A medição de ruído em tratores agrícolas e florestais

O ruído é uma parte comum da vida cotidiana e também na mecanização agrícola que, raramente, é notada em todos os seus efeitos. Muitos sons desagradáveis ou indesejados são chamados de ruído. O barulho que incomoda deve ser evitado em sua fonte ou ambiente em que se espalha. A intensidade desse tipo de poluição sonora causada por essas fontes pode ser determinada no ponto em que ficam o operador. A influência das velocidades do motor e das engrenagens de transmissão nos níveis de ruído pode ser calculada e o nível de incômodo depende não apenas do nível do ruído, mas também da posição do operador e da sua duração. Há um método normativo para a medição do nível de pressão sonora do ruído emitido por tratores agrícolas e florestais enquanto o veículo estiver em movimento.

trator2Da Redação –

Guinchos, zumbidos, chocalhos, bipes, buzinas, chiados, lamentações, pancadas, estrondos – todos os tipos de ruídos vêm dos dispositivos e máquinas e são mais do que meramente irritantes. A longo prazo, eles podem ter um impacto profundo nas pessoas de maneiras que nem sempre são óbvias.

Os especialistas em saúde pública alertam há muito tempo sobre os danos auditivos causados pela exposição ambiental prolongada a níveis de ruído iguais ou superiores a 85 decibéis (dBA), que podem vir de tudo, desde equipamentos de construção a cães latindo. Mas, os especialistas também estão vendo evidências de consequências fisiológicas e psicológicas da exposição ao ruído muito abaixo desse limite.

O som, geralmente gerado pelos homens, é o meio indispensável da comunicação para a vida. De acordo com essa abordagem, apresentar que o ruído é o preço da industrialização não estará errado. O ruído é aceito como poluição ambiental, durante o aumento de seus efeitos negativos.

No entanto, o ruído não é um poluente químico. Não polui o solo ou o ar e não é residente nem infeccioso. Um sussurro dos lábios ou qualquer som mecânico causado pelo atrito desaparece no espaço, mas pode afetar diretamente os homens. O som desaparece no espaço, mas permanece em pessoas com diminuição do espírito ou deficiência auditiva.

O barulho, mesmo o mais sem importância, pode deixar as pessoas briguentas e nervosas. Por esse motivo, é necessário lutar seriamente contra o ruído como os outros poluentes. Em alguns países, especialmente nos desenvolvidos, os níveis de ruído no ambiente geral aumentam perigosamente.

O ruído causa corrupção na comunicação, desconforto e reduz o desempenho físico ou mental. Isso ocorre, principalmente, na oficina com máquinas operando, os homens expõem a alto ruído. Estes representam a forma mais grave de perigos acústicos. O ruído nesses locais pode danificar seriamente a funcionalidade, ocorrendo deficiências auditivas, causadas por ruído alto que podem ser temporárias ou permanentes.

Acima de 85 dBA o nível de ruído podem comprometer a audição se continuar por muito tempo e, se for muito impetuoso, pode até causar surdez. essa maneira, as deficiências auditivas começam primeiro em altas frequências e, em seguida, a frequência da fala e as frequências mais baixas podem ser afetadas. Depois disso, a pessoa afetada pode reconhecer sua deficiência auditiva.

Geralmente os efeitos do ruído estão ocultos entre 30 a 65 dBA. Sons de 65 a 85 dBA podem causar efeitos físicos além dos efeitos fisiológicos. Esses efeitos adversos no sistema nervoso autônomo podem ser resumidos como aumento da diminuição da pressão arterial nos pulsos cardíacos, enfraquecendo os músculos e retirada do sangue da pele. Sons acima de 85 dBA têm efeitos como deficiências auditivas temporárias ou permanentes. Por esse motivo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aceitou esse nível como um nível de alerta.

No caso do ruído na agricultura, o progresso tecnológico, que visa ganhar velocidade na produção, diminuir a carga de trabalho físico dos homens, tem alguns efeitos negativos no aumento do problema mental, enquanto aumenta a produção de fato. O objetivo da mecanização agrícola, formado pelas aplicações na produção agrícola de tecnologia, fornece um aumento da carga mental dos homens, enquanto a carga de trabalho físico diminui.

Algumas pesquisas procuraram medir os níveis de ruído em instrumentos agrícolas e foram determinados acima de 90 dBA, aceitos como limite de perigo. Embora seja normal trabalhar 8 horas no nível de 90 dBA para um motorista de trator, quando o ruído aumentar 5 dBA pode ocasionar problemas aos operadores.

Os fabricantes de equipamentos agrícolas direcionaram seus esforços para reduzir os níveis de som nas estações de operação dos tratores nos últimos anos. Muitos fabricantes projetaram estações de operação para tratores com níveis de ruído abaixo do nível seguro de 85 dBA, no qual a perda auditiva não ocorrerá após 16 h de exposição. Muitos postos de operação de tratores agrícolas ainda são caracterizados por níveis de ruído suficientes para constituir um risco crônico para a saúde.

Não se deve esquecer que os riscos aumentam mais quando o problema de vibração se une ao ruído nos tratores agrícolas. A melhor maneira de se proteger dos efeitos nocivos do ruído é preveni-lo e diminuí-lo. É de responsabilidade dos planejadores e fabricantes.

O trator é um insumo definidor para a mecanização agrícola e o nível de ruído está mudando ficando entre 85 dBA e 117 dBA nas máquinas agrícolas, como colheitadeira, atomizador, máquina de inclinação, máquina de modelagem do solo, máquina de enfardamento, exceto trator. Mas entre essas máquinas, há um problema com os tratores mais antigos, porque eles têm mais tempo de uso do que as outras máquinas. Por esse motivo, o uso da cabine mais isolada do ruído e da vibração é a precaução mais importante. Sabe-se que o nível de ruído está diminuindo entre 2 dBA a 10 dBA principalmente com esta precaução.

A NBR ISO 7216 de 10/2017 – Tratores agrícolas e florestais – Medição de ruído emitido quando em movimento especifica um método para a medição do nível de pressão sonora ponderado A do ruído emitido por tratores agrícolas e florestais enquanto o veículo estiver em movimento. As condições especificadas para a operação dos tratores agrícolas e florestais durante as medições são estabelecidas para fornecer uma avaliação realista e repetível do ruído máximo emitido quando o veículo estiver em movimento. Aplica-se aos tratores agrícolas e florestais equipados com pneus elásticos ou esteiras de borracha. Não se aplica às máquinas florestais especiais, por exemplo, carregador-transportador de toras, arrastador de toras, etc., conforme definido na NBR ISO 6814, e tratores agrícolas e florestais equipados com esteiras de aço. O método de ensaio requer um ambiente acústico que somente pode ser obtido em um amplo espaço aberto.

A harmonização técnica com a OECD (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – Organisation for economic cooperation and development) é assegurada pela Agência de Manutenção que opera conforme especificado no Anexo A. Pode-se definir um trator agrícola como o veículo agrícola autopropelido que possui pelo menos dois eixos e rodas, ou esteiras contínuas, especialmente projetado para tracionar reboques agrícolas e tracionar, empurrar, transportar e operar implementos utilizados para o trabalho agrícola (incluindo o trabalho florestal), que pode ser fornecido com uma plataforma de carregamento removível.

O veículo agrícola possui uma velocidade máxima de projeto não inferior a 6 km/h e pode ser equipado com um ou mais assentos. Como instrumentação, deve ser utilizado um medidor de nível sonoro (decibelímetro) com qualidade de precisão que atenda ou exceda os requisitos da IEC 61672-1 para um instrumento de classe 1. Se um equipamento de medição alternativo for utilizado, as tolerâncias não podem exceder as fornecidas nas Seções pertinentes da IEC 61672-1 para um instrumento de classe 1. A medição deve ser realizada com uma rede de ponderação de frequência de acordo com a curva A e ajustada para fornecer resposta rápida conforme descrito na publicação da IEC.

A calibração do equipamento no momento da medição deve estar de acordo, em todos os aspectos, com as especificações da IEC 61672-1 para um instrumento de classe 1. A checagem da calibração deve ser realizada em intervalos adequados e pelo menos antes e após cada sessão de medição, utilizando um calibrador acústico de acordo com as especificações da IEC 60942 para um instrumento de classe 1. O calibrador deve ser checado anualmente para verificar a sua potência, e a sua calibração deve ser rastreável a um laboratório de normas nacionais. As medições devem ser realizadas em uma área suficientemente silenciosa, plana e aberta.

Esta área deve ser um espaço aberto com 50 m de raio, cuja parte central de pelo menos 20 m de raio deve estar praticamente nivelada e ser fabricada em concreto, asfalto ou material similar, e não pode estar coberta com neve em pó, grama alta, solo solto ou cinzas. A superfície da pista de ensaio deve ser de um tipo onde os pneumáticos ou esteiras de borracha não provoquem um ruído excessivo. A superfície deve estar limpa e seca tanto quanto possível (por exemplo, livre de cascalho, folhas, neve etc.).

As medições devem ser realizadas com boas condições climáticas e com pouco ou nenhum vento. O nível de ruído de fundo e o nível de ruído do vento no local do microfone deve ser pelo menos de 10 dB(A) abaixo do nível de ruído medido durante o ensaio. Qualquer ruído estranho que ocorra durante a leitura, que não esteja relacionado à medição geral do nível sonoro, não pode ser levado em consideração.

Não podem ser realizadas correções nos resultados do ensaio para as condições atmosféricas ou outros fatores. A pressão atmosférica não pode ser inferior a 96,6 kPa. Se isto não for possível devido às condições de altitude, pode ser que uma regulagem modificada da bomba de injeção tenha que ser realizada, cujos detalhes serão incluídos no relatório.

Para o leiaute da área de ensaio, a linha de centro da pista (CC), uma linha (PP) perpendicular a ela e que passa pelo centro da área de ensaio e duas linhas (AA e BB) paralelas à linha PP e a 10 m dela devem ser marcadas na pista (ver figura abaixo). O microfone deve ser posicionado a 1,2 m acima do solo e a uma distância de 7,5 m do eixo de movimento avante do trator, medido ao longo da linha perpendicular PP ao eixo (ver figura). O microfone deve ser orientado em um sentido perpendicular à linha de centro da trajetória na pista.

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A medição deve ser efetuada no trator sem lastro, sem carga e sem reboque ou semirreboque. Imediatamente antes do ensaio, o motor deve ser levado à sua temperatura normal de operação. A velocidade efetiva estabilizada a ser utilizada deve ser igual a três quartos da máxima atingível na caixa de transmissão ou regulagem que forneça a maior velocidade utilizada para vias públicas.

Pelo menos duas medições devem ser realizadas em cada lado do trator. Medições preliminares para estabelecer a regulagem do controle do governador de velocidade podem ser efetuadas, porém não podem ser levadas em consideração. Os tratores devem ser conduzidos na velocidade efetiva estabilizada, nas condições especificadas na Seção 8, no que se refere à linha AA. Neste momento, a alavanca de controle do governador de velocidade rapidamente deve ser totalmente aberta.

A alavanca deve ser mantida nesta posição até que o trator tenha atravessado a linha BB e, em seguida, trazida para a posição mínima o mais rapidamente possível. As medições devem ser consideradas válidas se a diferença entre duas medições consecutivas no mesmo lado do trator não exceder 2 dB(A). O nível sonoro medido mais elevado deve constituir o resultado do ensaio.

O relatório de ensaio deve incluir os seguintes detalhes: referência a esta norma; nome e endereço do fabricante; tipo de trator, número de série do modelo e tipo de transmissão; tipo e rotação nominal do motor; uma breve descrição do sistema de silencioso (se fornecido); se o trator possui tração nas duas ou nas quatro rodas; detalhes do local do ensaio, condições do piso de ensaio e condições meteorológicas; medidor de nível sonoro, marca, modelo, tipo; número de medições e os níveis de pressão sonora registrados; resultados gerais do ensaio; data e local do ensaio e assinatura da pessoa que realizou o ensaio.

Pode-se dizer que os tratores agrícolas e florestais são veículos com motor suscetível de fornecer um elevado esforço de tração, relativamente ao seu peso, mesmo em pisos com fracas condições de aderência. Construídos principalmente para puxar, empurrar, levantar e acionar máquinas e equipamentos destinados aos trabalhos agrícolas e florestais (exemplo: charrua, fresa, semeador, reboque, etc.), os tratores agrícolas e florestais têm, de um modo geral, como órgãos de propulsão, as rodas (podendo ser de duas ou de quatro rodas motrizes) ou lagartas.

O trator é, por si só, uma máquina perigosa, dado ter aproximadamente 65% do peso no eixo traseiro, distribuindo-se os restantes 35% pelo eixo dianteiro. Esta diferença de peso significativa entre os dois eixos possibilita o capotamento do veículo. As máquinas e os tratores são responsáveis pela maioria dos acidentes de trabalho agrícola e florestal.

Entre as principais causas dos acidentes com tratores agrícolas e florestais estão o cansaço, a rotina, excesso de confiança, falta de proteção anticapotamento, antiguidade do veículo e o consumo de álcool. A grande maioria das vítimas de tratores pertencem a microempresas, maioritariamente do sexo masculino. As causas mais comuns são a perda total ou parcial do controle da máquina (73%), ocorrendo o sinistro por esmagamento.

São identificados entre os riscos mais frequentes, para além do esmagamento causado pela perda parcial ou total do controle da máquina, os seguintes: reviramento lateral do trator ou do conjunto trator máquina agrícola/florestal; o empinamento traseiro, quando o trator fica descompensado com o peso da máquina colocada na sua traseira; a queda em altura: acesso ao trator ou à máquina agrícola/florestal; corte/cisalhamento/choque ou impacto: em material cortante, no fecho dos taipais laterais e/ou posteriores; enrolamento: nos veios de transmissão de cardans, nas partes móveis das máquinas (carretos, correias, correntes, etc.); atropelamento: durante a circulação de tratores, durante o engate das máquinas, presença de crianças e idosos; projeção: projeção de peças partidas, pedras, material cortante; inércia: nas máquinas que tenham volantes de inércia onde o tempo de paragem é superior.



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