Inovar não é inventar

Enquanto a inovação é um ato de fazer alterações no produto ou serviço existente ou no processo, introduzindo novas formas ou ideias, a invenção refere-se à criação de um novo produto ou serviço.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

Group of paper planes in one direction and with one individual pointing in the different way. Business concept for innovative solution.

Há uma diferença fundamental entre um inovador e um inventor. O inovador melhora ou faz uma contribuição significativa para algo que já foi inventado e o exemplo mais conhecido é Steve Jobs. Já o inventor cria um produto ou introduz um processo pela primeira vez e o exemplo mais usado: Thomas Edison.

Todos devem estar conscientes do fato de que nada é permanente neste mundo, nem produtos ou serviços e nem tecnologia. Hoje, dia a dia, são feitas as melhorias e as atualizações em tecnologia, levando a novas invenções e inovações em todas as esferas da vida. A invenção refere-se à criação de um novo produto ou dispositivo.

Por outro lado, a inovação é um ato de fazer alterações no produto existente ou no processo, introduzindo novas formas ou ideias. À primeira vista, os dois termos são parecidos, mas, se o leitor for mais fundo, descobrirá que há uma linha tênue de diferenças entre a invenção e a inovação que estão em suas conotações. Embora a invenção tenha a ver com criar ou projetar algo, a inovação é o processo de transformar uma ideia criativa em realidade.

Em linhas gerais, o termo invenção pode ser definido como o ato de criar, projetar ou descobrir um dispositivo, método, processo, que não existia antes. Em termos mais sutis, é uma nova ideia científica concebida por meio de pesquisa e desenvolvimento, e experimentação que se transforma em um objeto tangível. Pode ser um novo processo de fabricação de um produto ou pode ser um aprimoramento de um produto ou de um novo produto.

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As invenções podem ser patenteadas, pois fornecem segurança ao inventor, direitos de propriedade intelectual e o identificam como um inventor real. Além disso, diferentes países têm regras diferentes para obter a patente e o processo também é oneroso. Para ser patenteada, a invenção deve ser nova, ter valor e não ser óbvia.

Já a palavra inovação significa como a transformação de uma ideia em realidade. No sentido mais puro, a inovação pode ser descrita como uma mudança que agrega valor aos produtos ou serviços e que atende às necessidades dos clientes.

A inovação pode ser uma introdução ou desenvolvimento de um novo produto, processo, tecnologia, serviço ou aprimoramento/redesenho dos existentes que fornecem soluções para as exigências atuais do mercado. Todo o processo que ajuda na geração da nova ideia e traduzi-la nos produtos demandados pelos clientes é coberto pela inovação.

O conceito de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) é bastante variado, dependendo, principalmente, da sua aplicação. De forma sucinta, alguns consideram que é a exploração com sucesso de novas ideias.

E sucesso para as empresas, por exemplo, significa aumento de faturamento, acesso a novos mercados, aumento das margens de lucro, entre outros benefícios. Dentre as várias possibilidades de inovar, aquelas que se referem a inovações de produto ou de processo são conhecidas como inovações tecnológicas.

Outros tipos de inovações podem se relacionar a novos mercados, novos modelos de negócio, novos processos e métodos organizacionais. Ou, até mesmo, novas fontes de suprimentos.

As pessoas frequentemente confundem inovação e processos de inovação com melhoria contínua e processos relacionados a esse tema. Para que uma inovação seja caracterizada como tal, é necessário que seja causado um impacto significativo na estrutura de preços, na participação de mercado, na receita da empresa, etc.

As melhorias contínuas, normalmente, não são capazes de criar vantagens competitivas de médio e longo prazo, mas de manter a competitividade dos produtos em termos de custo. No caso da inovação de produto, consiste em modificações nos atributos do produto, com mudança na forma como ele é percebido pelos consumidores.

Por exemplo, um automóvel com câmbio automático em comparação ao convencional. A inovação de processo trata de mudanças no processo de produção do produto ou serviço.

Não gera necessariamente impacto no produto, mas produz benefícios no processo de produção, geralmente com aumentos de produtividade e redução de custos. Como exemplo, pode-se citar um automóvel produzido por robôs em comparação ao produzido por operários humanos Já a inovação de modelo de negócio, pode-se ser na forma como o produto ou serviço é oferecido ao mercado.

Não implica necessariamente em mudanças no produto ou mesmo no processo de produção, mas na forma como que ele é levado ao mercado. Exemplo: um automóvel é alugado ao consumidor, que passa a pagar uma mensalidade pelo uso do veículo, com direito a seguro, manutenção e troca pelo modelo mais novo a cada ano; em comparação ao modelo de negócio tradicional, em que o veículo é vendido.

Considerando que as inovações são capazes de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo, inovar torna-se essencial para a sustentabilidade das empresas e dos países no futuro. A inovação tem a capacidade de agregar valor aos produtos de uma empresa, diferenciando-a, ainda que momentaneamente, no ambiente competitivo.

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Ela é ainda mais importante em mercados comoditizados. Ou seja, com alto nível de competição e cujos produtos são praticamente equivalentes entre os ofertantes. Aqueles que inovam neste contexto, seja de forma incremental ou radical, de produto, processo ou modelo de negócio, ficam em posição de vantagem em relação aos demais.

As inovações são importantes porque permitem que as empresas acessem novos mercados, aumentem suas receitas, realizem novas parcerias, adquiram novos conhecimentos e aumentem o valor de suas marcas. Obviamente, os benefícios da inovação não se limitam às empresas.

Para os países e regiões, as inovações possibilitam o aumento do nível de emprego e renda, além do acesso ao mundo globalizado. As inovações oferecem novos produtos, que passam a contar com mais benefícios dos produtos oferecidos.

Para que as empresas realizem inovações é necessário que elas, em primeiro lugar, tomem consciência da importância de inovar no cenário competitivo vigente. Não há como se tornar uma empresa inovadora sem dar a devida importância ao tema.

Em seguida, as empresas devem entender o que é inovação e qual é a sua dinâmica. A partir daí, elas podem definir uma estratégia que deve estar alinhada aos objetivos da organização e à sua visão de futuro. Assim, é possível identificar outro conceito essencial para que as empresas se tornem inovadoras: a atenção para o futuro é uma premissa para a empresa inovar

A NBR 16500 de 08/2012 – Atividades para gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PDI) — Terminologia estabelece os termos e definições que são utilizados no âmbito das NBR 16501 e da NBR 16502. Apresenta um conjunto de terminologias e definições que são importantes requisitos para o desenvolvimento de projetos de P&DI, com o propósito de harmonizar conceitos e termos para os diversos agentes do sistema brasileiro de inovação.

É importante registrar que essa norma faz parte de um conjunto de normas brasileiras proposto que contempla as Normas de Sistema de Gestão de P&DI e Projetos de P&DI. Ela foi desenvolvida de forma a ser compatível com as normas de sistema de gestão e projetos de P&DI, que se complementam mutuamente, mas também podem ser utilizadas de forma independente.

Por exemplo, alguns termos: pesquisa (no contexto de PD&I) é indagação original e planejada que objetiva descobrir novos conhecimentos ou aprimorar o conhecimento existente em produtos, processos, métodos ou sistemas, visando maior compreensão dos fenômenos envolvidos e suas aplicações; desenvolvimento (no contexto de PD&I) é o trabalho sistemático realizado com utilização do conhecimento gerado na pesquisa e na experiência, com o propósito de criar novos ou significativamente aprimorados produtos, processos, métodos ou sistemas; e inovação é a introdução no mercado de produtos, processos, métodos ou sistemas que não existiam anteriormente, ou que contenham alguma característica nova e diferente da até então em vigor.

A NBR 16501 de 11/2011 – Diretrizes para sistemas de gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PDI) estabelece diretrizes para o desenvolvimento e implementação de sistemas de gestão da PD&I e é aplicável a qualquer organização, independentemente do porte, tipo e atividade. Para que se tenha sucesso nesse processo, as empresas devem focar no seu planejamento tecnológico, buscando sempre identificar todas as oportunidades de se aplicar tecnologias novas absorvidas por meios de programas estratégicos, fruto de cuidadoso planejamento.

Esta operacionalização deverá se dar em duas etapas: a identificação das oportunidades e a internalização da tecnologia. Também deverá ser avaliada toda nova tecnologia, buscando aplicações similares realizadas em outras empresas e seus resultados, identificando também as melhorias ocorridas após esta implantação.

É muito comum possuir mais de um fornecedor para implementar uma nova tecnologia dentro do seu processo. Portanto, cabe a cada empresa identificar aquela que melhor se adapte às suas características, avaliando sempre o grau de maturidade da empresa para absorver esta nova tecnologia, o nível de investimento necessário e o resultado esperado (custo-benefício).

A norma não tem como objetivo ser usada em medidas regulatórias ou em relações contratuais – inclusive certificação – e as suas diretrizes são genéricas e pretende-se que sejam aplicáveis a organizações que desejem iniciar ou aprimorar as atividades da PD&I, e definir, implementar e melhorar um sistema de gestão de acordo com sua política. Quando uma ou várias diretrizes não puderem ser aplicadas devido à natureza da organização, pode-se considerar sua não aplicação, desde que isso não afete a capacidade ou responsabilidade da organização para realizar atividades de PD&I e cumpra os requisitos das partes interessadas.

Segundo a norma, a capacidade de inovação das empresas é reconhecida como um dos principais fatores que favorecem o crescimento econômico de um país, os níveis de bem-estar e a competitividade de sua economia. O processo inovativo depende não só da competência interna das empresas, mas também da capacidade que elas têm de interagirem com outras organizações, em particular com as universidades e centros de pesquisa.

Em qualquer dessas situações, o fator crítico de sucesso é a capacidade de gestão desse processo. A P&D, bem como a inovação, muitas vezes são vistos como processos distintos, criativos e que demandam, cada vez mais, uma abordagem estruturada. As técnicas de normalização utilizadas para outros sistemas de gestão são igualmente aplicáveis aos sistemas de gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação. Alguns países têm desenvolvido conjuntos de normas para as diversas atividades da PD&I, os quais levam em conta o contexto específico de sua aplicação.

A adoção de um sistema de gestão da PD&I deve ser considerada como uma decisão estratégica da organização. O desenho e a implantação do sistema de uma organização são influenciados pelas diferentes necessidades, pelos objetivos específicos, pelos bens fabricados, pelos serviços prestados, pelos processos utilizados e pela natureza, porte e estrutura da organização.

Cabe destacar que não é o propósito da norma estabelecer uniformidade na estrutura dos sistemas de gestão da PD&I ou na documentação, nem propor regras prescritivas, razão pela qual foi construída como um conjunto de diretrizes. Ela foi desenvolvida de forma a ser compatível com outras normas de sistemas de gestão.

Essas normas se complementam mutuamente, mas também podem ser utilizadas de forma independente. A implantação de um sistema de gestão conforme proposto contribui para proporcionar diretrizes para organizar e gerenciar eficazmente, sistematizar as atividades da PD&I e promover a cultura da inovação na organização.

Fornece orientação para apoiar as organizações que estejam operando em um contexto onde o fluxo da informação e seu aproveitamento sistemático geram conhecimento que pode ser usado como fator de competitividade ou excelência.

As atividades da PD&I podem ser conduzidas por diferentes atores e em diversas formas e arranjos, ocorrendo em conjunto ou de forma separada. Nesse contexto, é comum encontrar organizações onde a inovação é decisiva em suas estratégias, podendo ser desenvolvidas por algumas organizações e a inovação por outras. As empresas podem gerar conhecimento e tecnologia internamente, de forma compartilhada ou ainda por meio de aquisição externa.

As atividades da pesquisa básica, tipicamente conduzidas por universidades e centros de pesquisa não são objeto da norma, ainda que constituam base importante para o processo de inovação. Uma vez que a P&D podem ser conduzidos de forma independente das atividades de inovação, é importante destacar que o sistema de gestão pode ser estabelecido de forma a atender aos diversos contextos possíveis.

A representação esquemática da gestão da PD&I proposto (figura abaixo) baseia-se na sequência de atividades desde a pesquisa até o seu resultado no mercado (bem, serviço, processo, método de marketing ou método organizacional novo ou substancialmente melhorado), independentemente de serem atividades que podem ser conduzidas em separado, inclusive por organizações distintas.

Ela ilustra um importante conjunto de elementos que representam as entradas para as atividades da PD&I. Destaca, ainda, que em cada etapa podem ocorrer outras entradas e saídas. No entanto, as saídas típicas são: o conhecimento gerado pela pesquisa, a tecnologia gerada pelo desenvolvimento e a inovação levada para o mercado. Destaca o ambiente da PD&I quando essas atividades, ou parte delas, são tratadas de forma sistêmica na organização. Na figura o termo produto refere-se a bens, processos, serviços e materiais processados

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O modo de se conduzir a PD&I varia de organização para organização, dependendo da sua natureza, do seu porte ou do papel que a PD&I tem para as respectivas estratégias. Existem diversos modelos teóricos que podem ser usados para subsidiar a estruturação do modelo a ser adotado em cada organização. A título de ilustração, apresentam-se de forma sucinta, no Anexo A, quatro modelos clássicos, consagrados pela literatura, que são o modelo de “silos”, o de “funil”, o das “ligações em cadeia” (chain-linked model), de Kline & Rosenberg (1986), e o modelo de PD&I paralelo.

Embora elevados graus de variabilidade e imprevisibilidade sejam inerentes à PD&I, é possível sistematizar e organizar sua realização por meio de um sistema de gestão da PD&I baseado no ciclo PDCA (ver Seção 7). A utilização deste modelo permite conduzir a PD&I de diversas maneiras, de acordo com a estratégia definida pela organização.

As ferramentas como vigilância tecnológica e prospecção tecnológica, por exemplo, podem revelar tendências e resultados obtidos em outros contextos, que podem ser traduzidos em novas ideias e oportunidades para satisfazer necessidades do mercado ou melhorar produtos ou processos já existentes. Essas ideias são estudadas e analisadas, sendo selecionadas aquelas que se mostrarem viáveis.

O modelo interativo ou de ligações em cadeia (chain-linked model) é baseado nas ligações em cadeia (chain-linked model), de Kline & Rosenberg, ver figura abaixo, e representa a complexidade e a incerteza inerentes à PD&I, bem como a relação entre as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. As atividades da PD&I requerem sincronismo constante entre os conhecimentos técnicos e as necessidades do mercado, para atingir simultaneamente resultados econômicos, tecnológicos e outros que se impuserem ao processo da PD&I.

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A NBR 16502 de 08/2012 – Gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PDI) — Diretrizes para elaboração de projetos de PDI estabelece diretrizes para a elaboração de projetos de PD&I, independentemente de sua complexidade, duração ou área de atividade. As diretrizes desta norma são genéricas e aplicáveis a qualquer organização, independentemente do porte e natureza.

Não abordam os aspectos relativos à gestão de projetos de PD&1. Não estabelece um formato único para a apresentação de projetos. Enfim, as atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) são fundamentais para a posição competitiva das organizações no mercado. As atividades de PD&I são comumente estruturadas na forma de projetos.

O termo PD&I descreve os conceitos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que são três atividades distintas que podem ou não estar relacionadas entre si em um mesmo projeto. Para os objetivos dessa norma, o termo PD&I será utilizado tanto na circunstância das três atividades estarem presentes em um determinado projeto, como na ocorrência de apenas uma ou combinação dessas.

No âmbito das organizações produtivas, os projetos de PD&I são orientados para alimentar o processo de inovação e, como tal, contribuem para situar essas organizações em uma posição favorável para enfrentar os novos desafios que surgem em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado. Os projetos mencionados na NBR 16501 :2011 – Diretrizes para sistemas de gestão da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação (PD&I), que estabelece o sistema de gestão de projetos de PD&I, podem ser elaborados a partir dessa norma. Essa norma pode ser adotada como um guia para o planejamento, documentação, apresentação, redação e avaliação de projetos de PD&1.

Os projetos de PD&I caracterizam-se pela presença de inúmeras variáveis, o que pode aumentar o grau de incerteza associado à sua execução. Entre as características que distinguem os projetos de PD&I de outros tipos de projetos, destaca-se o fato de que os resultados alcançados pelos projetos de PD&I podem diferir substancialmente dos objetivos iniciais.

Entretanto, ainda que os resultados sejam diferentes, o conhecimento deles decorrente ou o próprio resultado pode ser valioso para a organização. A divisão de um projeto de PD&I em fases e etapas representa um mecanismo que facilita a sua execução, o seu acompanhamento e a concretização dos resultados, permitindo ainda identificar e gerir os riscos associados, sempre visando alcançar seus objetivos.

Um projeto de PD&I é complexo, sendo comum que se volte a fases e etapas anteriores para incorporar conhecimento adicional necessário para superar dificuldades encontradas na sua execução. Essa particularidade implica a necessidade de interação e realimentação entre as partes envolvidas.

Convém que projetos de PD&I estejam alinhados ao direcionamento estratégico da organização, pelo que se faz necessário um mecanismo de informação para a direção, possibilitando a tomada de decisões. Adotou-se uma abordagem centrada nos conteúdos mínimos necessários à elaboração de um projeto de PD&I executável e gerenciável.

É possível inovar sem gastar dinheiro

Vicente Falconi

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Há algum tempo, estive na França para dar uma palestra e assisti ao vice-presidente da empresa fazer um apelo a seus funcionários por inovação e empreendedorismo para enfrentar a crise. Pelas perguntas que se seguiram, notei que o pessoal não havia entendido sua mensagem.

Um deles perguntou, por exemplo, quanto a empresa estaria disposta a investir em dinheiro para se tornar mais inovadora. Na sequência, quando iniciei minha palestra, decidi reforçar a mensagem do vice-presidente ao deixar claro que inovar depende muito mais de atitude do que apenas de recursos financeiros.

Inovar com sucesso não é necessariamente sair por aí com um sem-número de produtos inéditos. Inovar é questionar sempre, tanto produtos como processos de uma empresa. É preciso repensá-los sempre de acordo com as necessidades de seus clientes internos ou externos.

Você deverá descobrir que muitos produtos têm características que os clientes nem sentem falta e podem ser eliminadas — e, nesse caso, será possível produzi-los com custos menores. É claro que esse esforço eventualmente resulta no lançamento de um novo produto.

Antes disso, a análise quase sempre aponta excessos muitas vezes facilmente extintos. Já trabalhei muitas vezes com a revisão de processos em áreas administrativas e industriais e não é raro encontrar certos tipos de informação necessários no passado, mas que deixaram de ser úteis há muito tempo.

Certa ocasião, em uma ex-estatal, encontramos alguns relatórios exigidos pelo governo que não eram mais necessários há vários anos. Sem a obrigação de produzi-los, a empresa ganhou tempo e dinheiro.

Isso já é inovação. Após essa etapa, você poderá se voltar para o processo e adaptá-lo ao novo projeto do produto incluindo novas matérias-primas ou novo design. Deveríamos fazer isso sempre criando um clima de renovação constante. O mundo muda em torno de nós e temos de nos adaptar.

O empreendedorismo é a atitude de iniciar ações, novos projetos, assumir riscos. É uma postura que se pode ter dentro da empresa ou mesmo na vida pessoal. Repare que nas famílias sempre existem as pessoas que organizam passeios, viagens, e outras que só aproveitam ou criticam.

É uma atitude. Não devemos ter medo do desconhecido, de tomar iniciativas, de ser criticado. A sociedade gira em torno de empreendimentos iniciados por quem não tem medo da vida. O mesmo vale para o sucesso das empresas.

Já no caso de uma indústria que se impôs a meta de ampliar a participação de novos produtos nas vendas, uma das medidas foi incentivar todo o pessoal a dar ideias de inovação. Isso envolve dois desafios: desenvolver novos produtos e ganhar a participação voluntária das pessoas. Muita gente fala hoje sobre maneiras mirabolantes de inovar, mas muitas vezes esquece que já existem técnicas poderosas e tradicionais para conjugar as necessidades do consumidor com os produtos e os processos da organização.

O primeiro passo é ter certeza de que todos sabem em qual direção a companhia quer inovar. Se é para aumentar as vendas e criar produtos (seja mercadorias, seja serviços), não custa lembrar que eles devem ser feitos para satisfazer as necessidades dos clientes.

O termômetro mais preciso dessas necessidades está — ou, pelo menos, deveria estar — entre os profissionais que trabalham nas áreas de marketing e vendas (e — quando é o caso — assistência técnica). Afinal, eles estão mais perto dos clientes e dos concorrentes.

A inovação nos produtos também poderá surgir da área de design ou de engenharia de produto pela análise de valor e introdução de novos materiais e novas tecnologias. Depois que o novo produto é definido, é preciso estabelecer um processo para sua produção e venda. Para construir essa etapa, podem surgir contribuições do pessoal operacional.

Quanto ao desafio de ganhar a participação voluntária dos funcionários, não acredito que possa haver sugestões espontâneas nesse caso. Pela minha experiência, programas de sugestões com premiação de ideias não funcionam muito nesse caso porque, em geral, se perde o foco naquilo que se deseja inovar.

A menos que se especifiquem detalhadamente os pontos do produto ou do processo em que novas ideias são necessárias. Acredito em sessões de brainstorming, sobre pontos específicos do processo.

Existem muitas maneiras de fazer uma sessão assim — uma delas é colocar o problema, pedir a cada participante que escreva sua ideia num papel e depois, com a ajuda de um orientador, iniciar um debate de forma estruturada. Gosto do uso do diagrama de árvore — que mostra a estrutura do tema em discussão e evita que o debate não chegue a lugar algum.

Finalmente, a contribuição espontânea e dedicada de todas as pessoas acontece quando todos os funcionários, do operador ao presidente, sentem-se parte do time, fazem o que gostam e são reconhecidos por seu trabalho. A gestão de gente nas empresas brasileiras, pelo que tenho visto, ainda deve caminhar muito nesse sentido.

Vicente Falconi é sócio fundador e presidente do Conselho de Administração da Falconi Consultores de Resultado, e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

 

Livro para download: Novos Caminhos para a Inovação no Brasil, de Fernanda De Negri

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A publicação apresenta um panorama do atual cenário científico do país e os principais aspectos que dificultam o aumento do potencial de inovação no Brasil.  De acordo com a autora, existem principalmente três grupos de fatores responsáveis pela inovação em um país. “Eu agrupei no livro três fatores que fazem um país inovar: pessoas, infraestrutura e ambiente”.

Para cada um desses, ela destacou uma série de motivos que causam a limitação de inovações, como a falta de dinamismo nas universidades brasileiras, a escassez de uma infraestrutura de qualidade e o excesso de burocracia que cerca esse setor, respectivamente. Os capítulos do livro abordam essas questões e trazem novas discussões, como a quantidade de artigos científicos produzidos no país em comparação com a qualidade desses estudos.

De Negri destaca a relação dessa divergência com a educação oferecida nas universidades. “O crescimento da qualidade não acompanhou o crescimento da quantidade, e eu enxergo uma relação disso com o fato de termos universidades fechadas, pouco internacionalizadas e que participam pouco das redes globais de conhecimento”.

A autora também ressalta a importância do estímulo à competição, ainda escasso no país. “A competição é um dos grandes motores da inovação.” Um ambiente com pouca competição e com muita burocracia tende a reduzir a concorrência entre as empresas e pode desestimulá-las a produzir algo de mais qualidade, ou um produto inovador.

Por fim, De Negri apresenta medidas que poderiam ser tomadas para que houvesse um aumento de estímulo a inovações no setor tecnológico e científico. Entre elas, o fortalecimento da base científica e das universidades, a melhoria das condições institucionais e sistêmicas da inovação e o aprimoramento das políticas públicas.

Acesse o PDF do livro (3.2 MB)

ÍNDICE

Prefácio

Apresentação

Introdução

O desempenho científico e tecnológico brasileiro

A produção científica

Inovação e investimento empresarial

Tecnologias protegidas por patentes

Exportações de produtos intensivos em tecnologia

Utilização de novas tecnologias

Síntese

Educação e formação de cientistas

O acesso ao ensino cresceu, mas a qualidade…

Um país com poucos cientistas e engenheiros

Internacionalização e diversidade na ciência

A interação da ciência com a inovação e com as empresas

Infraestrutura

Que instituições abrigam as instalações de pesquisa brasileiras?

Tamanho e especialização

Ambiente

Competição, abertura e inovação

Custo de capital

Burocracia e ambiente de negócios

Investimento e políticas públicas

Quem financia a ciência?

Políticas para ciência e tecnologia no Brasil

Estabilidade e diversidade no financiamento público à C&T

Inovação em Saúde

Os testes clínicos

Infraestrutura de pesquisa

Ambiente e regulação

Novos caminhos para as políticas de C&T

Fortalecimento da base científica e das universidades

Melhoria das condições institucionais e sistêmicas da inovação

Aprimoramento das políticas públicas

Referências



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