Os ensaios em vestimentas de proteção

As vestimentas de proteção é qualquer roupa projetada, tratada ou fabricada especificamente para proteger o pessoal dos perigos causados por condições ambientais extremas ou por um ambiente de trabalho perigoso. Algumas delas podem ser projetadas para proteger os trabalhadores do ambiente de trabalho devido a infecções ou poluição. Elas são frequentemente referidas como equipamento de proteção individual (EPI). É importante ter um método para a medição das propriedades de propagação limitada da chama para os tecidos e produtos industriais.

vestimenta2Da Redação –

As vestimentas de proteção visa proteger os trabalhadores nos ambientes hostis, por exemplo, térmicos, biológicos, químicos ou balísticos. Infelizmente, os materiais e desenhos usados para roupas de proteção dificultam a transferência de calor e umidade do ser humano para o meio ambiente. Um bom equilíbrio é um tema a ser alcançado entre os dois extremos de proteção e conforto humano.

Projetar as vestimentas de proteção como parte integrante do equipamento de proteção individual (EPI) é uma tarefa extremamente complexa. Elas devem permitir que o usuário realize atividades relacionadas ao risco, ao mesmo tempo em que oferece o mais alto nível de proteção possível. Deve ser projetado e fabricado de forma a facilitar os movimentos do usuário, mantendo-se em posição durante o período de uso, levando em consideração os fatores ambientais e os movimentos e posturas exigidos.

A vestimenta de proteção é um campo muito abrangente, pois contém roupas para bombeiros, pescadores, soldadores, cirurgiões, militares, etc. Fatos específicos foram desenvolvidos para proteção contra riscos ambientais. Cada peça possui suas propriedades específicas adaptadas ao uso pretendido, mas uma demanda comum é o conforto.

Elas fornecem uma barreira para líquidos e gases, mas, também limita a passagem externa do calor e umidade do corpo. Um revestimento inteligente dará proteção e aprimoramento de conforto e, em certos casos, isso pode salvar vidas. Se elas protegem o corpo da influência externa, como calor, produtos químicos, riscos mecânicos, mau tempo, etc., do ponto de vista fisiológico, o corpo humano se sente confortável a cerca de 29 °C em um estado sem roupa e a cerca de 26 °C com um isolamento de roupas. No entanto, elas geralmente têm um isolamento mais alto. O volume e o peso da roupa levam a uma maior produção de calor metabólico, o que é um risco para o usuário.

A NBR ISO 15025 de 06/2016 – Vestimentas de proteção — Proteção contra calor e chamas — Método de ensaio para a propagação limitada de chama especifica um método para a medição das propriedades de propagação limitada da chama para os tecidos e produtos industriais, orientados verticalmente, na forma de tecido de uma única camada ou multicomponentes (revestido, acolchoado, multicamadas, construções sanduíche e combinações similares), quando submetidos a uma pequena chama definida. Este método não é apropriado aos materiais que demonstrem derretimentos ou encolhimentos extensivos.

Esta norma foi inicialmente elaborada pelo Technical Committee ISO/TC38/SC19 como parte da revisão da ISO 6940 e ISO 6941. Este item específico de trabalho foi transferido para o Technical Committee ISO/TC 94/SC 13 em abril de 1997. Este método de ensaio está relacionado com o método de ensaio especificado na ISO 6941.

Ele utiliza o mesmo equipamento básico, porém suporte e gabarito menores para os corpos de prova. Os materiais que não queimam até as bordas superiores ou verticais do corpo de prova utilizados neste ensaio podem ser considerados inibidores de propagação limitada de chama.

Este método avalia as propriedades de materiais têxteis em resposta a um curto contato com uma determinada chama em condições controladas. Os resultados podem não ser aplicáveis a situações onde não exista restrição ao movimento do ar ou exposição a fontes de calor intensas.

A influência de costuras sobre o comportamento dos tecidos pode ser determinada por este método, através do posicionamento da costura no corpo de prova a ser ensaiado. Sempre que possível, convém posicionar os acabamentos e acessórios como parte do vestuário acabado em que estão sendo, ou serão utilizados. A lista de normas relacionadas à NBR ISO 15025 é fornecida na Bibliografia.

Uma chama definida a partir de um queimador especificado é aplicada por 10 s na superfície ou na borda inferior dos corpos de prova, orientados verticalmente. As informações são registradas na propagação das chamas e incandescência residual e na formação de resíduos, resíduos em chamas ou furos, tempo de pós-chama e tempo de incandescência residual são registrados.

Os ensaios de exposição da superfície podem ser realizados em ambos os lados dos compósitos multicamadas. O ensaio de ignição da borda inferior pode não oferecer reprodutibilidade aceitável ao ensaiar alguns materiais.

O equipamento de ensaio, requisitos gerais, deve ter a sua construção em material que não pode ser afetado adversamente pela fumaça, e que seja resistente ao calor e chamas. Alguns produtos da combustão são corrosivos.

O posicionamento deve ser envolvido por um volume de ar suficiente para não ser afetado por uma eventual redução na concentração de oxigênio. Sempre que um gabinete de abertura frontal for utilizado para o ensaio, devem ser adotadas medidas para permitir que o corpo de prova seja montado a pelo menos 300 mm de distância de qualquer parede.

A moldura de montagem, projetada e construída para fixar o suporte do corpo de prova e o queimador a gás, deve estar na posição relativa especificada. O queimador a gás, conforme descrito no Anexo A, deve ser capaz de ser movido de uma posição de espera, onde o bico do queimador fique afastado em pelo menos 75 mm do corpo de prova, para ambas as posições de funcionamento: horizontal ou inclinada.

O suporte do corpo de prova, constituído por uma moldura metálica retangular com um pino de suporte do corpo de prova em cada canto de um retângulo de 190 mm de comprimento por 150 mm de largura. Os pinos de suporte, para o corpo de prova com (2 ± 0,5) mm de diâmetro e um comprimento (25 ± 1) mm. Pinos mais longos podem ser necessários para a montagem de corpos de prova espessos ou multicamadas.

O anel espaçador deve ter a finalidade de posicionar o corpo de prova em uma superfície com pelo menos 20 mm de distância da moldura, de 2 mm de diâmetro, comprimento de pelo menos 20 mm e posicionado adjacente a cada um dos quatro pinos. O gabarito, plano e rígido, feito de um material adequado e com um tamanho correspondente ao tamanho do corpo de prova (200 mm × 160 mm).

Furos de aproximadamente 4 mm de diâmetro devem ser executados em cada canto do gabarito e posicionados de forma que as distâncias entre os centros dos furos correspondam às distâncias entre os pinos do suporte do corpo de prova. Os furos devem estar localizados equidistantes em torno da linha de centro (eixo) vertical do gabarito.

Um dispositivo de cronometragem para controlar e medir o tempo de aplicação da chama, que pode ser ajustado em intervalos de 1 s, com exatidão de 0,2 s, ou melhor. Dois dispositivos de leitura de tempo com exatidão de 0,2 s ou melhor são necessários para medir o tempo pós-chama ou tempo da incandescência residual.

Estes dispositivos são iniciados, de preferência automaticamente, no instante do término ou remoção da chama de ensaio, e são interrompidos manualmente. Como alternativa, uma gravação de vídeo do ensaio pode ser realizada, desde que um medidor de tempo na tela seja fornecido com a exatidão especificada.

Utilizando o gabarito, marcar dois conjuntos de três corpos de prova. Marcar um conjunto perpendicular ao outro. Para tecidos planos, malha ou similares, orientar o eixo do gabarito no sentido do comprimento e no sentido da largura do tecido.

Para a ignição da superfície, quando as duas faces dos corpos de prova são visualmente diferentes e ensaios preliminares indicam características diferentes de flamabilidade, cada superfície deve ser ensaiada utilizando um conjunto de seis corpos de prova. Um corpo de prova adicional é necessário para ajuste das condições de ensaio.

Quando os corpos de prova são compostos por camadas múltiplas ou materiais que não ocupam toda a área do corpo de prova, posicionar o material de menor dimensão ao longo da borda inferior do corpo de prova como é aplicada no vestuário de proteção, incluindo a maneira de fixação e orientação. Exemplo: corpos de prova contendo faixa retrorrefletiva, emblemas ou inscrições são exemplos típicos de corpos de prova de múltiplas camadas, onde convém que este procedimento de preparação seja utilizado.

A menos que seja especificado de outra forma, os corpos de prova devem ser condicionados em uma atmosfera com temperatura de (20 ± 2) °C e umidade relativa de (65 ± 5) % por pelo menos 24 h. Se o ensaio não for realizado imediatamente após o condicionamento, colocar os corpos de prova condicionados dentro de um recipiente selado.

O ensaio de cada corpo de prova deve ser iniciado em no máximo 2 min após sua remoção da atmosfera de condicionamento ou do recipiente selado. São recomendados cuidados para evitar danos durante a montagem dos corpos de prova sobre os pinos no tempo especificado.

Se necessário, o corpo de prova pode ser montado sobre o suporte antes de removê-lo da atmosfera de condicionamento. Estes métodos são utilizados para determinar se ocorre a propagação da chama até a borda do corpo de prova.

Eles permitem detectar dois grupos de tecidos: tecidos que produzem pouca ou nenhuma pós-chama e tecidos que queimam em toda a sua extensão. Entretanto, existem alguns tecidos intermediários que em circunstâncias específicas podem demonstrar uma propagação das chamas mais extensa, mas não completa.

Estes tecidos intermediários podem gerar resultados muito dispersos entre um corpo de prova e outro, e podem gerar resultados diferentes com diferentes procedimentos de ensaio, por exemplo, chama na superfície ou na borda inferior, e em laboratórios diferentes. Um ensaio interlaboratorial com 11 tecidos em seis laboratórios foi realizado em 1990.

Utilizando ignição na superfície, dez dos tecidos ensaiados resultaram em zero ou tempos de pós-chama muito curtos (< 3 s) e nenhum gotejamento. O tecido remanescente apresentou tempos de pós-chama maiores, mas variáveis (de 8 s a 17 s), sem atingir a borda.

Utilizando ignição na borda inferior, somente oito tecidos ensaiados foram consistentes, tempo de pós-chama baixo (< 2 s). Os três tecidos restantes geraram tempos mais longos de pós chama, que variaram consideravelmente de um corpo de prova para outro, mas somente em alguns laboratórios.

Nos tecidos incluídos neste estudo, o ensaio de chama na superfície (procedimento A) apresentou resultados consistentes, enquanto o ensaio de chama na borda inferior (procedimento B) detectou comportamento intermediário inconsistente em alguns tecidos, porém apenas em alguns laboratórios.

O relatório de ensaio deve conter as seguintes informações: informação de que o ensaio foi realizado em conformidade com a NBR ISO 15025 e detalhes de qualquer desvio desta; tipo de gás utilizado; data do ensaio; condições de temperatura e umidade relativa do ar no ambiente em que o ensaio foi realizado; técnica utilizada para fixar os tecidos que não podem ser apoiados em pinos; identificação do tecido efetivamente ensaiado, incluindo detalhes de qualquer pré-tratamento, por exemplo, um procedimento de limpeza; tipo de superfície exposta em relação à direção da chama e do tipo de ignição utilizada, ou seja, na superfície ou na borda inferior; para cada amostra, a informação deve ser detalhada, como exigido pelos requisitos de desempenho especificados; indicação das camadas que apresentaram furos durante o ensaio de chama na superfície, como exigido, para os corpos de prova multicamadas.



Categorias:Metrologia, Normalização

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