Os ensaios em alvenaria de blocos de concreto

A alvenaria com blocos de concreto é uma solução construtiva que oferece qualidade, economia e rapidez. Sendo disponível para a alvenaria estrutural e de vedação, o bloco de concreto atende a diversos tipos de obras, com racionalização no processo construtivo, menor tempo  de execução e respeito ao meio ambiente. Contudo, esses materiais precisam ser ensaiados com os critérios de ensaio para verificação da análise dimensional, de taxa de absorção de água, área líquida e resistência à compressão e de retração por secagem.

bloco2Da Redação –

O bloco de concreto é um componente industrializado, produzido em máquinas que vibram e prensam, podendo ser fabricados com uma vasta variedade de composições. Por serem moldados em fôrmas de aço, possuem precisão dimensional que confere facilidade na execução da alvenaria. Suas características e desempenho dependem do equipamento, da qualidade dos materiais empregados e da sua proporção adequada.

Os blocos de concreto normalizados possuem formato e dimensões padronizadas, que proporcionam um sistema construtivo limpo, prático, rápido, econômico e eficiente. Além disso, o material concreto possui um módulo de elasticidade similar ao da junta de argamassa, aproximando a resistência da alvenaria à do bloco.

Além dos aspectos técnicos, os blocos de concreto apresentam outras vantagens: podem ser produzidos em resistências características variadas, em função da necessidade estrutural das edificações; podem ser produzidos com diferentes formas, cores e texturas; possuem vazados de grandes dimensões que permitem a passagem de tubulações elétricas e, em alguns casos, sanitárias. Estes vazados também podem ser preenchidos com graute (microconcreto) para a execução de cintas de amarração, vergas ou quando se deseja aumentar a resistência da alvenaria à compressão.

Por serem produzidos a partir da mistura de cimento, agregados miúdos e graúdos, estão disponíveis em praticamente todas as cidades de médio e grande porte do país. Apresentam baixíssima variação de dimensões, que são modulares, evitando desperdícios por quebras em obra e diminuindo substancialmente as espessuras dos revestimentos aplicados.

A NBR 16522 de 10/2016 – Alvenaria de blocos de concreto – Métodos de ensaio estabelece o procedimento de preparo e os métodos de ensaio de elementos em alvenaria construídos com blocos de concreto (prisma, pequena parede e parede), submetidos a esforços de compressão axial, cisalhamento, flexão e flexocompressão. As paredes devem ser ensaiadas aplicando-se cargas uniformemente distribuídas.

Isto pode ser conseguido em um sistema de reação, devendo ser usados no mínimo dois macacos hidráulicos equiespaçados. O sistema de reação e de carregamento devem permitir a determinação da carga de ruptura com exatidão de 3%.

O uso de um macaco único é permitido apenas em condição especial de máquina de grande porte e com garantia da distribuição uniforme do carregamento sobre toda as faces das paredes. Os encurtamentos médios das paredes devem ser determinados por meio de no mínimo dois defletômetros, com resolução de 0,01 mm, instalados nas laterais da parede.

Adicionalmente, nas paredes com esbeltez maior que 25, deve ser instalado um defletômetro no meio do terço superior da parede, para a determinação do deslocamento horizontal desta. Nos casos em que a esbeltez da parede é menor do que 25, a colocação deste defletômetro é opcional. A esbeltez é a relação entre a altura e a espessura da parede.

As paredes devem ser construídas em ambientes protegidos, com temperatura de (25 ± 10) ºC e umidade relativa do ar de 40% a 90%. As paredes devem ser construídas entre duas guias (gabaritos) e com o uso de fio de prumo e nível, a fim de se garantir a verticalidade. As paredes devem ser pintadas com cal para realçar as fissuras e para permitir a observação do modo de ruptura.

Durante a construção das paredes devem ser moldados corpos de prova da argamassa de assentamento e, se a parede for grauteada, do graute. Os corpos de prova devem ter as dimensões que os tornem representativos da estrutura real e devem ser construídos de forma que sejam minimizadas as influências das variações das características dos materiais e da mão de obra na resistência das paredes. Não sendo praticável reproduzir as paredes nas suas dimensões reais, admite-se como sendo corpos de prova representativos aqueles que tenham por dimensões mínimas 1,20 m × 2,60 m (largura × altura).

A argamassa pode ser colocada sobre toda a superfície útil dos componentes ou apenas nas faces laterais deles, conforme o elemento real que se quer simular. A espessura das juntas deve ser igual a (10 ± 3) mm, a não ser nos casos especiais, onde se pretende simular outras espessuras de juntas. Existindo armaduras, elas devem ser posicionadas durante o assentamento.

Recomenda-se atender todas as demais especificações do controle geométrico na produção da alvenaria indicadas na NBR 15961-2. A forma de amarração entre os blocos deve ser a mesma da parede que se quer simular no laboratório. As paredes estruturais devem ser construídas com os blocos dispostos de forma a ter amarração.

Quando houver o grauteamento, efetuá-lo em etapas de altura não superior a 1,40 m e, após no mínimo 16 h do término do assentamento dos blocos. O graute deve ser adensado com soquete metálico ou com vibrador apropriado. Demais procedimentos executivos devem seguir prescrições da NBR 15961-2.

As paredes devem ser capeadas com as seguintes prescrições: a face superior da parede deve ser regularizada por meio de capeamento com argamassa de resistência maior ou igual a da argamassa de assentamento; a superfície onde o capeamento será executado não pode se afastar do plano mais que 0,08 mm para cada 400 mm; o capeamento deve apresentar-se plano e uniforme no momento do ensaio; a espessura média do capeamento não pode exceder 10 mm.

Sobre este capeamento deve ser colocada uma chapa metálica rígida, se o ensaio for realizado em uma prensa; ou uma viga metálica rígida de distribuição de carga, se o ensaio for realizado em um pórtico de reação. A disposição da argamassa de capeamento (nas paredes longitudinais dos blocos ou sobre toda a área destes) deve seguir a mesma disposição da argamassa de assentamento.

Durante a construção de cada parede devem ser moldados seis corpos de prova da argamassa de assentamento. Dois corpos de prova devem ser representativos da argamassa usada no terço inferior das paredes, dois devem ser moldados durante o assentamento das fiadas que constituem o terço central e os outros dois devem ser representativos da argamassa usada no terço superior das paredes.

Se as paredes tiverem dimensões superiores a 1,20 m × 2,60 m, devem ser moldados dois corpos de prova para cada seis fiadas assentadas. A argamassa deve ser moldada e ensaiada conforme NBR 13279 ou 15961-2:2011, Anexo D. De cada parede grauteada, devem ser moldados seis corpos de prova de graute.

Este número independe do número de vazios grauteados. Destes corpos de prova, três devem ser representativos da metade inferior das paredes e os outros devem ser representativos da metade superior, correspondendo às duas etapas de grauteamento. Se o grauteamento for realizado em mais de duas etapas, devem ser moldados três corpos de prova em cada etapa.

O graute deve ser moldado conforme NBR 5738 e ensaiado conforme NBR 5739. Os procedimentos para a aplicação do carregamento são os seguintes: ensaiar todos os corpos de prova de modo que a carga seja aplicada na direção em que o esforço deve ocorrer na prática; montar o dispositivo de carga conforme mostrado na Figura 1 (disponível na norma); instrumentar o corpo de prova antes de iniciar o ensaio de compressão; durante o ensaio, a tensão aplicada na área bruta deve se elevar progressivamente à razão de (0,05 ± 0,01) MPa/s; inicialmente, aplicar dois ciclos de carga e descarga, até o valor de 50 % da carga de ruptura estimada; após os ciclos iniciais de carga e descarga, aplicar a carga de forma crescente, em incrementos da ordem de 10% do valor da carga de ruptura estimada, sendo feitas leituras dos encurtamentos do corpo de prova a cada novo incremento de carga, de forma a ser possível traçar o gráfico carga × deslocamento.

Para a realização das leituras, o tempo de permanência na respectiva posição de carregamento não pode ser menor que 3 min. O ensaio deve ser considerado finalizado quando o último incremento de carga levar o corpo de prova à ruptura.

O relatório do ensaio deve conter no mínimo as seguintes informações: identificação do solicitante; identificação da amostra e de todos os corpos de prova; data do recebimento da amostra; data do assentamento; data do grauteamento, se houver; condições de cura; data do ensaio; características geométricas das paredes e descrição da instrumentação utilizada e sua posição; características gerais da construção das paredes, disposição da argamassa de assentamento e do graute; registros das especificações e resultados de ensaio de resistência à compressão dos componentes (blocos, argamassa e graute); valores da área bruta média das paredes, expressos em milímetros quadrados (mm²); cargas de ruptura individuais, expressas em Newton (N); resistências individuais, característica (ver Anexo A) e média das paredes determinadas na área bruta, expressas em megapascals (MPa), com aproximação decimal e valor do coeficiente de variação; valores individuais e médios do módulo de deformação secante (Ep), e gráficos (carga × encurtamento) traçados durante o ensaio para cada corpo de prova.

O módulo de deformação secante (Ep) deve ser calculado no intervalo correspondente a 5 % e 30 % da tensão de ruptura do gráfico tensão-deformação de cada corpo de prova. A carga do surgimento da primeira fissura (quando for possível sua observação) e a descrição do modo de ruptura, podendo-se usar fotografias ou desenhos.

Os registros sobre eventos não previstos no decorrer dos ensaios e sempre deve ser feita a referência a esta norma. A aparelhagem necessária usada para a aplicação dos carregamentos deve satisfazer às seguintes condições: a prensa, ou pórtico de reação, deve permitir a acomodação dos corpos de prova e das chapas e perfis de distribuição de carga.

A altura mínima útil disponível na prensa deve ser igual à do corpo de prova, mais a espessura dos capeamentos nas faces, acrescidos de 1 cm. Nos casos em que seja necessário avaliar a deformabilidade das pequenas paredes, por meio da determinação do módulo de deformação (Ep) e do coeficiente de Poisson (νpa), devem ser instaladas bases de extensômetros mecânicos nas duas faces maiores das pequenas paredes.

Alternativamente, a determinação do módulo de deformação (Ep) pode ser feita com dois defletômetros instalados lateralmente. A argamassa pode ser colocada sobre toda a superfície útil dos componentes ou apenas nas faces laterais deles, conforme o elemento real que se quer simular. A espessura das juntas deve ser igual a (10 ± 3) mm, a não ser nos casos especiais, onde se pretende simular outras espessuras de juntas.

Existindo armaduras, elas devem ser posicionadas durante o assentamento. Recomenda-se atender todas as demais especificações do controle geométrico na produção da alvenaria indicadas na NBR 15961-2. Inicialmente, as pequenas paredes devem ser capeadas conforme 6.2.4, porém com espessura máxima de 10 mm.

Sobre este capeamento é colocada uma chapa metálica rígida, se o ensaio for realizado em uma prensa; ou uma viga metálica rígida de distribuição de carga, se o ensaio for realizado em um pórtico de reação. A disposição da argamassa de capeamento (nas paredes longitudinais dos blocos ou sobre toda a área destes) deve seguir a mesma disposição da argamassa de assentamento.

Após esta fase, as paredes devem ser instrumentadas, caso seja necessário determinar o módulo de deformação (Epa) e o coeficiente de Poisson (νpa). Os procedimentos para aplicação do carregamento são os seguintes: ensaiar todos os corpos de prova de modo que a carga seja aplicada na direção em que o esforço deve ocorrer na prática; colocar o corpo de prova na prensa ou pórtico, de modo que o seu centro de gravidade esteja no eixo de carga da prensa ou pórtico; instrumentar o corpo de prova antes de iniciar o ensaio de compressão; durante o ensaio, a tensão aplicada na área bruta deve se elevar progressivamente à razão de (0,05 ± 0,01) MPa/s; opcionalmente podem ser aplicados dois ciclos de carga e descarga, até o valor de 50% da carga de ruptura estimada; aplicar a carga de forma crescente, em incrementos da ordem de 10 % do valor da carga de ruptura estimada, sendo feitas leituras dos encurtamentos do corpo de prova a cada novo incremento de carga, de forma a ser possível traçar o gráfico carga × deslocamento.

Para a realização das leituras, o tempo de permanência na respectiva posição de carregamento não pode ser menor que 3 min. O ensaio deve ser considerado finalizado quando o último incremento de carga levar o corpo de prova à ruptura.



Categorias:Metrologia, Normalização

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: