A normalização das cordoalhas para eletrificação

As cordoalhas são produzidas de arame de aço e muitas vezes confundidas com os cabos de aço, porém possuem uma grande diferença: são produzidas com arames de aço mais densos e com menos fios do que os cabos de aço. Estes fios constroem a cordoalha em uma formação helicoidal. Por este motivo, são mais rígidas e utilizadas geralmente para estais e tirantes.

cordoalha1Da Redação –

Pode-se definir uma cordoalha de 7 fios como sendo constituída de seis fios encoroados juntos, concentricamente, em torno de um fio central, com torção à esquerda (sentido anti-horário) e passo uniforme no máximo igual a 16 vezes o diâmetro nominal especificado para as cordoalhas sete fios. A cordoalha de 19 fios é constituída por uma cordoalha de 7 fios com torção em sentido horário, envolvida por 12 fios externos, encordoados concentricamente, com torção em sentido anti-horário e passo uniforme no máximo igual a 16 vezes o diâmetro nominal especificado.

A cordoalha de 37 fios é constituída por uma cordoalha de 19 fios com torção em sentido horário, envolvida por 18 fios externos, encordoados concentricamente, com torção em sentido anti-horário e passo uniforme no máximo igual a 16 vezes o diâmetro nominal especificado. Conforme o número de fios, as cordoalhas distinguem-se nos seguintes tipos: cordoalhas de 7 fios; cordoalhas de 19 fios; e cordoalhas de 37 fios.

A NBR 16730 de 11/2018 – Cordoalha de fios de aço zincados para eletrificação – Requisitos estabelece os requisitos para cordoalhas de fios de aço zincados, utilizadas em estais, tirantes, cabos mensageiros, cabos para-raios, contrapeso ou em aplicações similares para o segmento de transmissão e distribuição de energia elétrica. Conforme a carga de ruptura mínima especificada, as cordoalhas classificam-se nas seguintes categorias: baixa resistência (BR); média resistência (MR ou SM); alta resistência (AR ou HS); extra-alta resistência (EAR ou EHS). Conforme a massa mínima da camada de zinco, as cordoalhas apresentam-se nas seguintes classes: Classe A; Classe B; Classe C.

O metal-base deve ser de aço-carbono de qualidade tal que o fio máquina, quando trefilado ao diâmetro especificado e revestido de zinco, resulte em fios de qualidade uniforme, assim como a cordoalha por eles formada, cumprindo os requisitos indicados neste documento. O zinco empregado para revestimento deve ser de lingotes de zinco primário de qualquer dos tipos especificados na ASTM B6.

Os fios de aço devem ser zincados por imersão a quente contínua de forma a assegurar o cumprimento dos requisitos deste documento. Os fios de aço zincado devem apresentar camada de zinco contínua e espessura uniforme sem imperfeições inerentes ao processo de zincagem que comprometam o desempenho do produto quanto às características especificadas neste documento. É admitida a presença de corrosão branca desde que o fio atenda aos requisitos de massa e uniformidade da camada de zinco.

Não são permitidas soldas ou quaisquer emendas nas cordoalhas acabadas. Para cordoalhas de 7 fios, com aplicações em cabos para-raios, as emendas por solda elétrica de topo são permitidas nos fios, desde que sejam feitas antes do antepenúltimo passe de trefilação. É permitida solda elétrica de topo em apenas um dos fios que constituem a cordoalha, com uma distância mínima de 50 m entre as soldas, exceto para aplicações em para-raios onde não são permitidas soldas ou quaisquer emendas nos fios acabados que constituem as cordoalhas de 7 fios.

Todas as soldas de fio devem ser revestidas de zinco ou tinta à base de zinco após a soldagem, de tal modo que a proteção contra corrosão seja equivalente à do próprio fio. Todos os fios zincados componentes de uma mesma cordoalha devem ter o mesmo diâmetro nominal. Todos os fios de cordoalha devem ser encordoados com tensão uniforme.

O encordoamento deve assegurar que os fios estejam firmemente dispostos entre si de modo que a cordoalha quando tensionada a 10 % da carga de ruptura mínima especificada não apresente uma redução visual considerável no seu diâmetro. Para comprimento até 1.500 m, inclusive, o comprimento real da cordoalha pode variar do comprimento nominal em até + 10%.

Para comprimentos superiores a 1.500 m, admite-se uma tolerância de ± 10%. Admitem-se até 5% do total da encomenda, em comprimentos não inferiores a 450 m para as cordoalhas com aplicações em cabos para-raios. Para as demais aplicações, os comprimentos não devem ser inferiores a 150 m. Para cordoalhas de 7 fios com aplicações em cabos para-raios, o comprimento das cordoalhas em rolo ou carretel deve estar de acordo com a tabela abaixo em pelo menos 95 % da encomenda.

cordoalhas2

A cordoalha deve ser fornecida em: rolo; ou carretel. Devem ser estabelecidos o tipo e as dimensões da embalagem durante a encomenda e mediante acordo entre as partes. As cordoalhas acabadas devem ser designadas por: diâmetro nominal, expresso em milímetros (mm); número de fios; categoria; classe de revestimento de zinco. EXEMPLO 9,52 (3/8”) / 7 / AR / B.

Cada rolo ou carretel deve ser identificado por uma etiqueta firmemente presa, na qual devem constar de forma legível e indelével as seguintes marcações: nome ou marca do fabricante; número deste documento; comprimento real, expresso em metros (m); designação; número do rolo ou do carretel; indicações adicionais, quando solicitadas na encomenda. Cada carretel deve ter, além da etiqueta, o nome do fabricante pintado em uma das abas.

Quando houver mais de um comprimento contínuo em um mesmo rolo ou carretel, os comprimentos parciais devem ser claramente indicados. Na encomenda das cordoalhas, o comprador deve indicar: número deste documento; comprimento total da cordoalha, expresso em metros (m); diâmetro nominal, com número de fios e categoria; classe do revestimento de zinco; comprimento da cordoalha em cada rolo ou carretel; acondicionamento e embalagem; dados adicionais a este documento.

O diâmetro nominal da cordoalha interna de 7 fios é de aproximadamente três vezes o diâmetro nominal do fio. O diâmetro nominal da cordoalha de 19 fios é de aproximadamente cinco vezes o diâmetro nominal do fio. O diâmetro nominal da cordoalha de 37 fios é de aproximadamente sete vezes o diâmetro nominal do fio. Não são especificadas tolerâncias para o diâmetro da cordoalha. Essa norma estabelece as tolerâncias para o diâmetro dos fios que constituem a cordoalha.

No fio zincado enrolado em hélice fechada, com pelo menos duas voltas em torno de um mandril cilíndrico de diâmetro igual a três vezes o diâmetro nominal do fio, a camada de zinco não pode escamar-se a ponto de poder ser removida ao toque. Devem-se desconsiderar regiões onde há imperfeições na camada (excesso) de zinco inerentes ao processo de galvanização a fogo ao se realizar o ensaio de aderência. Não é permitido o uso de material abrasivo ou pontiagudo.

Não podem ser consideradas como causa para rejeição as perdas ou os desprendimentos durante o ensaio de enrolamento de pequenas partículas de zinco da superfície, provenientes do polimento mecânico da superfície dos fios zincados. Salvo indicado de outra maneira na encomenda, a inspeção e os ensaios no material devem ser efetuados pelo comprador ou representante nas dependências do fornecedor, antes da expedição.

O fornecedor deve oferecer ao inspetor representante do comprador as facilidades para acesso à inspeção e aos ensaios, a fim de que possa verificar se o produto está sendo fornecido de acordo com esta norma. O ensaio de tração deve ser efetuado nos corpos de prova da cordoalha, sem junta soldada ou qualquer outra emenda.

Na verificação das características dimensionais, caso haja alguma distorção dos fios ocorrida durante o encordoamento, os respectivos corpos de prova devem ser eliminados e substituídos por outros sem defeito. A critério do comprador, solicitado no momento da encomenda e a fim de verificar o cumprimento dos requisitos, o fabricante pode ensaiar os fios zincados antes do encordoamento em vez de fios com cordoalha acabada. Deve ser fornecido o certificado com os resultados dos respectivos ensaios. A medição dos diâmetros dos fios de aço zincados e suas tolerâncias deve ser efetuada por meio de um micrômetro e a medição dos diâmetros das cordoalhas devem ser efetuadas por meio de um paquímetro.

O diâmetro do fio deve ser considerado como média de três medidas feitas aproximadamente a 1/4, 1/2 e 3/4 do comprimento da amostra. Cada medida deve ser a média de duas leituras efetuadas em dois diâmetros perpendiculares entre si na mesma seção do fio.

O ensaio de tração para determinar a carga de ruptura e o alongamento sob carga da cordoalha deve ser executado conforme o Anexo A. Os ensaios de determinação da massa e uniformidade da camada de zinco devem ser executados conforme as NBR 7397 e NBR 7400, respectivamente. Os ensaios de enrolamento para verificação da ductilidade do aço e aderência da camada de zinco devem ser executados conforme a NBR 6005.

Para a aceitação e rejeição, o produto inspecionado e ensaiado conforme a Seção 6 deve ter seu lote aceito desde que todos os resultados atendam aos requisitos especificados na Seção 5. Quando um corpo de prova de um lote não satisfizer a algum requisito deste documento, devem ser efetuados ensaios adicionais onde houve falha.

Estes ensaios devem ser realizados em outros dois corpos de prova retirados do mesmo rolo ou carretel. Não havendo falha em qualquer dos ensaios suplementares, o lote deve ser aprovado. É facultado ao fornecedor, na presença do inspetor do comprador, ensaiar cada rolo do lote rejeitado onde houve a falha. Devem ser aceitos somente os rolos que satisfizerem a todos os requisitos deste documento.

Para o ensaio de tração, quando a carga de ruptura não atingir o valor mínimo especificado na ocorrência de uma ou mais causas a seguir, um novo corpo de prova do mesmo rolo ou carretel deve ser ensaiado: deslize do corpo de prova nas garras da máquina de ensaio; quebra do corpo de prova dentro das garras ou a uma distância menor que 25 mm destas garras; encaixe inadequado do corpo de prova na máquina de ensaio.

O alongamento percentual é determinado pelo afastamento das garras da máquina de ensaio. Para o comprimento inicial do corpo de prova, deve ser considerada a distância entre as garras ou marcas, depois de aplicar uma carga correspondente a 10% da carga de ruptura mínima especificada.

Ao se aplicar esta carga de 10 %, a distância entre as garras ou marcas deve ser de 610 mm. Como distância final entre as garras ou marcas, deve-se considerar o comprimento correspondente no instante que precede à ruptura da cordoalha ou de um de seus fios. Somente devem ser registrados os valores de alongamento dos corpos de prova quando a ruptura ocorrer a uma distância maior que 25 mm das garras da máquina de ensaio.

No caso de rejeição, retiram-se corpos de prova adicionais do mesmo rolo ou carretel. Uma vez atingidos os valores mínimos especificados da carga de ruptura e alongamento, o ensaio deve ser considerado como válido mesmo ocorrendo ruptura nas garras. Atingindo-se os valores mínimos especificados da carga e do alongamento, não é necessário prosseguir o ensaio até a ruptura, salvo indicações em contrário. A velocidade de aplicação da carga não pode exceder a 30 Mpa por segundo. As definições referentes a este ensaio devem estar de acordo com os requisitos da NBR 6349 de 11/2008 – Barras, cordoalhas e fios de aço para armaduras de protensão – Ensaio de tração que especifica o método de ensaio de tração para fios e cordoalhas de aço para armaduras de concreto protendido.



Categorias:Normalização

Tags:, , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: