Você sabe o que é oniomania?

Esse é um o distúrbio comportamental que vai além de ser um shoppaholic ou um viciado em lojas de shopping. Caracteriza-se como um transtorno de personalidade e mental, classificado dentro dos transtornos do impulso. Para o consumidor compulsivo, o que lhe excita é o ato de comprar, e não o objeto comprado. Essa pessoa tem vontade de adquirir, mas não de ter. A maioria dessas pessoas é composta por mulheres, mas todas possuem temperamento forte, são ágeis, dinâmicas, inquietas, perfeccionistas, possuem uma desenvoltura social e cultural maior, são imediatistas e muito inteligentes. Elas têm a tendência a ser mais inteligentes do que a média das outras pessoas. De alguma forma essa vantagem intelectual não é aplicada na vida, porque racionalmente são pessoas que, depois da compra, são capazes de saber que fizeram besteira.

editorial2Conheço algumas pessoas que quando, ficam tristes ou ansiosas, vão fazer compras compulsivamente para se sentir melhor. Sacolas cheias para aliviar o estresse, esquecer as frustrações e fazer uma terapia de compras. O ato de comprar está muito conectado a outras emoções na sociedade, inclusive as negativas. Se para uma pessoa sã já é comum descontar nas compras, imagine para quem sofre com algum transtorno, como depressão ou ansiedade.

Também conhecido como transtorno da compra compulsiva, é um distúrbio comportamental caracterizado por uma obsessão em gastar dinheiro e um desejo insaciável de comprar coisas, normalmente resultando em consequências adversas. Embora a desordem seja frequentemente negligenciada, ela pode deixar as pessoas no caos financeiro – um resultado semelhante aos vícios mais amplamente reconhecidos, como o jogo problemático. muitas vezes um segredo bem guardado com estratégias complexas usadas para esconder os resultados de compras excessivas e o inevitável aumento do nível de endividamento.

É comum que as pessoas com oniomania experimentem uma dissociação emocional, de modo que possam sentir-se como se estivessem em um estado de transe, ou podem experimentar um estado de hiperexcitação com aumento da freqüência cardíaca, pupilas dilatadas e mudanças na sua taxa de respiração.

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Gastar temporariamente alivia os sintomas de ansiedade, mas elas logo se constroem novamente, de modo que o ciclo se repete e muitos sentem vergonha e culpa depois. Essas pessoas se sentem desproporcionalmente negativas sobre si mesmos e têm pouca ou nenhuma auto-estima ou senso de valor próprio. Nos casos mais graves, a oniomania pode afetar todos os aspectos da vida de uma pessoa e ter conseqüências seriamente prejudiciais.

Compra compulsiva é uma desordem moderna que vem atraindo crescente atenção nos últimos anos. A condição é causada por viver em uma sociedade de consumo que estimula, estimula e direciona a compra e baseia suas noções de bem-estar no material e é possivelmente mais comum do que se pensava. No entanto, como o assunto raramente é discutido na literatura científica, fato refletido na falta de estudos e pesquisas que investigam o assunto, as características da compra compulsiva precisam ser melhor exploradas.

Originalmente descrita por Kraepelin como oniomania, a compra compulsiva é caracterizada por um desejo irresistível, repetitivo e dominante de comprar itens. Esse impulso é incontrolável e os pacientes só podem encontrar alívio do estresse por meio de compras excessivas. No entanto, a sensação de bem-estar produzida pela redução da tensão é rapidamente substituída por um sentimento de culpa. A compra compulsiva é considerada um comportamento aditivo, visto como um fenômeno social, e tem-se suposto que muitos consumidores norte-americanos sucumbem à compra para preencher um vazio em si mesmos.

Os estímulos materialistas da sociedade de consumo, como a fácil disponibilidade de crédito e as compras online, contribuem para o aumento do problema, especialmente entre as populações jovens e de baixa renda. Os jovens, que têm pouca experiência na administração de suas finanças, sentem-se estimulados a comprar e perder o controle quando usam cartões de crédito, o que é uma forma de suprimir a negligência dos pais, incorrendo em dívidas e desenvolvendo uma relação distorcida com o consumo. Alguns estudos indicam que a compra compulsiva é mais prevalente em populações jovens. No Brasil, estima-se que compras compulsivas afetem pessoas com idade entre 14 e 25 anos.

Outro aspecto importante é a relação entre a renda familiar e a compulsão de comprar. De acordo com alguns estudos, parece haver uma relação inversa entre os dois, devido ao processamento deficiente de informações relacionadas à aquisição do produto e aos baixos níveis de percepção do consumidor.

As pessoas com baixos rendimentos podem ter tendência a comprar compulsivamente devido à sua “pouca capacidade de controlar ou atrasar os seus desejos de fazer compras inapropriadas”. Também foi sugerido que a compra pode produzir uma sensação de ascensão social, mascarando ou substituindo as condições sociais reais do comprador pela condição social idealizada.

Na hora da compra, a avidez por comprar fala mais alto. Os compulsivos por jogos, por exemplo, possuem uma fixação maior que a fixação do viciado em cocaína. Muitos problemas podem ser gerados por essa doença. Os compulsivos contraem dívidas de até dez vezes a sua renda mensal, o que gera problemas pessoais e familiares.

Quando são privados dos meios de compra, chegam até a roubar. Às vezes, uma pessoa, impossibilitada de comprar, tem uma impulsividade grande que pode chegar a roubar o produto. Essas pessoas, até então, eram honestas e se deixaram levar pelo impulso de comprar.

Algumas vezes aplicam golpes, passam cheque sem fundo e pedem dinheiro emprestado para quitar dívidas advindas de sua compulsão. Isso não é um defeito de caráter, é uma doença mesmo, a pessoa não é desonesta, ela tem uma incapacidade de controlar esse impulso. Elas devem procurar um tratamento porque acabam atrapalhando a vida das outras pessoas.

Além de sua compulsão em comprar, as pessoas que sofrem da oniomania apresentam outros tipos de impulsividades, como fazer muito exercício, comer exageradamente e trabalhar muito. Mas não compulsivamente, como o obeso ou o workaholic, mas fazer tudo com exagero.

Muita gente acha que o consumidor compulsivo compra apenas por problemas emocionais. A depressão está muito ligada a isso, mas não é o que determina o impulso para a compra. As pessoas compulsivas, mesmo quando tratadas com medicamentos antidepressivos, não deixam de ter seus impulsos e, quando conseguem se recuperar, passam por uma crise de abstinência parecida com a dos usuários de drogas pesadas.

O compulsivo acaba comprando excessivamente porque não resiste ao seu impulso e, enquanto não realizar a compra, se sente ansioso, irritado e suas mãos ficam suadas. Depois fica tranquilo quando compra e muitas vezes pouco importa o que compra. O mito de que eu vou comprar porque estou me sentindo mal-amado não tem nada a ver com o transtorno do impulso.

Apesar de essas pessoas com transtorno viverem em uma sociedade que respira propaganda, porém isso talvez não seja o principal motivo que leva o consumidor a se tornar um compulsivo. Por exemplo, no caso dos consumidores compulsivos, eles tornam-se presa fácil para os estímulos do marketing, mas ele não tem o propósito de agir sobre as pessoas compulsivas, e nem tem como distinguir quem é normal e quem compra compulsivamente.

Às vezes, o fato de um produto estar bem colocado na vitrine, ou em promoção, ou até sendo degustado em um supermercado, pode levar o compulsivo a comprá-lo porque chama sua atenção, mas ele poderia comprar qualquer outro produto, pois o impulso que lhe faz comprar independe do que ele vai adquirir. Nos casos de compra por internet ou TV, por exemplo, há muita devolução do produto justamente porque ele não é o mais importante no ato da compra. Quando o produto chega em casa, a pessoa percebe que comprou algo inútil e o devolve.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 8% da população mundial sofre de oniomania. No entanto, é muito comum as pessoas terem a compulsão e não admitirem o vício. Em primeiro lugar, precisa-se saber o que é compulsão.

Alguns autores dizem que é um comportamento em que o indivíduo é levado a realizar devido a algum estímulo interno, ou coerção interna. Esse comportamento tem dois momentos: o primeiro é a satisfação parcial do desejo; em seguida vem a angústia.

O tratamento para a doença passa por duas áreas: a psicológica, para tratar o problema emocional que leva a pessoa a comprar compulsivamente, e a financeira, em que ela começa a planejar cada gasto e tenta renegociar as dívidas. As vítimas da oniomania devem procurar atendimento psicológico para que consiga falar sobre o assunto, encontrar a raiz do problema e tratá-lo. O tratamento é individual, mas, primeiro, é preciso identificar a compulsão.

Em suma,  os consumidores compulsivos compram por prazer e, diferentemente das pessoas que compram por necessidade, são afetados por uma série de emoções associadas às compras, tais como: ansiedade, euforia, prazer, gratificação, culpa, arrependimento e vergonha. Quando são impedidos de comprar, podem sentir angústia, frustração e irritabilidade.

Quem sofre de transtorno compulsivo por compras sente tanta satisfação no ato da compra que se torna incapaz de avaliar possíveis prejuízos, e pode acabar deixando de pagar suas contas básicas para gastar com supérfluos. Eles costumam esconder as suas compras da família ou do parceiro; mentem sobre o valor dos itens comprados; compram quando estão tristes ou deprimidos; sentem euforia ou ansiedade durante as compras; sentem culpa e vergonha depois das compras; encontram formas irreais de encaixar os gastos em suas contas pessoais; compram coisas sem necessidade ou utilidade; não resistem ao impulso quando querem algo; prejudicam-se financeiramente pela falta de controle emocional; compram coisas que não usam; gastam mais do que ganham e compram mesmo que não tenham dinheiro para isso; sentem alívio imediato e momentâneo no momento da compra.

E cabe uma pergunta: por que as pessoas se tornam consumistas? Existem muitos motivos que levam uma pessoa a fazer uma compra: necessidade, desequilíbrio emocional, diversão, necessidade de ser aceito, baixa autoestima, insegurança, status ou a influência do comércio e da mídia. Alguns aspectos da infância também podem interferir diretamente na forma como a pessoa consome.

Por exemplo, as pessoas que tiveram pais consumistas tendem a se tornar adultos consumistas ou com aversão a compras, uma vez que as crianças repetem ou repelem os comportamentos dos pais e as que tiveram pais ausentes e que compensavam isso com bens materiais crescem com a ideia de que as compras são capazes de suprir o amor e o vazio emocional. Igualmente, as pessoas que tiveram todas as necessidades atendidas prontamente também têm uma grande tendência ao consumismo, pois crescem sem limites e com dificuldade para lidar com frustrações.

Por fim, as pessoas que foram rejeitadas ou muito comparadas com outras crianças durante a infância podem criar o hábito de comprar para se sentirem aceitas. Essas pessoas são muito influenciadas pela mídia pelos padrões de moda e beleza.

Para vencer o transtorno compulsivo, deve-se ter autopercepção. Perceber em que momentos se descontrola e descobrir qual o gatilho emocional relacionado ao consumismo. Compra para se sentir aceito, para se sentir seguro, para se punir ou para ser como outra pessoa? Deve-se identificar no dia a dia o que te faz agir dessa forma e criar maneiras mais saudáveis de suprir essa necessidade – seja fazendo uma atividade física, estudando ou se dedicando a alguma atividade que aumente sua autoconfiança.

As pessoas impulsivas devem identificar valores, descobrindo o que é importante para além dos bens materiais: estar entre amigos, ter liberdade, a família, os momentos de emoção, os estudos ou a prática de um esporte. Deve-se fazer o possível para incluir essas atividades no dia a dia, de forma que se possa se sentir completo e feliz sem precisar comprar.

O impulsivo deve cuidar das emoções. Deve-se aprender a lidar com suas emoções e direcionar cada uma delas para não descontar o desequilíbrio emocional em nenhum tipo de compulsão. Entender suas emoções e encontrar alternativas para aliviar a pressão interna é essencial para que elas não sabotem você.

A denominada inteligência emocional é uma excelente aliada para quem quer vencer qualquer tipo de descontrole, justamente porque treina as emoções e a forma como elas afetam sua vida. Há alguns treinamentos emocionais que propõem o entendimento da raiz dos problemas que levaram ao desenvolvimento das doenças e dos desequilíbrios emocionais.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br

 



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