Desperte para o capital intelectual da sua organização

O capital intelectual é o conhecimento posto em nova e mais aproveitável embalagem. Esse conhecimento se transforma em um ativo que gera recursos financeiros para sua organização, garantindo a sua sobrevivência.

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João de Valentin

Geralmente, qualquer grande organização é vista como sendo predominantemente constituída de ativos. São seus equipamentos, edifícios, instalações, propriedades, seu faturamento anual bruto, seus investimentos em outros equipamentos etc., ou seja, o capital tangível, aquele que pode ser contabilizado.

Ultimamente está se iniciando a prática de se dar um pouco mais de atenção às pessoas que geram o tangível. Medir o intangível, já pelas próprias palavras, dá uma ideia de assunto só para iniciados. Mensurar o capital intelectual1 é uma atividade bem recente, apenas algumas organizações globais estão se ocupando dessas mensurações.

O capital intelectual é o conhecimento posto em nova e mais aproveitável embalagem. Esse conhecimento se transforma em um ativo que gera recursos financeiros para sua organização, garantindo sua sobrevivência. Nesta embalagem o conhecimento é posto em uma ordem utilizável, assume formas concretas e é aplicado a algo que antes estava fragmentado e não era realizado em sua empresa na plenitude desejada pela direção, ou é realizado de modo intuitivo.

Quais resultados podem ser alcançados com esta moderna abordagem. Conhecer e inventariar o ativo intangível é propor ações estratégicas para IT (Information and Technology); projetar um sistema de gerenciamento das informações e sua aplicação para sua disseminação; criar as bases e desenhar modelos conceituais para transferência e preservação de conhecimentos; não gerar informações e conhecimentos já disponíveis; mostrar em seus balanços (1) quem é a sua empresa e não mais somente quanto; monitorar o capital intelectual da organização; valorizar este capital intelectual; aumentar valor de mercado da sua empresa, tanto para negociações quanto para venda ou transferências ou fusões.

Alguns setores, com maiores demandas de competência do que outros, têm necessidades e magnitudes diferenciadas de conhecer a qualidade do capital intangível ou intelectual (seu pessoal-chave) quando comparado com a dependência do capital tangível. (figura abaixo)

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O denominado capital intelectual é o que estamos propondo a conhecer e monitorar, conforme na figura abaixo. (2)

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A mensuração da participação de cada um no sistema expressa o grau do resultado alcançado por um desempenho característico estabelecido. Essas mensurações precisam ser escolhidas, selecionadas, ordenadas e agrupadas de forma criativa – taylor made – para a sua empresa ou negócio.

Sua integração harmônica origina imagens, sendo nesta metodologia denominada de eidograma e doxograma, essa imagem expressa muito mais do que secos números. Eidograma vem do grego “eidos” ideal, acima ainda das ideias. Uma imagem de “medições” de carácter subjetivo, a palavra doxa de origem grega, possui significado de “conhecimento com subjetividade ou opinião”

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O capital tangível I – aquele que envolve quantidade – não está sendo aqui detalhados, pois constituem grandezas conhecidas da grande maioria das empresas. Na figura abaixo, a composição do capital intangível está sendo mostrado no esquema inicial e é composto de duas naturezas: capital cliente e capital organizacional humano. O primeiro expressa a imagem da satisfação do cliente e retorno. O capital organizacional humano expressa a imagem da eficiência e a competência da empresa.

Para a composição do capital intangível II, como consequência dos processos internos gerados na empresa, é possível vê-lo desmembrado em três naturezas: capital de inovação, de operação e acervo. Os doxogramas (figuras) a seguir são exemplos fictícios de uma organização, eles expressam a imagem da empresa com respeito à preservação do know how e sua transferência, ou seja, clientes, pessoal e acervo.

Para os clientes, quais indicadores de performance são requeridos. A efetividade de resolver suas demandas, nossa competência e nosso prestígio, indicador de concentração, faturamento por cliente, renovação de clientes industriais, etc.

Para o pessoal interno, quais indicadores devem ser selecionados. Quais as ações a serem tomadas, experiência e turn-over, senioridade, salários e treinamento. Para o capital intangível, escolhemos, por exemplo, Quantidade de procedimentos técnicos e operacionais, acervo e nossa habilidade em concepção. Todos esses indicadores devem ser selecionados e mensurados na organização.

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Pode-se dizer para que o eidograma do capital intelectual, pelo simples ato de visualizar os três doxogramas, nos salta à vista os pontos de impacto, todavia, ficará mais evidente a integração de forma ordenada dos três doxogramas acarretando um padrão qualitativo da empresa. Vemos, então uma organização que executa muitas atividades (ações) mas com baixa efetividade, um turn-over alto e pobre de ideias (concepção). Ver figura abaixo

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Para o inventário, deve-se usar uma abordagem que permite elaborar sínteses que levam às ações táticas imediatas, observando-se simultânea e repetitivamente as imagens, sem muita crítica e adiando o julgamento, gerando autofeedback, gerando a imagem qualitativa da empresa. Os fatos levantados durante a elaboração dos doxogramas – em função da escolha e seleção dos vetores – constituem a matéria prima para estas sínteses. Ver tabela abaixo

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Para o monitoramento, conforme o quadro abaixo, deve-se o conjunto das imagens desenhadas, como um sistema iterativo entre Clientes, Pessoas e Processos, esboçam-se várias estratégias – para cada linha horizontal – escolhendo-se e selecionando-se aquelas que melhor explicam e justificam todos os demais vetores.

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Enfim, a evolução ao longo do tempo dos vetores e as variações dos doxogramas indicam se sua organização está sendo eficiente quanto à utilização do pessoal difícil de substituir, ou seja, seu capital intelectual. Este monitoramento se torna indicativo das estratégias que estão dando ou levando aos resultados esperados, ou seja, a efetividade que seus clientes demandam e que sua organização precisa.

Referências

(1) Celemi – The power of learning/David Skimer Associates/Capital Intelectual – Thomas A. Stewart – Editora Campus.

(2) Inspirado em Leif Edvinsson – Intelectual Capital, Karl-Eric Sveiby – Knowledge Capital. Vasta literatura é encontrada em http://sveiby.com/Leif Edvinsson – Intelectual Capital,  Karl-Eric Sveiby – Knowledge Capital

João de Valentin é diretor da Hexagrama Inovação & Desenvolvimento – valentin@hexagrama.com.br



Categorias:Opinião

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1 resposta

  1. Muito bom artigo. Agradeço a contribuição que o senhor João de Valentin vem nos agraciando ao longo de todos estes anos.

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