usada para o trabalho de porcelana. As fibras e os defeitos de superfície que eles produzem atuam como concentradores de tensão e isso deve ser reconhecido se um material com fibras for usado. As fibras de rayon ou náilon são usadas comercialmente, sendo que o uso de fibras acrílicas deve corrigir essa fraqueza.

A NBR ISO 20795-1 de 10/2019 – Odontologia – Polímeros de base – Parte 1: Polímeros para base de dentaduras classifica os polímeros e copolímeros para base de dentaduras e especifica os seus requisitos. Também especifica os métodos de ensaio a serem usados para determinar a conformidade com estes requisitos. Especifica, ainda, os requisitos sobre a embalagem e marcação dos produtos e as instruções a serem fornecidas para uso destes materiais. Além disso, esta parte é aplicável aos polímeros para base de dentaduras para os quais o fabricante alega que o material tem resistência a impacto reforçada. Especifica, também, o respectivo requisito e o método de ensaio a ser usado.

Embora esta parte não requeira que os fabricantes declarem detalhes da composição, chama-se atenção ao fato de que algumas autoridades nacionais ou internacionais exigem que tais detalhes sejam fornecidos. Não é aplicável aos polímeros para base de dentaduras como os listados abaixo: poli(ésteres de ácido acrílico); poli(ésteres de ácido acrílico substituído); poli(ésteres de vinila); poliestireno; poli(ésteres de ácido metacrílico) modificado por borracha; policarbonatos; polissulfonas; poli(ésteres de ácido dimetacrílico); poliacetais (polioximetileno); copolímeros ou misturas dos polímeros listados.

Os polímeros para base de dentaduras cobertos por esta parte da NBR ISO 20795 estão categorizados nos tipos e classes descritos abaixo. O Tipo 1: Materiais polimerizáveis por calor: Classe 1: Pó e líquido; Classe 2: Bolacha plástica; Tipo 2: Materiais autopolimerizáveis; Classe 1: Pó e líquido; Classe 2: Pó e líquido para resinas despejáveis. O Tipo 3: Blanque ou pó termoplástico; o Tipo 4: Materiais fotoativados; e o Tipo 5: Materiais curados por micro-ondas.

Quando processado da maneira recomendada pelo fabricante e em contato com os materiais recomendados pelo fabricante, amostras de base de dentaduras preparadas devem apresentar uma superfície lisa, dura e brilhante. As amostras para ensaios de estabilidade de cor, as amostras para ensaios de monômero de metacrilato de metila residual e as amostras para ensaios de sorção e solubilidade devem manter suas formas sem distorção visível após o processamento.

Quando preparados de acordo com as instruções do fabricante, todos os tipos de polímeros para base de dentadura devem produzir uma placa de amostra com bordas especificadas após a demuflagem. A cor de uma barra de amostra deve ser a declarada pelo fabricante, quando submetida ao ensaio de acordo com 8.3 e inspecionada de acordo com 8.1.1. O fabricante deve fornecer um guia de tonalidades, quando pedido.

Os polímeros coloridos para base de dentadura devem ser translúcidos e os pigmentos e fibras devem estar distribuídos uniformemente. Os polímeros claros (transparentes) para base de dentadura devem ser claros e incolores. Quando submetidos ao ensaio de acordo com 8.4 e inspecionados de acordo com 8.1.1, as amostras não podem apresentar mais do que uma discreta alteração de cor.

Quando submetido ao ensaio de acordo com 8.5.2.3, a sombra do disco opaco iluminado deve ser visível a partir do lado oposto da placa da amostra. Quando preparado de acordo com 8.5.3.3, as barras de uma amostra não podem apresentar poros que possam ser observados por inspeção visual. Quando determinado de acordo com 8.5.3.5, a resistência máxima à flexão não pode ser menor que 65 MPa para os polímeros Tipo 1, Tipo 3, Tipo 4, e Tipo 5 nem menor que 60 MPa para polímeros Tipo 2.

Quando determinado de acordo com 8.5.3.5, o módulo de flexão do polímero processado deve ser de no mínimo 2 000 MPa para polímeros Tipo 1, Tipo 3, Tipo 4, e Tipo 5 e pelo menos 1 500 MPa para polímeros Tipo 2. O material deve ser fornecido em recipientes adequadamente vedados, feitos de materiais que não contaminem nem permitam contaminação do conteúdo. Os recipientes devem ser embalados de modo que evitem danos ou vazamento durante o trânsito e armazenamento.

O líquido deve ser contido em um frasco de cor escura ou em recipiente opaco. Uma embalagem externa pode ser usada para entregar um ou mais recipientes imediatos para comércio varejista. Cada embalagem externa deve estar claramente marcada com as seguintes informações: nome comercial ou da marca do material; nome e endereço do fabricante e/ou agente de venda no país; tipo, classe e cor do material e sua aplicação apresentados em linguagem clara; termo “Data de validade” (ano e mês) expresso de acordo com a ISO 8601; condições recomendadas de armazenamento; especificação dos conteúdos, incluindo número, massa e/ou volume de cada item; declarações de segurança sobre a inflamabilidade e ponto de inflamação do líquido (quando for aplicável); declarações de segurança com relação às características tóxicas, perigosas ou irritantes; identificação de quaisquer ingredientes farmacologicamente ativos presentes no material e referidos nas informações e instruções do produto fornecidas pelo fabricante; referência de lote do fabricante.

As instruções necessárias para o uso seguro e efetivo do material devem ser incluídas em cada embalagem individual. Todos os métodos de processamento descritos nas instruções do fabricante devem resultar em um polímero de base de dentadura que atenda aos requisitos formulados nesta parte.

No mínimo devem incluir (conforme aplicável) as seguintes informações: condições de armazenamento recomendadas para material não processado; precauções contra contato prolongado da pele com o gel ou líquido não polimerizado e contra inalação do monômero; se aplicável, proporção pó/líquido (massa por volume unitário ou fração de massa); se aplicável, tempo, temperatura e procedimentos para preparar o material para a embalagem; se aplicável, tempo pelo qual o acondicionamento pode ser efetivamente conduzido: tempo de acondicionamento inicial e tempo de acondicionamento final; equipamentos e material necessários para preparar o molde (por exemplo, tipo de frasco, gesso, sistema de revestimento e duplicador a base de hidrocoloide); meio de separação recomendado; temperatura do frasco durante o acondicionamento; procedimento detalhado para ativar e completar a polimerização do material; tratamento pós-processamento do material processado (resfriamento e armazenamento após demuflagem); qualquer tratamento especial necessário para obter adesão aos dentes de polímero sintético; teor de monômero residual máximo (fração de massa percentual), quando submetido ao ensaio de acordo com 8.8; se um teor de monômero residual for declarado menor que 1 % de fração de massa, o processo de cura necessário para alcançar este resultado deve ser dado.



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