Os ensaios em seringas para insulina

As seringas para aplicação de insulina são graduadas em unidades, adequadas à concentração U-100, o que significa que em 1 ml há 100 unidades (UI) de insulina, concentração disponível no mercado brasileiro. As seringas com agulha fixa são as mais indicadas para a aplicação de insulina, pois não possuem espaço residual (espaço morto) e permitem associar dois tipos de insulina, quando necessário. Elas necessitam ser fabricadas em conformidade com a norma técnica que determina os métodos de ensaios para seringas estéreis, com ou sem agulhas, indicadas somente para aplicação de insulina. As seringas são para uso único em seres humanos.

insulinaDa Redação –

Na tentativa de conseguir um bom controle metabólico junto aos portadores de diabetes, o tratamento substitutivo com insulina exógena se constitui em uma opção terapêutica e eficiente, frente à deficiência parcial e/ou total da secreção de insulina pelo pâncreas. Estima-se que 20 a 25% de todos os portadores de diabetes são tratados com insulina, sendo que de 5 a 10 % são do tipo 1, que necessitam deste hormônio para sobreviver e 15%, do tipo 2, que caminharam para a deficiência de insulina grave.

A insulina exógena também é utilizada nos casos de diabetes gestacional e em certas síndromes pancreáticas e endocrinopatias. Contudo, pode-se ressaltar que o uso da insulina é restrito, devido a problemas como o desconforto de injeções diárias, uma vez que as preparações insulínicas são efetivas quando administradas por via parenteral, no tecido subcutâneo e também pela dificuldade no reestabelecimento da insulinemia em níveis semelhantes ao fisiológico. A via utilizada para a aplicação diária de insulina é a subcutânea. A extensa rede de capilares possibilita a absorção gradativa da insulina e garante o perfil farmacocinético descrito pelo fabricante.

A via intramuscular é uma opção usada, às vezes, em pronto-socorro, e a via intravenosa em unidade de terapia intensiva (UTI), onde o paciente permanece devidamente monitorado. A insulina de ação rápida é a única opção para ser utilizada na aplicação intramuscular e intravenosa.

As partes do corpo recomendadas para a aplicação são as que ficam afastadas das articulações, ossos, grandes vasos sanguíneos, nervos, e devem ser de fácil acesso para a autoaplicação. O local da injeção deve ser rigorosamente inspecionado antes da aplicação e estar livre de sinais de lipodistrofia, edema, inflamação e infecção.

Existem hoje vários tipos de insulina disponíveis para o tratamento de diabetes e elas se diferenciam pelo tempo em que ficam ativas no corpo, pelo tempo que levam para começar a agir e de acordo com a situação do dia em que elas são mais eficientes. Ao compreender como a insulina funciona, o paciente poderá planejar suas refeições, lanches e exercícios.

O tratamento com insulina deve se ajustar tanto ao seu estilo de vida quanto às necessidades de controle de glicose. Lembre-se, o uso é muito individual e nem sempre se acerta de primeira. É importante ter paciência. Não existe um tamanho único no que se refere ao tratamento com insulina e ao plano de gerenciamento do diabetes. Os objetivos, idade, saúde geral, fatores de risco e atividades diárias devem ser levados em consideração sendo, portanto, cada terapia um processo individual.

A insulina humana (NPH e regular) utilizada no tratamento de diabetes atualmente é desenvolvida em laboratório, a partir da tecnologia de DNA recombinante. A insulina chamada de regular é idêntica à humana na sua estrutura. Já a NPH é associada a duas substâncias (protamina e o zinco) que promovem um efeito mais prolongado. A insulina não pode ser tomada em pílulas ou cápsulas, pois os sucos digestivos presentes no estômago interferem em sua eficácia.

As seringas de agulha removível possuem um espaço residual, entre o canhão da agulha e o bico de encaixe da seringa. O espaço residual retém de quatro a dez unidades de insulina, gerando desperdício do medicamento e além de impossibilitar a mistura de dois tipos de insulina na mesma seringa.

Portanto, as seringas com agulhas fixas não geram desperdício de insulina, podem ser utilizadas para realizar mistura de dois tipos de insulina e possuem diferentes apresentações, como capacidade para 30, 50 e 100 UI; diferentes comprimentos de agulhas, como 12,7 mm, 8 mm e 6 mm; e diferentes escalas de graduação, o que permite o registro de doses pares e ímpares com precisão. Como a maioria das aplicações são realizadas com doses inferiores a 50 UI, a recomendação é a utilização das seringas com capacidade para 30 ou 50 UI, pois possuem registro na escala de graduação de 1 em 1 UI, o que permite o registro de doses pares e ímpares com precisão.

A NBR ISO 8537 de 12/2012 – Seringas estéreis de uso único, com ou sem agulha, para insulina especifica os requisitos e métodos de ensaios para seringas estéreis, com ou sem agulhas, indicadas somente para aplicação de insulina. As seringas são para uso único em seres humanos. Abrange seringas para uso com 40 unidades de insulina/mL (U-40) e 100 unidades de insulina/mL (U-100). As seringas estéreis especificadas na norma são indicadas para uso logo após o preenchimento, uma vez que não são adequadas para armazenar insulina por períodos de tempo prolongados.

Necessária no tratamento do diabetes tipo 1, o uso da insulina deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico. As necessidades diárias de insulina variam de acordo com a idade, rotina diária, padrão alimentar e sobretudo, a presença ou não de alguma secreção residual de insulina pelas células ß pancreáticas.

De uma maneira geral, no início do quadro a necessidade diária de uma pessoa oscila entre 0,3 a 0,6 U/kg, podendo chegar a 1U/kg no final do primeiro ano de doença. Há inúmeras preparações insulínicas, que variam de acordo com a origem e o tempo de ação. Dessa forma, os portadores de diabetes tipo 1 têm que aplicar insulina diariamente o que envolve o uso de seringa e agulha.

A norma trata, principalmente, de produtos para uso em humanos e estabelece requisitos de desempenho, mas permite algumas variações de modelos de métodos de embalagem e esterilização por fabricantes individuais. Os materiais a serem usados na construção e lubrificação de seringas e agulhas estéreis, de uso único, não estão especificados, já que sua seleção depende até certo ponto do projeto, processo de fabricação e métodos de esterilização empregados por fabricantes individuais.

Recomenda-se que as seringas e agulhas sejam fabricadas e esterilizadas de acordo com os procedimentos de boas práticas de fabricação de produtos médicos, reconhecidos nacional ou internacionalmente, e recomenda-se que sejam livres de defeitos que afetem a aparência, a eficácia, a segurança e o uso pretendido. Certos tipos de polipropileno, poliestireno e estireno/copolímero de acrilonitrilo têm sido extensivamente usados para a fabricação dos cilindros das seringas estéreis de uso único.

Uma composição de borracha natural de alta qualidade é frequentemente usada para o pistão, embora outros materiais, como a borracha de silicone, sejam também usados, sendo a superfície do pistão lubrificada com o polidimetilssiloxano. Para a seringa de 2 mL, o polietileno de alta densidade é frequentemente usado para selar os dois componentes do corpo da seringa em combinação com o cilindro de polipropileno contendo uma amida de ácido graxo como agente deslizante.

Quando forem selecionados materiais, considerar o seguinte:

– Transparência do cilindro: É recomendado que os materiais usados na construção da parede do cilindro sejam transparentes, para possibilitar a leitura das dosagens sem dificuldade e para a visualização das bolhas de ar.

– Compatibilidade com as preparações de insulina: É recomendado que os materiais das seringas e agulhas (incluindo lubrificante) e da embalagem, na sua forma final, depois da esterilização e sob condições de uso normal, não afetem danosamente a eficácia, segurança e aceitabilidade das preparações de insulina: recomenda-se também que os materiais de construção não sejam afetados física ou quimicamente pelas preparações de insulina.

– Biocompatibilidade: Recomenda-se que os materiais não permitam que as seringas e as agulhas produzam, sob condições de uso normais, quantidades significativas de substâncias tóxicas, e recomenda-se que permitam satisfazer os requisitos nacionais apropriados ou regulamentos de apirogenicidade e toxicidade anormais. Para ensaiar estas propriedades, pode ser usado o Anexo H disponível na norma e como especificado.

É extremamente recomendado que as autoridades regulatórias, farmacopeia e associações comerciais importantes reconheçam a necessidade de estudos mais profundos, especialmente para incompatibilidade entre as insulinas e seringas, quando em contato por período prolongado. Em alguns países, os regulamentos nacionais estão legalmente vinculados e seus requisitos podem ter precedência sobre essa norma, que descreve seringas com e sem agulhas para uso com 40 unidades de insulina/mL (U-40) e 100 unidades de insulina/mL (U-100).

É recomendado que as seringas graduadas para uma única concentração de insulina sejam usadas em cada país para evitar acidentes. Para aqueles países que usam mais que uma concentração de insulina, é enfatizada a importância de ter seringas individuais apropriadamente graduadas para uma única concentração de insulina, como especificado nessa norma.

Sérios problemas podem ser acarretados se uma seringa for usada com uma concentração de insulina para qual não foi projetada. Se a seringa for usada para misturar diferentes tipos de insulina, é extremamente recomendado que a cada vez que o procedimento for realizado seja na mesma sequência.



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