A Qualidade dos mourões de concreto

Devido à necessidade de proteção e de demarcação de áreas, algumas empresas optam pela utilização de cercas de alambrados, sustentada por mourões de concreto armado. Este material refere-se a um pré-moldado de concreto armado, resistente ao tempo e a tensão dos fios das telas de alambrado. As vantagens deste meio de demarcação são inúmeras: agilidade, economia, resistência, incombustibilidade, não sujeito a fungos, arquitetonicamente funcional e ecológica, por poder ser reaproveitado. Mas, devem ser produzidos de acordo com a norma técnica.

mourão2Da Redação –

Segundo os especialistas, os mourões de concreto facilitam o fechamento de terrenos por se mostrar uma solução prática, simples e econômica pela sua facilidade de aplicação e grande durabilidade e pode ser aplicado a grandes extensões com um custo consideravelmente abaixo de outras soluções para fechamentos encontradas atualmente no mercado. Alguns fabricantes produzem mourões curvos, porém os mais comuns são os retos, ambos nas opções com ou sem orelha, que servem para fazer o travamento da estaca em ambos os lados.

Os mourões retos têm 2,20 metros de altura e os curvos possuem 2,60 metros de parte reta mais 40 centímetros de inclinação. Eles são, em média, fixados a uma profundidade de 50 centímetros no solo e possuem furos a cada 20 centímetros da sua parede lateral a fim de serem fixados os arames, parede essa que tem duas medidas de 10cm x 10cm. O diferencial dos curvos é a possibilidade de colocar arame farpado em sua curvatura, aumentando desta forma a segurança do alambrado.

A escolha da utilização de mourões de concreto retos ou curvos é uma decisão do utilizador, não tendo uma recomendação específica, ficando a critério do comprador analisar as especificações de cada um dos dois tipos quando às suas dimensões e decidir qual se encaixa melhor à sua necessidade. O que se recomenda, entretanto, é que os mourões estejam espaçados um do outro por no máximo a dois metros de distância, e fazer o travamento com orelhas a cada 15 metros no caso mais usual onde é usada tela para o alambrado. Caso o fechamento seja feito com arame essa distância deve ser de 10 metros pelo fato do arame tracionar mais os mourões que a tela.

A melhor aplicação para os mourões de concreto é em cercas para a confecção de alambrados, muito utilizado em zonas rurais como sítios e chácaras, além de ser uma ótima solução para empresas, tendo como vantagem a sensação de um espaço maior, uma vez que o fechamento não impede a visão através da cerca. As vantagens de utilização de mourões de concreto como componente de sustentação e resistência de cercas giram não somente em torno da praticidade do material, mas também das vantagens ambientais, pois diminuem o uso da madeira frente a esta necessidade de demarcação.

Algumas características também deve ser levadas em conta: o fato de ser incombustível e resistente ao impacto; não estar sujeito ao ataque de fungos; uniformidade e destaque na paisagem; fácil construção;  e. reaproveitamento permitindo a preservação de recursos naturais. Podem ser aplicados em cercas para pastos, culturas ou faixas de estradas, cercas para pomares, jardins e moradias, para suporte de videiras, etc.

Os procedimentos para a sua produção não diferem de outros pequenos artefatos de concreto. Devem ser usadas as fôrmas que podem ser de madeira (desde que bem lisa e de boa qualidade) deve permitir uma rápida desforma que pode ser facilitada se sua seção for ligeiramente trapezoidal.

A colocação de armaduras dependerá dos esforços solicitantes e da seção transversal da peça. Ela é constituída de ferros longitudinais e estribos. Suas extremidades devem ser dobradas em forma de gancho, de modo que cada uma fique com 2,05 m de comprimento e 5 estribos de ferro de 4,7 mm (3;16’’) de diâmetro, formando um quadrado de 5 cm de lado.

As barras deverão então ser amarradas internamente nos cantos com arame preto recosido. Os estribos poderão ser dobrados com auxílio de gabarito. A armadura deverá, logo em seguida, ser colocada e fixada em formas, de maneira que fique sempre um espaço livre de 2,5 m cm entre os ferros e as paredes de fôrmas, para garantir o recobrimento da ferragem após a concretagem.

O concreto é obtido através da mistura homogênea de cimento Portland, areia e pedra britada ou pedregulho. Recomenda-se que seu traço siga as instruções da Associação Brasileira de Cimento Portland. Com o concreto misturado, as fôrmas já preparadas e a armadura colocada, procedem-se ao que se chama de concretagem, operação bastante simples e prática corriqueira. O enchimento das fôrmas com uma haste de ferro ou madeira, cuidadosamente, de modo a não se deslocar a armadura de posição.

Antes do endurecimento do concreto (duas a três horas após o adensamento) retiram-se as barras que atravessam os furos na parede das fôrmas. Imediatamente após a concretagem, deve-se procurar proteger as peças concretadas da ação direta do sol e do vento. A desforma é feita geralmente após 24 horas, quando os mourões são então levados para o estoque e mantidos continuamente molhados, durante um período de 7 a 14 dias. Após 30 dias eles já estarão prontos para uso.

A NBR 7176 de 01/2013 – Mourões de concreto armado para cercas de arame — Requisitos estabelece os requisitos aplicáveis aos mourões de concreto armado e protendidos, destinados à construção de cercas. A identificação feita diretamente no concreto deve atender aos seguintes requisitos: as dimensões dos caracteres devem ser de 30 mm a 40 mm e gravados em baixo relevo, com profundidade entre 3 mm e 5 mm, de forma legível e indelével antes do endurecimento do concreto, no sentido da base para o topo.

A identificação deve conter: nome ou marca comercial do fabricante; — data (dia, mês e ano) de fabricação: dd/mm/aa. Os mourões de concreto armado ou protendido podem ter as formas e dimensões conforme a seguir. Os mourões de apoio (escora) e esticadores devem ter furos de (10 ± 1) mm de diâmetro na direção dos alinhamentos dos fis. Os furos devem estar situados num plano paralelo em uma das faces do mourão, passando por seu eixo. Os furos devem ser espaçados 150 mm, começando a 50 mm do topo.

Os mourões devem ser fabricados obedecendo às normas da Seção 2, para o preparo e o adensamento do concreto. Os mourões devem ser isentos de defeitos, tais como fissuras, arestas com cantos irregulares e quebrados, ninhos de concretagem e saliências, não sendo permitidos reparos ou pinturas com o fim de ocultar esses defeitos.

Os mourões devem ser retilíneos e possuir altura e seções transversais que obedeçam ao disposto nesta norma. A espessura de concreto de cobrimento das armaduras, em qualquer posição, deve ser no mínimo de 12 mm. Para fornecimentos iguais ou superiores a 200 unidades, as peças necessárias para os ensaios devem ser fornecidas gratuitamente até o limite de 1% do fornecimento, para cada tipo de mourão e no mínimo duas peças para cada ensaio.

Na fabricação dos mourões, os componentes devem ser verificados segundo as seguintes normas: cimento: conforme as NBR 5732, NBR 5733, NBR 5735, NBR 5736, NBR 5737, NBR 11578 ou NBR 12989; agregado: conforme a NBR 7211; água: destinada ao amassamento do concreto e isenta de teores prejudiciais de substâncias estranhas, conforme a NBR 15900-1; barras, fios e cordoalhas de aço utilizados para as armaduras: conforme as NBR 7480, NBR 7481, NBR 7482 ou NBR 7483; concreto para dosagem e controle tecnológico do concreto: conforme a NBR 12655.

A resistência característica do concreto (fck) deve atender no mínimo à classe de agressividade ambiental II da NBR 12655:2006, Tabela 2. As condições de exposição mais agressivas (classes III ou IV da NBR 12655:2006, Tabela 2) devem ser informadas pelo comprador. Todo o processo produtivo deve ser controlado a fim de garantir a qualidade final do produto. O produto final deve atender aos requisitos apresentados na Seção 5, evidenciados em documentos específicos.

A durabilidade do mourão de concreto é a sua capacidade de resistir à ação das intempéries, ataques químicos, abrasão ou qualquer outro processo de deterioração, isto é, o mourão de concreto durável deve conservar a sua forma original, qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao meio ambiente pelo período de vida útil de projeto estabelecido nesta norma. A qualidade do concreto deve atender ao prescrito na NBR 12655:2006, 5.2.2.1, que trata da correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto. Para concreto exposto a soluções contendo sulfatos, o concreto deve atender ao apresentado na NBR 12655:2006, 5.2.2.3.

De forma a proteger as armaduras do concreto, o valor máximo da concentração de íons cloreto no concreto endurecido, considerando a contribuição de todos os componentes do concreto no aporte de cloretos, não pode exceder os limites estabelecidos na NBR 12655:2006, 5.2.2.4. O índice de absorção de água e o cobrimento da armadura devem atender, respectivamente, ao prescrito em 6.2.

Nos ensaios de flexão com mourões engastados, os limites mínimos são: para mourões de suporte ou escora: carga nominal: 30 daN; carga de ruptura: 60 daN; para mourões esticadores: carga nominal: 50 daN; carga de ruptura: 100 daN. Após a pega do cimento, o concreto continua a ganhar resistência desde que não falte água necessária para a continuidade das reações de hidratação.

Por esse motivo, nos serviços de execução de estruturas em concreto, a cura é uma das etapas mais importantes, pela influência. A cura é o processo usado para manter um adequado teor de umidade a uma temperatura favorável no interior do concreto, durante a hidratação dos materiais aglomerantes, de modo a propiciar o adequado desenvolvimento de suas propriedades.

A cura deve ser iniciada imediatamente após a concretagem do mourão, podendo ser realizada com o auxílio de coberturas (lonas plásticas, exceto as de cor preta) colocadas sobre as fôrmas ou outros processos equivalentes, até o momento da desforma, quando deve ser iniciada a cura definitiva conforme as orientações descritas. Recomenda-se a cura com água por ser o processo mais indicado para aplicação, por sua facilidade de execução e grande eficiência, além de favorecer a dissipação superficial da temperatura, que se desenvolve na massa do concreto devido à hidratação do cimento.

O estabelecimento do período de duração da cura está intimamente ligado ao tipo de cimento utilizado na fabricação do concreto, devendo ter duração mínima de três dias. A cura térmica pode ser iniciada antes da desforma. Recomenda-se a cura térmica nas situações em que o endurecimento do concreto pode ser acelerado por meio de tratamento térmico adequado e devidamente controlado, não se dispensando as medidas de proteção contra a secagem de acordo com a Seção 7.

O tratamento térmico deve ser cuidadosamente controlado, levando-se em conta as seguintes fases: tempo de espera entre o fim da concretagem e o início da aplicação do calor; velocidade máxima da elevação da temperatura; temperatura máxima; tempo de aplicação do calor; esfriamento. As condições de cada uma destas fases devem ser criteriosamente estabelecidas através de ensaios experimentais, que devem levar em conta os tipos de aglomerantes, agregados e aditivos utilizados, o fator água/cimento, assim como as resistências mecânicas que devem ser atingidas pelo concreto por ocasião da aplicação da protensão, da desmoldagem, do manuseio e transporte, da montagem e do uso final.

Na cura a vapor sob pressão atmosférica devem ser tomados cuidados especiais para que os postes de concreto sejam aquecidos uniformemente. A cura térmica deve ser efetuada em ambiente vedado por material isolante (lonas, lençóis plásticos ou outro material adequado), de maneira a garantir a saturação de vapor e impedir excessiva perda de calor e umidade. A vedação deve impedir, também, a formação de correntes de ar frio do exterior.

As saídas dos pontos de alimentação de vapor devem ser posicionadas de forma a evitar a descarga direta sobre a superfície do concreto e das fôrmas ou sobre os corpos de prova. A aparelhagem necessária à realização dos ensaios é a seguinte: banca de ensaio: dispositivo que permita simular as condições reais do engastamento previsto. Este dispositivo pode ser de qualquer tipo, de modo que a rotação e deformações sejam desprezíveis (mourão/banca e banca/solo), devendo se aproximar às condições de uso.

Uma máquina de ensaio (tração): máquina capaz de realizar de modo contínuo e progressivo, sem impactos, a carga a ser aplicada ao mourão, podendo ser de acionamento elétrico, hidráulico ou manual e um dispositivo de ancoragem: a estrutura de ancoragem da máquina de ensaio de tração deve ter capacidade compatível com as cargas a serem aplicadas nos ensaios.

Incluir um equipamento de medição de cargas: dinamômetro ou célula de carga que permita a medida das forças com erro de medição inferior a 5% para toda escala calibrada. Para a execução dos ensaios deve ser utilizada tabela de correção de leitura em função do certificado de calibração válido.

Dispor de uma régua milimetrada com divisão de 0,5 mm, com erro de indicação inferior a 1% em sua escala e capacidade mínima de 300 mm; uma régua metálica ou de madeira com aproximadamente 300 mm de comprimento; uma trena métrica com resolução de 1,0 mm e capacidade de medição compatível com o comprimento do mourão a ser ensaiado. Dispor também de um cronômetro digital ou analógico com resolução de 1/100 s; um paquímetro com escala em milímetros, faixa de indicação de 300 mm e resolução 0,05 mm.

Incluir um martelo ou marreta de aço com massa aproximada de 2 kg. O equipamento é destinado a quebrar as extremidades e laterais da amostra de mourão para o ensaio de afastamento e cobrimento de armadura por processo manual.

Dispor de um fissurômetro de lâminas: jogo de lâminas para medir abertura de fissuras em concreto, com indicação de 0,05 mm a 1,2 mm e extremidades com largura máxima de 6 mm e raio de curvatura de 3mm. Dispor de uma linha de náilon de 0,20 mm a 0,40 mm de diâmetro e comprimento compatível ao tamanho do mourão a ser ensaiado; um cabo de aço para ser utilizado nos ensaios mecânicos de resistência compatível, com a carga a ser aplicada.

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Para analisar a aceitação ou rejeição de um lote, os mourões devem ser inspecionados segundo as categorias de inspeção estabelecidas nesta norma. Detectado um defeito, este deve ter uma graduação (crítico, grave ou tolerável). A seguir, o mourão é classificado como em conformidade ou defeituoso (crítico, grave ou tolerável), conforme a seguir: mourão em conformidade: mourão isento de qualquer defeito; mourão defeituoso crítico: mourão que contém um ou mais defeitos críticos, podendo conter defeitos toleráveis e graves; mourão defeituoso grave: mourão que contém um ou mais defeitos graves, podendo conter defeitos toleráveis, mas não críticos; mourão defeituoso tolerável: mourão que contém um ou mais defeitos toleráveis, não contendo defeitos graves nem críticos.7

Todos os mourões rejeitados nos ensaios de recebimento devem ser substituídos por unidades novas e perfeitas pelo fabricante, sem qualquer ônus para o comprador. A aceitação de um determinado lote pelo comprador não exime o fabricante da responsabilidade de fornecer os mourões em conformidade com os requisitos desta norma, nem invalida as reclamações que o comprador possa fazer a respeito da qualidade do material empregado e/ou fabricação dos postes.

A critério do comprador, o fabricante pode apresentar certificados da execução do controle da qualidade de fabricação. Independentemente do resultado da inspeção nos termos da Seção 9, o comprador pode rejeitar total ou parcialmente o lote. Se os resultados da inspeção a que se refere a Seção 9 conduzirem à recusa de 20% ou mais dos mourões do lote, este lote pode ser rejeitado em sua totalidade, sendo facultativo ao fornecedor apresentar novamente, no recebimento, parte do lote recusado, por ele escolhida e separada no próprio local de entrega.

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Ao comprador compete cotejar, para cada lote do fornecimento, os resultados colhidos na inspeção e nos ensaios com os requisitos desta norma. Caso todos os resultados satisfaçam esses requisitos, o lote é aceito. Caso um ou mais desses resultados não satisfaçam os referidos requisites, o lote é rejeitado.



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