Publicado em 07 abr 2026

O governance washing e a ilusão do controle corporativo

Redação

Muitas empresas constroem uma aparência sofisticada de governança com políticas, comitês e discursos bem elaborados, que não se traduz em controle real, vigilância efetiva ou capacidade de interromper decisões ruins. Esse teatro da governança anestesia o mercado, torna o risco ilegível e adia o reconhecimento de fragilidades estruturais. O caso Americanas é o exemplo emblemático da ruptura entre forma e substância. A governança só cumpre seu papel quando é mecanismo vivo de accountability, transparência e poder de confronto.

 

Patricia Punder – 

Quando eu ouço a expressão governance washing, eu penso menos em uma fraude criativa e mais em uma rotina corporativa muito brasileira: a construção de uma aparência de governança que tranquiliza o mercado, ocupa relatórios, enfeita apresentações e rende bons discursos, mas não sustenta decisões difíceis, não produz vigilância real e não impede que a organização caminhe, em silêncio, para um abismo previsível.

É o washing aplicado à governança: não é que não exista estrutura; ela existe, mas funciona como vitrine. E como vitrine, ela é cuidadosamente iluminada.

O problema é que a governança, por definição, não foi feita para ser estética, foi feita para ser mecanismo: direcionar, monitorar e incentivar, com responsabilidades claras e prestação de contas. Essa definição, inclusive, é repetida de forma muito semelhante em referências clássicas e modernas pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) que descreve governança como o sistema pelo qual organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo relações entre sócios, conselho, diretoria e órgãos de controle.

O ...

Artigo atualizado em 25/03/2026 02:26.
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