As cadeiras escolares devem ser ensaiadas conforme a norma técnica

Saiba quais são os requisitos mínimos dimensionais, de ergonomia, estabilidade, resistência, durabilidade e segurança, e os métodos de ensaio para cadeiras escolares com superfície de trabalho acoplada, frontal e lateral, para ambientes de ensino.

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Da Redação –

Os problemas encontrados em sala de aula no Brasil, em relação à ergonomia, no que se refere à inadequação das cadeiras escolares e as características antropométricas e biomecânicas dos alunos, são abusivos. O que é pior, os dados referentes às pesquisas biomecânicas sobre o assunto são poucas ou nada utilizados pela sociedade brasileira particularmente no ambiente escolar.

Em um ambiente escolar tem-se observado uma grande dificuldade em se adaptar o mobiliário escolar aos alunos. Muitas das vezes se deparam com alunos de diferentes estaturas e pesos dividirem uma mesma carteira em momentos diferentes do dia.

Portanto, inteirar-se e conhecer acerca do assunto é uma necessidade maciça e urgente para que se transforme a consciência ergonômica e física do público escolar em uma realidade. Ressalte-se que a utilização de equipamento mobiliário adequado é um importante para o apoio à eficiência dos métodos pedagógicos e, consequentemente, da aprendizagem.

A NBR 16671 de 04/2018 – Móveis escolares – Cadeiras escolares com superfície de trabalho acoplada – Dimensões, requisitos e métodos de ensaio estabelece os requisitos mínimos dimensionais, de ergonomia, estabilidade, resistência, durabilidade e segurança, e os métodos de ensaio para cadeiras escolares com superfície de trabalho acoplada, frontal e lateral, para ambientes de ensino. Não se aplica a poltronas para auditórios e não se aplica a cadeiras com superfície de trabalho para pessoas obesas. Para poltronas para auditórios, ver a NBR 15878.

Pode-se definir uma cadeira escolar com superfície de trabalho acoplada como um mobiliário composto de cadeira e superfície de trabalho interligados, abrangendo os produtos habitualmente conhecidos como: cadeira universitária; carteira universitária; cadeira com prancheta; frontal ou lateral; cadeira ou carteira monobloco. As tipologias e as dimensões para as cadeiras com superfície de trabalho acoplada estão estabelecidas na tabela abaixo.

As cadeiras com superfícies de trabalho, quando reguláveis para mais de um padrão dimensional devem ser ensaiadas para cada padrão dimensional que sua tipologia (frontal ou lateral) contemple. Todos os requisitos definidos na tabela devem ser contemplados nas cadeiras com superfícies de trabalho reguláveis para mais de um padrão dimensional. As cadeiras com superfície de trabalho acoplada frontal e lateral devem apresentar superfícies de trabalho, com área útil conforme definido nesta norma.

A área útil da superfície de trabalho frontal deve ser definida pela projeção de um retângulo de dimensões (b1) × (t1), conforme Figura D.1 (disponível na norma). A área útil da superfície de trabalho lateral deve ser definida pela projeção de um retângulo de dimensões (b1) × (t1) rotacionado em um ângulo μ em relação ao eixo de simetria do assento, conforme Figura D.2 (conferir na norma).

Para qualquer tamanho de superfície de trabalho, deve ser possível que a área útil seja plana, contínua, livre de interferências e posicionada no ângulo μ. As cadeiras com superfície de trabalho acoplada frontal devem possuir sistema de regulagem para adequação postural e para facilidade de acesso do usuário de modo a permitir o deslocamento c1 da superfície de trabalho frontal a partir da posição funcional determinada pela distância a, conforme Figura D.9 9 (disponível na norma).

As cadeiras com superfície de trabalho acoplada lateral devem apresentar apoia-braço no mesmo lado da superfície de trabalho. O apoia-braço que fica no mesmo lado da superfície de trabalho lateral deve possibilitar apoio no mesmo plano, podendo ser definido pelo prolongamento desta superfície. O apoia-braço, quando independente da superfície de trabalho, deve ter comprimento e2 e estar posicionado no máximo até 50 mm de W no sentido longitudinal.

Quando o apoia-braço for um prolongamento da superfície de trabalho, sua borda posterior deve estar situada a no máximo 50 mm de W. W pode situar-se no espaço. Em qualquer situação, o apoia-braço pode se sobrepor a W ou mesmo ultrapassá-lo. As cadeiras que apresentarem apoia-braços de ambos os lados devem possibilitar apoio na mesma altura, com tolerância de ± 5 mm, medida no plano transversal. O espaço mínimo para movimentação posterior das pernas deve ser aferido com o uso do gabarito Tipo 1.

O diâmetro mínimo para movimentação do abdômen deve ser aferido com o uso do gabarito tipo 2, acoplado ao gabarito tipo 3, aplicável exclusivamente em cadeiras com superfície de trabalho lateral. Os espaços para movimentação das coxas, joelhos e pés devem ser aferidos com o uso do gabarito tipo 3, tanto para cadeiras com superfície de trabalho lateral como frontal.

O acesso do usuário não pode ser obstruído por qualquer elemento da cadeira. Caso sejam adotados outros dispositivos, além dos mandatórios, estes devem ser produzidos de modo que a cadeira atenda a todos os requisitos constantes nesta norma. A classificação e o padrão dimensional estão listados na tabela.

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A cadeira com superfície de trabalho acoplada deve possuir acabamento uniforme e livre de defeitos. A cadeira com superfície de trabalho acoplada não pode apresentar elementos que possam ser removidos sem a utilização de ferramentas. As partes acessíveis ao usuário não podem apresentar arestas, bordas, saliências, reentrâncias ou perfurações que apresentem características cortantes conforme ensaio de bordas cortantes da NBR NM 300-1.

As partes acessíveis ao usuário não podem apresentar saliências perfurantes, quando verificadas conforme ensaio de pontas agudas da NBR NM 300-1. Quando a cadeira for carregada no assento com uma massa de (30 ± 0,15) kg, seus pés devem apresentar perfeito apoio em uma superfície plana. Os mecanismos de movimentação ou regulagem existentes na cadeira devem ser projetados de modo a não oferecer riscos de ferimentos originários de cisalhamentos e/ou esmagamentos, em partes acessíveis ao usuário.

O mobiliário deve ser reprovado quando existirem pontos de cisalhamento e/ou esmagamento, em partes acessíveis durante o uso, levando em consideração as alíneas a seguir e o roteiro do Anexo A: considerar as partes acessíveis em relação a um único usuário sentado; considerar partes acessíveis com movimento de ambas as partes ou somente uma delas com as demais fixas, podendo existir ou não mecanismo de fechamento automático; não considerar como pontos de cisalhamento/esmagamento distâncias que não variam durante seu movimento, não acarretando efeito tesoura; não considerar como pontos de cisalhamento/esmagamento locais onde ocorram contatos com usuários providos de elementos flexíveis, em uma ou ambas as partes, como espumas, borrachas ou elementos retráteis, promovendo a possibilidade de abertura maior que 25 mm sob força ou pressão, ou seja, considerar somente onde ocorra contato entre partes rígidas; não considerar como pontos de cisalhamento/esmagamento os pontos em que o usuário é capaz de controlar seus movimentos e cessar a aplicação de esforço no momento da aparição da dor; não podem existir pontos de cisalhamento/esmagamento, em partes acessíveis do móvel, produzidos por mecanismos de acumulação de energia, como por exemplo, molas ou cilindros de gás; os pontos de cisalhamento/esmagamentos não são aceitáveis se o risco se produz pelo próprio peso do usuário durante as ações de movimentos normais, como por exemplo, o deslocamento de uma cadeira para levantar o assento ou para ajustar o encosto.

Todas as extremidades de tubos devem apresentar fechamento. A estrutura metálica não pode apresentar respingos provenientes de solda. As partes acessíveis durante o uso não podem ter orifícios, fendas ou aberturas entre 7 mm e 12 mm de diâmetro, a menos que a profundidade seja menor que 10 mm. Quando houver partes lubrificadas, estas devem ser projetadas de modo a evitar o contato com o corpo e com as roupas do usuário.

As partes metálicas devem ter tratamento anticorrosivo. A resistência à corrosão na câmara de névoa salina deve ser de 240 h, quando ensaiada conforme NBR 8094 e avaliada conforme as NBR 5841 e ABNT NBR ISO 4628-3, com grau de enferrujamento máximo de Ri1, e grau de empolamento de d0/t0, em corpos de prova seccionados de partes retas e que contenham uniões soldadas. O tamanho do corpo de prova deve ser de no mínimo 150 mm de comprimento.

A superfície de trabalho deve ser ensaiada também de acordo com as NBR 14535, e NBR 15761 pelos ensaios descritos a seguir e atender às especificações definidas nesta subseção: o brilho não pode exceder 30 unidades de brilho quando medido com a geometria de 60°; dureza > 2 H; resistência ao impacto = Grau 5; resistência à abrasão. O valor máximo de desgaste deve ser de 100 mg para 100 ciclos.

A aderência do filme (quando aplicável) ≤ Grau 4 e a resistência a manchas das seguintes substâncias e produtos: água, solução de detergente doméstico, óleo vegetal de cozinha, café, chá, leite, suco de uva, etanol (álcool etílico), ketchup, mostarda, tinta de caneta esferográfica azul, tinta de pincel atômico preta à base de água. A limpeza dos produtos deve seguir a metodologia do fabricante. Caso persistam manchas, deve ser realizada limpeza de outra área conforme método estabelecido na NBR 14535, não podendo haver manchamento.

No que se refere à toxicidade, as películas de pintura e os componentes poliméricos não podem conter os elementos citados na NBR NM 300-3, ou seus compostos solúveis, em proporções excedentes aos valores máximos estabelecidos. As chapas ou componentes fabricados em madeira aglomerada devem atender aos requisitos mínimos da classificação da NBR14810-2 na Classificação E2 para formaldeído. As chapas em fibra de madeira e outros painéis derivados de madeira devem atender aos requisitos de classificação da NBR 15316-2 na Classificação E2.

Os níveis de emissão de formaldeído destes painéis, caracterizados pelas NBR 14810-2 e NBR 15316-2, são definidos em classes: E1 – baixa emissão de formaldeído: inferior ou igual a 8,0 mg/100 g de amostra seca; E2 – média emissão de formaldeído: maior que 8,0 mg/100 g e inferior ou igual a 30,0 mg/100 g de amostra seca; E3 – alta emissão de formaldeído: maior que 30,0 mg/100 g e inferior a 60,0 mg/100 g de amostra seca.

As cadeiras para ensaio devem ser coletadas conforme o plano de amostragem, e devem ser sempre inspecionadas antes de cada ensaio, conforme documentação técnica do produto especificada pelo fabricante ou programa de avaliação da conformidade, verificando-se e registrando-se as eventuais alterações. Para os requisitos para ensaios, a tolerância para a posição das superfícies de carregamento deve ser de ± 5 mm. A relação 10 N = 1 kgf pode ser usada para os fins desta norma.

A ordem de realização dos ensaios deve ser correspondente à sequência de apresentação destes no Anexo B. Ao final de cada ensaio, a cadeira deve ser examinada, e a ocorrência de qualquer um dos seguintes itens deve ser registrada como não conformidade, exceto quanto aos aspectos de avaliação dimensional, segurança e acabamento, que devem ser verificados conforme as seções anteriores desta norma, e quando situações de tolerância forem especificadas.

Não pode ocorrer qualquer fratura ou trinca de qualquer membro, junta ou componente; qualquer afrouxamento de ligações consideradas rígidas, que não possam ser reapertadas, verificadas com a aplicação de uma pressão manual em seus membros; qualquer deformação permanente em qualquer parte que possa afetar sua funcionalidade ou aparência; qualquer movimento livre da superfície de trabalho, pernas ou componentes, maior do que o verificado na inspeção inicial.

Caso as características da cadeira escolar com superfície de trabalho acoplada não permitam a aplicação dos procedimentos dos ensaios nos respectivos pontos de carregamento especificados por esta norma, estes procedimentos devem ser realizados tanto quanto possível como descrito e os desvios devem ser informados e registrados no relatório de ensaio.

A cadeira com superfície de trabalho acoplada deve conter as seguintes informações de forma indelével: identificação do fabricante e data de fabricação (mês e ano); identificação da tipologia (frontal ou lateral) e do (s) tamanho (s), pelo (s) número (s) do (s) padrão (ões) dimensional (is) e/ou pela (s) cor (es) correspondente (s); identificação da (s) faixa (s) de estatura do usuário correspondente (s) ao (s) padrão (ões) dimensional (ais).

As informações correspondentes devem estar na parte posterior do encosto. Cada cadeira com superfície de trabalho acoplada deve ser acompanhada de manual de instruções contendo informações sobre tipologia, classificação dimensional, montagem (quando o produto for comercializado desmontado), regulagem (quando for o caso), uso, manutenção e limpeza.

Enfim, o mobiliário escolar deve ser flexível e se adequar às exigências pessoais e pedagógicas, não devendo ser um empecilho no processo de aprendizagem nas atividades dinâmicas de grupo. Ao mesmo tempo que deve ser resistente e robusto, com acabamentos e conformação que não causem danos ao usuário e ao meio, deve ser de material de boa qualidade, que seja de fácil manutenção e limpeza, e não ser condutor de calor.

A clássica estrutura escolar da sala de aula, onde o aluno permanece todo o tempo sentado durante o período de aula, poderia também ser causador de fadiga e, portanto, influenciar a avaliação do conforto das cadeiras, principalmente as que não cumprem as especificações da norma técnica. O sistema de ensino deveria pensar em alternativas que tornassem o dia-a-dia na sala de aula mais dinâmico.



Categorias:Metrologia, Normalização

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