Publicado em 10 mar 2026

A doença de origem imunológica denominada vitiligo

Redação

O vitiligo é uma doença crônica não contagiosa caracterizada pela perda de melanócitos, resultando em manchas brancas na pele (despigmentação). Afeta cerca de 0,5% a 2% da população mundial, geralmente antes dos 30 anos. Embora sem cura definitiva, tratamentos como corticoides tópicos, imunomoduladores e fototerapia podem controlar a progressão e repigmentar a pele.

O vitiligo é uma condição caracterizada por perda em áreas (patchy) da coloração cutânea (depigmentação); cabelos nas áreas afetadas também podem ficar brancos. A idade média de início é na casa dos vinte e poucos anos, mas pode surgir em qualquer faixa etária.

Vitiligo é, em geral, considerada uma doença autoimune: o sistema imune parece atacar os melanócitos da epiderme. Fatores genéticos contribuem: variações em mais de 30 genes foram associadas ao risco; entre eles NLRP1 (regulação da inflamação) e PTPN22 (sinalização em linfócitos T). Essas variações provavelmente afetam a capacidade de controlar a inflamação, facilitando a agressão aos próprios tecidos.

Fatores desencadeantes ambientais descritos incluem exposição à radiação ultravioleta, contato com certas substâncias químicas ou produtos clareadores, e estresse psicológico; melanócitos de indivíduos suscetíveis podem ser mais vulneráveis ao estresse, levando a reação imune anômala.

Vitiligo generalizado (não-segmentar): forma mais comum — placas despigmentadas disseminadas, frequentemente nos locais típicos (face, pescoço, couro cabeludo, perímetros orificiais, mãos, cotovelos, joelhos). Vitiligo segmentar: placas limitadas a um lado do corpo, em área restrita (~10% dos casos).Outras formas: focal, universal, etc., com evolução variada.

Prevalência estimada entre ~0,5% e 1% da população mundial; alguns autores sugerem até 1,5%. Ocorre em todos os grupos étnicos, sendo mais aparente em peles escuras pela diferença de contraste. Cerca de 20% (um quinto) dos pacientes têm familiar de primeiro grau acometido.

Associação frequente com doenças autoimunes: doença tireoidiana autoimune, artrite reumatoide, diabetes mellitus tipo 1, psoríase, anemia perniciosa, doença de Addison, lúpus eritematoso sistêmico, doença celíaca, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, entre outras. Aproximadamente 15–25% dos portadores podem apresentar pelo menos uma outra doença autoimune.

Lesões: áreas maculares, planas, bem delimitadas, sem alteração tátil (textura normal), cor branco-leitosa. Podem ser simétricas ou assimétricas. Exames úteis: inspeção clínica; lâmpada de Wood (áreas com menos pigmento brilham intensamente); em alguns casos biópsia cutânea para excluir outras causas. Avaliação laboratorial para doenças associadas (função tireoidiana, glicemia, vitamina B12) pode ser realizada conforme suspeita clínica.

Tratamento: Fototerapia (exposição controlada a radiação ultravioleta) é uma opção terapêutica usada em vitiligo; pode ser monoterapia ou associada a tratamentos tópicos/orais para sinergia ou redução do tempo de tratamento. Lasers específicos podem auxiliar na repigmentação.

A fototerapia é reconhecida como modalidade terapêutica médica e sua execução deve observar normas profissionais; quando indicada, exige supervisão e responsabilidades médicas conforme pareceres locais sobre o ato médico. O CRM-PR: PARECER 2699 informa que a modalidade terapêutica denominada fototerapia é utilizada para tratar uma grande variedade de dermatoses inflamatórias, tais como: vitiligo, psoríase, esclerodermia, eczemas crônicos, doença enxerto versus hospedeiro, fotodermatoses idiopáticas (erupção polimorfa à luz, hidroa vaciniforme, urticária solar, prurigo actínico, dermatite crônica actínica), e para o tratamento de linfomas cutâneo de células T.

O procedimento pode ser usado em monoterapia ou associada a drogas tópicas e orais, como retinoides, methotrexate, entre outros. Esta associação tem como objetivo diminuir o tempo de tratamento e obter sinergia. Pode, também, ser usado em fotoforese extracorpórea e como PUVA imersão ou bath PUVA. Os raios ultravioletas são divididos em: a) UVA (400-320nm),

O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (as células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, diminuição da cor, com manchas brancas de tamanho variável na pele. O vitiligo não é contagioso e não traz prejuízos a saúde física. No entanto, as lesões provocadas impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima do paciente. Nesses casos, o acompanhamento psicológico pode ser recomendado.

A maioria dos pacientes de vitiligo não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele. Entretanto, em alguns casos, os pacientes relatam sentir sensibilidade e dor na área afetada. A maior preocupação dos dermatologistas são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença. Por isso, em alguns casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico, que pode ter efeitos bastante positivos nos resultados do tratamento.

O diagnóstico do vitiligo é essencialmente clínico, pois as manchas com pouca pigmentação aparecem geralmente em locais do corpo bem característicos, como boca, nariz, joelhos. A biópsia cutânea revela a ausência completa de melanócitos nas zonas afetadas, exceto nas bordas da lesão, e o exame com lâmpada de Wood (lâmpada com luz fluorescente utilizada nos diagnósticos dermatológicos) é fundamental nos pacientes de pele branca, para detecção das áreas de vitiligo.

O tratamento deve ser discutido com um dermatologista, conforme as características de cada paciente. Dentre as opções terapêuticas está o uso de medicamentos que induzem a repigmentação das regiões afetadas. Também é possível utilizar tecnologias como o laser, técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos.

O tratamento do vitiligo é individualizado, e os resultados podem variar consideravelmente entre um paciente e outro. Por isso, somente um profissional qualificado pode indicar a melhor opção. É importante lembrar que a doença pode ter um excelente controle com a terapêutica adequada e repigmentar completamente a pele, sem nenhuma diferenciação de cor.

Artigo atualizado em 24/02/2026 04:21.
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