A velocidade sem consciência, pois a IA não precisa errar para dar errado
Redação
Há um temor dominante que resiste ao tempo quando o assunto é a inteligência artificial (IA): que ela diagnostica mal, que contrata pelo critério errado, que confunde rostos, que alucina fatos inexistentes. Porém, a ameaça mais perigosa não está em nenhum desses cenários - é a velocidade que pode, em alguns casos, ser o calcanhar de Aquiles de todo e qualquer sistema.

Sergio Favarin –
Há um equívoco fundamental na forma como a maioria das pessoas debate os riscos da IA. O temor dominante ainda orbita em torno do erro: a IA que diagnostica mal, que contrata pelo critério errado, que confunde rostos, que alucina fatos inexistentes.
São preocupações legítimas, mas funcionam como ruído que nos distrai de uma ameaça mais sutil e, paradoxalmente, mais perigosa. O verdadeiro risco não está na IA que erra, mas sim na IA que decide rápido demais, mesmo quando acerta.
A velocidade, em sistemas complexos e interdependentes como os que operam no coração do mercado financeiro, pode ser tão destrutiva quanto a imprecisão. Trabalho há anos com tecnologia aplicada ao setor bancário e financeiro, e raramente vejo essa distinção ser feita com a clareza que merece.
Vivemos um momento em que, segundo um estudo, a IA generativa tem o potencial de gerar entre US$ 200 bilhões e US$ 340 bilhões em valor anual apenas para o setor bancário global, o equivalente a 9 a 15% dos lucros operacionais do setor. Esse número seduz executivos, conselhos e acionistas.
O problema...