A arte de fazer diferente

A dinâmica de líderes empreendedores não se acomoda num clima de estratégias convencionais.

ozires

Ozires Silva

Publicações e discussões dedicadas a imaginar e estudar empreendimentos consagram a ideia de que, neste mundo moderno e em permanente mudanças, a mobilidade permeia a cabeça dos especialistas e daqueles que buscam oportunidades para novos negócios. E concordam: tudo parte da contribuição de pessoas talentosas e criativas, capazes de identificar chances, assim que elas se mostram, transformando-se em empreendedores ou estimulando a outros para ousarem.

Tais empreendedores, normalmente irrequietos, sempre pensam em novos começos, mostram coragem para recomeçar e avançam, mesmo enfrentando novos riscos. Com isso, materializam mudanças. Na verdade, esse comportamento define o tipo de pessoas que vivem e pensam em novidades, mesmo quando suas criações não sejam prontamente aceitas pelas sociedades aonde vivem.

Os atributos desses líderes são muitos e emergem entre os mais importantes o seu espírito de buscar a novidade. Normalmente, respalda suas iniciativas em pesquisas, mas basicamente a inspiração joga com grande influência. E na atualidade, os resultados sugerem que a expressão “líder empreendedor” tem sua presença cada vez mais desejada no campo empresarial.

Em resumo, as empresas precisam desse espírito empreendedor que, criando horizontes novos, renova e reinventa métodos, processos ou produtos. A pergunta crucial que sobra é onde encontrar tais pessoas que munidas do espírito, ou de inspirações, podem contribuir para o crescimento e o progresso de tudo que nos cerca. De um lado, o terreno precisa estar fértil, como uma árvore, pois elas não aparecem ou crescem num terreno árido, no qual novas ideias são sepultadas mesmo antes de nascerem.

A dinâmica de líderes empreendedores não se acomoda num clima de estratégias convencionais. O exemplo da Apple é representativo. Depois de quase quebrar, a empresa, sob a liderança de Steve Jobs, lançou o iPhone e depois o seu revolucionário iPad, ambas iniciativas pouco acreditadas pelos concorrentes. Todavia, os resultados foram além do que se poderia esperar e a empresa recuperou sua capacidade competitiva.

O empreendedor já nasce assim, um criador, um inovador? Sim, pode ser, mas ele também, desde que estimulado, pode ser formado ou mesmo treinado. Pode estar ao seu lado em seu escritório ou entre seus colaboradores, mas, limitado pelas circunstâncias, acaba não tendo sua índole materializada.

O importante, como dizia o bem sucedido presidente da General Electric, Jack Welch, é o espírito de observação. Necessário ouvir as pessoas com atenção, pois, muitas vezes, numa expressão casual, ela pode estar lhe dando uma contribuição, algo de importante e diferenciado. São ideias, ou alternativas, que podem surgir em todos os instantes e simplesmente não podem ser ignoradas por gerentes distantes e pouco motivados.

Em que pese a natural hesitação, cresce a crença de que empreender por novos caminhos é benéfico para o gerenciamento de empresas, estabelecidas ou não. E não se trata simplesmente de realizações radicais.

Pode-se colher resultados mesmo das modificações menores, em qualquer estágio de um negócio. Empresas maduras e conservadoras precisam da liderança empreendedora, para que possam fazer a renovação contínua necessária à sobrevivência. E empresas nascentes devem olhar para o novo, como preço a ser pago para o sucesso num mercado mundial, cada vez mais ávido pelo novo.

Ozires Silva é reitor da Unimonte e presidente do Conselho de Administração da Anima Educação e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ). Já ocupou a presidência de empresas como Petrobras e Embraer.



Categorias:Opinião

Tags:, ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: