Os riscos clínicos do câncer de fígado
Redação
A maioria dos tumores primários do fígado são carcinomas hepatocelulares, sendo o colangiocarcinoma (câncer das vias biliares) responsável pela maior parte dos casos restantes. O CHC é um câncer primário do fígado que tipicamente se desenvolve em um contexto de doença hepática crônica, particularmente em pacientes com cirrose ou infecção crônica pelo vírus da hepatite B.

O carcinoma hepatocelular (CHC) é a principal neoplasia maligna primária do fígado. Os fatores de risco descritos incluem cirrose hepática, hepatites B e C crônicas, consumo abusivo de álcool, diabetes, obesidade, doença hepática gordurosa não alcoólica, aflatoxinas e hemocromatose hereditária.
O rastreamento é indicado para pacientes com cirrose, independentemente da etiologia; hepatite C com fibrose avançada; hepatite B, independentemente da função hepática; e doença hepática gordurosa não alcoólica associada à síndrome metabólica e fibrose graus 3 ou 4. O rastreamento recomendado é ultrassonografia abdominal a cada 6 meses nos pacientes cirróticos que possam se beneficiar de tratamento curativo.
A alfa-fetoproteína pode ser associada à imagem, mas não deve ser utilizada isoladamente para o diagnóstico precoce. O diagnóstico é preferencialmente realizado por métodos de imagem não invasivos, como a ultrassonografia; tomografia computadorizada; e ressonância magnética.
A biópsia ou exame anatomopatológico é reservado principalmente para pacientes não cirróticos ou para lesões com exames de imagem inconclusivos. A ressecção hepática é a principal opção curativa em pacientes com CHC e fígado não cirrótico, dependendo do estado clínico e do volume de parênquima hepático remanescente.
Em pacientes com cirrose, o transplante hepático pode ser curativo quando há boa função hepática, Child-Pugh A, bilirrubinas normais, ausência de hipertensão portal e doença dentro dos critérios de Milão: tumor único de até 5 cm ou até três tumores, cada um com até 3 cm. A quimioterapia sistêmica paliativa pode ser considerada em doença avançada ou metastática, especialmente quando não há indicação de terapias locorregionais ou há progressão após essas terapias.
Segundo o MS-PCDT: Carcinoma Hepatocelular no Adulto, as neoplasias malignas hepáticas primárias são o sexto tipo mais comum de neoplasia maligna e a quarta principal causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. O carcinoma hepatocelular (CHC) representa 75 a 85% das neoplasias primárias do fígado. Sua incidência global anual é estimada entre 500.000 e 1.000.000 novos casos, levando a 700.000 mortes por ano..
O CHC é atualmente a complicação mais comum e a principal causa de morte em pacientes com cirrose hepática compensada. A grande maioria dos casos (90%) está associada ao desenvolvimento de cirrose. As infecções crônicas pelos vírus da hepatite B e vírus da hepatite C estão envolvidas em mais de 80% dos casos de CHC.
O Brasil é considerado um país com baixa incidência de CHC, com incidência anual de 3,5% em pacientes cirróticos. Em 2009, uma pesquisa nacional incluiu dados de 29 centros e um total de 1.405 pacientes diagnosticados com CHC.
A mediana de idade foi de 59 anos e 78% dos casos eram do sexo masculino. A cirrose hepática estava presente em 98% dos casos e as etiologias mais comuns foram infecção crônica por hepatite C (54%), hepatite B (16%) e alcoolismo (14%).
Os principais fatores de risco para CHC são cirrose hepática, infecções pelos vírus da hepatite C e B, contaminação de alimentos por aflatoxinas, ingestão alcoólica abusiva, diabetes, obesidade, doença hepática gordurosa não alcoólica e hemocromatose hereditária. A cirrose, independentemente da etiologia, é o mais frequente fator de risco para a desenvolvimento de CHC, principalmente nos pacientes portadores de hepatite C.
Ainda entre os pacientes cirróticos, aqueles com idade mais avançada, do sexo masculino, com maior atividade inflamatória hepática ou gravidade da cirrose estão sob risco ainda maior para o desenvolvimento desta neoplasia. A identificação de fatores de risco e da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos.
O rastreamento do CHC é indicado em pacientes cirróticos independentemente da etiologia; para os portadores de hepatite C com fibrose avançada e para os portadores de hepatite B, independentemente da função hepática. Para pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica associada à síndrome metabólica, o rastreamento deve ser realizado naqueles com fibrose hepática graus 3 ou 4.