As especificações das placas cerâmicas de revestimento

A cerâmica é considerada o material artificial mais antigo produzido pelo homem. O termo deriva do grego kéramos que significa terra ou argila queimada. As placas cerâmicas são um dos materiais tradicionais mais importantes e amplamente usados para revestir pisos e paredes. Já a indústria cerâmica possui setores com características bastante individualizadas e com níveis de avanço tecnológico distintos: cerâmica vermelha; cerâmica branca; materiais refratários; isolantes térmicos; fritas e corantes; abrasivos; vidro, cimento e cal; cerâmica de alta tecnologia/cerâmica avançada; revestimentos cerâmicos. A cerâmica para revestimento constitui um segmento da indústria de transformação, de capital intensivo, inserido no ramo de minerais não metálicos e tem como atividade a produção de placas para revestimentos de pisos e paredes. É um fundamental que esses produtos sejam produzidos conforme as normas técnicas.

placa2Da Redação –

Para alguns construtores, as principais vantagens do uso da cerâmica estão ligadas à alta resistência, durabilidade, beleza e diversidade de tipos e preços, disponibilidade e ampla rede de fabricantes brasileiros do produto. Além disso, podem ser citados outros aspectos positivos, tais como o fato de ser um produto antialérgico, de fácil limpeza, fácil colocação e que não propaga chamas.

O revestimento cerâmico é composto por um conjunto de elementos distintos que funcionam como uma estrutura organizada: substrato (base); argamassa de regularização (emboço) e argamassa de assentamento; placa cerâmica; diferentes tipos de juntas; argamassa de rejuntamento. revestimento cerâmico como um conjunto formado pelas placas cerâmicas, pela argamassa de assentamento e pelo rejunte. As placas cerâmicas são constituídas, em geral, por três camadas: o suporte ou biscoito, o engobe, que tem função impermeabilizante e, ao mesmo tempo deve garantir aderência da terceira camada, e o esmalte, camada vítrea que também impermeabiliza, além de decorar uma das faces da placa.

Existe uma infinidade de possibilidades para inovar na arquitetura e transformar o ambiente. A cerâmica pode ser aplicada em paredes, chão, calçadas e até mesmo revestir a fachada de prédios. O que se deve preocupar apenas é com a característica técnica de cada peça escolhida. A resistência à água, à trafegabilidade, à abrasão e qual é o rejunte apropriado.

Outras vantagens em escolher esse tipo de revestimento cerâmico é que além de barato, ele não mancha e é extremamente fácil de limpar. As cerâmicas são extremamente versáteis. Por isso podem ser aplicadas dentro e fora de casa.

A execução do revestimento cerâmico interno abrange um conjunto de atividades necessárias à adequada execução da camada de acabamento e compreende as seguintes etapas: verificação e preparo do substrato; aplicação da camada de fixação; assentamento dos componentes; preenchimento das juntas entre componentes (rejuntamento) e de trabalho quando houver, seguido de limpeza. Para que o revestimento proporcione o desempenho esperado, é necessário que se tome uma série de cuidados ao longo do processo de produção, que envolve desde a compra dos componentes e da argamassa colante e manutenção do revestimento executado.

O método de execução e as técnicas propostas buscam reunir os parâmetros fundamentais para que cada atividade seja realizada de modo programado e racionalizado, evitando-se desperdícios e possíveis fontes de problemas. Já as origens das patologias do sistema de revestimento cerâmico estão relacionadas na maioria das vezes as especificações de projeto, ao assentamento e a manutenção.

Não obstante, a falta de um projeto de revestimento, o qual responde pela qualidade do processo dos materiais e execução (assentamento) e dos métodos de preservação (uso/manutenção) ao longo da vida útil do edifício, podem também se responsabilizar pelo surgimento de manifestações patológicas como casos ligado ao destacamento de placas cerâmicas e, consequentemente, pode vir a causar grandes prejuízos financeiros. As patologias relacionadas ao uso e a manutenção podem ocorrer devido ao desgaste do esmalte, manchamento (ataque químico e mancha d’água), que acontecem em consequência da inexistência ou falha do projeto de especificação, imperfeição dos serviços de mão de obra, ou ainda, o uso de produtos de limpeza inadequados para a classe correspondente à placa cerâmica.

Os destacamentos ou descolamentos podem ocorrer devido as variações de temperatura ambiente que geram tensões de cisalhamento, flambagem e posterior destacamento das placas cerâmicas. Podem vir a ocorrer também por outros fatores tais como a influência de cargas sobrepostas logo após o assentamento provocando tensões de compressão sobre a camada superficial e o descolando do revestimento; ou ainda devido à ausência de juntas de dilatação ou instabilidade do suporte recentemente executado sobre a presença de alguma umidade, ou ausência de esmagamento dos cordões com consequente falta de impregnação de material colante no verso da placa cerâmica.

Segundo a Associação Brasileira de Cerâmica, a cerâmica compreende todos os materiais inorgânicos, não metálicos, obtidos geralmente após tratamento térmico em temperaturas elevadas. O setor cerâmico é amplo e heterogêneo o que induz a dividi-lo em subsetores ou segmentos em função de diversos fatores como matérias-primas, propriedades e áreas de utilização. Dessa forma, há uma classificação a ser adotada.

A cerâmica vermelha compreende aqueles materiais com coloração avermelhada empregados na construção civil (tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, tubos cerâmicos e argilas expandidas) e também utensílios de uso doméstico e de adorno. As lajotas muitas vezes são enquadradas nesse grupo, porém o mais correto é em materiais de revestimento.

Os materiais de revestimento ou placas cerâmicas são aqueles materiais, na forma de placas usados na construção civil para revestimento de paredes, pisos, bancadas e piscinas de ambientes internos e externos. Recebem designações tais como: azulejo, pastilha, porcelanato, grês, lajota, piso, etc. A cerâmica branca forma um grupo bastante diversificado, compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa, necessária por razões estéticas e/ou técnicas.

Com o advento dos vidrados opacificados, muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados, sem prejuízo das características para uma dada aplicação, com matérias primas com certo grau de impurezas, responsáveis pela coloração. Dessa forma é mais adequado subdividir este grupo em: louça sanitária, louça de mesa, isoladores elétricos para alta e baixa tensão, cerâmica artística (decorativa e utilitária), cerâmica técnica para fins diversos, tais como: químico, elétrico, térmico e mecânico.

O grupo dos materiais refratários compreende uma diversidade de produtos, que têm como finalidade suportar temperaturas elevadas nas condições específicas de processo e de operação dos equipamentos industriais, que em geral envolvem esforços mecânicos, ataques químicos, variações bruscas de temperatura e outras solicitações. Para suportar essas solicitações e em função da natureza, foram desenvolvidos inúmeros tipos de produtos, a partir de diferentes matérias primas ou mistura destas.

Dessa forma, pode-se classificar os produtos refratários quanto a matéria prima ou componente químico principal em: sílica, sílica-aluminoso, aluminoso, mulita, magnesianocromítico, cromítico-magnesiano, carbeto de silício, grafita, carbono, zircônia, zirconita, espinélio e outros. Por sua vez, os isolantes térmicos podem ser classificados em refratários isolantes que se enquadram no segmento de refratários, isolantes térmicos não refratários, compreendendo produtos como vermiculita expandida, sílica diatomácea, diatomito, silicato de cálcio, lã de vidro e lã de rocha, que são obtidos por processos distintos ao do item a) e que podem ser utilizados, dependendo do tipo de produto até 1.100°C e fibras ou lãs cerâmicas que apresentam características físicas semelhantes as citadas, porém apresentam composições tais como sílica, sílica-alumina, alumina e zircônia, que dependendo do tipo, podem chegar a temperaturas de utilização de 2.000º C ou mais.

Uma parte da indústria de abrasivos, por utilizarem matérias primas e processos semelhantes aos da cerâmica, constituem-se em um segmento cerâmico. Entre os produtos mais conhecidos podemos citar o óxido de alumínio eletrofundido e o carbeto de silício. O vidro, o cimento e a cal são três importantes segmentos cerâmicos e que, por suas particularidades, são muitas vezes considerados à parte da cerâmica.

O aprofundamento dos conhecimentos da ciência dos materiais proporciona ao homem o desenvolvimento de novas tecnologias e aprimoramento das existentes nas mais diferentes áreas, como aeroespacial, eletrônica, nuclear e muitas outras e que passaram a exigir materiais com qualidade excepcionalmente elevada. Tais materiais passaram a ser desenvolvidos a partir de matérias-primas sintéticas de altíssima pureza e por meio de processos rigorosamente controlados.

Estes produtos, que podem apresentar os mais diferentes formatos, são fabricados pelo chamado segmento cerâmico de alta tecnologia ou cerâmica avançada. Eles são classificados, de acordo com suas funções, em: eletroeletrônicos, magnéticos, ópticos, químicos, térmicos, mecânicos, biológicos e nucleares. Os produtos deste segmento são de uso intenso e a cada dia tende a se ampliar. Como alguns exemplos, podem ser citadas as naves espaciais, satélites, usinas nucleares, materiais para implantes em seres humanos, aparelhos de som e de vídeo, suporte de catalisadores para automóveis, sensores (umidade, gases e outros), ferramentas de corte, brinquedos, acendedor de fogão, etc.

A NBR 13816 de 04/1997 – Placas cerâmicas para revestimento – Terminologia define os termos relativos às placas cerâmicas para revestimento, esmaltadas e não esmaltadas. A NBR 13817 de 04/1997 – Placas cerâmicas para revestimento – Classificação classifica as placas cerâmicas para revestimentos, visando promover a especificação correta para o uso. A NBR 15463 de 09/2013 – Placas cerâmicas para revestimento — Porcelanato estabelece os requisitos exigíveis para fabricação, marcação, declarações em catálogos, recebimento, inspeção, amostragem e aceitação de placas cerâmicas para revestimento do tipo porcelanato. Esse tipo de revestimento cerâmico caracteriza-se pela uniformidade na coloração, alta resistência à abrasão física e química, além da versatilidade, uma vez que esse tipo de piso pode ser usado tanto na área interna quanto na externa de uma casa. O produto é o resultado da combinação de vários tipos de argilas e minerais que são combinados em proporções específicas e então passa por um equipamento chamado atomizador. Para ter uma ideia, enquanto as cerâmicas comuns são compostas por dois a quatro tipos de argila, os porcelanatos podem utilizar entre sete e dez tipos.

A NBR 13818 de 04/1997 – Placas cerâmicas para revestimento – Especificação e métodos de ensaios fixa as características exigíveis para fabricação, marcação, declarações em catálogos, recebimento, inspeção, amostragem, ensaios opcionais complementares, métodos de ensaios e aceitação de placas cerâmicas para revestimento, conforme esquema de características mostrado na figura abaixo. Esta norma, quando aplicada às placas cerâmicas para revestimentos, com dimensões abaixo de 7,5 cm x 7,5 cm, deverá obedecer as características dispostas no anexo T, nos quadros VI e VII, chamada 12.

As placas ou as correspondentes embalagens devem ter as seguintes identificações: marca do fabricante ou marca comercial, e o país de origem; identificação de primeira qualidade; tipo de placa cerâmica (grupo de classificação) e referência a esta norma e à ISO 13006; tamanho nominal (N), dimensão de fabricação (W) e formato modular (M) ou não modular; natureza da superfície, com um dos seguintes códigos: GL – esmaltado (glazed) ou UGL – não esmaltado (unglazed); informação sobre a classe de abrasão, para placas cerâmicas esmaltadas a serem utilizadas como pavimentos; nome ou código de fabricação do produto; referência de tonalidade do produto; código de rastreamento do produto (por exemplo: data de fabricação, turno, lote de fabricação, etc.); número de peças; metros quadrados que cobrem, sem juntas, se fornecidas caixas contendo placas individuais, ou metros quadrados que cobrem, com juntas, se fornecidas caixas com conjuntos de placas com junta predefinida (por exemplo: pastilhas); e especificação de uma junta pelo fabricante.

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Nos catálogos, folhetos técnicos e informativos das empresas devem constar obrigatoriamente as seguintes informações: grupo de classificação, conforme a NBR 13817; classe de abrasão de 0 a 5, conforme anexo D; classe de resistência química, A, B ou C, conforme anexo H; classe de resistência ao manchamento de 0 a 5, conforme anexo G; e coeficiente de atrito para pisos, conforme anexo N. Devem ser exigidos os tipos de análise visual conforme descrito abaixo.

Para os defeitos visuais de superfície, o conjunto de placas examinadas, em forma de um painel deve estar livre de defeitos que poderiam afetar a sua aparência. A utilização proposital de pintas para efeitos decorativos é considerada um efeito e não um defeito. Não se aplica a placas cerâmicas para revestimentos com área inferior 57 cm². Os limites de aceitação devem ser fixados por acordo entre as partes e podem ser definidos com padrões (caso geral) ou com coordenadas de cor (somente cores lisas).

Para as características geométricas, devem ser verificadas na fabricação: a dimensão dos lados, espessura, retitude lateral, ortogonalidade, curvatura central, curvatura lateral e empeno, conforme estabelecido nos quadros de I a X do anexo T (consultar a norma). Para as dimensões (comprimento e largura da placa), os símbolos utilizados nesta norma são os seguintes: dimensão nominal (N); dimensão de fabricação (W); média dos lados de 10 placas (R); média dos lados de uma placa (r). N e W são dados de projeto, R e r são valores obtidos por medição.

Para os desvios de W com relação a N, existem dois casos exemplificados no anexo X: para formatos modulares, a dimensão de fabricação W está determinada pelo módulo C (igual ao nominal N) menos a junta de projeto (J) (conforme a NBR 13816). Neste caso W nunca é maior que N. Para formatos não modulares, a dimensão de fabricação W pode ser maior que N.

Para a dispersão dimensional de r em relação a R dentro de um calibre, este desvio mede a dispersão dimensional do calibre recebido pelo cliente. Os valores exigíveis para as características de 4.3.2.2.1, 4.3.2.2.2 e 4.3.2.2.3 estão indicados no anexo T, quadros II a X. A ortogonalidade e a planaridade devem ser verificadas para três deformações distintas: curvatura central; curvatura lateral; e empeno. Para a retitude dos lados e características físicas e químicas, as características dispostas em 4.3.3.1 e 4.3.3.2 são exigíveis para todos os usos e os valores, conforme o grupo de classificação, estão indicados no anexo T, quadros de II a X.

As características físicas são as seguintes: absorção de água; carga de ruptura e módulo de resistência à flexão; classe de abrasão superficial, para placas cerâmicas esmaltadas destinadas a pavimentos; resistência à abrasão profunda, para placas cerâmicas não esmaltadas destinadas a pavimentos; resistência ao gretamento, para placas cerâmicas esmaltadas; coeficiente de atrito para pavimentos; expansão por umidade; e resistência ao impacto. A resistência à gretagem não se aplica aos produtos declarados como de efeito craquelê proposital.

As características químicas são as seguintes: resistência a manchas; e resistência aos agentes químicos. Em função dos usos específicos declarados nos catálogos, folhetos técnicos e informativos das empresas ou nas embalagens, as placas cerâmicas para revestimento devem ser submetidas aos ensaios dispostos em 5.1 e 5.2, verificando-se se os valores declarados obedecem às exigências dos quadros I a X do anexo T.

Para a determinação da dureza segundo a escala Mohs, os riscos visíveis presentes na superfície do revestimento, devidos à aplicação dos minerais de ensaio indicados, fornecem o índice da dureza da placa (ver UNI EN 101). A escala de dureza de Mohs talco 1, gesso 2, calcita 3, fluorita 4, apatita 5, feldspato 6, quartzo 7, topázio 8, corindon 9, diamante 10. Para a preparação do corpo de prova, devem ser ensaiados pelo menos cinco revestimentos cerâmicos, de um mesmo lote.

Colocar o corpo de prova a ensaiar sobre um suporte rígido, com a superfície sem muratura para cima. Riscar, com a mão, a superfície de ensaio, com um canto vivo obtido pela quebra do mineral requerido, aplicando um esforço uniforme, de modo que no fim do ensaio, o canto esteja em contato com a superfície do revestimento. Repetir este procedimento por quatro vezes, com um canto vivo de cada mineral necessário para obter um resultado em cada revestimento cerâmico.

Verificar a presença de riscos sobre o revestimento, a olho nu ou com óculos, se usados habitualmente. Para a expressão dos resultados, para cada revestimento, anotar o mineral com a mais alta dureza Mohs que produz não mais de um risco. No caso de revestimento com dureza variável, anotar a menor dureza Mohs. O relatório deve conter as seguintes informações: descrição da placa cerâmica: referência comercial; dureza Mohs para cada corpo de prova; e referência a esta norma.



Categorias:Metrologia, Normalização, Qualidade

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