Custos da qualidade: a linguagem dos negócios

Por que é importante medir o custo da qualidade?

negócios2Ray Harkins

No outono de 1956, a Harvard Business Review publicou um importante artigo do economista e líder empresarial Armand Feigenbaum, intitulado Controle da Qualidade Total. Seu artigo resumiu o sistema de controle de qualidade que ele desenvolveu durante seu longo tempo de trabalho na General Electric e deu destaque a muitos conceitos ainda usados atualmente na gestão moderna da qualidade, incluindo o custo da medição da qualidade.

O objetivo de medir o custo da qualidade de uma organização é gerar uma ferramenta que os gerentes e os engenheiros podem usar para impulsionar melhorias. Para desenvolver esta ferramenta: identifique os custos da qualidade, agrupe esses custos em categorias, e se deve resumir os resultados em um formato utilizável.

As duas chaves para identificar os custos de qualidade de uma organização são o consenso no grupo de gestão e a consistência ao longo do tempo. Se você administra uma organização ou trabalha em uma função ligada à qualidade, muitos desses custos são óbvios.

Devoluções de clientes, sucata de produção e salários de inspetores são os custos de qualidade que normalmente são mais valorizados em uma organização. Outros custos são mais sutis, como a remessa rápida devido à baixa qualidade, custos administrativos associados a solicitações de ações corretivas e viagens de investigação de defeitos nas instalações do cliente.

Ao desenvolver um relatório de custo de qualidade, alguns deles não estarão claramente alinhados com a qualidade, como os salários de um técnico de laboratório que atende às funções de qualidade e engenharia. Uma pequena discussão filosófica e ajustes acordados entre gerentes geralmente resolvem esses problemas.

Mais importante, no entanto, é a identificação constante desses custos ao longo do tempo. Se uma organização define os salários dos técnicos de laboratório como um custo de qualidade, por exemplo, eles devem permanecer como um custo de qualidade ao longo do tempo. Essa é a única maneira pela qual uma organização pode comparar com precisão seu desempenho com períodos anteriores.

As quatro categorias em que todos os custos de qualidade caem são prevenção, avaliação, falhas internas e externas.

Prevenção: eles geralmente incluem treinamento, custos administrativos para desenvolver planos de amostragem e controle de processos, auditorias de avaliação de fornecedores e outros custos incorridos para evitar defeitos.

Avaliação: incluem os salários das inspeções em processo, o custo das avaliações dos fornecedores e outros custos associados à garantia de conformidade com os requisitos do produto.

Falhas internas: incluir todos os custos relacionados ao material defeituoso identificado antes do envio – incluindo o material descartado – o trabalho de classificação e retrabalho e o custo de avaliação do material.

Falhas externas: incluem todos os custos relacionados a falhas do produto identificadas pelos clientes, incluindo visitas de investigação de defeitos, classificação no local, frete de produtos devolvidos e custos de serviço de campo.

Os custos organizacionais que estão claramente relacionados à qualidade, como o salário de um engenheiro de qualidade, mas que não se encaixam completamente em uma única categoria, são geralmente distribuídos de acordo com sua contribuição aproximada para cada categoria.

Por exemplo, se um engenheiro de qualidade ocupa aproximadamente um quarto de seu tempo na seleção de fornecedores e o restante o ocupa para realizar auditorias a fornecedores, 25% do salário pode ser atribuído à prevenção e o restante à avaliação.

O último passo no desenvolvimento de um relatório útil sobre o custo da qualidade é resumir os dados em um formato legível e de fácil entendimento. O relatório deve ser breve para que um gerente possa analisá-lo em alguns minutos. Ele também deve conter cabeçalhos de seção para cada uma das quatro categorias de custo.

As ferramentas da qualidade, como a gráfico de Pareto, podem ser integradas ao relatório para mostrar os retornos de clientes individuais, classificados por sua magnitude de perda de vendas, por exemplo. Um relatório dos custos da qualidade bem elaborado pode servir como um forte indicador do desempenho organizacional se publicado com frequência (pelo menos trimestralmente, mas de preferência mensais), ligada a outras medidas comerciais (custos de qualidade como uma percentagem das vendas, por exemplo) e usados para analisar projetos de melhoria de desempenho, famílias de produtos e departamentos individuais.

Para que a função de qualidade de uma organização tenha o mesmo nível de seus outros processos-chave, como programação de produção e gestão de estoque, ela deve ter métricas estabelecidas e repetíveis vinculadas a seus objetivos financeiros.

Afinal, o dinheiro é a linguagem dos negócios. Um sistema de relatórios de custos de qualidade bem projetado, que use princípios de gerenciamento de dinheiro aplicados de forma justa e consistente, fará exatamente isso.

Bibliografia

Feigenbaum, Armand, Total Quality Control, Harvard Business Review, 1956.

Ray Harkins é  gerente de qualidade da Ohio Star Forge Co. em Warren. Ele é sócio sênior da ASQ e do Institute of Industrial and Systems Engineer, e possui certificações da ASQ como engenheiro de qualidade, auditor e técnico de calibração. Ele também ministra cursos sobre qualidade e negócios na Udemy.com.

Fonte: Quality Progress/2018 May

Tradução: Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Planejamento tributário: os cinco erros que vão mascarar o seu resultado

Empresas devem observar algumas características do planejamento tributário para não correr riscos.

tributário

Leonel Siqueira

O Brasil faz parte do grupo de países com a maior média de cobrança de imposto sobre a renda por empresas. Pelo menos é o que indica uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em parceria com a consultoria Ernest Young, que visa comparar a carga tributária para as empresas no Brasil com outros países. O relatório aponta que, enquanto nas outras nações, a tributação de IR para as companhias é de 22,96%, no Brasil é quase 35%.

Ainda de acordo com o relatório, Estados Unidos, Japão, França e Argentina já conseguiram reduzir suas alíquotas. Apenas 30 países no mundo passam de 30 pontos e, o Brasil, segue isolado na liderança. Definitivamente, esse é um título de que não podemos nos orgulhar.

Mas o problema está longe de ser somente a cobrança de IR. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), editamos cerca de 760 normas por dia. Além disso, as pequenas empresas gastam em média 1.958 horas ao longo do ano para realizar a gestão e o pagamento das obrigações tributárias. Para piorar, impostos e taxas podem representar 68,4% da lucratividade das companhias.

Por falar em gestão tributária, esse tem sido um dos gargalos para os empresários que buscam fugir da atuação do Fisco. O planejamento tributário é uma alternativa para superar essa adversidade, uma vez que ele vai possibilitar a redução de custos, além de evitar prejuízos financeiros para a empresa. Mas com um sistema complexo e cheio de exceções, é natural que muitos gestores desconheçam o melhor caminho para uma gestão fiscal eficiente. Resultado dessa insipiência em relação à legislação vigente no país, é que muitas empresas ainda comentem muitos erros na elaboração do seu planejamento tributário. Vamos conhecer os cinco principais deles:

1) Optar pelo regime tributário incorreto. A empresa deixa de aproveitar diversos benefícios oriundos do planejamento tributário no momento em que faz a escolha do modelo incorreto, ou seja, escolhe um regime que não atende as características econômicas da empresa. Essa escolha vai impactar ou não na saúde financeira dos negócios, por isso a importância de escolher o regime correto.

2) Achar que planejamento é um ônus. Não verdade, pelo contrário. Ele é um bônus. Investir em planejamento não significa ter maiores gastos, mas é a possibilidade de descobrir meios legais para pagar menos impostos e garantir uma vida financeira saudável.

3) Abusar dos mecanismos legais. Muitas vezes, a empresa abusa dos instrumentos previstos em lei para elaborar o planejamento tributário. Fazendo isso de forma abusiva, muito embora não seja ilícito, sem incorrer em fraude, a Administração Tributária pode entender que esse planejamento foi abusivo de forma que desconstitui o fato gerador desses elementos.

4) Ausência de monitoramento. Após definir a estratégia que irá adotar para o planejamento, a empresa que não faz o monitoramento legal das normas pode colocar a conformidade em risco, já que as normas são atualizadas diariamente e, por esse motivo, é necessário um acompanhamento de perto.

5) Planejamento fragmentado. É um erro considerar apenas alguns tributos, ou de forma isolada, e não a carga tributária como um todo. Temos a maior carga tributária da América Latina e uma das maiores do mundo, 33% do PIB, e não considerar esse volume é um erro gravíssimo.

A empresa que não observar esses cinco itens, estará automaticamente mascarando um resultado financeiro ruim. Mas não é só isso. O sinal de alerta para o gestor é que ele pode até acreditar que está em conformidade com o Fisco, mas na verdade está perdendo valor de caixa e não terá um resultado eficiente.

Por outro lado, para quem estiver atento e conseguir ficar longe desses desvios, terá como maior benefício a otimização dos custos. Pagar mais tributos com menos recursos é o objetivo de qualquer empresa e só com um bom planejamento tributário será possível alcançar essa meta. Outra vantagem é que a economia gerada por meio de uma gestão eficiente de tributos permite a empresa investir em outros setores estratégicos. Principalmente quando falamos em ampliar o parque tecnológico da companhia com soluções robustas de gestão fiscal.

Por fim, engana-se quem acredita que o planejamento tributário é um olhar aguçado para a área fiscal. Na verdade, ele é parte fundamental da estratégia de negócio das empresas, principalmente, para quem visa obter melhores resultados.

Leonel Siqueira é gerente tributário da Synchro.



Categorias:Opinião, Qualidade

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