Sem governança, nenhum negócio funciona bem

Manter o caixa forte depende essencialmente de um problema de governança. A governança está acima de tudo. Sem governança nada funciona bem.

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Vicente Falconi

Imagine uma empresa muito rentável, com 25% de lucro líquido. Mas, por falta de administração e retirada de lucros, está muito endividada. Ou seja, o negócio pode dar muito lucro, mas está no buraco, pois os sócios têm visões muito diferentes. Será que a criação de um conselho de administração com reuniões mensais resolveria o problema?

No curto prazo, talvez sim. No longo prazo, certamente não. É uma pena que não possam entrar em acordo, já que um negócio com margem líquida de 25% é raríssimo (eu gostaria de ter um negócio assim).

Para ser sólido para o futuro, um negócio deve ter um caixa forte. E, para isso, não tem outro jeito a não ser manter a empresa sem dívidas, sobretudo em épocas de juros muito altos como a atual, além de garantir uma taxa de crescimento contínua, mesmo que moderada, quando não for possível acelerar.

No caso, manter o caixa forte depende essencialmente de um problema de governança. A governança está acima de tudo. Sem governança nada funciona bem. Será que o negócio vai mal por falta de administração e retirada de lucros? Muito provavelmente a origem do impasse é uma sociedade com 50% para cada um, na qual cada sócio tem direito a veto.

O resultado é que todo mundo manda e ninguém pode resolver nada. Para que a empresa funcione melhor, deve-se optar por um modelo em que um dos dois tenha o controle do negócio. Ou então no qual o controle seja tão diluído que a delegação de poder dentro de certas alçadas fica mais fácil e as decisões podem ser mais racionais e menos emocionais.

Daí voltamos ao ponto inicial, a respeito da importância da criação de um conselho de administração neste momento. Minha primeira resposta foi que essa solução talvez resolvesse a questão no curto prazo. Digo talvez o porquê de esse conselho proposto, no modelo de sociedade em que cada sócio tem 50% de participação, não terá nenhuma autoridade na prática — a menos que se acrescentem essa questão  em um acordo de acionistas. Ainda assim, se as divergências forem inconciliáveis, no longo prazo a sociedade não vai funcionar.

O melhor seria resolver logo a questão, de maneira definitiva. Como diz o ditado: é melhor ficar vermelho uma vez que amarelo sempre. Se o negócio é bom, um dos sócios deve comprar a parte do outro ou vender a sua parte para o outro. Colocar panos quentes só vai postergar o problema e trazer mais angústia.

Outra dificuldade muito comum: como avaliar e estabelecer metas que não sejam apenas para ser cumpridas, mas que de fato estimulem a equipe? Vamos supor que uma empresa hipotética tenha hoje como resultado, para um indicador qualquer, um valor de 70. Em determinado momento, decide-se que a meta será elevar o patamar para 90. Aí eu pergunto: por que os funcionários responsáveis por aquele indicador já não entregavam o resultado de 90 há muito tempo?

Só existe, em meu entendimento, uma resposta: é porque o time não sabia o que fazer para chegar lá. Se soubesse, já teriam entregado aquele resultado proposto. É isso mesmo. Atingir metas significa, antes de qualquer coisa, adquirir o conhecimento necessário para que se saiba o que tem de ser feito para evoluir.

O processo de buscar atingir metas é também um processo de aquisição de conhecimento. Não pode haver nada mais estimulante e motivador do que isso dentro de uma organização. Todo ser humano gosta de aprender e sentir que está crescendo como profissional. Sim, é possível estabelecer metas para qualquer atividade.

O primeiro passo, antes de estabelecer uma meta, é descobrir quais são seus indicadores mais importantes. Os indicadores devem ser estabelecidos com base nas funções de seu trabalho, num esforço coletivo.

Deve-se perguntar ao time: quais são as responsabilidades? o que temos de entregar e a quem? Em que prazo? Em qual nível de qualidade? Recomendo dar uma olhada em meu livro Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia a Dia, onde explico como determinar seus indicadores e, assim, suas metas.

Finalmente, quero ressaltar que o trabalho de atingir metas deve ser sempre executado em grupo. Faça planos de ação que envolvam funcionários de vários níveis hierárquicos, seguindo as orientações de meu livro indicado acima. Você vai perceber que nós, seres humanos, somos gregários e gostamos muito de sentir que pertencemos ao grupo e que somos queridos por todos.

Faça tudo o que puder com a participação de todos e você logo verá que tudo vai mudar. Suas metas serão atingidas por funcionários realmente engajados com os resultados propostos e a alegria estará presente no local de trabalho.

Vicente Falconi é sócio fundador e presidente do Conselho de Administração da Falconi Consultores de Resultado, e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).



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