Os ensaios em revestimentos das superfícies de metais e plásticos

Atualmente, os revestimentos de superfícies podem ser feitos por eletrodeposição de níquel e cromo para metais sanitários; eletrodeposição de cobre, níquel e cromo para plásticos sanitários; metalização; e pintura.

revestimento1Da Redação –

A metalização é uma operação que consiste no revestimento de superfícies condutoras ou não condutoras com um dado metal, conferindo a esse substrato determinadas propriedades, por exemplo, boa aparência, capacidade de resistência à corrosão e ao desgaste, etc. Os revestimentos metálicos podem ser obtidos a partir de alguns processos.

A eletrodeposição usa o recurso o trabalho elétrico exterior de acordo com o princípio das células eletroquímicas secundárias operando em meios aquosos. A deposição química usa como recurso a energia intrínseca de um redutor, como, por exemplo, o formaldeído, o boro hidreto ou o hipofosfito, que promove a deposição do metal em meio aquoso.

A imersão a quente utiliza os banhos à temperatura de fusão do metal a depositar, baseado no princípio dos fenômenos de difusão. A projeção à pistola usa o metal fundido que é projetado sobre a superfície a revestir. A pintura por fluxo é feita na superfície que é pintada com um fluxo de metal disperso num meio e depois aquecida de modo a promover uma fusão do metal e sua difusão para o interior do substrato.

Os tratamentos de superfície são um conjunto de processos aplicados numa superfície que têm como objetivo conferir uma maior resistência à peça, melhorar o seu aspeto estético, conferir-lhe proteção contra a corrosão e erosão, entre outros. Ou seja, estes mecanismos têm como objetivo adequar a peça a uma determinada função. São vários os tipos de tratamento que podem ser aplicados, no entanto esses não podem ser aplicados a qualquer tipo de material. Estes tratamentos de superfícies são compostos pelos mecanismos de pré-tratamento e pela deposição metálica.

A NBR 10283 de 11/2018 – Revestimentos de superfícies de metais e plásticos sanitários – Requisitos e métodos de ensaio especifica os requisitos e os métodos de ensaio para os revestimentos das superfícies aparentes de metais e plásticos sanitários utilizados nas instalações hidráulicas prediais. Exemplos de revestimentos de superfícies compreendidos nesta norma são: eletrodeposição de níquel e cromo para metais sanitários; eletrodeposição de cobre, níquel e cromo para plásticos sanitários; metalização; e pintura.

Para os efeitos desta norma, entende-se por metais ou plásticos sanitários: torneiras, registros de pressão e de gaveta, torneiras misturadoras, válvulas de descarga, chuveiros e duchas, sifões, válvulas de escoamento para lavatório, pia, banheira, mictório, bidê e tanque, bicas e extravasores para banheira, tubos de ligação rígidos ou flexíveis para bacia sanitária, mictório, lavatório e bidê, e demais produtos destinados ao saneamento hidráulico predial. Esta norma aplica-se aos produtos relacionados aos acessórios de banheiro e de cozinha, como porta-toalhas, porta-papéis, saboneteiras e outros.

Os revestimentos tratados nesta norma são aqueles aplicados às superfícies aparentes de metais e plásticos sanitários, com a função de propiciar um acabamento protetivo e decorativo ao aparelho sanitário. Os metais e plásticos sanitários abrangidos por esta norma se referem àqueles utilizados em sistemas hidráulicos prediais de abastecimento e esgotamento sanitário, como torneiras, registros de pressão e de gaveta, misturadores, válvulas de descargas, chuveiros, duchas, sifões, válvulas de escoamento e outros, assim como produtos relacionados aos acessórios de banheiro e de cozinha, como porta-toalhas, porta-papéis, saboneteiras e outros.

As superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários ou de cada uma das suas partes devem apresentar revestimento uniforme, isento de pites, assim como de riscos visíveis a olho nu, provocados por ferramentas. A inspeção visual deve ser realizada a olho nu, a uma distância de 30 cm da superfície inspecionada. A iluminação do ambiente deve ser parcialmente difusa, proveniente da luz do dia, suplementada, se necessário, com luz artificial também difusa, de modo que, próximo da superfície a ser inspecionada, resulte em uma luminosidade de 700 lux a 1.000 lux. Olho nu inclui o uso de lentes de correção, caso o operador normalmente as use.

O revestimento das superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários, ou de cada uma das suas partes, deve atender aos requisitos de 5.2 e 5.3. Adicionalmente, recomenda-se que o revestimento das superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários, ou de cada uma das suas partes, atenda ao requisito opcional constante em 5.4. Os revestimentos orgânicos, como, por exemplo, metalização e pintura, estão dispensados da verificação em 5.2. A verificação da aderência dos revestimentos orgânicos deve ser conforme a NBR 11003.

É importante que os revestimentos de metais e plásticos sanitários fiquem protegidos até o momento de sua instalação, a qual é feita ao final da obra, após processos como pintura e limpeza com ácidos (comuns no final da obra). Estes produtos podem danificar os revestimentos das peças. Recomenda-se que os metais e plásticos sanitários revestidos sejam instalados em ambientes com ventilação adequada, de forma que não ocorra saturação deste ambiente com produtos químicos, como, por exemplo, os produtos de limpeza armazenados no interior de gabinetes de pias e banheiros.

O revestimento das superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários, ou de cada uma das suas partes, não pode apresentar bolhas, trincas, fissuras, estrias, escamações, esfoliações ou separação de quaisquer partículas que indiquem a falta de aderência do revestimento, quando submetido ao ciclo térmico conforme a tabela. A verificação da aderência do revestimento pelo ciclo térmico deve ser feita de acordo com o procedimento descrito no Anexo A. Cada corpo de prova deve ser submetido à quantidade de ciclos descrita na tabela, de acordo com o tipo de substrato.

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O revestimento das superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários, ou de cada uma das suas partes, não pode apresentar defeitos como manchas brancas, empolas, empolas rebentadas ou crateras, exposição da superfície subjacente, desaparecimento do revestimento, esfoliações ou escamações, após a exposição em atmosfera corrosiva por 144 h em câmara de névoa salina neutra. A verificação da resistência à corrosão deve ser feita de acordo com o procedimento descrito no Anexo B.

Recomenda-se que o revestimento das superfícies aparentes dos metais e plásticos sanitários, ou de cada uma das suas partes, não apresente alteração após a ação de produtos químicos, conforme preconizado no Anexo C. O descrito nas Seções 4 e 5 deve ser comprovado mediante a apresentação de resultados de ensaios efetuados por entidades neutras ou expressa declaração do fabricante, o qual deve apresentar os resultados quando solicitado.

Os ensaios devem ter amostragem de acordo com 6.2. Os requisitos de desempenho descritos em 5.2 e 5.3 devem ser analisados com o tamanho da amostra baseado na NBR 5426, para amostragem dupla normal, NQA de 6,5 e nível de inspeção S3, conforme a tabela abaixo, ou critérios previamente acordados entre as partes.

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Para que o metal ou plástico sanitário, ou parte dele, seja considerado em conformidade com esta norma, é necessário que, depois de inspecionado, ele apresente resultados que satisfaçam todos os requisitos estabelecidos nas Seções 4 e 5. Os corpos de prova devem ser considerados aprovados quando, após os ciclos térmicos, não apresentarem bolhas, trincas, fissuras, estrias, escamações, esfoliações ou separação de quaisquer partículas do revestimento que indiquem a falta de aderência do revestimento ou de suas camadas.

As alterações na superfície do revestimento, como mudanças de cor, manchas e outras observações que não indiquem falta de aderência do revestimento ou de suas camadas, não podem ser consideradas reprovação nos ensaios. O relatório dos ensaios deve conter as seguintes informações: nome ou marca de identificação do fabricante; código ou modelo do corpo de prova; resultado do ensaio; referência a esta norma; local e data da execução dos ensaios.

Para a verificação da resistência à ação de produtos químicos, deve-se especificar um método de ensaio opcional para verificação da resistência à ação de produtos químicos em superfícies aparentes de componentes e produtos em metais e plásticos sanitários que recebem revestimentos superficiais, como, por exemplo, eletrolítico, químico, físico, pintura, metalização e outros.

O corpo de prova corresponde a quatro unidades de um metal ou plástico sanitário, ou parte dele, examinado visualmente e considerado em perfeitas condições de funcionamento. Os reagentes e materiais: álcool etílico a 96%, hidróxido de amônio 6 N, hidróxido de sódio 6 N, lauril éter sulfato de sódio a 20 %, quatro recipientes de dimensões adequadas, para colocar cada um dos corpos de prova, fios de náilon e plástico e elástico, ou tampa. Recomenda-se utilizar apenas reagentes de grau analítico reconhecido.

Como proceder? Adicionar cada um dos quatro reagentes, em volume correspondente a 10 % do volume total de cada um dos quatro recipientes. Exemplo: se forem utilizados béqueres de 500 mL como recipientes para a realização do ensaio, adicionar 50 mL de cada um dos reagentes em cada béquer. Posicionar cada um dos corpos de prova no interior de cada um dos recipientes, com auxílio do fio de náilon, de modo que os corpos de prova não entrem em contato com os reagentes do interior dos recipientes. Fechar os recipientes com o auxílio de plástico e elástico, ou da tampa, conforme exemplo da figura abaixo. Manter os recipientes fechados por 24 h.

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Após 24 h, retirar os corpos de prova dos recipientes e proceder a uma análise visual, verificando a incidência ou não de alterações na superfície de avaliação. O resultado deve ser indicado se ocorreram ou não alterações na superfície revestida e, no caso de serem constatadas, quais foram os tipos detectados. O relatório de ensaio deve conter as seguintes informações: nome ou marca de identificação do fabricante; código ou modelo do corpo de prova; resultado do ensaio; referência a esta norma; local e data da execução do ensaio.



Categorias:Metrologia, Normalização

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