As portas corta-fogos em edificações

Resistentes a altas temperaturas, as portas corta-fogo garantem a proteção contra incêndios, impedindo a passagem de chamas ou fumaça entre diferentes locais de uma edificação, além de serem utilizadas para a fuga de pessoas e para resgates. Por isso, a instalação desses equipamentos é obrigatória em locais públicos, como cinemas, teatros e shoppings e também em edifícios comerciais ou habitacionais por força de leis estaduais e municipais. No caso das edificações, elas precisam cumprir a norma técnica na construção, instalação, funcionamento, desempenho e manutenção.

porta2Da Redação –

As portas corta-fogo têm a função de conter as chamas, o calor e os gases tóxicos provenientes do fogo e, por isso, ela é o equipamento aplicado nas saídas de emergência e nas escadas de incêndio, oferecendo uma passagem segura tanto para a fuga das pessoas quanto para o acesso dos bombeiros em locais com fogo. As portas corta-fogo devem ser instaladas nos acessos a áreas de refúgio, corredores e saídas de emergência, separando os locais de risco.

Elas podem ser produzidas com a combinação de materiais diversos, como madeira, aço, fibra cerâmica e vidro. Suas ferragens podem incluir dispositivos automáticos de fechamento, de rolamento de esferas dobradiças ou de mecanismos de travamento, devendo ainda conter selos, tiras e juntas para impedir a passagem de fumaça.

As portas corta-fogo podem ser do tipo de abrir com eixo vertical, compostas de batentes, ferragens e das portas em si, com a função de impedir ou retardar a propagação do fogo e calor para a completa e segura evacuação do local. Apesar de muito importante, o conjunto de porta-corta-fogo com a barra antipânico compõe uma medida de proteção dentro de um conceito mais amplo chamado de compartimentação.

A ideia de compartimentar a edificação, do ponto de vista da segurança contra incêndio, tem como objetivo conter e limitar o incêndio, tentando garantir que os danos provocados pelo fogo e fumaça fiquem restritos às imediações do local onde o incêndio começou. A compartimentação é dividida em vertical e horizontal. A vertical evita que o incêndio se propague entre andares e a horizontal evita que o incêndio alcance maiores proporções dentro do pavimento.

Essas duas categorias de compartimentação, o uso de porta corta-fogo é imprescindível, pois a base da compartimentação horizontal para conter o incêndio no pavimento próximo à sua região de origem são as portas corta-fogo. Para a compartimentação vertical, são as lajes que compõem os entrepisos, que também devem ter características de resistência ao fogo. Ambos os elementos construtivos apresentam aberturas por onde circulam pessoas, materiais e equipamentos. Essas aberturas são pontos frágeis que devem ser protegidos com uso de portas corta-fogo.

Nesse cenário, as portas corta-fogo precisam ter resistência compatível com os elementos principais de compartimentação, que são as paredes e lajes. As escadas são enclausuradas com paredes e portas corta-fogo. Assim, as portas corta-fogo têm grande importância para a compartimentação vertical, caso contrário, o incêndio ou a fumaça podem se propagar. É fundamental que as portas corta-fogo sejam bem dimensionadas e apropriadas.

Dessa forma, em resumo, pode-se dizer que a função da porta corta-fogo como o próprio nome diz é cortar o fogo, ou seja, manter o fogo no local onde ele se propaga e evitar que atinja outras salas ou outros pavimentos. Deve suportar um certo limite de tempo de exposição ao calor que em média é de 90 minutos, mantendo-se fechada e evitando assim a propagação do fogo.

Em prédios é fundamental a sua atuação, onde, por exemplo, tenha iniciado o incêndio no segundo andar, a porta evita que o fogo atinja as escadas e que as pessoas que estão acima possam descer sem serem atingidas. É de fundamental importância que as portas corta-fogo se mantenham fechadas para que não ocorra um incêndio e ela não esteja calçada e perca toda a sua função. As ferragens em perfeito funcionamento são fundamentais para a eficiência da porta corta-fogo. Entre as principais ferragens estão as dobradiças e as barras antipânico que facilitam a evacuação e mantem a porta fechada durante a presença do fogo.

Uma das características de um incêndio em edificações é a rapidez com que as chamas e a fumaça se alastram pelos compartimentos. Para bloquear a ação do fogo existem materiais/equipamentos como, por exemplo, portas corta-fogo, que têm como objetivo bloquear a propagação do incêndio, evitando que o fogo atinja outros recintos, protegendo vidas humanas e patrimônios.

Segundo alguns especialistas, sempre que houver passagem em uma barreira estanque classificada como corta-fogo, seja em uma compartimentação horizontal (parede, antepara, divisória) e/ou vertical (laje, convés, entrepisos), tais aberturas devem ser vedadas com portas corta-fogo. Seu emprego mais comum é como dispositivo de vedação instalado em passagens localizadas em saídas de emergências e escadas compartimentadas.

Entretanto, as portas corta-fogo também são utilizadas em áreas de riscos industriais, comerciais e entradas de unidades autônomas, ou seja, sempre que haja necessidade de se garantir a compartimentação de áreas específicas de uma edificação ou empreendimento e a segurança de pessoas e patrimônio do local. A NBR 15281 de 10/2005 – Porta corta-fogo para entrada de unidades autônomas e de compartimentos específicos de edificações fixa os requisitos exigíveis para construção, instalação, funcionamento, desempenho e manutenção de portas corta-fogo com dobradiça de eixo vertical, para entrada de unidade autônomas e de compartimentos específicas de edificações.

Algumas definições são importantes para entender o produto. As portas corta-fogo para entradas de unidade autônomas e de compartimentos específicos de edificações possuem dobradiças com eixo vertical, construídas por folha (s), batente ou marco, ferragens e, eventualmente, bandeira que atenda às características da norma. A unidade autônoma é a parte de edificação vinculada a uma fração ideal de terreno, sujeita às limitações da lei, constituída de dependência e instalações de uso comum da edificação, assinalada por designação especial numérica, para efeitos de identificação, nos termos da Lei Federal nº 4591, de 16 de Dezembro de 1964. Já os compartimentos específicos de edificações são os setores que se destinam a um uso definido e próprio e que por essa razão são separados por paredes e portas do restante da edificação. Enquadram-se nesta categoria os quartos de um hotel e de um hospital, as salas de aula e os laboratórios de uma escola, as salas de máquina, de transformação de energia e áreas técnicas em geral, depósitos, cozinhas, etc.

As portas corta-fogo abrangidas por esta norma devem ser classificadas, em função do tempo de resistência que apresentam ao fogo de 30 min, 60 min e 90 min, como PRF-30, PRF-60 e PRF-90, respectivamente. Para isto, devem atender às condições de desempenho estabelecidas nesta norma, comprovadas através de ensaio, e a outras condições constantes em normas e especificações referenciadas.

Para saídas de emergências onde se exigem portas corta-fogo, devem ser utilizadas as portas que atendam às condições estabelecidas na NBR 11742. Os materiais empregados na fabricação das portas, incluindo folha, batente, ferragens e seus elementos de fixação, devem apresentar compatibilidade entre si para que sejam evitadas reações que provoquem deterioração do conjunto.

Cada porta deve receber uma identificação indelével e permanente, por gravação ou por plaqueta metálica, com as seguintes informações: porta corta-fogo PRF-30 ou PRF-60 ou PRF-90, conforme esta norma; identificação do fabricante; número de ordem de fabricação (apenas para a folha da porta); mês e ano de fabricação (apenas para a folha da porta). A identificação deve ser fixada tanto na (s) folha (s) quanto no batente, em locais visíveis.

A unidade de compra é a porta completa, composta por folha (s), batente e ferragens obrigatórias, embaladas de acordo com as condições estabelecidas nesta norma. Cada lote de portas fornecido deve estar acompanhado de um manual de instruções contendo informações referentes a dimensões e massa nominais, cuidados no transporte, embalagem, armazenamento, instalação, funcionamento, manutenção e revestimento.

As portas, quando armazenadas na obra, devem permanecer em locais secos e limpos, e ao abrigo de intempéries, obedecendo às instruções do fabricante. As portas devem ser instaladas de acordo com as instruções do fabricante, que devem se basear nas condições estabelecidas nesta norma.

O batente, ao ser instalado, deve ser completamente preenchido, não deixando vazios ou frestas, utilizando-se para isto argamassa com cimento ou material isolante térmico apropriado. Em qualquer situação tal procedimento deve ser compatível com as condições de ensaio, conforme estabelecido nesta norma.

A (s) folha (s) deve (m) ser instalada (s) com as folgas previstas em projeto e condições previstas nesta norma. A abertura e o fechamento das portas abrangidas por esta norma devem se dar de maneira livre, sem qualquer restrição, mantendo as folgas necessárias entre a (s) folha (s) e a soleira, e entre a (s) folha (s) e o batente, em atendimento às recomendações do fabricante e obedecendo às folgas máximas estabelecidas na norma.

Quando as portas permanecerem abertas no uso normal dos edifícios, devem ser dotadas de sistema de fechamento automático, permanecendo travadas através de dispositivo eletromagnético e sendo liberadas pela atuação de sistema de detecção de incêndio. O fechamento manual deve ser possível no local através do destravamento do dispositivo eletromagnético. Em outras situações, o fechamento automático é facultativo.

Quando a porta possuir fechamento automático, deve ser dotada de dispositivo moderador de velocidade de fechamento, minimizando o impacto contra o batente. As condições originais de funcionamento da porta devem ser preservadas durante toda a sua vida útil, ficando o usuário responsável por isto, através da assistência técnica da empresa fabricante, levando em conta o período de garantia, e de profissionais qualificados.

A qualquer momento deve ser providenciada a regulagem ou substituição dos elementos que não estejam em perfeitas condições de funcionamento. As substituições das ferragens devem atender às orientações contidas no manual do produto fornecido pelo fabricante da porta, de tal forma que não comprometam o seu desempenho original.

O mecanismo de fechamento das fechaduras, caso apresente problemas, deve ser substituído por produto de mesmas características. As dobradiças, caso necessitem ser substituídas, devem ser trocadas por produto similar, sob o ponto de vista dimensional e técnico.

As fechaduras utilizadas devem ser do tipo de embutir, enquadrando-se nas categorias IV, V e VI, conforme condições estabelecidas na tabela 2 da NBR 14913:2002. Os componentes principais das fechaduras, como caixa, mecanismo, lingueta, trinco, chapa-testa, contratesta e a maçaneta, não devem ser constituídos por plásticos nem metais de baixo ponto de fusão, como zamak e equivalentes. Caso a fechadura empregada no protótipo aprovado em ensaio seja substituída na produção/instalação das portas, as características mínimas dos materiais em termos de ponto de fusão devem ser respeitadas.

A maçaneta deve ser de alavanca, pelo menos no lado interno da unidade autônoma. No lado de ingresso à unidade autônoma, a fechadura, em termos de sua forma de acionamento, deve apresentar características compatíveis com o ambiente de uso, podendo dispensar a maçaneta. A fechadura pode ser substituída por barra antipânico que atenda à NBR 11785, desde que tenha sido avaliada quanto à característica de resistência ao fogo e instalada em protótipo ensaiado. As dobradiças podem ser de aba ou com mola incorporada e devem ser de metal cujo ponto de fusão não seja inferior a 850°C.

Caso as dobradiças empregadas no protótipo aprovado em ensaio sejam substituídas na produção/instalação das portas, as características mínimas em termos de dimensões, pontos de fixação e componentes, bem como em relação ao número de peças utilizadas por folha, devem ser mantidas. As condições estabelecidas na NBR 7178, relativas à classificação de dobradiças pesadas, devem ser atendidas.

Caso as dobradiças empregadas no protótipo, aprovadas em ensaio, sejam substituídas na produção/instalação das portas, as características mínimas dos materiais em termos de ponto de fusão devem ser respeitadas. São ferragens obrigatórias para as portas corta-fogo de uma folha, no mínimo, três dobradiças iguais e fechadura ou barra antipânico.

São consideradas ferragens obrigatórias para as portas corta-fogo de duas folhas: dobradiças: no mínimo três iguais por folha; fechaduras: no caso de necessidade de instalação de duas folhas, exclusivamente para permitir passagem ocasional de objetos de grandes dimensões, a folha destinada à vazão de pessoas deve ter as ferragens obrigatórias da porta de uma folha. A outra folha, que pode ser aberta pelo tempo estritamente necessário à passagem dos objetos, deve ter como ferragens obrigatórias o mínimo de três dobradiças do tipo indicado em 5.1.4.2 e ferrolhos superior e inferior.

As folhas devem atender ao disposto em 5.1.2.3 e no caso das duas folhas serem destinadas à passagem de pessoas, duas situações se estabelecem: abertura contrária ao fluxo e abertura no sentido do fluxo. Na primeira situação, a folha que fecha em primeiro lugar deve ser dotada de fechadura do tipo cremona retrátil com travamento superior e inferior, e a outra deve possuir fechadura conforme definido em 5.1.4.1. Na segunda situação ambas as folhas devem ser dotadas de barras antipânico e, caso seja necessário (se tiverem fechamento automático), selecionador de fechamento.

As condições estabelecidas na NBR 11785:1997 e em 5.1.4.1.1 devem ser atendidas. A média dos valores medidos nos corpos-de-prova deve atender às tolerâncias indicados em 5.1.2 e 5.1.3. As tolerâncias permitidas nas dimensões da folha da porta, em relação às suas dimensões nominais, e os desvios de forma aceitáveis para as folhas são indicados na tabela abaixo. As dimensões e os desvios são determinados após o condicionamento previsto na NBR 8543, tendo em conta as condições de execução das medidas ali contidas.

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A tomada das diagonais é feita nos vértices. A tomada das alturas, nos vértices e na mediana da folha. Os valores apresentados na tabela acima correspondem às médias aritméticas dos módulos dos desvios em relação às dimensões nominais apresentadas. As dimensões das diagonais não precisam ser apresentadas quando a folha tiver formato retangular, já que neste caso o limite do desvio se aplica aos valores comparados.

A porta submetida ao ensaio de fechamento brusco, forças de 150 N nas condições da NBR 8054, não deve apresentar: rupturas, fendilhamentos ou desprendimento entre suas partes constituintes; outros danos que prejudiquem suas manobras normais de fechamento. A porta submetida ao ensaio de resistência com presença de obstrução, força de 200 N, nas condições descritas na NBR 8054, não deve apresentar: esmagamento máximo de 5 mm, fendilhamento ou desprendimento entre suas partes constituintes; arrancamento de dobradiça; outros danos que prejudiquem as manobras normais de abertura e fechamento.



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