Os ensaios em válvula antitransbordamento de líquidos inflamáveis e combustíveis

Uma válvula antitransbordamento é um dos principais itens de prevenção do transbordo de combustíveis durante a operação de descarregamento. O equipamento previne o transbordamento de combustível no momento da descarga do produto entre o caminhão-tanque e o tanque subterrâneo. Ele deve ser instalada no interior do tanque subterrâneo de combustíveis e tem como função impedir o transbordamento durante operações de descarga de combustível, evitando graves acidentes e contaminações ambientais. Para cumprir com o seu desempenho, deve cumprir a norma técnica e ser instalada em sistema de armazenamento subterrâneo de combustível (SASC).

válvula2Da Redação –

Para a proteção do meio ambiente, os tanques de armazenamento de combustíveis devem ser instalados com as seguintes especificações: tanque de armazenamento de acordo com a norma técnica NBR 13786; câmara de acesso à boca de visita, estanque e impermeável (classe 3 – acrescentar o dispositivo de detecção de líquidos); câmara de calçada impermeável e estanque para contenção de derramamento; válvula antitransbordamento no tubo de descarga; e conexão para descarga selada do caminhão-tanque. Na linha de respiro, deverá conter válvula de retenção de vapores na sua extremidade.

Quanto à válvula antitransbordamento, é um equipamento instalado no interior do tanque de armazenamento subterrâneo de combustíveis que tem como função impedir o transbordamento durante operações de descarga de combustível, evitando graves acidentes e contaminações ambientais. Muitas delas utilizam um sistema de boia linear.

Quando o nível do combustível atinge 95% da capacidade do tanque, a válvula se fecha de maneira rápida e segura e permite que o combustível contido na mangueira do caminhão tanque escoe lentamente para o tanque de armazenamento. A NBR 15005 de 08/2019 – Válvula antitransbordamento de líquidos inflamáveis e combustíveis — Requisitos de fabricação e métodos de ensaio especifica os requisitos gerais para fabricação e desempenho da válvula antitransbordamento, a ser instalada em sistema de armazenamento subterrâneo de combustível (SASC).

A válvula antitransbordamento deve ser projetada para ser instalada na conexão de carga do tanque subterrâneo de armazenamento de combustível fabricado conforme as NBR 16161 e NBR 16713 e no tanque onde for aplicado revestimento interno conforme a NBR 16619. A válvula antitransbordamento deve ser projetada para reduzir a possibilidade do extravasamento de combustível do tanque subterrâneo de armazenamento, durante a operação de descarregamento do caminhão-tanque.

Deve operar somente em descargas por gravidade. A válvula antitransbordamento não é projetada para tanque que possua qualquer tipo de tubo interno fixado na parte interna da conexão de descarga do tanque, pois este impede o da válvula. Deve ser projetada para permitir a vazão nominal, de no mínimo 900 L/mim, do sistema de descarga, quando submetida a uma pressão mínima de 50 kPa.

A válvula antitransbordamento deve ser projetada para restringir o fluxo de combustível com vazão de 95 L/mim e deve atuar também com vazões superiores, até a vazão nominal projetada. Deve ser projetada para atuar restringindo o fluxo de combustível em dois estágios. O primeiro estágio deve reduzir a no máximo 10% da vazão de projeto e o segundo estágio deve reduzir a vazão a no máximo 5 L/mim com a finalidade de permitir o esgotamento do combustível remanescente na mangueira de descarga do caminhão-tanque para o tanque de armazenamento.

O ponto de atuação do segundo estágio deve ser indicado pelo fabricante para que a válvula seja instalada conforme a NBR 16764. A válvula antitransbordamento deve ser projetada para não reabrir enquanto submetida a uma pressão superior a 15 kPa a montante da válvula, após o fechamento total. É considerado fechamento total da válvula a passagem de até 5 L/mim de líquido.

A válvula antitransbordamento deve ser projetada para aliviar em até 10 ms qualquer contrapressão superior a 300 kPa. Deve ser projetada para, opcionalmente, possuir o recurso de estanqueidade à emissão de vapores vapor tight. Os materiais não metálicos sujeitos à imersão e exposição ao combustível automotivo devem ter características tais que suas propriedades não sejam afetadas por estes combustíveis, de modo a causar falha de equipamento ou condição de perigo durante a vida normal esperada para a válvula antitransbordamento. Os ensaios devem ser realizados conforme a ASTM D471. Os materiais não metálicos devem cumprir suas funções na faixa de temperatura de + 40 °C a – 40 °C.

Os materiais e partes metálicas devem ser não ferrosos ou de aço inoxidável da linha 300. Quando utilizado alumínio ou suas ligas, a superfície deve ser submetida a processo de tratamento contra corrosão. Deve-se evitar contato do combustível com o cobre, chumbo, cádmio, bronze, latão, estanho, zinco, ligas metálicas que contenham esses metais e aços galvanizados.

A conexão da válvula antitransbordamento deve permitir a instalação conforme previsto na NBR 16764. Para o requisito de desempenho, restringir o fluxo a 5 L/min quando atingir o ponto de atuação do segundo estágio. O ensaio de imersão deve ser feito em amostras representativas de todos os materiais não metálicos devem ser imersas por 70 h em gasolina comum sem chumbo, combustíveis ASTM B e C de referência, álcool hidratado combustível comum, óleo diesel e óleo ASTM nº 3. As amostras e o fluido de ensaio devem estar a 23 °C ± 2 °C. O volume da amostra, no início e no fim do ensaio, deve ser determinado por ensaio de deslocamento de água e cálculo da porcentagem de variação de volume.

Quaisquer perdas devidas à imersão no fluido ASTM de referência devem ser determinadas após secagem por 24 h à temperatura de 23 °C. Os materiais não podem mostrar variação de volume maior que 1 % de encolhimento, ou 25 % de crescimento, ou perda de massa maior que 10%. Combustível ASTM B de referência (70 volumes de iso-octano, 30 volumes de tolueno), combustível ASTM C de referência (volumes iguais de iso-octano e de tolueno).

Os ensaios especificados nesta Seção devem ter como referência o Método de Ensaio Padrão da Propriedade Borracha – Efeito de Líquidos, ASTM D471. Para o ensaio de corrosão (névoa salina), as amostras de válvula devem ser ensaiadas conforme a NBR 8094. A válvula a ser ensaiada deve atender aos requisitos de desempenho e resistência após submetida ao ensaio de névoa salina por 240 h.

Para o ensaio de resistência, a válvula antitransbordamento deve suportar 1.500 ciclos de operação normal, com pressão mínima de 50 kPa e vazão mínima de 900 L/min. O líquido de ensaio deve ser água. O fabricante deve disponibilizar, quando da entrega da válvula, um registro de produção contendo número de série da válvula e deve garantir a rastreabilidade por no mínimo cinco anos.

O fabricante deve possuir uma sistemática operacional que comprove a utilização dos materiais componentes da válvula, conforme especificado nesta norma. Os documentos comprobatórios, pertinentes aos materiais e processos usados na fabricação devem estar à disposição do comprador ou do seu representante legal. A válvula deve possuir gravado em seu corpo o número de série de fabricação.

Junto com a válvula deve ser fornecida uma plaqueta de identificação para ser instalada no interior da câmara de descarga de combustível, correspondente ao compartimento do tanque de armazenamento para indicar sua existência. A plaqueta de identificação deve possuir o número de série correspondente da própria válvula, nome do fabricante, modelo da válvula, vazão nominal e mês e ano de fabricação. As marcações da válvula e da plaqueta devem ser permanentes. O fabricante da válvula deve prover orientações para instalação, de forma que as marcações da plaqueta de identificação sejam visíveis para a inspeção.



Categorias:Metrologia, Normalização

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: