A operação dos sistemas metroviários e ferroviários

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Os requisitos para operação dos sistemas metroviários e ferroviários em situações normal, anormal, especial, emergência e de segurança pública.

Da Redação –

Embora o sistema ferroviário, de forma geral, não seja muito desenvolvido no Brasil, o sistema de metrôs é fundamental no dia a dia de milhões de pessoas da terra tupiniquim. Ainda mais neste período de greve dos caminhoneiros, no qual a falta de abastecimento de gasolina reduziu a frota de ônibus. Dados da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) mostram que, em 2017, o país contava com apenas 1.064,6 km de rede de transporte de passageiros sobre trilhos (trem, metrô, monotrilho e afins) na quinta maior nação do mundo, utilizando o território como critério, pois o país possui 8.516.000 km² de extensão.

No caso do meio sobre trilhos mais veloz, o metrô, apenas sete cidades no Brasil possuem o serviço: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. Voltando-se à capital paulista, o metrô transportou 1,095 bilhão de passageiros no ano passado, uma média diária de 3,7 milhões. Este número certamente subirá em 2018, visto que novas estações estão sendo inauguradas ao longo da megalópole.

Esta rede de transporte carrega não só uma importância enorme, sendo para muitas pessoas a única forma de chegar ao trabalho ou escola, mas também leva consigo a responsabilidade de garantir que nada “saia dos trilhos”. A vida de milhões de seres humanos está em questão, e um simples erro de operação do sistema pode causar uma tragédia.

NBR 16639 de 10/2017 – Operação de sistemas metroferroviário e monotrilho – Requisitos especifica os requisitos para operação dos sistemas metroviários e ferroviários em situações normal, anormal, especial, emergência e de segurança pública. É aplicável à operação de novos sistemas metroferroviários e às novas extensões de sistemas, existentes. Não se aplica às instalações, equipamentos ou estruturas existentes ou cuja construção ou implantação tenha sido aprovada antes da data de entrada em vigor desta norma. Porém, quando da substituição de sistemas e equipamentos, estes devem atender a esta norma.

Esta norma não é aplicável aos serviços de manutenção destes sistemas que são de responsabilidade da empresa operadora, bem como à operação dos seguintes serviços: veículos do tipo trolley; veículos tipo VLT; veículos tipo TAV; trem que transporte circo; operações de excursão, turística, histórica, etc. com equipamentos antiquados; qualquer outro tipo de operação de transporte metroferroviário não incluído no escopo desta norma. As prescrições contidas nesta norma não impedem o desenvolvimento e ou uso de novas tecnologias ou métodos de operação aplicáveis ao âmbito desta norma.

Esta norma não impede a operação de sistemas, métodos ou dispositivos que possuam qualidade, poder de resistência ao fogo, eficiência, durabilidade e segurança equivalentes ou superiores aos itens por ela recomendados. Os sistemas operacionais metroferroviário e monotrilho devem ser projetados com o objetivo de preservar a vida dos condutores, das equipes operacionais e de manutenção e demais usuários no interior do túnel e estações.

Os sistemas operacionais são compostos de: sistema de ventilação; sistema de sinalização e piloto automático; sistema de alimentação de energia elétrica; sistema de circuito fechado de TV (CFTV), com ou sem detecção automática de incidente (DAI); sistema de detecção e alarme de incêndio; sistema de combate de incêndio; sistema de painel de mensagens variáveis (PMV); sistema de supervisão e controle operacional (SSC); centro de controle operacional (CCO); estação de comando de emergências.

Os sistemas operacionais devem ser projetados de acordo com as normas brasileiras para sistemas eletroeletrônicos, de incêndio e legislações em vigor, quando aplicáveis, e devem atender ao conceito de ITS (Inteligent Traffic System). Todos os sistemas operacionais devem estar interligados e integrados a um Centro de Controle Operacional, conforme a Seção 6 desta norma.

Os sistemas operacionais devem operar 24h por dia, sem interrupções, com exceção dos intervalos necessários para a manutenção, sendo que esta deve ser realizada preferencialmente fora do horário operacional do sistema. Os sistemas projetados devem ter a confiabilidade necessária para atender às operações normais, anormais, especiais e de emergência do túnel.

A operação dos sistemas deve ser efetuada por técnicos treinados e habilitados, conforme a Seção 8 desta norma. Deve haver um manual de operação e de manutenção/ensaio para cada sistema operacional. Estes manuais devem estar atualizados e ser revisados periodicamente.

O Centro de Controle Operacional (CCO) é composto de painéis eletrônicos em tempo real, de estações operacionais e de emergência e de salas de reuniões. A Estação de Operação é a principal interface dos sistemas para o operador. O nível de supervisão, na Estação de Operação, deve fornecer aos operadores informações em tempo real das condições de operação de todos os sistemas vitais e de suporte para o sistema metroferroviário.

No caso de detecção de qualquer estado anormal dos equipamentos supervisionados, o operador deve ser avisado pelo sistema, que deve gerar alarmes em janelas de gerenciamento de alarmes e em gráfico sinóptico, com registro do evento com data e hora da ocorrência. O sistema deve gerar relatórios gerenciais com resumo de horas de funcionamento dos equipamentos para programação de manutenção.

O operador pode então antever e mesmo prevenir problemas antes que haja o comprometimento da operação dos sistemas dos túneis. O sistema supervisório deve integrar todos os sistemas, criando-se uma interface homem-máquina, de forma a facilitar a operação com poucos operadores.

No caso de emergência ou outros eventos, o operador, pode por meio dos painéis de mensagens variáveis, enviar mensagens pré-configuradas, semi configuradas ou programáveis, para informar o estado de operação, orientar ou ordenar ações de segurança, de acordo com o evento, para os condutores que necessitem entrar no interior do túnel. O sistema deve também ser capaz de ser programado para atuação automática em caso de alarme de outro sistema.

Em caso de emergência, a tela da estação de operação pode ser reproduzida nas telas do vídeo wall, conjugadas a outras imagens, de forma a permitir que o Supervisor do CCO acompanhe todas as informações pertinentes a uma determinada ocorrência. Nestes casos, os dados podem ser transferidos para uma estação de emergência localizada no CCO. No CCO, além dos supervisores e operadores, esta norma recomenda que seja previsto um espaço para membros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Os procedimentos operacionais para situações normais, anormais ou degradadas, especiais, de emergência e de segurança pública devem ser elaborados antes do início da operação plena dos sistemas metroferroviário e monotrilho sob a responsabilidade dos gestores destes sistemas. Estes procedimentos operacionais devem ser revisados no máximo a cada cinco anos, ou após a ocorrência de uma anormalidade não prevista, ou após qualquer modificação no sistema operacional.

Na falha do sistema de sinalização e operacionais, deve ser acionado o serviço de manutenção. Em emergência no sistema de sinalização o comando operacional deve ser efetuado pelo CCO, de forma a garantir as condições básicas de segurança. Não havendo a possibilidade de garantir as condições básicas de segurança, a circulação de trens deve ser interrompida.

Na emergência do sistema de piloto automático sem operador de trem, a circulação dos trens deve ser interrompida para garantir as condições básicas de segurança. O CCO deve determinar o procedimento operacional a ser seguido. Na emergência do sistema de piloto automático com operador de trem, a circulação dos trens deve ser transferida para o operador do trem.

O CCO deve determinar o procedimento operacional a ser seguido. A operação normal do sistema metroviário para estação fechada deve ser desenvolvida de acordo com as condições definidas no projeto executivo operacional do sistema metroviário de cada operadora.

A operação anormal ou degradada em uma estação fechada do sistema metroviário deve garantir que os sistemas definidos na Seção 5 possam ser operados de modo manual ou automático, a fim de atender às suas condições de segurança operacionais e à integridade física dos usuários. A operação de emergência em uma estação fechada do sistema metroviário deve garantir que os sistemas definidos na Seção 5 possam ser operados de modo manual ou automático, conforme definido no projeto executivo operacional para garantir a integridade física dos usuários.

A operação de segurança pública em uma estação fechada do sistema metroviário deve seguir o planejamento prévio e próprio de contingências (concentração de público de grande porte, manifestação pública, furto, roubo, vandalismo, sabotagem, terrorismo etc.), de forma a garantir que os sistemas definidos na Seção 5 possam ser operados de modo manual ou automático, a fim de atender às suas condições de segurança operacionais e à integridade física dos usuários, inclusive com apoio de outros órgãos de segurança pública.

O treinamento deve possibilitar ao pessoal técnico operacional do sistema metroferroviário: compreensão total do funcionamento do sistema operacional, suas interfaces e respectivos equipamentos em situações normais, anormais, especiais e de emergência; uso correto do manual de operação do sistema; elaboração de relatórios operacionais; realizar manutenção preventiva e corretiva; realizar ensaios em todo o sistema operacional e equipamentos para a aceitação em campo. O treinamento deve ser composto de treinamentos teórico e prático, com carga horária predefinida.

Ao final do treinamento, os operadores devem estar credenciados a operar o sistema em situações normais, anormais, especiais, de emergência e de segurança pública. Os programas de treinamento e de retreinamento são de responsabilidade do gestor dos sistemas metroviário e ferroviário. Os simulados operacionais de emergência para casos de incêndio devem ser aplicados anualmente.

O retreinamento deve ser aplicado periodicamente, conforme definido pela autoridade competente, dependendo da complexidade das operações. Nos relatórios operacionais devem constar as seguintes informações: alarmes, com estado, data e hora; histórico em tabela ou gráfico histórico; eventos; impressão do gráfico sinóptico; demanda de energia com consumo diário, semanal, mensal e anual; sistema de segurança por senha; registro de cadastramento de operadores e de entrada e saída do sistema.

Os relatórios operacionais devem ser preparados pelos operadores do CCO nos casos de operações anormais, especiais e de emergência. Estes relatórios devem ser mantidos em arquivo pelo período mínimo de três anos.



Categorias:Normalização, Qualidade

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