As diretrizes para a competitividade brasileira

Será que o Inmetro com o novo governo vai conseguir atuar e melhorar a competitividade brasileira? Veja o que pensa o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, e a nova presidente do Inmetro, Ângela Flores Furtado.

inmetro2Da Redação –

Em apresentação no auditório do Inmetro, no Rio de Janeiro, o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, explicou que os modelos do Inmetro e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) serão revistos, visando a simplificação e a expansão. Os dois institutos são fundamentais para a inserção global do Brasil e para mais investimentos e geração de empregos no país.

“Produtividade e competitividade estão intimamente relacionados e são o nosso foco no médio e longo prazos. Um país produtivo e competitivo poderá resolver o problema do desemprego. O Inmetro é uma instituição respeitável, uma das marcas mais valiosas do governo hoje. Traz nela confiança, um conceito de enorme valor no mundo moderno, assim como os seus padrões e rastreabilidade”, ressaltou o secretário.

Para ele, o Inpi e o Inmetro juntos com as necessidades do setor privado poderão gerar mais produtividade, competitividade e emprego. “O governo tem que sair do caminho, parar de atrapalhar e, depois, tem que investir naquilo que é realmente o papel do Estado, como marcas e patentes, e metrologia”, acrescentou.

Costa destacou que a produtividade do trabalhador brasileiro equivale a 25% do americano. Ou seja, para fazer o que um americano faz, são necessários quatro brasileiros. “Esse fato revela o quanto as empresas brasileiras e os próprios profissionais ainda precisam investir em qualificação. Para que tenhamos melhora na produtividade, redução na perda de matérias-primas e insumos, e consequente aumento da rentabilidade, precisamos qualificar os colaboradores, não apenas nos quesitos técnicos, mas educacionais e culturais”, ressaltou. “Com a ajuda de vocês, técnicos qualificados, poderemos repensar nossos meios produtivos e a forma como estamos inserindo no mercado de trabalho os jovens extremamente despreparados. Se não encaramos com realismo e coragem essa defasagem do ensino educacional, corremos o risco de despencarmos ainda mais no ranking de competitividade e produtividade”.

Ao abordar a sofisticação da produção e os avanços tecnológicos, Costa destacou que o mundo do futuro será marcado pela intangibilidade e citou que 75% do valor das 500 empresas mais valiosas dos Estados Unidos (S&P 500) são intangíveis. “O intangível não é facilmente verificável. Em áreas como a cibersegurança, quanto maior a dificuldade em se aferir a incerteza, maior a necessidade de confiança”, contou. “Isso aumenta a relevância do Inmetro e viabiliza outros modelos de negócio para a instituição”.

“Temos um caminho extraordinário para o Inmetro, que passa por estratégia, inovação, modelos de negócio e investimento. Precisamos, agora, de um direcionamento novo, claro, moderno e efetivo, para que essa marca continue orgulhando a todos. Tenho confiança total em vocês e na nova presidente”.

Após sua apresentação, Carlos da Costa esteve no Laboratório de Análise Orgânica, da Divisão de Metrologia Química e Térmica, onde conheceu alguns dos materiais de referência certificados (MRC) desenvolvidos pelo Inmetro. Utilizados para garantir rastreabilidade, comparabilidade e confiabilidade dos resultados de medições em química, os MRC constituem ferramentas estratégicas para o setor produtivo e laboratórios acreditados.

Entre outros, foram apresentados MRC para análise de emissões veiculares, usados pela indústria automotiva em ensaios de análise de gases poluentes; de gás natural; e de etanol em água, voltados para a calibração de etilômetros (bafômetros) em todo o país. O oferecimento de MRC desenvolvidos pelo Inmetro reduz custos das empresas com importação e contribui para a competitividade e a soberania nacional.

Depois visitou o Núcleo de Laboratórios de Microscopia, um dos maiores parques de microscopia eletrônica da América Latina, onde foram apresentadas pesquisas de ponta desenvolvidas no campo da nanometrologia. Conheceu equipamentos como o microscópio eletrônico de transmissão de alta resolução Titan, capaz de realizar caracterização de materiais na escala atômica.

Centro de excelência para estudo do grafeno, o Inmetro vem atuando para apoiar a indústria nacional no desenvolvimento de novos produtos à base do material. Estudos em nanotecnologia conduzidos em parceria com o setor produtivo nos segmentos têxtil, de cosméticos, farmacêutica e de petróleo e gás também foram apresentados.

Carlos Costa é o titular da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia e ele considera inaceitável que o Brasil tenha mais de 26 milhões de pessoas em situação trágica de falta de emprego. Em termos de competitividade, de acordo com Costa, o Brasil também vai mal, e tem piorado no ranking mundial de negócios. “Estamos atrás de mais de 100 países. É uma vergonha”.

A recuperação da competitividade exigirá, segundo o secretário, a redução do Custo Brasil e a melhoria substancial nos indicadores de emprego e produtividade. “Não há, entretanto, metas em termos de prazo para que essas recuperações sejam atingidas”, complementou.

Para ele, o governo espera muito do Inmetro e que se empenhará para conseguir mais recursos para a instituição. Adicionalmente, garantiu que haverá muito mais direcionamento estratégico e, em contrapartida, o Inmetro será muito mais demandado, em razão de ser visto como um órgão fundamental para o crescimento do país.

Em seguida, explicou como foi a reestruturação dos ministérios, que culminou com a criação do Ministério da Economia, fundindo as várias áreas de negócio, anteriormente descoordenadas, e que hoje estão estruturadas para atuar simbioticamente numa só estrutura para atender a missão dada pelo presidente Jair Bolsonaro que é atender as necessidades prioritárias da sociedade: aumentar a geração de empregos; melhorar a competitividade da indústria nacional; e melhorar a qualificação do produto agregado produzido pelos trabalhadores brasileiros que atualmente em valor agregado, produzem aproximadamente 1/4 do valor produzido pelos trabalhadores norte-americanos.

Nessa reorganização, o Inmetro passa a ficar diretamente ligado à Secretaria Especial de Produtividade Emprego e Competitividade (Sepec), do Ministério da Economia. “O foco principal desse ministério de grande porte é fazer o Brasil se desenvolver, crescer, ser próspero, gerar emprego, gerar renda para a nossa população, que possui mais de 23 milhões de desempregados ou que trabalham no subemprego”, assegurou Costa.

Ela, ainda, mencionou várias situações em que se deve adotar boas práticas de gestão no serviço público. Especificamente sobre o Inmetro, ressaltou que é uma instituição respeitada, porque, talvez seja uma das marcas mais valiosas do governo.

Ressaltou, igualmente, que a confiança, os padrões, a rastreabilidade, que fazem parte do portfólio de atuação do Inmetro, têm muito valor no mundo moderno, realçando a importância de os servidores buscarem novas soluções inovadoras para atender as necessidades da sociedade brasileira, face a crise que se instalou no país.

Carlos da Costa exemplificou algumas atividades do Inmetro como instrumentos para alavancar a competitividade do país. Vislumbrando um caminho extraordinário para o Inmetro, passando por estratégia, inovação, modelo de negócio, investimento, com capacidade de viabilizar um país mais produtivo e mais competitivo.

Ratificou que tem a certeza que Ângela Flores Furtado é a melhor presidente para o Inmetro, evidenciando que o presidente da República exigiu que recebessem missão desse porte, somente os melhores profissionais, e que o Inmetro estava possivelmente mal direcionado. Lembrou que essa escolha foi técnica, mas exaltou o compromisso com a ética e a democracia.

Convidou a equipe do Inmetro a defender suas posições técnicas perante o governo, dentro da teoria da tríade impossível dos três R: “Riscos, Resultados e Recursos”, onde o Inmetro deve apresentar otimização a respeito da utilização de seus recursos e apresentar seus resultados de forma sustentável dentro deste equilíbrio, de forma a justificar a sociedade brasileira que elegeu o novo governo, a necessidade de se aportar recursos a retomar seu espaço. “Há a necessidade de um direcionamento novo, claro, moderno, efetivo e que dê orgulho a todos e ressalte o valor da marca Inmetro”.

Nova presidente

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Já a nova presidente do Inmetro, Ângela Flores Furtado, fez uma apresentação de um novo modelo gerencial, com foco nos resultados e introduzindo o modelo de organograma orgânico a ser adotado pela instituição, onde todas as diretorias tendem a caminhar em busca do objetivo que é melhor servir a sociedade brasileira.

Segundo ela, deve-se ressaltar o entendimento que todos devem contribuir para a gestão do Inmetro “eu junto com vocês = um time, uma direção”. Em seguida apresentou sua trajetória profissional e pessoal, ressaltando os valores com os quais se identifica.

Ângela Furtado afirmou seu compromisso em melhorar as entregas do portfólio de produtos e serviços da Instituição aos seus principais clientes, indústria e sociedade, focando na gestão por resultados. No tópico melhoria de gestão, a presidente elencou cinco prioridades a serem alavancadas: planejamento estratégico; eficiência em custos, orçamento base zero e aumento da receita; relações com stakeholders estruturada; agenda regulatória com previsibilidade; programa de integridade. Ainda, convidou o corpo funcional a se imbuir de cinco atitudes em suas atividades: fazer mais; fazer com menos; fazer melhor; fazer com agilidade; fazer com sustentabilidade.

Foi também apresentada a estrutura de governo à qual o Inmetro está vinculado, qual seja, Ministério da Economia/Secretaria Especial da Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec). Também lançou a ideia de uma gestão participativa, com o Canal Aberto: Sua Ideia Constrói Nosso Futuro, no qual os servidores poderão contribuir com sugestões de melhoria para a gestão institucional.

Além disso, afirmou que, até o dia 15 de fevereiro de 2019, pretende publicar a Missão Institucional do Inmetro, que deverá ser construída pelo corpo funcional em processo conduzido pela presidente. Por fim, citou que life is about priorities… at the end of the day, all is about results.

Ainda muito a fazer pela competitividade no Brasil

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

A melhoria da competitividade da indústria brasileira vai além da proteção dos produtos e serviços brasileiros. O grande desafio é a modificação de fatores estruturais, como a redução do Custo Brasil, expressão que sintetiza as ineficiências do país. Entre eles estão a excessiva burocracia, a complexidade do sistema tributário e o alto custo da mão de obra, que é resultado dos pesados encargos trabalhistas. Como consequência, temos, por exemplo, um dos maiores custos de energia do planeta. Isso para não falar dos problemas causados pelos gargalos de infraestrutura.

Além disso, o tripé da competitividade está na melhoria contínua da qualidade, da normalização e da metrologia. Em termos de qualidade, nos últimos 15 anos, o custo extremamente elevado da corrupção no Brasil prejudicou o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, comprometeu a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável.

A normalização tem como principal finalidade garantir a saúde, a segurança e o exercício de direitos fundamentais dos brasileiros, além de ser o balizamento nos projetos, na fabricação e no ensaio dos produtos e serviços. Em qualquer sociedade preocupada com os direitos fundamentais, é função da normalização técnica o estabelecimento de normas técnicas que ordene, coordene e balize a produção de bens e serviços.

Todo processo de normalização nacional tem a finalidade de modelar o mercado em proveito do próprio produtor e do desenvolvimento econômico e visa à proteção e à defesa de direitos fundamentais essenciais como a vida, a saúde, a segurança, o meio ambiente, etc. Disso tudo resulta, inelutavelmente, que a atividade de normalização técnica se reveste de natureza de função pública, sendo uma ação ligada à gestão pública, essencial para a salvaguarda de direitos e para propiciar o desenvolvimento. As normas exigem que os produtos e serviços sejam feitos conforme devem ser, ou seja, uma viga de concreto que segue a norma técnica nacional, além de ser muito mais segura, vai utilizar mais matéria prima, como cimento, ferro, etc., além de serviços mais especializados para sua construção e aplicação.

Acreditar na qualidade dos produtos ou serviços é provavelmente uma das razões chave da existência de consumidores para esses produtos ou serviços. Quando o consumidor descobre que a empresa utiliza normas técnicas, há o aumento da confiança em seus produtos ou serviços. Além do que a utilização de certas normas agrega valor à imagem corporativa da empresa. Qualquer processo de normalização nacional deve visar à consecução de normas de forma democrática e com clareza irrepreensível.

Além de tudo isso, as normas técnicas contribuem para que a tarefa de pessoas e máquinas envolvidas na produção seja simplificada e facilitada, resultando produtos e serviços competitivos e de qualidade garantida. Tudo com o propósito de satisfazer as expectativas de demanda do mercado consumidor.

O Brasil possui um pouco mais de 8.000 normas técnicas vigentes e pela dimensão do país isso representa muito pouco. No mínimo, o país precisa, para cumprir o objetivo de ser competitivo, de mais de 50.000 normas. Quem publica esses documentos é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), uma sociedade civil, sem fins lucrativos e declarada de utilidade pública. Por força de vários dispositivos legais e regulamentares, em razão da atividade que pratica, é titulada para receber auxílio do Estado, além de ter receitas provindas da contribuição dos inúmeros associados integrantes dos vários setores produtivos da sociedade.

As normas técnicas têm finalidade pública, de segurança, além de outras funções para os consumidores, portanto devem ser de livre acesso a toda sociedade. Soma-se a isso que a elaboração das normas técnicas é feita a partir de um grupo de especialistas de setores diversos que, gratuitamente, registram os conhecimentos técnicos já existentes e de domínio público, para atender esse objetivo.

Quanto à metrologia, é a ciência que abrange todos os aspectos teóricos e práticos relativos às medições, qualquer que seja a incerteza em qualquer campo da ciência ou tecnologia. Tem como foco principal prover confiabilidade, credibilidade, universalidade e qualidade às medidas. Como as medições estão presentes, direta ou indiretamente, em praticamente todos os processos de tomada de decisão, a abrangência da metrologia é imensa, envolvendo a indústria, o comércio, a saúde, a segurança, a defesa e o meio ambiente, etc.

Totalmente ligada a qualquer processo produtivo, sem metrologia é impossível produzir algo com qualidade, simplesmente porque você precisa de parâmetros, medidas, padrões e meios de medir. A metrologia possui vários fatores de contribuição as empresas, um deles é de que seu produto, sendo ele um item de série, terá sempre o mesmo formato e dimensões, desde que se tenha um controle de seus equipamentos e meios de medição e ensaios. Além disso, pode-se conseguir, por meio da área metrológica, reduzir tempo de manufatura, otimizar processos e garantir melhor controle, redução significativa de retrabalho, entre outros benefícios.

Enfim, para se ter competitividade e produtividade deve haver uma preocupação com a prevenção e a avaliação nos pontos críticos de forma a minimizar as falhas, além de orientar a correta execução do que precisa ser feito. A qualidade está em tudo e, infelizmente, só é percebida quando existe a sua falta. O país precisa urgentemente de qualidade, normalização e metrologia. Mais do que se imagina.



Categorias:Metrologia, Normalização, Qualidade

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