Os ensaios em tubos e conexões de PVC

Conheça os métodos de ensaio para o controle de qualidade dos tubos e conexões de compostos vinílicos (PVC-O, PVC-U e PVC-M) e policloreto de vinila clorado (CPVC) utilizados no transporte de água bruta, tratamento e distribuição de água, de forma a não causar prejuízo à saúde humana.

pvc2Da Redação –

A construção civil é responsável por mais de 60% do mercado brasileiro e mundial do policloreto de vinila (PVC). Pela durabilidade, vem conquistando cada vez mais espaço em edificações e obras públicas. Atua como calhas, eletrodutos, esquadrias, portas e janelas, recobrimentos de fios, forros e divisórias, galpões infláveis e estruturados, mantas de impermeabilização, persianas e venezianas, pisos, rede de saneamento básico, revestimento de parede e piscinas, etc.

O PVC rígido é o material adequado para o transporte de água, pois evita contaminações externas e previne perdas por vazamento, devido à fácil e eficiente soldagem entre os tubos e as conexões. Ocupa lugar de destaque no saneamento e irrigação, em aplicações no saneamento e na irrigação

A produção de tubos rígidos de PVC normalmente é feita por meio da utilização de extrusoras de rosca dupla, mas, antigamente, utilizava-se extrusoras de rosca simples, principalmente em tubos de menores diâmetros, porém essa tecnologia hoje apresenta pouca competitividade em relação à extrusão com rosca dupla, que pode atingir produtividade da ordem de 1.000 kg/h.

O processo de produção de tubos rígidos de PVC inicia-se na extrusora, responsável pela gelificação, plastificação e homogeneização do composto originalmente na forma de pó. Uma vez fundido, o composto alimenta a matriz, responsável pela conformação do material na forma do produto final.

À saída da matriz encontra-se um calibrador a vácuo, o qual resfria o material fundido e dá dimensões ao produto final. Para linhas de maior profundidade ou em tubos de maiores espessuras é comum a utilização de água gelada no resfriamento do calibrador, de modo a conseguir maiores taxas de remoção de calor.

Na sequência do calibrador propriamente dito, dentro da própria câmara de vácuo, o tubo passa por uma série de jatos de água para resfriamento adicional. Nas linhas de alta produtividade ou na produção de tubos de maiores espessuras podem ainda ser incorporadas banheiras adicionais de resfriamento. À frente de linha se encontram o puxador e o dispositivo de corte e recepção das barras cortadas.

Uma vez cortadas, as barras passam por um dispositivo de formação de bolsa: por meio de aquecimento de uma de suas pontas, o tubo recebe um macho que ajusta o diâmetro interno do tubo para perfeito acoplamento entre as barras. Outros tipos de tubos podem sofrer processos de incorporação de roscas machos e fêmeas, como no caso de tubos para irrigação, ou ainda incorporação de juntas de borracha para garantir estanqueidade na junção ponta/bolsa.

A NBR 8219 (MB1842) de 08/2017 – Tubos e conexões de PVC e CPVC – Verificação do efeito sobre a água – Requisitos e método de ensaio estabelece os requisitos e métodos de ensaio para o controle de qualidade dos tubos e conexões de compostos vinílicos (PVC-O, PVC-U e PVC-M) e policloreto de vinila clorado (CPVC) utilizados no transporte de água bruta, tratamento e distribuição de água, de forma a não causar prejuízo à saúde humana.

Os materiais em contato com a água potável não podem introduzir contaminantes que possam apresentar risco à saúde humana. Os requisitos de ausência de risco à saúde dos tubos e conexões de PVC e CPVC utilizados no transporte de água bruta, tratamento e distribuição de água estão estabelecidos nesta norma e visam o atendimento à legislação vigente, do Ministério da Saúde. Esta norma não avalia a eficiência e desempenho mecânico dos materiais nem os requisitos relativos ao odor e sabor da água.

As amostras devem atender aos limites estabelecidos nesta norma, conforme os requisitos descritos. Para diâmetros internos menores que 50 mm, a amostra deve atender aos limites estabelecidos na norma, enquanto que para diâmetros internos maiores ou iguais a 50 mm, a amostra deve atender aos limites estabelecidos na tabela abaixo, quando avaliada de acordo com o procedimento estabelecido. O conteúdo máximo permitido de estanho na parede dos tubos e conexões de PVC ou CPVC é de 0,1 %.

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Caso seja confirmada a presença de estanho em concentração igual ou superior a 0,1 %, a verificação da presença dos compostos fenólicos e voláteis (VOC), deve ser realizada conforme os procedimentos descritos na ANSI/NSF 61. A verificação de VOC e compostos fenólicos está condicionada à confirmação da presença do elemento estanho nos tubos e conexões de PVC ou CPVC, quando avaliada de acordo com o procedimento.

As concentrações máximas dos compostos orgânicos voláteis (VOC) e compostos fenólicos devem atender às especificações da ANSI/NSF 61 e legislação em vigor. Os materiais ensaiados devem seguir os procedimentos de exposição descritos na ANSI/NSF 61. As amostras devem atender aos limites estabelecidos na norma. A frequência de realização deste ensaio deve estar em concordância com as normas de produto.

Para avaliar a concentração máxima de metais e garantir a ausência de riscos à saúde, deve-se utilizar o procedimento de exposição descrito na ANSI/NSF 61. No caso de uma linha de produtos com diferentes diâmetros, deve-se avaliar uma amostra do produto na condição mais conservadora (menor diâmetro interno), uma vez que a avaliação deste produto qualifica toda a linha de produtos. Uma amostra pode representar uma linha de produtos de diferentes diâmetros quando os materiais apresentam a mesma composição ou formulação e são submetidos ao mesmo processo de fabricação (por exemplo, extrusão ou injeção).

A avaliação do teor do monômero de cloreto de vinila residual (RVCM) deve ser feita de acordo com os procedimentos descritos na ANSI/NSF 61. A presença de estanho deve ser avaliada por espectrometria de fluorescência de raios X, conforme EN 62321-3-1 ou outra metodologia validada. As verificações da presença de VOC e compostos fenólicos devem ser realizadas conforme prescrições da ANSI/NSF 61.

O relatório deve conter no mínimo as seguintes informações: identificação completa da amostra, incluindo lote da amostra do ensaio; identificação completa do cliente e da unidade fabril, incluindo o endereço; descrição detalhada dos procedimentos de exposição e normalização; descrição dos materiais e métodos utilizados; datas do início e do término do ensaio; resultado e conclusão dos ensaios com relação ao estabelecido nesta norma; referência a esta e outras normas.

Como informações, pode-se dizer que, para as instalações hidráulicas, há vários tipos de tubulações fabricados com materiais plásticos. O policloreto de vinila (PVC) pode ser disponibilizado em tubos e conexões para a condução de água fria, com temperatura de trabalho a 20ºC. É o material mais utilizado nas instalações hidráulicas residenciais. Há dois tipos de linhas de produtos: o PVC soldável e o PVC roscável.

O soldável utiliza adesivo e solução limpadora para fazer a união dos tubos com as conexões, geralmente de cor marrom. Antes de fazer a junção entre as peças é necessário lixar a ponta do tubo e o interior da conexão até desaparecer o brilho da superfície. Em seguida, limpa-se a superfície com um pano e solução limpadora, aplica-se a cola no tubo e na conexão e faz a união entre eles com uma leve torção entre o tubo e a conexão. Com outro pano retira-se o excesso de adesivo.

O roscável utiliza uma tarraxa para fazer rosca na ponta dos tubos e fita veda-rosca para fazer a união dos tubos com as conexões, geralmente são na cor branca. Não se deve usar utilizar fita em excesso porque pode quebrar a conexão e nem se deve fazer aperto excessivo. Os diâmetros mais comuns das tubulações de PVC são 20mm, 25mm, 32mm, 40mm, 50mm, 60mm, 75mm, 85mm e 110mm.

A tubulação em policloreto de vinila clorado (CPVC) constitui de tubos e conexões de alta resistência mecânica e a corrosão. São indicados para água fria e água quente com temperatura de trabalho de 70ºC e máxima de 80ºC. A instalação é feita por juntas soldáveis com utilização de adesivo, como nas instalações de PVC. Já as em polipropileno copolímero random (PPR) consiste de tubos e conexões unidos por termofusão a 260ºC, formando uma tubulação única, sem o risco de vazamentos e sem a utilização de colas e fazer roscas.

São indicados principalmente para água quente e dispensa o isolamento térmico, aquele tipo de espuma que envolve as tubulações de cobre. A temperatura de trabalho é de 70ºC, mas suportam picos de até 95ºC. Essa tolerância é importante para caso haja algum problema no aquecedor.

Para fazer a termofusão é necessário utilizar um aparelho termofusor que aquece a ponta do tubo e o interior da conexão. Como a união dos tubos é por termofusão, ou seja, formam um elemento único, o risco de vazamentos é praticamente zero e caso haja necessidade de ampliar o sistema, ou fazer alguma manutenção durante uma reforma, o procedimento é o mesmo: aquecer a ponta do tubo e o interior da conexão.

Já as tubulações em polietileno reticulado monocamada (PEX) consistem de um sistema de bobinas de tubos (tipo mangueira) ligados a um módulo distribuidor que conduz água fria e principalmente água quente, com temperatura de trabalho a 70ºC e picos de 95ºC. As conexões são metálicas (em latão) do tipo deslizantes.

É um sistema muito indicado para paredes em drywall e edificações com vários ambientes iguais, como um hotel. Trata-se de um tipo de projeto totalmente diferente dos sistemas de tubos como o PVC, CPVC, PPR, pois possui bitolas bem menores. Tem um reduzido número de conexões porque a mangueira é maleável e permite curvas.

Enfim, as tubulações em PVC são indicadas para aplicações em edificações residenciais, comerciais e industriais. As características dos componentes em PVC são que possuem juntas estanques (soldadas ou rosqueadas), tem menor custo de material e de mão-de-obra em relação aos materiais tradicionalmente utilizados, são resistentes à corrosão, a lisura das paredes internas resulta em maior velocidade do fluxo e menos formação de depósito, não são condutores de eletricidade, coeficiente de expansão térmica muito maior que outros matérias, são praticamente imunes ao ataque de bactérias e fungos, possuem densidade menor que materiais tradicionais como cerâmica e ferro galvanizado.



Categorias:Metrologia, Normalização

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