As oito lições para o Brasil 2020

O fato é que não se consegue conceber como o Brasil, que tem recursos naturais abundantes, clima amigável e solo fértil, que produz o ano inteiro, ainda tenha pessoas que passam fome, com saúde precária e educação sofrível, com índices alarmantes de desemprego e criminalidade, além de ser um dos mais corruptos do mundo.

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Jairo Martins

Longe de querer plagiar Yuval Harari, autor do best seller 21 lições para o século 21, pois o mundo tem um pouco mais de 80 anos para absorver, aplicar e evoluir com essas lições, diferentemente do Brasil, que precisa recuperar as perdas de quase duas décadas de má gestão para ontem. Utilizo-o apenas como referência para demonstrar o abismo que nos separa do mundo desenvolvido.

Qualquer empreendimento humano, seja público ou privado, com ou sem fins de lucro, é responsável por um processo de transformação de recursos em valor para a sociedade. Para executar esse processo, de forma eficaz e eficiente, são necessários clareza de propósito, organização estruturada, recursos e insumos disponíveis, processos e fluxos claros, pessoas treinadas, tecnologia adequada e, principalmente, capacidade de adaptação, face aos cenários e às responsabilidades que mudam de forma acelerada, em decorrência da escassez de recursos, da mudança climática, do crescimento da população e da evolução tecnológica.

É papel da gestão, exercida por uma liderança competente, orquestrar todas essas variáveis, para que os recursos sejam empregados para o bem-estar coletivo, em âmbito mundial. O fato é que não se consegue conceber como um país como o Brasil, que tem recursos naturais abundantes, clima amigável e solo fértil, que produz o ano inteiro, ainda tenha pessoas que passam fome, com saúde precária e educação sofrível, com índices alarmantes de desemprego e criminalidade, além de ser um dos mais corruptos do mundo.

O que fizemos nesses mais de 500 anos de vida? Por que deixamos o país enveredar por caminhos tortuosos, entrando em uma crise de ética tão alarmante, que redundou na atual crise socioeconômica? Ora, acontecimentos são sempre relações de causas e efeitos. Sucesso é a combinação harmônica de relações de causas e efeitos. Crise ou fracasso é a precipitação desestruturada de relações de causas e efeitos.

Não há dúvidas de que a mediocridade política aliada à conivência e à conveniência dos empresários e dirigentes e à apatia da sociedade foram as grandes responsáveis por este estado de coisas. A má qualidade da gestão do nosso país é a causa-mor do nosso estado de indigência generalizada.

A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) completou 28 anos e, ao invés de comemorar quase três décadas de existência, cumprindo o seu papel de disseminar, capacitar e instrumentalizar as organizações para que se transformem e gerem valor para os brasileiros, por meio da Plataforma MEG – Modelo de Excelência da Gestão, vemos, com tristeza, o descaso com o qual a gestão é tratada no nosso país. Como não é da nossa índole desistir face às dificuldades, desde a nossa criação em 11 de outubro de 1991, quando houve a abertura da economia brasileira, a FNQ renova o seu propósito para que o Brasil encontre o rumo do desenvolvimento sustentável por meio da gestão.

Nesse sentido, como 2019 já é um caso perdido, a FNQ deixa aqui as oito lições para o Brasil 2020:

– Liderança transformadora – atuar de forma ética, inspiradora, exemplar, mobilizadora e comprometida, olhando o curto prazo, porém, trabalhando para construir o futuro;

– Pensamento sistêmico – compreender e tratar as interdependências entre os diversos componentes que constituem o País, bem como no contexto global;

– Compromisso com as partes interessadas – estabelecer pactos duradouros com todos os integrantes das suas redes de relacionamento, internas e externas, compreendendo as suas necessidades e agindo de forma coletiva e colaborativa;

– Desenvolvimento sustentável – ter responsabilidade e compromisso em responder pelos impactos das suas ações na sociedade e no meio ambiente, executando ações proativas e reparadoras;

– Orientação por processos – buscar sempre a eficiência e a eficácia na execução das atividades e das ações, melhorando a produtividade das organizações e a competitividade do país, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento;

– Adaptabilidade – ser agente de transformação, executando mudanças em tempo hábil, com discernimento e bom-senso, face às demandas das partes interessadas e as mutações de cenários;

– Aprendizado organizacional e inovação – ser protagonista para buscar e alcançar novos patamares de competência, por meio do compartilhamento de conhecimento e da criação de um ambiente propenso à inovação;

– Geração de valor – alcançar resultados econômicos, sociais e ambientais, que se sustentem ao longo do tempo, respeitando os preceitos da ética e da diversidade.

Para que o nosso país encontre, definitivamente, o caminho da prosperidade, esperança de todos os brasileiros, sem exceção, essas oito lições devem ser aprendidas e praticadas por todos, cidadãs, cidadãos, políticos, governantes, empresários, líderes e dirigentes, enfim, por aqueles que querem o sucesso do Brasil. Não há mais espaço para esperar para ver, pois é tempo de arregaçar as mangas e fazer. Essa atitude transformadora de cada um dos que aqui vivem seria o melhor presente que a FNQ desejaria receber nos seus 28 anos de idade.

Jairo Martins é presidente executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).



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3 respostas

  1. Que pese na consciência e que cada um faça diferença.

  2. “como 2019 já é um caso perdido, a FNQ deixa aqui as oito lições para o Brasil 2020:” Sr Jairo Martins, o senhor está desconsiderando as mudanças promovidas pelo Ministro Paulo Guedes e principalmente pelo Ministro Tarcísio de Freitas? Seu comentário triste, invoca uma militância de um governo que atrasou em vários aspectos a nossa nação.
    Deve-se comemorar 2019, pelas bases que estão sendo criadas e que sustentarão os projetos de melhoria.
    Atenção FNQ, o seu presidente é míope.

  3. Prezado Henrique. Calma, pois seus comentários a respeito da Fundação Nacional da Qualidade – FNQ e o Presidente Executivo Jairo Martins são precipitados e injustos. No que pese você ter tido uma impressão negativa sobre o texto “As oito lições para o Brasil 2020“, é importante registrar que a FNQ , independente de ideologia, forma de governar ou governo do Brasil, a instituição sempre promoveu a melhor gestão por meio dos Critérios de Excelência tanto na iniciativa privada como no serviço público. Os Superintendentes da FNQ, suportados por Conselho de Administração representado por empresas públicas e privadas de significativo valor empresarial, pautaram suas administrações de forma isenta e sempre se relacionando de forma harmoniosa com as Administrações que governaram o País. E, não tem sido diferente a atual postura do Presidente Executivo Jairo Martins, que se relaciona perfeitamente bem com a equipe do Ministro da Economia, Gestão e Planejamento Paulo Guedes, por meio do Secretário de Produtividades, Emprego e Competitividade Carlos Alexandre Jorge da Costa ou do Secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital Paulo Uebel e respectivas equipes. Entendo que o texto do Jairo Martins é mais uma incitação pública para aplicarmos os fundamentos da “qualidade” ao almejarmos o que ele, você, eu e quem hoje governa, o melhor para o Brasil. Carlos Lombardi.

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