Será que a automação vai fechar mais vagas do que criar?

Carros que dirigem sozinhos, serviços de entregas feitos por drones, robôs nas indústrias, impressoras 3D e muitos sensores. A automação traz para as empresas muitos ganhos produtivos e financeiros, mas o que acontecerá com os trabalhadores que executam as mesmas tarefas que esses robôs? As novas tecnologias chegaram para ajudá-los a trabalhar de forma mais eficiente ou para colocar seus empregos em risco?

automação2Cristian Machado de Almeida

O tema ainda gera muita polêmica entre os profissionais de diversos segmentos. Alguns afirmam que passar o trabalho para as máquinas aumentará o desemprego, enquanto outros acreditam que a automação vai trazer prosperidade. Um bom exemplo é o guarda de segurança Bob: um robô que patrulha o local de trabalho, monitorando as salas em 3D e relatando anomalias.

Este robô é fruto da imaginação dos cientistas da Universidade de Birmingham. Eles insistem que as máquinas irão apoiar os seres humanos e aumentar as suas capacidades, apesar das preocupações de que a tecnologia poderia, eventualmente, substituir os agentes humanos de segurança. O Exército dos Estados Unidos, por sua vez, está analisando a substituição de milhares de soldados por veículos de controle remoto para tentar evitar cortes radicais de tropas.

O pesquisador da Universidade de Oxford, Carl Frey, que estudou a ascensão do trabalho computadorizado, ganhou as manchetes quando previu que a automação colocaria até 47% dos empregos norte-americanos em alto risco. Na época, essa previsão foi considerada exagerada por Robert Atkinson, presidente da Fundação de Tecnologia da Informação e Inovação, com sede nos Estados Unidos.

Mas Frey mantém sua previsão, insistindo que o número não é tão chocante quando se considera que o processo pode levar 20 anos. Os dois discordam sobre os números, mas concordam que cada vez mais máquinas estão chegando aos locais de trabalho. Alemanha, Japão e Estados Unidos tornaram-se grandes investidores em tecnologia automatizada, mas há sinais claros de intensificação do uso de máquinas mesmo em países onde o trabalho fabril, que costuma ter salários baixos, é comum.

A China, por exemplo, se tornou nos últimos anos o maior comprador mundial de robôs industriais. De acordo com Frey, as máquinas estão entrando na Índia também. “A Nissan utiliza robôs industriais para a produção de seus carros no Japão”, diz ele, “mas nós já estamos vendo exemplos do mesmo tipo de empresa se automatizando na Índia. Empresas em todo o mundo estão investindo em tecnologias que podem automatizar uma nova gama de postos de trabalho. Na Alemanha, por exemplo, a empresa de robótica Kuka está testando uma câmera de TV sem cinegrafista para transmissão ao vivo, que promete oferecer uma imagem livre de trepidação”, completa Frey.

Enquanto isso, no Japão, a fabricante de robótica Yaskawa produziu uma robô de dois braços que pode montar produtos em linhas de produção com destreza semelhante à humana. A Foxconn, uma montadora de iPhones com base na China que emprega mais de um milhão de pessoas, está investindo em tecnologias de automação para ajudar a absorver sua intensa carga de trabalho.

Mas não são apenas as máquinas físicas que estão em ascensão – software bots que simulam ações humanas repetidas vezes também estão remodelando o local de trabalho. Em março de 2014, o Los Angeles Times publicou automaticamente uma notícia de última hora, graças a um algoritmo que gera uma pequena reportagem quando ocorre um terremoto.

O aplicativo de transporte Uber tem a vantagem sob os concorrentes de combinar automaticamente carros vazios com passageiros, sem a necessidade de operadores humanos. Travis Kalanick, fundador do app, já afirmou que poderá reduzir os custos ainda mais quando substituir a frota por veículos sem condutor.

Frey diz que o desenvolvimento tecnológico tende a só acelerar nos próximos anos. Seu estudo de 2013 descobriu que, de uma amostra de 702 ocupações, quase metade corria o risco de ser informatizada. Alguns trabalhos, como dentista, dependem da capacidade de diagnóstico avançada e, assim, são menos suscetíveis de substituição por uma máquina. Também são seguras profissões como treinadores esportivos, atores, trabalhadores da área social, bombeiros e, mais obviamente, padres.

Mas datilógrafos, agentes imobiliários e vendedores estão entre as ocupações consideradas com alta probabilidade de automatização no futuro, de acordo com Frey. A linha entre o homem e a máquina está se tornando cada vez mais tênue. Estamos vendo alguns trabalhos que já foram automatizados, mas ainda não na dimensão em que acreditamos que eles estarão nas próximas décadas.

O professor Atkinson observa que há “um verdadeiro temor de que nós estejamos rumando para a automatização de tantos trabalhos que não haverá mais nada para as pessoas fazerem”. Essas afirmações são um tanto quanto exageradas pois as estimativas são de que apenas um terço dos empregos atuais possam ser automatizados.

O maior erro que ocorre com essas afirmações é que não fazem qualquer distinção entre funções e os empregos. “Uma máquina pode fazer uma determinada função, mas os trabalhos da maioria das pessoas envolvem várias funções diferentes. Você não pode automatizar todas as tarefas com uma única máquina”.

Ele acrescenta que a automação só irá melhorar a vida das pessoas: “O argumento é que quando uma empresa reduz os custos, a receita extra irá inevitavelmente voltar para os acionistas e empregados. Isso aumenta os gastos do consumidor e cria mais empregos”.

Algumas frases de Rob Crossley ajudam a entender melhor o cenário que está por vir:

“Os últimos 20 anos nos ensinaram que alguns locais se adaptaram bem à revolução do computador e alguns não.”

“Muitos estudos têm mostrado como os computadores substituíram o trabalho em muitas das antigas cidades industriais, mas, ao mesmo tempo, esses computadores têm criado uma série de ocupações em outros lugares.”

“Alguns prosperam com as mudanças, e outros não. Tudo depende de como você se adapta.”

Cristian Machado de Almeida é formado em engenharia de produção e tem pós graduação em indústria 4.0. Atualmente trabalha na Startup Embria – empresa brasileira de inteligência artificial, industrial startup development na nova fase tecnologia, membro do grupo de estudos de direito digital e compliance na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e é representante comercial do Festival Internacional de Tecnologia e Comunicação.

O que você precisa saber sobre home office

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Trabalhar em casa é um sonho para muitos, porém, como tudo na vida, existem regras básicas para que esta relação empregador/empregado seja a mais harmoniosa possível. Não, não basta apenas ligar o computador e ficar trabalhando.  Existem obrigações e benefícios também.

Isabela Marrero, auxiliar de recrutamento e seleção da RH Nossa, listou alguns direitos e deveres de quem opta por trabalhar em casa. Os colaboradores que trabalham nesse regime precisam ter contratos de trabalho formalizados oficialmente constando quais as atividades que serão realizadas, a remuneração, os sistemas utilizados e os custos. Os custos indiretos como água, luz e internet são de responsabilidade do colaborador enquanto que sistemas de software e equipamentos são do empregador.

As horas extras não deverão ser pagas, pois as atividades exercidas nesse regime de trabalho são contabilizados pelas entregas e não pelas horas trabalhadas. Os benefícios como vale transporte deverão ser pagos normalmente se o colaborador tiver que ir até a empresa para realizar reuniões, entrevistas e outras atividades desta natureza. Já o vale refeição é a empresa que decide se quer ou não fornecer ao funcionário.

É de responsabilidade do empregador fornecer ao colaborador informações sobre saúde e segurança do trabalho. A alteração do regime home office para presencial é possível. Se for de interesse de ambas as partes, pode acontecer a qualquer momento. Agora, se é a empresa que deseja o funcionário trabalhando integralmente na empresa, é preciso avisar o funcionário com pelo menos 15 dias de antecedência.

 

Computação cognitiva

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A computação cognitiva é uma disciplina da sinergia de informática que está sendo aplicada de diversas maneiras. São diversos serviços oferecidos a quem sabe desenvolver aplicativos e sabe transformar este tipo de serviço em uma mensagem para o público. Das diversas maneiras de empregar esta tecnologia, uma das mais corriqueiras são os chatbot, que é aquela capacidade do computador exercer algumas funções com o processo natural de linguagem.

“É possível conversar com o computador que saberá buscar sozinho o que foi solicitado, eliminando ruídos a serviço da interface convencional. Já estamos vendo comerciais com pessoas conversando com o próprio carro, com elementos da sua casa como a pia da cozinha e já estamos tendo esta explosão dos periféricos que estão ficando inteligentes como smart TV, smart forno, smart geladeira e smart máquina de lavar. A ideia é que a pessoa  nunca se sinta sozinha na sua própria casa: com algum aparelho você vai conseguir conversar. Isso é fruto da computação cognitiva” diz Ricardo Slomka, vice-presidente da Ewave do Brasil e um dos entusiastas desta tecnologia.

A computação cognitiva faz com que estes equipamentos analisem a voz humana, transformando em texto que, por sua vez, é imerso em um banco de dados infinitos que agregam milhares de informações. Hoje qualquer empresa pode criar o seu avatar, armazenar informações e começar a vender.

Outra maneira muito utilizada engloba tudo o que diz respeito com o reconhecimento de imagem, um dos verticais mais interessantes na visão do vice-presidente. “Se o reconhecimento facial em aeroportos já não é novidade, a capacidade de fazer a análise de imagem ultravioleta ou por raios-gama é uma grande inovação. Em Israel, existem drones que sobrevoam pomares e emitem gráficos detalhados de como está a plantação – incluindo o amadurecimento das frutas, seu nível de açúcar físico e se existe alguma praga ou outro problema nas maçãs através de dados científicos armazenados que são cruzados com as imagens que entendem o que está acontecendo em solo”, conclui Slomka.



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