Segurança das instalações elétricas nos canteiros de obra ganha novo reforço com a alteração da NR 18

Não havia harmonia entre o capitulo 18.21 da NR 18 que trata de instalações elétricas em canteiro de obras e a NR 10 que trata de segurança em instalações e serviços em eletricidade.

Da Redação –

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A atualização da NR 18 reforçou a segurança das instalações elétricas nos canteiros de obra. O texto, publicado em abril no Diário Oficial da União, estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização e objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção.

De acordo com o engenheiro elétrico e consultor da Nexans Brasil, João Cunha, não havia harmonia entre o capitulo 18.21 da NR 18 que trata de instalações elétricas em canteiro de obras e a NR-10 que trata de segurança em instalações e serviços em eletricidade. Ele explica que esta falta de sintonia existia por uma questão de tempo, já que a NR 10 havia sido revisada há mais de dez anos e o antigo capitulo 18.21 da NR 18 era da versão original de há 40 anos.

“Esta falta de harmonia gerava uma incerteza para os profissionais de construção civil. Agora com o novo texto, o entendimento fica mais claro. A NR 10 é um regulamento de requisitos gerais de segurança em instalações elétricas e a NR-18 capitulo 21 é um regulamento de requisitos específicos (aplicável somente a canteiros de obra)”, detalha o engenheiro.

O consultor da Nexans Brasil destaca, entre as alterações, o item 18.21., que estabelece a obrigatoriedade da utilização do dispositivo Diferencial Residual (DR) como medida de segurança adicional nas instalações elétricas, nas situações previstas nas normas técnicas nacionais vigentes. “Este item, que já é tratado na NBR 5410, agora ganha força com sua introdução na NR 18. Este dispositivo de segurança já é usado há várias décadas nos Estados Unidos e na Europa, e há algumas décadas na América do Sul (em particular, Argentina e Uruguai), agora ganha maior força no Brasil”, explica Cunha.

O novo texto dedicou um item para os condutores e outro para as emendas (18.21.5 e 18.21.6) determinando, por exemplo, que devem possuir isolação dupla ou reforçada quando destinados à alimentação de máquinas e equipamentos elétricos móveis ou portáteis. Isto facilita a especificação dos condutores por parte dos profissionais envolvidos. Os condutores com isolação dupla ou reforçada são os com isolação de 1kV. O requisito não trata o nível de isolamento, mas da existência de uma cobertura que protege a isolação do cabo de danos mecânicos e químicos.

A normalização brasileira divide as instalações, quanto à sua duração, em temporárias e permanentes. Nos canteiros de obra, a NBR 12284 de 09/1991 – Áreas de vivência em canteiros de obras fixa critérios mínimos para permanência de trabalhadores nos canteiros de obras (alojados ou não). Segundo a norma, a implantação de área de vivência deve atender a algumas seguintes especificações, excetuando-se as que fizerem uso de contêineres.

As instalações sanitárias, por exemplo, são os locais destinados ao asseio corporal e/ou atendimento das necessidades fisiológicas de excreção, sendo proibida a sua utilização para outros fins. A norma especifica uma série de requisitos para os vestiários, alojamentos, refeitório, cozinha, lavanderia e áreas de lazer que, se cumprida, pode tornar esses locais um pouco mais agradáveis para os seus usuários.

Importante ressaltar que os canteiros de obras devem ser devidamente sinalizados para organizar o trabalho, evitar acidentes e melhorar o trânsito de pessoas em situações de emergência. Nesses espaços, são necessários cartazes e placas avisando quais trechos podem ter perigo de queda de materiais e identificação de locais com substâncias tóxicas. Informativos indicando vias de acesso para a circulação de veículos e equipamentos são essenciais.

É de extrema importância e necessidade a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) durante as obras. Capacetes, botas, óculos, luvas, respiradores e outros equipamentos pessoais devem ser utilizados para evitar ao máximo os danos causados por um possível acidente. A necessidade de cada utensílio depende do tipo de obra que está sendo realizada. É de obrigação da empresa responsável pelas obras ceder tais equipamentos, além de trocá-los por novos quando estiverem desgastados.

Esses locais bem organizados propiciam a otimização das atividades, redução de tempo na logística de entrega e recebimento de materiais, além da diminuição da possibilidade de acidentes. É recomendável fazer um planejamento para saber onde cada material vai estar no final de cada dia de trabalho. Outra dica é ter um almoxarifado eficiente, com identificações nos diferentes tipos de materiais que serão usados durante a obra.

Outra norma que precisa ser cumprida nesses locais é a NBR 16200 de 04/2013 – Elevadores de canteiros de obras para pessoas e materiais com cabina guiada verticalmente – Requisitos de segurança para construção e instalação que aborda os elevadores elétricos novos instalados e operados temporariamente (designados como elevadores nessa norma), utilizados por pessoas autorizadas a entrar em locais de engenharia e construção, atendendo níveis de pavimentos de serviços, contendo uma cabina, projetada para o transporte de pessoas ou materiais; guiadas; que se deslocam verticalmente ou em uma inclinação de no máximo de 15° com a vertical; suportada ou suspensa por meio de cabos de aço acionados por tambor, pinhão e cremalheira, pistão hidráulico (direto ou indireto), ou por um mecanismo articulado expansível; na qual torres, após montadas, podem ou não necessitar de apoio de estruturas separadas.

A norma identifica perigos relacionados na Seção 4 que surgem durante as diversas fases na vida do equipamento e descreve os métodos para a eliminação ou redução desses perigos quando utilizado conforme pretendido pelo fabricante. Não especifica requisitos adicionais para: operação sob condições severas (por exemplo, climas extremos, campos magnéticos fortes); proteção contra descargas atmosféricas; operação sujeita a regras especiais (por exemplo, atmosferas potencialmente explosivas); compatibilidade eletromagnética (emissão, imunidade); manuseio de cargas que poderiam levar a situações perigosas (por exemplo, metal derretido, ácidos/bases, materiais radioativos, cargas frágeis); utilização de motores à combustão; utilização de controles remotos; perigos que ocorrem durante a fabricação; perigos que ocorrem devido à mobilização; perigos que ocorrem devido à montagem sobre via pública; terremotos.

Também não se aplica a: elevadores para o transporte somente de materiais; elevadores abrangidos pelas NBR NM 207, NBR NM 267 e NBR 14712; cabinas de trabalho suspensas por aparelhos de içamento; plataformas de trabalho suspensas por empilhadeira manual ou empilhadeira motorizada; plataformas de trabalho cobertas pela EN 1495:1997; funiculares; elevadores especialmente projetados para finalidades militares; elevadores de minas; elevadores de palco; elevadores para finalidades especiais. Contudo, aborda a instalação do elevador.

Ela inclui a armação da base e o fechamento da base, mas não inclui o leiaute da fundação de concreto, com estacas, com madeira ou qualquer outro. Inclui o projeto das amarrações da torre, mas não inclui o projeto de parafusos de fixação à estrutura de suporte. Ela inclui as portas de pavimentos e seus batentes, mas não inclui o projeto de quaisquer parafusos de fixação à estrutura de suporte.

Levando em conta as instalações elétricas de baixa tensão de canteiros de obra, estas devem atender à NBR 5410 de 09/2004 – Instalações elétricas de baixa tensão. Do ponto de vista das exigências normativas, a grande diferença entre uma instalação permanente e uma temporária é a fixação dos componentes, em particular das linhas elétricas.

As linhas elétricas não precisam ser fixadas como nas instalações definitivas, devido a mobilidade das instalações. Por exemplo, geralmente os condutores não são instalados em eletrodutos, e sim ao ar livre, desde que não obstruam a circulação de pessoas e materiais.

Quando os condutores estiverem diretamente no piso, na passagem sobre estes condutores, é necessário instalar uma proteção mecânica resistente para garantir a sua integridade, evitando danos devido a movimentação de materiais e pessoas. Uma exigência da NBR 5410 é que estes condutores elétricos sejam sempre do tipo cabos unipolares ou multipolares, providos de cobertura (estes cabos são os conhecidos como 1kV, devido à classe de isolação), não sendo permitido, nestes casos, o uso de condutores isolados, ou seja, sem cobertura (conhecidos como fios 750V devido a sua classe de isolamento).

Em uma situação em que o canteiro de obra for considerado local de afluência de público, os cabos devem ser não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos, atender assim à NBR 13248 de 09/2014 – Cabos de potência e condutores isolados sem cobertura, não halogenados e com baixa emissão de fumaça, para tensões até 1 kV – Requisitos de desempenho. Essa norma especifica os requisitos de desempenho exigíveis para cabos de potência e condutores isolados sem cobertura, não halogenados e com baixa emissão de fumaça, para instalações fixas, para tensões até 1kV. Estes cabos devem ser utilizados em locais com alta densidade de ocupação e/ou com condições de fuga difíceis, conforme a NBR 5410.

Os cabos se caracterizam pela tensão de isolamento Uo/U: condutores isolados em composto termoplástico, até 450V/750V, sem cobertura ou condutores de cobre isolados sem cobertura, de seções nominais de 0,5 mm² a 1 000 mm²; cabos de potência até 0,6 kV/1 kV ou cabos de potência, com condutores de cobre, de seções nominais de 1,5 mm² a 1.000 mm².

As condições em regime permanente são para os condutores isolados sem cobertura sendo a temperatura no condutor, em regime permanente, não pode ultrapassar a 70°C. Nos cabos de potência, a temperatura no condutor, em regime permanente, não pode ultrapassar 90°C.

Nas condições em regime de sobrecarga, os condutores isolados sem cobertura, classe térmica 70°C, a temperatura no condutor, em regime de sobrecarga, não pode ultrapassar 100°C. A operação neste regime não pode superar 100 h durante 12 meses consecutivos, nem 500h durante a vida do condutor isolado.

Nos cabos de potência, classe térmica 90°C, a temperatura no condutor, em regime de sobrecarga, não pode ultrapassar a 130°C. A operação neste regime não pode superar 100 h durante 12 meses consecutivos, nem 500 h durante a vida do cabo.

Para as condições em regime de curto-circuito, os condutores isolados sem cobertura, classe térmica 70°C, para a temperatura no condutor, em regime de curto-circuito, não pode ultrapassar 160°C. A duração neste regime não pode ultrapassar 5s. Para os cabos de potência, classe térmica 90°C, a temperatura no condutor, em regime de curto-circuito, não pode ultrapassar 250°C. A duração neste regime não pode ultrapassar 5s.

O condutor deve ser de cobre, com ou sem revestimento metálico, de têmpera mole, e deve estar de acordo com a NBR NM 280 de 03/2011 – Condutores de cabos isolados (IEC 60228, MOD). Os condutores devem atender à classe 1, 2, 4 ou 5 de encordoamento. A superfície dos fios, componentes do condutor encordoado, não pode apresentar fissuras, escamas, rebarbas, aspereza, estrias ou inclusões. O condutor pronto não pode apresentar falhas de encordoamento.

Os fios componentes do condutor encordoado, antes de serem submetidos às fases posteriores de fabricação, devem atender aos requisitos da NBR NM 280. Sobre o condutor pode ser aplicado um separador, a critério do fabricante, a fim de facilitar a remoção da isolação e evitar a aderência desta, e este separador deve estar de acordo com a NBR 6251 de 06/2012 – Cabos de potência com isolação extrudada para tensões de 1 kV a 35 kV – Requisitos construtivos. A isolação dos condutores isolados sem cobertura deve ser constituída por composto poliolefínico extrudado não halogenado termoplástico (LSHF/A), com características físicas conforme Tabela 1 (disponível na norma).

A isolação deve ser contínua e uniforme, ao longo de todo o seu comprimento. A isolação dos cabos e condutores isolados sem cobertura, quando sem separador, deve estar justaposta ao condutor, porém facilmente removível e não aderente a ele. Para os cabos de potência, a espessura nominal da isolação deve estar de acordo com a NBR 6251, conforme o tipo de composto utilizado (XLPE, EPR ou HEPR). Para o HEPR são previstas duas alternativas de isolação, plena ou coordenada. Para o EPR é prevista apenas a espessura plena.

Para os condutores isolados sem cobertura, a espessura nominal da isolação deve estar conforme a Tabela 2 (disponível na norma). A espessura mínima da isolação, em um ponto qualquer de uma seção transversal, pode ser inferior valor nominal, contanto que a diferença não exceda 0,1mm + 10% do valor nominal especificado. As espessuras da isolação devem ser medidas conforme a NBR NM IEC 60811-1-1 de 06/2001 – Métodos de ensaios comuns para os materiais de isolação e de cobertura de cabos elétricos Parte 1: Métodos para aplicação geral – Capítulo 1: medição de espessuras e dimensões externas – Ensaios para a determinação das propriedades mecânicas.



Categorias:Metrologia, Normalização

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