O gerenciamento de ativos físicos da manutenção em uma planta industrial farmacêutica

A gestão de ativos consiste em boas práticas a serem utilizadas por uma planta industrial farmacêutica e em seu processo de controle de ativos que busca alcançar resultados desejados e sustentáveis, sendo considerada uma ação coordenada para realizar valor com seus ativos. A popularidade do tema é justificável: as iniciativas voltadas para a administração dos bens de uma empresa têm feito toda a diferença para oferecer um produto mais competitivo no mercado.

farmácia2Fabiano Ferreira Matias Neto e Gilson Brito Alves Lima

O critério utilizado para a realização deste trabalho consistiu em: uma pesquisa nos documentos e procedimentos que definem o atual modelo de gestão da manutenção das empresas, coleta de informações nos bancos de dados de empresas que registram as ocorrências de falhas dos ativos e as ordens de serviços realizados nos ativos estudados, análise dos dados e geração de resultados através de planilhas eletrônicas e, por fim, uma busca de informações para subsidiar a demonstração da proposta de implantação da gestão de ativos no processo de manutenção de uma planta industrial farmacêutica.

Tendo em vista estes fatores, o estudo da gestão da manutenção aparece como sendo de mais valia no cenário encontrado pelos profissionais de engenharia na busca de otimização e melhoria de processos. Onde há o fato do negócio da organização depende diretamente da disponibilidade dos ativos, a responsabilidade do setor de manutenção tem magnitude substancial, onde seu desempenho tem relação direta com as metas e objetivos de produtividade.

O foco principal deste projeto foi na gestão da manutenção de que atendem aos fluxos. A imposição desta condição de contorno, de focar apenas neste grupo de ativos, se dá pelo fato de haver uma vasta quantidade de tipos de equipamentos, onde muitos deles encontram-se num ambiente distante do autor deste trabalho além de manter um foco mais específico de análise e resultados.

Com o objetivo de criar e manter um programa de gestão de ativos, este trabalho inicial serve como referencial para estudos de campo e melhorias dos processos de manutenção e redução de custos. Tomando como base relato de profissionais da área de manutenção industrial, e analisando as organizações de forma sistêmica, o trabalho identifica o cenário atual de uma planta industrial farmacêutica de ciência e tecnologia em saúde, apresenta mudanças tecnológicas rápidas e profundas, e a empresa farmacêutica faz parte deste cenário, e também por estar ocupando lugar privilegiado na interface da saúde, da ciência e tecnologia. Para tanto, a área de gestão de manutenção precisa acompanhar este crescimento na mesma aceleração e com desenvolvimento de técnicas que permitam atender às demandas existentes.

Na busca de uma resposta para a questão central abordada, esta pesquisa tem como objetivo sugerir uma sistemática para implantação de gestão de ativos com as NBR – NBR ISO 55000 Gestão de Ativos: Visão Geral, Princípios e Terminologia; NBR ISO 55001 Gestão de Ativos: Requisitos e NBR ISO 55002 Gestão de Ativos: Aplicação. Com isso, otimizar a ineficiência de processos e procedimentos. O propósito deste trabalho é servir como fonte de informação para a manutenção eficaz e eficiente.

A relevância deste trabalho encontra-se pautada na importância de desenvolver uma metodologia de gestão de ativos, o desafio a ser enfrentado relaciona-se com a possibilidade de espaços para melhoria nos processos e procedimentos empregados para o desenvolvimento das ações de manutenção: estruturar segurança; garantir estabilidade; definir previsibilidade; propor confiança; e reduzir custos. Com o desenvolvimento científico e tecnológico presente, o investimento na gestão de ativos tende aumentar.

Isso faz com que a manutenção tenha um papel fundamental nas empresas: na disponibilidade dos equipamentos, na sua confiabilidade, na redução do risco de funcionamento e, na qualidade dos produtos e serviços. Neste contexto, as estratégias envolvidas na manutenção tornam-se necessárias para as empresas. Não existe uma estratégia de manutenção perfeita e, mesmo com a utilização de ferramentas especificas, as avarias nos equipamentos ocorrem, o que faz com que as equipes de manutenção tenham de responder a estas situações da forma mais eficaz possível.

Nesse contexto, este estudo tem o objetivo de identificar os impactos que os parâmetros qualitativos causam na frequência e na severidade dos ativos, assim como os impactos das variáveis quantitativas e do usuário causam na severidade da utilização dos processos e procedimentos, com enfoque no primeiro caso. Assim é possível sistematizar uma proposta de implantação de gestão de ativos físicos focada nos processos críticos de forma a analisar os casos recorrentes em uma planta industrial farmacêutica?

O artigo está estruturado em cinco seções, incluindo esta introdução e revisão teórica. A seção 2 descreve o processo de reconstituição geométrica e modelagem estatística, a seção 3 apresenta a construção da base de dados do caso estudado e a seção 4 descreve a estimação dos modelos e a discussão dos resultados obtidos, enquanto a seção 5 traz as considerações finais do estudo.

Diante do exposto, interpretar corretamente o significado do que venha a ser um Sistema de Gestão de Ativos (SGA) é fundamental, pois a manutenção, enquanto função estratégica (KARDEC; NASCIF, 2004), terá fundamental importância quando da definição do planejamento estratégico da gestão de ativos. Inicialmente, ressalta-se que o planejamento e a padronização das atividades de manutenção são as bases para melhorar o gerenciamento da manutenção.

Quando são bem elaborados e aplicados, eles garantem a confiabilidade das ações preventivas e corretivas e a previsibilidade dos recursos necessários – mão de obra, ferramentas e peças de reposição. Como resultado desta maior previsibilidade, torna-se possível gerenciar o orçamento da manutenção com maior precisão e sem grandes surpresas (TAVARES, 1999).

De acordo com Carvalho (2004), a estrutura do modelo de gestão representa como os diversos elementos ou dimensões interagem entre si e com o ambiente que os cerca, e também que a cultura organizacional tem papel decisório na definição do modelo adequado e na forma de execução dos processos e estratégias condizentes. Conforme Carvalho (2004), na prática o modelo de gestão tem que traduzir o papel da organização, seus resultados previstos e produzir o que o cliente espera.

Para isto é necessário atender algumas premissas, descritas a seguir, que relacionam as dimensões essenciais na estrutura do modelo considerando o ambiente interno, os fatores externos e as variações ambientais do cenário em que a organização se encontra. A missão, a visão e as políticas orientam a cultura, os objetivos e as estratégias a serem utilizadas, estes últimos direcionam toda a estruturação dos processos para a geração dos produtos a partir dos insumos originários dos fornecedores, produtos estes que serão oferecidos aos clientes.

Segundo Kardec (2002), a manutenção, para ser estratégica precisa estar voltada para resultados dos empresariais da organização. É preciso, sobretudo, deixar de ser apenas eficiente para se tornar eficaz; ou seja, não basta, apenas, reparar o equipamento ou instalação tão rápido quando possível para a operação reduzindo a probabilidade de uma parada de produção ou não fornecimento de um serviço.

De acordo com Pereira (2011), o melhor modelo de gestão será aquele que melhor se adaptar às características culturais, às pessoas, às diretrizes das atividades desenvolvidas e às necessidades. Segundo Rodrigues y Rodrigues (2002), o modelo de gestão deverá seguir as seguintes etapas: estar definido e explícito a todos os empregados; integrar, de forma harmônica, os níveis estratégico, tático e operacional; definir a forma de gestão adotada pela empresa; definir os processos de trabalho e torná-los claros para todos; definir os níveis de competência da empresa e o que deve ser executado neles; definir quais níveis de competência podem alterar o que está decidido; definir o foco da empresa (produto ou cliente) e estruturar os processos de trabalho de acordo com o foco; definir a estratégia a ser implementada; definir os indicadores, integrando-os e inter-relacionando-os aos diversos níveis gerenciais; sistematizar os resultados alcançados; definir as competências que devem ser mantidas pela organização e as que devem ser terceirizadas.

O modelo descrito pode ser aplicado à gestão dos ciclos de manutenção, sendo importante para a implantação do modelo, quais sejam os insumos, os fornecedores e um sistema de acompanhamento e avaliação dos resultados de cada etapa. Segundo Carvalho (2004), as estratégias (objetivos estratégicos) deverão estar alinhadas à missão e à política organizacional, itens fundamentais para implantação do modelo que está sendo proposto, pois trabalhar foco no cliente demanda transparência e priorização de diretrizes a serem seguida, clareza do que deve ser alcançado e definição dos recursos necessários para execução das metas que serão utilizadas para atingir os objetivos previstos, que por sua vez seguem as diretrizes já estabelecidas.

Dessa forma o eixo: demanda – planejamento – recursos disponíveis – execução das ações – resultado alcançado estará completo, balizando assim o modelo de gestão proposto para os ciclos de manutenção. ABRAMAN (2008), Asset Management Industrial (Gestão de Ativos Industriais) vem sendo crescentemente adotado por empresas de todo o mundo – inicialmente nos países desenvolvidos – para fazer frente aos desafios da economia globalizada, pois otimiza a performance técnica e econômica da planta, acelera o retorno do investimento em equipamentos e cria valor para a empresa.

Conforme Ferreira (2009), trata-se de uma forma de gerir os equipamentos produtivos que têm como características: a abordagem do completo ciclo de vida das máquinas, que começa pelas etapas de pesquisa e desenvolvimento, projeto e design; passa pela fase de compra, construção e instalação; inclui a operação e a manutenção; e termina com a desativação e o descarte do equipamento. A gestão integrada dos diversos aspectos da operação industrial (compras e aprovisionamento de itens de reposição, políticas de manutenção preventiva e corretiva, modificações e substituição de máquinas), visando à otimização global dos custos.

O pleno domínio da relação entre custos e riscos envolvidos nessas operações. A prática da manutenção industrial com um enfoque econômico, e não apenas técnico. ABRAMAN (2008), até o surgimento desse novo conceito, as fases e/ou aspectos da gestão dos ativos eram tratados de maneira isolada, pois foi dessa maneira que a indústria aprendeu a gerir sua planta.

Essa abordagem tinha consequências indesejáveis que muitas vezes sequer eram percebidas – e quando eram não havia como evitar. Ao comprar um equipamento, por exemplo, a indústria escolhia a alternativa mais adequada sob o ponto de vista da economia de Capex (investimentos), mas não avaliava os gastos de Opex (operação e manutenção) que o equipamento demandaria. Então, com o passar do tempo, esses gastos frequentemente se mostravam mais altos que os inicialmente estimados, gerando um impacto negativo na organização técnica da empresa e frustrando suas expectativas de lucratividade.

Segundo Ferreira (2009), a gestão de ativos tem por objetivo promover a relação risco/custo mais conveniente para a indústria, pois se sabe que a decisão técnica ideal tem custo muito alto, enquanto a decisão mais barata pode expor a planta a um alto nível de risco. Além disso, por preconizar a gestão do completo ciclo de vida dos equipamentos, permite avaliar como uma estratégia adotada em determinada fase do ciclo repercute nas demais e, por fim, no custo global (CAPEX + OPEX) do equipamento.

No contexto dos gastos de capital (Sigla da língua inglesa, CAPEX – Capital Expenditure ou Capital Expense), as despesas de capital são gastos que criam benefícios futuros. A despesa de capital ocorre quando uma empresa aplica dinheiro para comprar ativos fixos, ou para aumentar o valor de um ativo existente, com uma vida útil que se estende para além do ano fiscal (ESMERALDO et al., 2014, p. 258).

No contexto dos gastos de capital (Sigla da língua inglesa, OPEX – Operational Expenditure ou Operational Expenses) as despesas operacionais referem-se às despesas efetuadas no curso de operações comerciais normais, tais como, despesas com vendas, manutenção, operação e administrativas. Elas são integralmente deduzidas no exercício em que foram efetuadas (ESMERALDO et al., 2014, p. 258).

Segundo a ABRAMAN (2008), por meio de ferramentas de simulação e cálculo, a gestão de ativos possibilita a tomada de decisões técnicas coerentes com os objetivos econômicos da indústria, bem como de decisões econômicas que preservam a performance técnica dos equipamentos. Assegura a melhor rentabilidade dos equipamentos ao longo de sua existência na planta, desde o momento em que começam a ser planejados até o em que são desativados e substituídos. E hoje, para manter-se competitiva, é disso que a indústria precisa.

Sendo necessário para a gestão da manutenção o conjunto de atividades desenvolvidas pela manutenção que contemple a integração entre as atividades de planejamento, podendo caracterizar a diferença entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento, uma vez que a manutenção está associada a todas as ações necessárias para que os ativos físicos do processo produtivo obras, manutenção, alinhadas à política de infraestrutura e as suas diretrizes sejam conservadoras ou restauradas. Tendo como foco os ativos, e que se mantenha a condição especificada, estabelecendo as medidas necessárias que permitam o pleno funcionamento do sistema produtivo e que envolva questões como: continuidade operacional, segurança, preservação do meio ambiente, atendimento aos marcos regulatório, obtenção de produtos nas quantidades e prazos necessários, dentre outras.

Estudo de caso

A gestão de ativos físicos envolve técnicas e ferramentas para interpretar as informações e dados obtidos pelas áreas de operação e manutenção mais abrangentes do que simplesmente aquelas utilizadas para manter os equipamentos em condições de operação. É necessário conectar as decisões sobre os ativos aos objetivos estratégicos da empresa, considerar os sistemas e não somente suas partes, ter em perspectiva todo o ciclo de vida, considerar e gerenciar as incertezas e levar aos stakeholders alternativas de decisões que possam ser entendidas.

A gestão de ativos envolve um conjunto de atividades associados à segurança, confiabilidade, disponibilidade, infraestrutura e custo. Não é possível gerenciar os ativos sem conhecer a confiabilidade e a disponibilidade dos sistemas e componentes críticos ao longo do tempo de operação, os riscos inerentes à operação e manutenção da planta, as probabilidades de ocorrências de eventos não desejáveis que afetem a segurança da planta ou das pessoas e do meio-ambiente e as consequências das falhas de equipamentos que tem como função impedir as ocorrências de acidentes ou gerar a produção da planta.

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos é a unidade responsável por pesquisa, inovação, desenvolvimento tecnológico e pela produção de vacinas, reativos e biofármacos voltados para atender prioritariamente às demandas da saúde pública nacional. O Complexo Tecnológico de Vacinas (CTV) do Instituto, um dos maiores centros de produção da América Latina, garante a autossuficiência em vacinas essenciais para o calendário básico de imunização do Ministério da Saúde (MS).

As competências vão além da produção de imunobiológicos. O investimento contínuo na cadeia de inovação e em desenvolvimento tecnológico é outra marca do instituto, assim como o domínio de tecnologias de ponta e avançados processos de produção. Parcerias com outras instituições – públicas e privadas – garantem acordos de transferência de tecnologia e de desenvolvimento tecnológico, contribuindo para a evolução dos projetos do instituto.

O cumprimento dos requerimentos de Boas Práticas de Fabricação (BPF) assim como a certificação de qualidade de seus laboratórios fazem do Instituto um importante agente para a melhoria da saúde pública do país. Com a crescente modernização de seu parque industrial, o número de vacinas entregue para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do MS aumenta anualmente.

Em 2018, atendeu à 32,9% do mercado público nacional de vacinas, incluindo fornecedores internacionais, e 39,27% considerando apenas os produtores nacionais. O instituto entregou mais de 132 milhões de doses de vacinas. Foram entregues quase 10 milhões de frascos de biofármacos e 7,5 milhões de kits para diagnóstico. Os produtos garantem à população brasileira acesso gratuito a imunobiológicos de alta tecnologia e permitem a redução dos gastos do Ministério da Saúde.

A relevância desta pesquisa encontra-se pautada na importância de desenvolver uma metodologia de gestão de ativos físicos da manutenção, o desafio a ser enfrentado relaciona-se com a possibilidade de espaços para melhoria nos processos e procedimentos empregados para o desenvolvimento das ações de manutenção. Tomando como base práticas do sistema de gestão da manutenção, e utilizando da ferramenta PDCA sugerida pelas NBR – NBR ISO 55000 Gestão de Ativos: Visão Geral, Princípios e Terminologia; NBR ISO 55001 Gestão de Ativos: Requisitos e NBR ISO 55002 Gestão de Ativos: Aplicação para a análise da situação da manutenção existente e proposta de implantação da gestão de ativos. Segue abaixo análise realizada para a implantação da gestão de ativos.

PDCA NBR ISO 55000, 55001 e 55002: Com o uso da estrutura do sistema de gestão de ativos, poderá ser utilizada e assim responder a duas perguntas base: De onde partimos? e O que pretendemos atingir?. Com o objetivo de identificar o estado atual dos processos e atividades da planta industrial farmacêutica.

A gestão de ativos físicos é uma área de conhecimento relativamente nova, que imprime um novo paradigma para o mundo das organizações. Como todo e qualquer paradigma, é necessário que as lideranças, em todos os níveis organizacionais, compreendam as mudanças na maneira como elas são geridas, por abranger todo o ciclo de vida do negócio.

Essencialmente, a gestão de ativos contribui para a geração de valor para o negócio, por meio do equilíbrio dos custos, das oportunidades e dos riscos, em relação ao desempenho desejado dos ativos existentes na organização em diferentes escalas de tempo, ou seja, ao longo do ciclo de vida do ativo. O Plano de Gestão de Ativos é derivado do Plano Estratégico de Gestão de ativos, podendo ser “parte”, ou um “plano subsidiário” do Plano Estratégico de Gestão de Ativos.

Conforme a mesma NBR ISO 55001 (2014), a política da gestão de ativos descreve as intenções e direções da organização expressas pela alta administração. É um critério abstrato de tomada de decisões em alto nível que trata, essencialmente, das dimensões voltadas às escolhas e variáveis envolvidas, do porquê, dos requisitos subjacentes, e dos resultados pretendidos.

O plano estratégico de gestão de ativos (PDCA) nada mais é do que uma informação documentada que especifica como os objetivos organizacionais serão convertidos em objetivos da gestão de ativos, a abordagem adotada para desenvolver os planos de gestão de ativos e o papel do sistema de gestão de ativos para o alcance dos objetivos da gestão de ativos. Os planos de gestão de ativos (PDCA) nada mais são do que informações documentadas que especificam as atividades, recursos e prazos requeridos para ativos individuais ou conjunto de ativos, de forma que sejam atingidos os objetivos da gestão de ativos físicos.

Ações a serem tomadas

Em decorrência da visão de longo prazo, os gestores passam a considerar todo o ciclo de vida do ativo, cujas decisões gerenciais tomadas no presente impactarão nos resultados da organização no futuro, mudando, assim, o modo de gerenciar o negócio. Portanto, o sistema de gestão de ativos deve ser capaz de aferir o estado e a qualidade dos ativos em momentos determinados, baseado em avaliações de riscos quantitativos e em informações detalhadas, de modo a apoiar o processo de tomada de decisões.

O processo foi estruturado de maneira a permitir uma gestão de ativos baseada nos seguintes critérios: análises do comportamento de sistemas e componentes, de maneira a assegurar que eles sejam capazes de cumprir suas funções previstas por projeto; monitoramento do equilíbrio entre confiabilidade x disponibilidade; gerenciamento de forma otimizada e sustentável dos ativos e sistemas, seus desempenhos bem como seus riscos associados; aplicação de metodologias relacionadas à engenharia de confiabilidade para conectar os objetivos estratégicos organizacionais com as atividades do dia a dia da gestão de ativos, levando aos clientes internos alternativas de decisões que possam ser entendidas.

O plano de ação foi desenvolvido de maneira a estruturar uma proposta para a implantação da gestão de ativos: deficiências operacionais de manutenção, devido a tarefas de manutenção inadequadas ou inexistência de tarefas para mitigar as falhas ou frequência de manutenção não ajustada ao intervalo; deficiências de projeto, devido a projetos ou modificações de projetos inadequados; deficiências em planos de manutenção (conhecidas como falhas inseridas por manutenção), devido a problemas relacionados à performance humana, planejamento e controle de tarefas inadequados e/ou procedimentos inadequados.

A gestão de ativos físicos compreende um conjunto coordenado de atividades voltadas para extraírem valores dos ativos da empresa. Isso inclui o balanceamento de custos, oportunidades e riscos frente ao desempenho que se espera desses ativos para que sejam alcançados os objetivos da organização. Com o desenvolvimento científico e tecnológico presente, o investimento na gestão de ativos físicos da manutenção tende aumentar, isso faz com que a manutenção tenha um papel fundamental nas empresas: na disponibilidade dos equipamentos, na sua confiabilidade, na redução do risco de funcionamento e, na qualidade dos produtos e serviços.

Neste contexto, as estratégias envolvidas na manutenção tornam-se necessárias para as empresas. Não existe uma estratégia de manutenção perfeita e, mesmo com a utilização de ferramentas especificas, as avarias nos equipamentos ocorrem, o que faz com que as equipes de manutenção tenham de responder a estas situações da forma mais eficaz possível.

Enfim, o objetivo desta pesquisa foi sugerir uma sistemática para implantação da gestão de ativos físicos no processo de manutenção em uma planta industrial farmacêutica, para fins de responder a eficiência e eficácia no que tange a processos e procedimentos de manutenção. Com o auxílio das NBR – NBR ISO 55000 Gestão de Ativos: Visão Geral, Princípios e Terminologia; NBR ISO 55001 Gestão de Ativos: Requisitos e NBR ISO 55002 Gestão de Ativos: Aplicações, foram identificados os processos e requisitos necessários para estar em congruência com os requisitos das normas. Com isso foi possível identificar os pontos de melhoria e realizar recomendações necessárias para o melhor desenvolvimento do sistema de gestão de ativos.

O estudo de caso apresentado comprova que uma sistemática para implantação da gestão de ativos implantado com objetivos traçados pode contribuir para um aperfeiçoamento do desempenho da planta industrial farmacêutica, além de garantir um grande controle sobre os ativos da empresa através de projetos elaborados, custos otimizados nas fases de aquisição e descarte, bem como processos de operação aprimorados durante a manutenção. Pode-se afirmar que esta pesquisa atingiu os objetivos aos quais se propôs, demonstrando a importância de propor ao sistema de manutenção uma sistemática para implantação da gestão de ativos para a geração de valor e desempenho da empresa.

Como conclusão, verificou-se que a pesquisa foi bastante útil para diagnosticar vários aspectos da gestão da manutenção. Isto facilitou a determinação dos níveis de maturidade na planta industrial farmacêutica pesquisada, em conformidade com os quesitos estabelecidos nas NBR – NBR ISO 55000 Gestão de Ativos: Visão Geral, Princípios e Terminologia; NBR ISO 55001 Gestão de Ativos: Requisitos e NBR ISO 55002 Gestão de Ativos: Aplicações que permitiram visualizar, de forma objetiva, os diferentes níveis de maturidade em que se encontra a planta industrial farmacêutica pesquisada.

O nível de maturidade no âmbito para recebimento da sistemática para implantação da gestão de ativos. Em relação aos requisitos relativos à sistemática para implantação da gestão de ativos a planta industrial farmacêutica pesquisada se apresentou com um desempenho ruim diante dos itens avaliados estarem abaixo da maturidade, o que significa que a gestão da manutenção deixa a desejar nos seguintes requisitos: política de gestão de ativos; estratégias, objetivos e planos de gestão de ativos; facilitadores e controles de gestão de ativos; implementação dos planos de gestão de ativos; avaliação de performance e melhorias; revisão da gestão; condições gerais.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 55000: Gestão de Ativos – Visão geral, princípios e terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.

CARVALHO, Walker Dutra de. Modelo de Gestão dos Ciclos de Manutenção – ENSP – Mestrado Profissional Fundação Oswaldo Cruz, 2004.

KARDEC, Alan Pinto; NASCIF, Júlio de Aquino Xavier. Manutenção: Função Estratégica, Rio de Janeiro, Qualitymark Editora Ltda, 2001.

RODRIGUEZ, Martius V. R. Gestão empresarial: organizações que aprendem, Rio de Janeiro, Qualitymark: Petrobrás, 2002.

TAVARES, Lourival Augusto; SILVA Aristides Antônio Filho. A Manutenção como Atividade Corporativa (experiência da empresa Furnas Centrais Elétricas S.A. – Divisão de Manutenção), 1999.

TAVARES, L. A. Administração moderna da manutenção. Rio de Janeiro: Novo Polo Publicações, 1999.

IV Congresso Interno da Fiocruz – Resoluções, Fundação Oswaldo Cruz, 2002.

DIRAC Infraestrutura em Saúde 2001 a 2003. Diretoria de Administração do Campus – Dirac, 2004.

MANUTENÇÃO HOSPITALAR: A permanente missão de preservar vidas – Revista Manutenção – ABRAMAN, janeiro/fevereiro, 2003.

PDCA e PDCL Disponível em http://qualidadeseva.blogspot.com/2013/06/pdca-e-pdcl.html Acesso em: 03 Março 2018.

Fabiano Ferreira Matias Neto e Gilson Brito Alves Lima são da Universidade Federal Fluminense (UFF) – fabianofmn@hotmail.com e glima@id.uff.br



Categorias:Normalização, Opinião

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: