Keiner ist unnütz, er kann immer noch als schlechtes Beispiel dienen

Infelizmente, o Brasil, apesar dos bons exemplos dos países que alcançaram um elevado padrão de desenvolvimento econômico e bem-estar socioambiental, sem um motivo plausível, enveredou por caminhos tortuosos.

jairo

Jairo Martins

Deve ter causado estranheza o fato de se colocar uma frase da cultura alemã no título de um artigo publicado aqui no Brasil. Em uma tradução livre, a mensagem é muito simples: ninguém é inútil, mas ainda pode servir como mau exemplo. Esta frase me marcou, quando, no início dos anos 90, participei de uma reunião em Munique, na Alemanha, onde estava residindo e trabalhando. No decorrer do texto, ficará clara a analogia pretendida.

Instituído pela ONU e em vigor desde 2005, no dia 9 de dezembro o mundo celebra o Dia Internacional Contra a Corrupção. Para medir a percepção da corrupção nos países, a organização Transparência Internacional criou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC). Em uma escala de 0 (alta percepção de corrupção) a 100 (alta percepção de integridade), 180 países são avaliados.

No índice publicado no início deste ano, o Brasil despencou da 96ª para a 79ª posição, saindo de um IPC de 40 para 37, ou seja, mais próximo do início da escala. Estando abaixo de 50, os países demonstram que não estão sabendo lidar com a corrupção.

Os melhores colocados, próximos de 100, em integridade, são: Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia e Suécia. O piores, próximos do 0, são: Somália, Sudão do Sul, Síria e Coreia do Norte. Nas Américas, os campeões em corrupção são: Venezuela e Haiti. E os mais íntegros são o Canadá e os Estados Unidos.

Infelizmente, o Brasil, apesar dos bons exemplos dos países que alcançaram um elevado padrão de desenvolvimento econômico e bem-estar socioambiental, sem um motivo plausível, enveredou por caminhos tortuosos e entrou em uma das maiores crises de ética, que redundou na atual crise socioeconômica sem precedentes. Não há dúvidas de que a mediocridade política aliada à conivência e à conveniência de empresários foram os grandes responsáveis por este estado de coisas.

A iniciativa privada, ao invés de se organizar, preferiu ceder, em uma postura individualista e com visão de curto prazo, descomprometida com o futuro do Brasil, à chantagem dos políticos corruptos. Não é por acaso que o Brasil está alijado das cadeias produtivas internacionais.

Ora, ser competitivo é ser a escolha e, para sermos escolhidos, temos de cumprir alguns critérios: produtividade, eficácia, eficiência, sustentabilidade, inovação, confiança e governança. Há tempo que não conseguimos cumprir nem parte destas exigências. São indicadores que retratam os Fundamentos da Excelência.

Sermos taxados mundialmente de corruptos, pelo visto, pouco incomoda, pois não se percebe uma mobilização coletiva do empresariado, nos moldes do que acontecia no final do século passado. Ao invés de reagir, aceitaram, passivamente, a indigência ética na qual nos encontramos.

Provas e mais provas são apresentadas diariamente, malas e malas de dinheiro são movimentadas, declarações e declarações são gravadas, sem uma explicação convincente. As mentiras, respaldadas por profissionais inescrupulosos, em negação aos questionamentos, são quase que automáticas, mesmo diante de provas evidentes.

Além do mais, hoje temos a pecha de exportadores de corrupção. Há a sensação de estarmos cercados de ouvidos moucos, olhos cegos e bocas mudas.

Não há dúvidas de que, nestes últimos cinco anos, o Brasil tem sido útil ao mundo, porém, como mau exemplo – como não se deve fazer. Os diversos escândalos revelados pelas múltiplas operações das autoridades brasileiras, desencadeadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, tendo a Lava Jato como a mais representativa, rompendo a tradição de impunidade da elite malfeitora, de políticos e empresários – criminosos de colarinho branco -, estão servindo para recuperar, pouco a pouco, a confiança, interna e externa, perdida.

Independentemente de orientações político-partidárias, o fato é que a mudança sempre traz esperança. O povo brasileiro, em média, é de boa índole, trabalhador e, principalmente, resiliente. É notável o clima positivo de esperança que se alastrou pelo país como um todo, de outubro para cá.

Esperamos que, neste Dia Internacional Contra a Corrupção, cada brasileiro assuma o seu papel de transformação e de guardião da ética e da integridade, em todas as suas ações e atitudes. Não podemos nos decepcionar mais uma vez, pois paciência tem limite.

Que 2019 represente um novo marco institucional para o Brasil. Banindo corruptos e corruptores, servindo de exemplo ao mundo como um país economicamente desenvolvido, socialmente justo, ambientalmente responsável e eticamente confiável.

Este não é apenas o Brasil que queremos, mas o Brasil que precisamos. Útil como Um Bom Exemplo para o mundo!

Jairo Martins é presidente executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).



Categorias:Opinião

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: