Suicídio: especialistas discutem como enfrentá-lo

Quase 2.000 pessoas diariamente cometem suicídio e para tentar entender esse comportamento humano, quatro especialistas apontam como esses seres humanos chegam à mais trágica e irreversível de todas as decisões que ainda permanece um ato desconcertante.

A necessidade de profissionais que enfrentem o suicídio

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Kelly Graziani Giacchero Vedana

Setembro Amarelo é tempo de falar sobre suicídio, um tema tabu que agora tem voz, principalmente no que concerne à prevenção e diminuição do número do mesmo, envolvendo diversas modalidades de campanhas. Mas precisamos focalizar também na esfera dos cuidados com quem tem ideação, tentou suicídio uma ou mais vezes, aos familiares impactados por essas tentativas ou pela morte de seus entes queridos. Cuidados também aos profissionais que perdem seus pacientes, apesar do seu esforço, sentindo-se fracassados e culpados pela morte deles.

Muitos profissionais se perguntam o que fazer diante de uma pessoa com ideação ou tentativa de suicídio. Como mecanismo de proteção, para não se confrontar com sua incerteza, se negam a atender pessoas nessa condição, utilizando manobras defensivas. Observamos que alguns falam mais do que ouvem, julgam clientes e em atitude contratransferencial descontam neles sua incapacidade, dúvida, incompetência, raiva e outros sentimentos, perdendo a possibilidade de escuta. Essa atitude precisa ser revista.

Há profissionais que se negam a receber pessoas que tentam suicídio afirmando que não podem perder seu tempo tão corrido atendendo pessoas que querem morrer, já que precisam se dedicar àqueles que preferem viver. É muito categórico dizer que todas as pessoas que não suportam mais viver a vida atual querem de fato morrer.

Há aqueles que não desejam mais viver essa vida, mas aceitariam continuar vivendo, se pudessem eliminar sua dor, sofrimento, humilhação, vergonha, incapacidade e tantas outras razões. Tratar todos os pacientes que chegam aos seus cuidados como se fossem realizar o ato suicida para morrer, é escutar os seus próprios pensamentos e ideias pré-concebidas, sem conseguir entrar em contato com quem estão buscando cuidar.

Tentativas de suicídio podem ser vistas como ações que têm como objetivo chamar a atenção, enfatizando seu aspecto manipulador. Se vistas como ações somente para atrair atenção, podem conduzir a um não cuidado, já que o aspecto manipulador é o que predomina. Entretanto, sob uma outra visão, o ato suicida tem o objetivo sim de chamar atenção para algo que não vai bem na vida da pessoa e, nesse caso, seu aspecto de comunicação é que fica ressaltado, demandando escuta e cuidados.

Encontramos essas dificuldades mais frequentemente em profissionais que atendem pessoas que buscam os prontos-socorros com sequelas do ato suicida. Chegam assustados, impactados pelo seu ato, ambivalentes por vezes, com profundo sentimento de fracasso, afirmando que não têm capacidade nem para se matar.

Ao receber desprezo, preconceito, pessoas que se questionam se vale a pena viver terão mais uma razão para desistir da vida. Trata-se de iatrogenia, formas de atendimento que aumentam o sofrimento.

Há hospitais em que não há atendimento de profissionais de saúde mental, sem proposta de continuidade dos cuidados a quem chega após tentativa de suicídio. Pessoas que realizam o ato suicida voltam ao seu ambiente sem respaldo ou cuidados de saúde mental, desgastados, o que pode estimular a recorrência de tentativas que podem ser letais. Infelizmente a proposta de continuidade de atendimento de saúde mental, como proposto pela agenda de prevenção do suicídio e diminuição de danos de 2006, muitas vezes não é colocada em prática.

O projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) denominado Estudo Multicêntrico de Intervenção ao Comportamento Suicida (SUPRE-MISS) demonstrou como é importante ajudar pessoas que tentam suicidar-se. No Brasil o projeto foi coordenado por Neury Botega, da Unicamp, com resultados significativos na prevenção da reincidência de tentativas de suicídio.

Pessoas que tentaram suicídio foram convidadas a participar da pesquisa. Houve uma divisão em dois grupos, no primeiro eles foram avaliados e encaminhados a serviços na rede de saúde. No segundo grupo, além do encaminhamento, os pacientes também receberam informações sobre suicídio e fatores que podem levar à tentativa de suicídio.

Além disso, o grupo 2 recebeu nove ligações da equipe que os atendeu no hospital, com intervalos crescentes durante um ano e meio e nessas ligações havia estímulo para que procurassem ajuda. Ao fim do estudo, no primeiro grupo 2,2% morreram por suicídio e no segundo, 0,2 % (Zorzetto e Fioravanti, 2009).

É uma diferença muito significativa, que deve ser considerada nos atendimentos para pessoas que tentam suicídio em serviços de pronto socorro. Além de cuidados humanizados, o encaminhamento e continuidade de cuidados parecem ser a melhor combinação para ajudar pessoas com ideação e tentativa de suicídio.

Para um bom cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio precisamos nos dedicar à formação de profissionais de saúde com especialização na área. São poucas as disciplinas que se propõem a discutir o tema do suicídio nos cursos de graduação na USP. No Instituto de Psicologia, a disciplina Psicologia da Morte (PSA 3512), aborda o tema suicídio em três aulas.

Em 2018, observamos uma grande procura da disciplina por estudantes de várias unidades da USP, chegando ao número de 333 interações no sistema Júpiter da USP, o que demonstra o quanto estudantes de várias áreas se interessam ou precisam discutir o tema. Pudemos acomodar 100 estudantes na maior sala do IP. Cabe ressaltar também que o maior interesse dos estudantes é sobre o tema do suicídio, o que ficou confirmado pelas respostas sobre a motivação para frequentarem a disciplina e pela escolha do tema suicídio para realizar o trabalho de conclusão do curso.

A partir desses dados, apontamos a importância de desenvolver o tema nas disciplinas em vários cursos da USP, enfatizando uma perspectiva multidisciplinar. Além da graduação, é preciso desenvolver o tema também na pós-graduação e estimular pesquisas na área.

Oferecemos a disciplina “A Questão da Morte nas Instituições de Saúde e Educação” (PSA 5861) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, em que o tema suicídio comparece em várias aulas. Temos ainda orientado dissertações e teses sobre o tema.

É um grão de areia na tarefa essencial de oferecer formação na maior universidade de nosso país. Ainda ampliando esse grão, em 2016 oferecemos a disciplina “Suicídio: Prevenção e Luto” (PSA 5921-1) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia USP na pós-graduação a partir do pós-doutorado de Karina Fukumitsu (bolsista PNPD/Capes) “Cuidados e Intervenções para Sobreviventes Enlutados por Suicídios”. Foi oferecida uma vez, pois era uma das atividades do pós-doutorado de Karina.

Além de cuidados humanizados, o encaminhamento e continuidade de cuidados parecem ser a melhor combinação para ajudar pessoas com ideação e tentativa de suicídio. Ressaltamos que o cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio e a familiares enlutados é tarefa para profissionais especializados numa perspectiva multidisciplinar.

É importante que o país, nas suas diversas instituições de saúde, constitua um corpo de profissionais que possa coordenar as propostas de cuidados à população com sofrimento existencial nas suas necessidades específicas. Junto com as campanhas que desenvolvem atividades para a prevenção do suicídio, com cartilhas e programas de valorização da vida, é necessário o mesmo empenho para compor equipes multidisciplinares de cuidados nas várias instâncias de saúde mental em nosso país, a destacar os ambulatórios de saúde mental, os CAPS e UBS em todo o País.

Essa é a meta proposta pelo Ministério da Saúde na sua Agenda Estratégia em 2016. Quanto à USP, espera-se que possa compor um grupo de especialistas que teria para si a tarefa de empreender a formação de estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais para estabelecer discussões e reflexões sobre o tema. Também para elaborar programas de cuidados para a população de estudantes, funcionários e docentes da própria Universidade, mas, e principalmente, também oferecer subsídios para muito além da USP, à população brasileira, subsidiando políticas públicas não só de prevenção do suicídio, mas também da posvenção, entendida como cuidados que se propõem a diminuir o impacto das tentativas de suicídio para quem consuma o ato e para familiares que vivem o processo de perda de pessoas pelo suicídio.

Bibliografia

ZORZETTO, R., FIORAVANTI, C. (2009). “Por um fio”. Pesquisa Fapesp, Edição Impressa, 158.

BOTEGA, N. J. (2006). Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 2. ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2006.

WERLANG, B.G., BOTEGA, N.J. (2004). Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora.

Kelly G. G. Vedana é professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP.

Mortalidade por suicídio: várias razões para prevenir

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Neury José Botega

Artigo III – “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”

Artigo XXV – “Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis.” (Declaração Universal dos Direitos Humanos)

suicideEmbora um único suicídio já implique um impacto emocional considerável para a família e a comunidade, quando olhamos os resultados dos estudos populacionais percebemos a magnitude do suicídio nos dias atuais. A agregação numérica das várias modalidades do comportamento suicida é fundamental em vários aspectos: sensibiliza a sociedade a respeito da magnitude de um fenômeno, inspira a formulação de hipóteses de compreensão e de abordagem clínica, bem como orienta políticas de saúde pública

Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é responsável por pelo menos 800 mil mortes anualmente. Estamos falando de um suicídio, em algum lugar do planeta, a cada 45 segundos, ou de um contingente de mais de 2.000 pessoas que põem fim à vida diariamente. Jovens e adultos jovens são os mais afetados – é a segunda causa mais frequente de morte entre os que têm entre 19 e 25 anos de idade (WHO, 2014).

O coeficiente de mortalidade por suicídio representa o número de ocorrências para cada 100.000 habitantes ao longo de um ano. No Brasil, o coeficiente médio de mortalidade por suicídio gira em torno de 5,5. Essa taxa vem crescendo ao longo dos dez últimos anos, ao contrário da tendência observada na maioria dos países.

O coeficiente de mortalidade por suicídio no Brasil pode ser considerado relativamente baixo, quando comparado ao de outros países. A despeito disso, por sermos um país populoso, ocupamos o oitavo lugar entre os que registram os maiores números de mortes por suicídios.

São 12.000 suicídios, o que resulta em uma média de 32 pessoas que, diariamente, tiram a própria vida. É a cifra oficial, do Ministério da Saúde, que estima que a magnitude do suicídio seja pelo menos 20% maior do que a oficialmente registrada.

No Brasil, até aproximadamente o ano 2000, o suicídio não era visto como um problema de saúde pública, ofuscado que era por doenças endêmicas ou por outras causas de morte violenta. Os condicionantes de uma violência intrínseca à nossa sociedade já eram discutidos, mas a violência silenciosa dos suicídios permanecia à sombra dos índices de homicídios e de acidentes de trânsito.

A discussão sobre a natureza e a prevenção da violência acabou por trazer à tona o problema do suicídio. Houve um número crescente de livros, de pesquisas e de eventos científicos relacionados ao assunto. Dados sobre o suicídio passaram a ser divulgados pelos meios de comunicação, em reportagens abrangentes e ponderadas.

Além do impacto emocional do suicídio, passou-se a discutir a magnitude dos índices e a frequente associação do suicídio com transtornos mentais. Junto, cresceu a conscientização a respeito da necessidade de melhorar a qualidade do atendimento emergencial das tentativas de suicídio.

Podemos afirmar que se fortaleceu, no país, a percepção de que o suicídio, dentro de sua complexidade, também figura como um problema de saúde pública. Há maior consciência da população de que necessitamos de estratégias mais efetivas para a prevenção da violência, incluindo-se nesse esforço a prevenção do suicídio.

Nos dias atuais, a internet tornou-se a nova ameaça a angariar jovens para a morte. O suicídio é assunto nas redes sociais virtuais, e um famoso seriado de TV – Por 13 razões – gira em torno do suicídio de uma adolescente.

O que estaria acontecendo? Como compreender melhor esse fenômeno? Como evitar que jovens vulneráveis se entreguem para o suicídio? Precisamos conversar sobre isso, rompendo um tabu que fazia do suicídio uma tragédia silenciada.

No espectro do comportamento autoagressivo, o suicídio é a ponta de um iceberg. Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o de suicídios em pelo menos dez vezes. O grau variável da intenção letal é apenas um dos componentes da tentativa de suicídio.

O ato também representa uma comunicação, que pode funcionar como denúncia, grito de socorro, vingança, ou a fantasia de renascimento. Por isso, ideias, ameaças e tentativas de suicídio – mesmo aquelas que parecem calculadas para não resultarem em morte – devem ser encaradas com seriedade, como um sinal de alerta a indicar sofrimento e atuação de fenômenos psíquicos e sociais complexos. Não devemos banalizá-las.

Focalizemos a adolescência. O mundo psíquico de um adolescente está em ebulição, ainda não se atingiu a maturidade emocional. Há maior dificuldade para lidar com conflitos interpessoais, término de relacionamentos, vergonha ou humilhação e rejeição pelo grupo social.

A tendência ao imediatismo e à impulsividade implica maior dificuldade para lidar com a frustração e digerir a raiva. Perfeccionismo e autocrítica exacerbada, problemas na identidade sexual, bem como bullying, são outros fatores que se combinam para aumentar o risco.

Um adolescente pode ter centenas de likes na rede social virtual, mas pouquíssimos, ou nenhum ser humano real com quem compartilhar angústias. O mundo adulto, como um ideal cultural alcançável por pequena parcela de vencedores, fragiliza a autoestima e a autoconfiança de quem precisa encontrar o seu lugar em uma sociedade marcada pelo individualismo, pelo exibicionismo estético, pela satisfação imediata e pela fragilidade dos vínculos afetivos.

Quando dominados por sentimento de frustração e desamparo, alguns adolescentes veem na autoagressão um recurso para interromper a dor que o psiquismo não consegue processar. Quando o pensar não dá conta de ordenar o mundo interno, o vazio e a falta de sentido fomentam ainda mais o sofrimento, fechando-se assim um círculo vicioso que pode conduzir à morte.

Nos suicídios impulsivos, a ação letal se dá antes de haver ideias mais elaboradas capazes de dar outro caminho para a dor psíquica. O ato suicida ocorre no escuro representacional, como um curto-circuito, um ato-dor.

Há, também, os suicídios que se vinculam a transtornos mentais que incidem na adolescência, como a depressão, o transtorno afetivo bipolar e o abuso de drogas. Diagnóstico tardio, carência de serviços de atenção à saúde mental e inadequação do tratamento agravam a evolução da doença e, em consequência, o risco de suicídio.

Momentos de tristeza e pensamentos suicidas são frequentes na adolescência, principalmente em épocas de dificuldades frente a um estressor importante. Na maioria das vezes, são passageiros; por si só não indicam psicopatologia ou necessidade de intervenção. No entanto, quando os pensamentos suicidas são intensos e prolongados, o risco de levar a um comportamento suicida aumenta.

O quadro abaixo reúne alguns sinais que alertam sobre a existência de sofrimento psíquico e, também, de possível risco de suicídio. Muitos desses sinais são inespecíficos, pois também aparecem quando do surgimento de alguns transtornos mentais que podem ter início na adolescência (esquizofrenia, depressão, drogadição e transtorno afetivo bipolar).

Prevenção do suicídio entre os adolescentes não quer dizer evitar todos os suicídios, e sim uma só morte que possa ser evitada, a do adolescente que está ao seu lado. O que fazer? De modo simplificado, sugerimos três passos. Memorize o acrônimo ROC: reparar no Risco, Ouvir com atenção, Conduzir para um atendimento.

O primeiro passo é a própria suspeita do Risco de ocorrer um suicídio. Isso é muito perturbador, fere devoções e expectativas; a repulsa é automática. Se houver sinais – e nem sempre eles são dados! – não os reconhecemos como tais. Em uma conversa franca, pergunte ao adolescente sobre ideias de suicídio.

Ao Ouvir a resposta, ouça com atenção e respeito, sem julgar ou recriminar, não se apresse em preleções morais ou religiosas. O terceiro passo é Conduzir o adolescente até um profissional de saúde mental, ou seja, não ficar paralisado. Uma pessoa fragilizada e sem esperança, como ocorre com quem se encontra deprimido, não tem a iniciativa espontânea de buscar ajuda.

A prevenção do suicídio, ainda que não seja tarefa fácil, é possível. Não podemos silenciar sobre a magnitude e o impacto do suicídio de adolescentes em nossa sociedade. Não todas, mas considerável porção de mortes pode ser evitada.

Neury José Botega é psiquiatra, professor titular da Unicamp e diretor da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS). É autor dos livros Crise suicida: avaliação e manejo (Artmed, 2015) e A tristeza transforma, a depressão paralisa (Benvirá, 2018). 

Sinais de alerta em relação a risco de suicídio em adolescentes

– Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos.

– Comportamento ansioso, agitado, ou deprimido.

– Piora do desempenho na escola, no trabalho, em outras atividades que costumava manter.

– Afastamento da família e de amigos.

– Perda de interesse em atividades de que gostava.

– Descuido com a aparência.

– Perda ou ganho inusitados de peso.

– Mudança no padrão usual de sono.

– Comentários autodepreciativos persistentes.

– Comentários negativos em relação ao futuro, desesperança.

– Disforia marcante (combinação de tristeza, irritabilidade, acessos de raiva).

– Comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram, interesse por essa temática.

– Doação de pertences que valorizava.

– Expressão clara ou velada de querer morrer ou de pôr fim à vida.

Suicídio e os profissionais – desafios e dilemas

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Maria J. Kovács

suicide2Setembro Amarelo é tempo de falar sobre suicídio, um tema tabu que agora tem voz, principalmente no que concerne à prevenção e diminuição do número do mesmo, envolvendo diversas modalidades de campanhas. Mas precisamos focalizar também na esfera dos cuidados com quem tem ideação, tentou suicídio uma ou mais vezes, aos familiares impactados por essas tentativas ou pela morte de seus entes queridos. Cuidados também aos profissionais que perdem seus pacientes, apesar do seu esforço, sentindo-se fracassados e culpados pela morte deles.

Muitos profissionais se perguntam o que fazer diante de uma pessoa com ideação ou tentativa de suicídio. Como mecanismo de proteção, para não se confrontar com sua incerteza, se negam a atender pessoas nessa condição, utilizando manobras defensivas. Observamos que alguns falam mais do que ouvem, julgam clientes e em atitude contratransferencial descontam neles sua incapacidade, dúvida, incompetência, raiva e outros sentimentos, perdendo a possibilidade de escuta. Essa atitude precisa ser revista.

Há profissionais que se negam a receber pessoas que tentam suicídio afirmando que não podem perder seu tempo tão corrido atendendo pessoas que querem morrer, já que precisam se dedicar àqueles que preferem viver. É muito categórico dizer que todas as pessoas que não suportam mais viver a vida atual querem de fato morrer.

Há aqueles que não desejam mais viver essa vida, mas aceitariam continuar vivendo, se pudessem eliminar sua dor, sofrimento, humilhação, vergonha, incapacidade, e tantas outras razões. Tratar todos os pacientes, que chegam aos seus cuidados, como se fossem realizar o ato suicida para morrer é escutar os seus próprios pensamentos e ideias preconcebidas, sem conseguir entrar em contato com quem estão buscando cuidar.

Tentativas de suicídio podem ser vistas como ações que têm como objetivo chamar atenção, enfatizando seu aspecto manipulador. Se vistas como ações somente para atrair atenção, podem conduzir a um não cuidado, já que o aspecto manipulador é o que predomina. Entretanto, sob uma outra visão, o ato suicida tem o objetivo sim de chamar atenção para algo que não vai bem na vida da pessoa e, nesse caso, seu aspecto de comunicação é o que fica ressaltado, demandando escuta e cuidados.

Encontramos essas dificuldades mais frequentemente em profissionais que atendem pessoas que buscam os prontos-socorros com sequelas do ato suicida. Chegam assustados, impactados pelo seu ato, ambivalentes por vezes, com profundo sentimento de fracasso, afirmando que não têm capacidade nem para se matar.

Ao receber desprezo, preconceito, pessoas que se questionam se vale a pena viver terão mais uma razão para desistir da vida. Trata-se de iatrogenia, formas de atendimento que aumentam o sofrimento.

Há hospitais em que não há atendimento de profissionais de saúde mental, sem proposta de continuidade dos cuidados a quem chega após tentativa de suicídio. Pessoas que realizam o ato suicida voltam ao seu ambiente sem respaldo ou cuidados de saúde mental, desgastados, o que pode estimular a recorrência de tentativas que podem ser letais. Infelizmente a proposta de continuidade de atendimento de saúde mental, como proposto pela agenda de prevenção do suicídio e diminuição de danos de 2006, muitas vezes não é colocada em prática.

O projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) denominado Estudo Multicêntrico de Intervenção ao Comportamento Suicida (SUPRE-MISS) demonstrou como é importante ajudar pessoas que tentam suicidar-se. No Brasil o projeto foi coordenado por Neury Botega, da Unicamp, com resultados significativos na prevenção da reincidência de tentativas de suicídio.

Pessoas que tentaram suicídio foram convidadas a participar da pesquisa. Houve uma divisão em dois grupos, no primeiro dos quais foram avaliados e encaminhados a serviços na rede de saúde. No segundo grupo, além do encaminhamento, os pacientes também receberam informações sobre suicídio e fatores que podem levar à tentativa de suicídio.

Além disso, o grupo 2 recebeu nove ligações da equipe que os atendeu no hospital, com intervalos crescentes durante um ano e meio e nessas ligações havia estímulo para que procurassem ajuda. Ao fim do estudo no primeiro grupo 2,2% morreram de suicídio e no segundo 0,2 % (Zorzetto e Fioravanti, 2009).

É uma diferença muito significativa, que deve ser considerada nos atendimentos para pessoas que tentam suicídio em serviços de pronto socorro. Além de cuidados humanizados, o encaminhamento e continuidade de cuidados parecem ser a melhor combinação para ajudar pessoas com ideação e tentativa de suicídio.

No Instituto de Psicologia, a disciplina Psicologia da Morte (PSA 3512) aborda o tema suicídio em três aulas. Em 2018, observamos uma grande procura da disciplina por estudantes de várias unidades da USP, chegando ao número de 333 interações no sistema Júpiter, o que demonstra o quanto estudantes de várias áreas se interessam ou precisam discutir o tema.

Pudemos acomodar 100 estudantes na maior sala do IP. Cabe ressaltar também que o maior interesse dos estudantes é sobre o tema do suicídio, o que ficou confirmado pelas respostas sobre a motivação para frequentarem a disciplina e pela escolha do tema suicídio para realizar o trabalho de conclusão do curso. A partir desses dados, apontamos a importância de desenvolver o tema nas disciplinas em vários cursos da USP, enfatizando uma perspectiva multidisciplinar.

Além da graduação, é preciso desenvolver o tema também na pós-graduação e estimular pesquisas na área. Oferecemos a disciplina A Questão da Morte nas Instituições de Saúde e Educação (PSA 5861) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, em que o tema suicídio comparece em várias aulas. Temos ainda orientado dissertações e teses sobre o tema. É um grão de areia na tarefa essencial de oferecer formação na maior universidade de nosso país.

Ainda ampliando esse grão, em 2016 oferecemos a disciplina Suicídio: Prevenção e Luto (PSA 5921-1) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia USP na pós-graduação a partir do pós-doutorado de Karina Fukumitsu (bolsista PNPD/Capes), Cuidados e Intervenções para Sobreviventes Enlutados por Suicídios. Foi oferecida uma vez, pois era uma das atividades do pós-doutorado de Karina.

Para um bom cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio precisamos nos dedicar à formação de profissionais de saúde com especialização na área. São poucas as disciplinas que se propõem a discutir o tema do suicídio nos cursos de graduação na USP.

Ressaltamos que o cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio e a familiares enlutados é tarefa para profissionais especializados numa perspectiva multidisciplinar. É importante que o país, nas suas diversas instituições de saúde, constitua um corpo de profissionais que possa coordenar as propostas de cuidados à população com sofrimento existencial nas suas necessidades específicas.

Juntamente com as campanhas que desenvolvem atividades para a prevenção do suicídio, utilizando cartilhas, e programas de valorização da vida, é necessário o mesmo empenho para compor equipes multidisciplinares de cuidados nas várias instâncias de saúde mental em nosso país, a destacar os ambulatórios de saúde mental, os CAPS e UBS em todo o país. Essa é a meta proposta pelo Ministério da Saúde na sua Agenda Estratégia em 2016.

Quanto à USP, espera-se que possa compor um grupo de especialistas que teria para si a tarefa de empreender a formação de estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais para estabelecer discussões e reflexões sobre o tema. E também para elaborar programas de cuidados para a população de estudantes, funcionários e docentes da própria universidade, mas, e principalmente, também oferecer subsídios para muito além da USP, à população brasileira, subsidiando políticas públicas não só de prevenção do suicídio, mas também da posvenção, entendida como cuidados que se propõem a diminuir o impacto das tentativas de suicídio para quem consuma o ato e para familiares que vivem o processo de perda de pessoas pelo suicídio.

Bibliografia

ZORZETTO R, FIORAVANTI C (2009). “Por um fio”. Pesquisa Fapesp, Edição Impressa, 158.

BOTEGA N J (2006). Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 2. ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2006.

WERLANG BG, BOTEGA NJ. (2004). Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora.

Maria J. Kovács é professora do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP.

Vamos falar sobre suicídio nas universidades (e na vida)…

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Ileno Izídio da Costa

suicide3Vamos falar sobre suicídio nas universidades (e na vida), sem mistificações ou manipulações, mas com cuidado e delicadeza? Em tempos de sofrimento exacerbado, o suicídio ocupa a cena do drama humano, como se moderno fosse. Mas o termo suicídio – utilizado hoje para referir as mortes voluntárias – já foi tratado sob várias perspectivas, em diversas épocas da história, como pecado, crime, mal, patologia e loucura.

Hoje, o suicídio é compreendido, pelos especialistas, como um fenômeno sócio-histórico, e não apenas biológico, psicológico e/ou psiquiátrico. É um assunto de saúde pública, sendo a terceira causa de morte mais comum entre as pessoas de 15 a 44 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sendo um ato intencional de um sujeito para aniquilar sua própria vida, o ato suicida abrange a ideação suicida, a tentativa de suicídio e o suicídio consumado.

Detenho-me aqui ao suicídio como uma das emergências do sofrimento psíquico atual – entendendo o psíquico não apenas como a dimensão psicológica do indivíduo, mas como Edmund Husserl o propugna: o correspondente à subjetividade humana, onde o psicológico, o corporal, o relacional, o valorativo e o espiritual são indissociáveis e se manifestam pela consciência intencional (Husserl, 2001).

Entretanto, é importante mencionar que o sofrimento psíquico que pode desencadear este ato não tem, necessariamente, o mesmo significado que transtorno mental, embora a ele também possa estar associado. Conforme Berenchtein Netto (2007), “o sofrimento psíquico é algo da ordem da vivência, algo da ordem da existência, todos nós mais hora ou menos hora, em maior ou em menor intensidade, desenvolvemos sofrimentos psíquicos, o que não é exatamente a mesma coisa no que se refere aos transtornos psiquiátricos”.

Estratégias discursivas sobre o suicídio e o sofrimento psíquico que perpetram uma tentativa de normatização, regulação e disciplinarização dos sujeitos, excluem a dimensão psicossócio-histórica desses processos e as suas singularidades, concorrendo para uma espécie de “anulação ou desqualificação de sua existência”. Berenchtein Netto ainda alerta que, a fim da defesa da não ocorrência do suicídio, o sujeito paga com a sua não existência, através de uma medicalização excessiva e correspondente patologização de questões sociais.

Não se trata aqui de uma oposição absoluta à utilização de medicamentos – esses, quando corretamente administrados, cumprem um papel importante em nossa sociedade. Contudo, é importante alertar que esse uso ideologizante e mistificador do medicamento apenas encobre os sintomas que se manifestam nos indivíduos, sem tocar em suas profundas raízes sociais e existenciais. A via medicamentosa incide sobre as pessoas, individualmente, desconsiderando que se trata também de um problema social.

É urgente que haja uma conscientização de que precisamos lidar também com as causas e determinantes sociais dos suicídios e não apenas silenciar os seus sintomas por meio de uma reificação de doenças e de medicalizações. O fenômeno do suicídio é complexo, multifacetado, multifatorial e multicausal. Não existe uma única explicação e vários são os fatores associados a ele: psicológicos, sociais, ambientais, familiares, culturais, genéticos, de saúde, de sentidos sobre a vida e até mesmo espirituais.

Na sociedade pós-moderna, diante do mal-estar presente em nosso tempo, carregado de características como a incerteza frente às coisas, a falta de controle de um tempo que passa depressa demais, do consumismo, da sociedade narcisista, da necessidade de que o homem busque saída para o seu sentimento de desamparo, das “relações líquidas” e outras mais, Cassorla (2004) nos diz que o suicídio constitui-se como o máximo da manifestação autodestrutiva do sujeito, que confirma o nosso fracasso na vida pós-moderna, onde não conseguimos aceitar o nosso lugar na sociedade, desistindo literalmente de viver.

Birman (2003) acredita ser o suicídio uma saída possível para o sentimento de desamparo, considerado como o mal-estar típico da pós-modernidade. Este comportamento tem grande impacto e é, sem dúvida, uma solução definitiva para problemas temporários. O que tem se observado é que cada vez mais as pessoas têm buscado no suicídio uma alternativa para dar um fim à sua dor (Fensterseifer & Werlang, 2006).

Assim, em toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios, há uma grande possibilidade de erro. Por outro lado, não falar sobre suicídio não diminuiu seus índices, pelo contrário, eles têm aumentado, o que nos leva a uma mudança na mentalidade de que o suicídio precisa ser ocultado.

Por si sós, os dados epidemiológicos servem como alerta e fomentam programas de intervenção, porém os índices de suicídio nos convocam a prestar atenção às pessoas ao nosso redor. Junto com programas de prevenção, temos que desenvolver, em nosso meio, também programas de posvenção (termo ainda pouco conhecido no Brasil), que têm como objetivo principal cuidar do sofrimento de pessoas com ideação e tentativa de suicídio e familiares enlutados, oferecendo acolhimento, cuidado e psicoterapia.

Essas pessoas necessitam de escuta, apoio, acolhimento e cuidados em longo prazo, não querem saber de números, estatísticas ou porcentagens. Precisam falar de seu sofrimento existencial.

Pessoas afetadas pelo suicídio precisam de particularização, singularidade, respeito pela sua história que tem um início e que ainda não foi finalizada, porém sem tirá-las de seus contextos e historicidade. Pessoas com ideação, tentativa de suicídio e familiares enlutados demandam atendimento de qualidade com profissionais de saúde e da área psicossocial capacitados que possam acolher o sofrimento humano, cujo objetivo principal não deve ser apenas evitar o suicídio a todo custo. A atenção voltada unicamente a impedir o suicídio, por exemplo, pode apenas restringir o sujeito, restringindo sua autonomia e liberdade.

Mas por que culpabilizar as universidades? Ou como as universidades contribuem com este sofrimento? Como espero ter demonstrado, o tema ou o fenômeno não pode – e nem deve – ser atribuído a apenas um ator ou uma causa, pois, se assim o fazemos, estamos ou mistificando ou manipulando ou, pior ainda, minimizando a complexidade do fenômeno e as dores inerentes a esta vivência genuinamente dolorosa e humana.

Então, como podemos localizar apenas um culpado pela manifestação de querer deixar de existir? E por que as universidades têm sido elegidas como esses bode-expiatórios potenciais?

Infelizmente, as opções de cuidados contínuos em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial e nas Unidades Básicas de Saúde ainda são precárias se considerarmos que o fenômeno tem dimensões e potenciais epidêmicos (podemos afirmar que o suicídio é uma “epidemia silenciosa” que, nos tempos atuais, tem deixado de ser invisível). Não esqueçamos que a responsabilidade primeira e essencial sobre os agravos de nossa saúde (a mental aqui incluída) é do Estado, conforme preceitua o art. 196 da Constituição Federal: “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado”.

Cabe aqui destacar o Centro de Valorização da Vida (CVV) que realiza de maneira exemplar o trabalho de atendimento em crise e o acolhimento. Porém, é preciso diferenciar acolhimento em crise, realizado pelo Centro de Valorização da Vida, que é muito importante, por ser, em muitos casos, o primeiro passo para o atendimento de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio, de um atendimento especializado como, por exemplo, o atendimento psicoterápico, medicamentoso ou psicossocial.

Em muitos casos é necessário o atendimento psicossocial especializado (aqui incluindo a assistência social, a psicoterapia e a terapia medicamentosa, entre outras) para lidar com a difícil tarefa de compreender emoções intensas, a ambivalência entre o desejo de viver e morrer, ampliar a visão estreita que considera a morte como única solução para o sofrimento, em seus contextos e desafios. É preciso alertar que os sinais que figuram tão claros nas cartilhas, que tanto se tornam profusas neste mês de setembro, não se revelam tão claros na realidade.

Assim, além da prevenção do suicídio, precisamos também falar daqueles que buscam consumar o ato suicida, de forma impulsiva ou planejada, e que não morreram e dos familiares que os acompanham, também desesperados, sem saber o que fazer – a quem, na maioria das vezes, a saga midiática sobre o suicídio desrespeita, machuca ou mesmo continua violentando. Observamos poucas referências sobre a questão dos cuidados nos documentos da OMS, nas políticas públicas do Ministério da Saúde e nas cartilhas apresentadas.

Neste particular, espero que neste Setembro Amarelo possamos também enfocar os cuidados a pessoas em situação de sofrimento e dor. No caso da UnB (e de outras universidades), para não sucumbirmos às responsabilizações manipulatórias de pessoas e ações midiáticas (jornais, mídias sociais, etc.), que não contribuem para a solução, mas tão somente para uma exposição perversa de todas as colorações, precisamos abrir um debate (com base em estudos, pesquisas, levantamentos, fóruns e socialização de conhecimentos) sobre as nossas relações rigidificadas, verticalizadas, endurecidas, eivadas de assédio moral e sexual, violências verbais e psicológicas (incluindo bullying, trotes violentos, discriminação das diferenças, competitividades, vaidades e excelências, padrões produtivistas, falta de cuidado nas relações e convivências, exclusivismo do império do conhecimento versus a vida que flui, etc.), que, não sendo a causa, contribuem para o caldo existencial do sofrimento de muitos.

Para finalizar, sendo propositivo, sugiro à UnB e demais universidades: desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação, de proteção e de recuperação da saúde e prevenção de danos, em todas os ambientes e instituições; desenvolver estratégias de informação, de comunicação e sensibilização da sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido; organizar linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção, garantindo o acesso às diferentes modalidades terapêuticas (papel primordial do Estado de Atenção à Saúde); identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do suicídio e tentativas, assim como os fatores protetores e o desenvolvimento de ações intersetoriais de responsabilidade pública, sem excluir a responsabilidade de toda a sociedade; fomentar e executar projetos estratégicos fundamentados em estudos de custo-efetividade, eficácia e qualidade, bem como em processos de organização da rede de atenção e intervenções nos casos de tentativas de suicídio; contribuir para o desenvolvimento de métodos de coleta e análise de dados, permitindo a qualificação da gestão, a disseminação das informações e dos conhecimentos; promover intercâmbio entre os Sistema de Informações do SUS e outros sistemas de informações setoriais afins, implementando e aperfeiçoando permanentemente a produção de dados e garantindo a democratização das informações; e promover a educação permanente dos profissionais de saúde das unidades de atenção básica, inclusive do PSF, dos serviços de saúde mental, das unidades de urgência e emergência, de acordo com os princípios da integralidade e humanização.

Por fim, fica o pedido e a provocação: vamos falar de suicídio (e saúde mental) sem mistificações ou manipulações, não só nas universidades, mas na vida, e com cuidado e delicadeza?

Referências

Berenchtein Netto, N. (2007). Suicídio: uma análise psicossocial a partir do materialismo histórico dialético. Dissertação de mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia social da PUC/SP, São Paulo.

Birman, J. (2003). Mal-estar na atualidade: A psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Cassorla, R. M. S. (2004). Comportamento suicida. In B. G. Werlang, & N. J. Botega. Suicídio e autodestruição humana. (pp. 21-33). Porto Alegre: Artmed.

Fensterseifer, L., & Werlang, B. S. G. (2006). Comportamentos autodestrutivos, subprodutos da pós-modernidade? Psicol. Argum., outubro/dezembro, Curitiba 24 (47), 35-44.

Husserl, E. (2001). Meditações cartesianas: introdução à fenomenologia. Porto: Rés.

Ileno Izídio da Costa é coordenador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Saúde Mental e Drogas (NESPAD) do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília.



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