Os interceptores de esgoto sanitário

Um interceptador de esgoto é um componente de uma rede de esgotos que ajuda a controlar o fluxo que recebe das linhas principais e, às vezes, do escoamento das águas pluviais e o direciona para a estação de tratamento de águas residuais. Ou seja, é a canalização cuja função precípua é receber e transportar o esgoto sanitário coletado, caracterizada pela defasagem das contribuições, da qual resulta o amortecimento das vazões máximas. Seu projeto hidráulico sanitário  deve ser feito conforme a norma técnica, observada a regulamentação específica das entidades responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento do sistema de esgoto sanitário.

interceptador2Da Redação –

Uma rede de esgotos aproveita as vantagens da gravidade e, às vezes, estações de bombeamento para mover as águas residuais para tubos e componentes do sistema cada vez maiores. Em algum momento, o fluxo de esgoto encontra uma parte do sistema conhecida como interceptador de esgoto. Como o nome indica, ele ganha o controle das águas residuais antes de passar para a estação de tratamento de resíduos.

O interceptador é na verdade parte da infraestrutura de utilidade de uma comunidade. Como tubos maiores no sistema, os túneis para esgotos interceptadores geralmente são escavados por grandes máquinas de perfuração de túneis. A construção de um interceptador de esgoto pode ser um projeto muito grande. Sem construção sem vala, a instalação de um cano tão grande exigiria escavações problemáticas que poderiam prejudicar uma cidade.

Assim, em resumo, é uma canalização cuja função precípua é receber e transportar o esgoto sanitário coletado, caracterizada pela defasagem das contribuições, da qual resulta o amortecimento das vazões máximas. O sistema é constituído por uma rede coletora que é o conjunto de tubulações destinadas a receber e conduzir os esgotos.

Ela é composta de coletores secundários que recebem diretamente as ligações prediais e os coletores tronco ou coletores primários, que conduzem o esgoto a um emissário ou a um interceptor. O emissário é a tubulação de esgoto que não recebe contribuições ao longo do seu comprimento.

O sifão invertido é a tubulação de esgoto destinada à transposição de obstáculo, funcionando sob pressão e o corpo de água receptor é o local onde são lançados os esgotos. A estação elevatória é a instalação de recalque destinada a transferir o esgoto de uma cota mais baixa para uma cota mais alta.

A NBR 12207 (NB568) de 06/2016 – Projeto de interceptores de esgoto sanitário especifica os requisitos para a elaboração de projeto hidráulico sanitário de interceptores de esgoto sanitário, observada a regulamentação específica das entidades responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento do sistema de esgoto sanitário. Para os efeitos deste documento, aplicam-se os seguintes termos e definições. O interceptor é a canalização cuja função precípua é receber e transportar o esgoto sanitário coletado, caracterizada pela defasagem das contribuições, da qual resulta o amortecimento das vazões máximas.

Os órgãos complementares são as estações elevatórias, extravasores e outros dispositivos ou instalações permanentes incorporados ao interceptor. A contribuição de tempo seco é a descarga de cursos d’água ou do sistema de drenagem superficial recebida no sistema de esgoto sanitário, não incluídas as águas de precipitação pluvial na bacia correspondente.

Deve ser ressaltado que, depois do uso da água, seja no banho, na limpeza de roupas, de louças ou na descarga do vaso sanitário, o esgoto começa a ser formado. Os que vêm das residências formam os esgotos domésticos, e os formados em fábricas recebem o nome de esgotos industriais. Esta diferenciação é importante, porque cada tipo possui substâncias diferentes, e são necessários sistemas específicos para o tratamento dos resíduos.

Geralmente, o esgoto não tratado contém muitos transmissores de doenças, micro-organismos, resíduos tóxicos e nutrientes que provocam o crescimento de outros tipos de bactérias, vírus ou fungos. Os sistemas de coleta e tratamento de esgotos são importantes para a saúde pública, porque evitam a contaminação e transmissão de doenças, além de preservar o meio ambiente.

Os interceptores são canalizações destinadas a interceptar e receber o fluxo de esgoto dos coletores ao longo do seu comprimento. Costumam ser instalados nos fundos de vales, à margem de cursos d’água ou canais. São responsáveis pelo transporte dos esgotos gerados na sua sub-bacia, evitando que sejam lançados diretamente na água, conduzindo-os para estações de tratamento. Por conta das maiores vazões transportadas, os diâmetros são normalmente os maiores da rede coletora. Os interceptores devem, ainda, amortecer a vazão proveniente dos coletores.

A concepção dos interceptores está sujeita ao projeto de toda a rede coletora. É preciso ser feito um levantamento topográfico com curvas de nível de metro em metro, além da listagem de interferências, acidentes e obstáculos, tanto superficiais como subterrâneos na faixa em que o interceptor vai ser provavelmente executado. Devem ser feitas, ainda, sondagens do terreno e dos níveis do lençol freático.

Para cada trecho do interceptor, devem ser estimadas as vazões inicial e final. Para a avaliação das vazões do trecho final do interceptor, pode ser considerada a defasagem das vazões das redes afluentes a montante – mediante a composição dos respectivos hidrogramas com as vazões dos trechos imediatamente anteriores. O escoamento, assim como em outros tubos da rede, é normalmente feito pela ação da gravidade.

O traçado do interceptor deve ter trechos retos em planta e em perfil. Se for necessário, podem ser usados trechos curvos em planta. O ângulo máximo de deflexão em planta entre trechos adjacentes deve ser de 30. Ângulos maiores devem ser justificados técnica e economicamente. Para o dimensionamento hidráulico de um interceptor, seu regime de escoamento pode ser considerado permanente e uniforme. Cada trecho do interceptor deve ser dimensionado para conter a vazão final.

O relatório de apresentação do projeto de um interceptor deve contar com esses pontos: apreciação comparativa em relação às diretrizes da concepção básica; memória da avaliação de vazões, do dimensionamento e da análise de funcionamento; memória do dimensionamento dos órgãos complementares; aspectos construtivos; especificações de materiais, serviços e equipamentos; orçamentos; aspectos de operação e manutenção; e desenhos.

Os efeitos de agitação excessiva devem ser sempre evitados, não sendo permitidos degraus e alargamentos bruscos; quando necessário, devem ser projetados dispositivos especiais de dissipação de energia e estudadas a formação de sulfetos, suas consequências, medidas de proteção do condutor e a utilização de materiais resistentes à sua ação.

Trecho com grande declividade (escoamento supercrítico) deve ser interligado ao de baixa declividade (escoamento subcrítico) por um segmento de transição com declividade crítica para a vazão inicial. As ligações ao interceptor devem ser sempre por meio de dispositivo especialmente projetado para evitar conflito de linhas de fluxo e diferença de cotas de que resulte agitação excessiva.

A distância máxima entre poços de visita deve ser limitada pelo alcance dos meios de desobstrução a serem utilizados. Ao longo do interceptor, devem ser dispostos extravasores com capacidade conjunta que permita o escoamento da vazão final relativa ao último trecho.

Nos extravasores, deve ser previsto dispositivo para evitar refluxo. No caso de uso de extravasores ao longo do interceptor, devem ser estudados meios capazes de minimizar e mesmo eliminar a contribuição pluvial parasitária.

Alternativamente, as instalações finais devem ser dimensionadas para a capacidade total do sistema, acrescida da contribuição pluvial parasitária total ou parcial, conforme indicar o estudo de extravasão. A admissão da contribuição de tempo seco no interceptor deve ser por meio de dispositivo que evite a entrada de material grosseiro, detritos e areia.

O dispositivo de admissão de água no interceptor deve limitar esta contribuição, de modo a não superar 20% da vazão final do trecho a jusante do ponto de admissão. Este dispositivo deve permitir a supressão temporária ou definitiva da contribuição.



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